sexta-feira, 9 de outubro de 2026

VENHAM AO CASAMENTO: OS CONVIDADOS NÃO PRESTARAM ATENÇÃO

XXVIIi- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 22, 1-14

"Continuamos com o conflito. As autoridades “queriam prendê-lo”, mas continham-se por medo do povo; contudo, Jesus continua a querer expressar o que sente. Nesta parábola dos “convidados para o casamento” — e sentindo dor por ser filho de Israel —, Jesus percebe que o Deus do Reino que anuncia ultrapassa os limites do seu povo: é um Reino de Deus para todo o mundo, para bons e maus, e é preciso ir às encruzilhadas dos caminhos para fazer o convite. O banquete de casamento estava preparado, mas os primeiros convidados “não se mostraram dignos”.

De forma tensa — pois tensa é a realidade —, o Evangelho de Mateus mostra-nos, no meio do conflito de Jesus em Jerusalém, que o Deus que Jesus vive é para todos. Deixa de ser um Deus tribal, étnico, restrito a um único grupo interessado (mesmo que seja o dos “bons”) ou legitimador daqueles ávidos de poder… Jesus — que foi questionado pela mulher siro-fenícia quando esta disse que os estrangeiros têm direito, pelo menos, às migalhas que caem da mesa do dono da casa (20.º Domingo) — percebe agora que não têm apenas direito às migalhas, mas a sentar-se à mesa do casamento (a nova aliança), vestindo trajes de festa e de alegria.

Paradoxalmente, é o conflito com as autoridades religiosas e com o Templo que abre caminho à universalidade. Ao entrarmos em conflito com qualquer grupo que pretenda monopolizar Deus, percebemos que Ele nos conduz para além do nosso “próprio amor, querer e interesse” — como nos diz Santo Inácio — para O descobrirmos como “Senhor do Céu e da Terra”, como o “Pai nosso que está nos céus”, o Deus que faz nascer o sol para todos. No conflito de Jerusalém, e sobretudo na entrega de Jesus na cruz, entram em crise todas as imagens arcaicas — por serem tribais — de Deus, que só geram exclusão e morte.

Mas, para entrar nas bodas, para aceitar o convite, não se deve fazê-lo passivamente; não se trata de uma aceitação céptica ou curiosa, do tipo "vamos ver o que está lá dentro...", mas sim de vestir para a festa, pois é um convite para a festa da alegria da fraternidade, para a alegria do reencontro. É a mesma mesa, em igualdade de dignidade como criaturas de Deus.

Vestem-se para a festa aqueles que acolhem o convite com gratidão. Todos somos chamados às núpcias, mas nem todos as vivemos como um grande dom; os "escolhidos" de que fala o Evangelho são aqueles que perceberam o convite como um dom. Percebemos o convite como um dom quando, nas encruzilhadas da vida — por mais obscuros que sejam os caminhos —, não perdemos o anseio, o desejo de ser acolhidos, de encontrar os caminhos da Vida e de deixar para trás os caminhos que não levam a lado nenhum.

Ao longo da nossa vida, encontramos — e continuamos a encontrar — os «servos do rei» que nos fazem o convite; nas nossas próprias histórias, sabemos quem foram estes enviados que nos conduziram à festa do Reino. Não podemos deixar de agradecer por eles. Vamos vestir-nos para a festa e alegrar-nos, pois Jesus continua a abrir-nos o caminho até ao "Pai Nosso".

Toni Catalá SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 09.10.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-28º Domingo Comum-Ano A, em 09.10.2026. Tradução livre

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