XXXI - Domingo do Tempo Comum (Solenidade de Todos os Santos) -Ano ATexto Sagrado: Mt 5, 1-12a
"Seguimos o Senhor sempre na “comunhão dos santos”. Estamos no
âmbito daquele que é compassivo, do Deus da Vida, graças às mulheres e aos
homens que, ao longo da história, viveram o Evangelho e nos introduziram nele.
Este seguimento ocorre no seio de uma corrente de testemunhas da Compaixão e da
Justiça.
A nossa fé cristã não é uma mera adesão a um conteúdo
doutrinário, mas antes o desejo de viver em misericórdia, justiça e humildade,
como declarou, desde a antiguidade, o profeta Miqueias. Para nós, o Santo de
Deus é Jesus de Nazaré, aquele que “passou fazendo o bem”.
Quando, na liturgia, proclamamos no Glória: “Só vós sois o
Santo, só vós, o Senhor”, reconhecemo-nos como peregrinos e caminhantes.
Acontece que, graças a Deus, na nossa caminhada pela vida, encontramos homens e
mulheres que refletiram para nós a Santidade de Jesus. Incentivaram-nos — e
continuam a encorajar-nos — no nosso desejo de moldar o nosso coração e as
nossas ações segundo os sentimentos de Cristo Jesus. Hoje, trazemo-los à
memória e agradecemos as suas vidas.
Não estamos sozinhos no caminho — não é uma viagem para
“cavaleiros solitários” (o “Cavaleiro Solitário” era uma personagem de banda
desenhada que eu lia em criança) —, mas caminhamos sempre com outros. Cada
cristão deveria ter a sua própria “ladainha dos santos”. Cada um de nós conhece
homens e mulheres que foram canais de misericórdia na nossa vida, tanto no
passado como no presente. Nunca devemos esquecê-los.
A nossa vida, sem os santos e santas de Deus, seria uma
alucinação impossível de viver; mostram-nos que, juntos, vivemos o Evangelho.
Como diz São Paulo, somos um só corpo com uma diversidade de dons: onde eu não
chego, chega o meu companheiro de caminhada. Acontece que, ao longo do caminho,
houve companheiros e companheiras que foram especialmente agraciados e que se
tornaram a nossa fortaleza e o nosso guia.
Porque reconhecemos a Santidade de Jesus como única — e na
qual desejamos participar —, permitimos que Ele, mais uma vez, nos mostre o
caminho para não nos perdermos (sabemos que é possível chamar
"santidade" até às extravagâncias mais bizarras, ou dinâmicas de vida
que conduzem a uma verdadeira desumanização). Reconhecer a Santidade de Jesus
significa escutar, com alegria, como Ele chama felizes, bem-aventurados,
agraciados e abençoados aqueles que promovem a paz, os misericordiosos, os
puros de coração, os humildes, aqueles que exprimem, por meio de lágrimas, que
são filhos e filhas da aflição; os que se arriscam por um mundo mais voltado
para Deus, mais justo; os pobres que não depositam as suas preocupações na
riqueza...
Jesus apresenta-nos o mapa do território da santidade, para
que não nos desviemos por caminhos de injustiça, dureza de coração, desprezo,
apego à riqueza, vaidade, prepotência ou agressividade. Sabemos que vivemos num
mundo onde a santidade ainda não se manifestou na sua plenitude — onde o trigo
e o joio crescem juntos, e onde a santidade e a maldição coexistem —, mas não
nos devemos cansar de agradecer àqueles que, com a sua forma de viver, nos
mostram a verdadeira vida
Os santos e santas de Deus são os abençoados pelo dom da
bondade e da sabedoria existencial que, na nossa caminhada, fazem emergir o
melhor de nós mesmos. Jesus e os seus santos e santas fazem de nós pessoas
melhores.
Toni Catalá SJ"
Imagem: Propriedade do Blog.
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-31º Domingo Comum- Solenidade de Todos os Santos -Ano A, em 30.10.2026. Tradução livre