sábado, 4 de julho de 2026

DEUS É PARA PESSOAS SIMPLES


XIV
-Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 11, 25-30

" Há muitos anos, na “École Biblique de Jerusalém”, um professor de exegese iniciou-nos na difícil arte de desvendar o Evangelho de Mateus. Nada parecia suficiente para compreender o sentido essencial do texto: a crítica textual, a análise literária, a estrutura da passagem. Um dia, chegamos aos versículos em que Jesus exclama: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. O professor ficou em silêncio durante muito tempo. Então, disse-nos muito lentamente: “Nunca se esqueçam destas palavras. Podem esquecer todo o resto”. Foi provavelmente a melhor lição de exegese que já recebi. Mais tarde, ao longo dos anos, pude constatar que é mesmo.

Sempre que tive a impressão de estar com alguém próximo de Deus, era alguém com um coração simples. Por vezes é alguém sem grande conhecimento, outras vezes alguém de considerável cultura, mas sempre um homem ou uma mulher com uma alma humilde e pura.

Em mais do que uma ocasião, vi que o simples facto de falar de Deus não basta para despertar a fé. Para muitas pessoas, certos conceitos religiosos estão gastos, e mesmo que se tente resgatar todo o vigor e sabor que tinham na sua origem, Deus permanece de certa forma "fossilizado" nas suas consciências. No entanto, encontrei pessoas simples que não parecem precisar de grandes ideias ou raciocínios. Percebem imediatamente que Deus é "um Deus oculto" e, do seu coração, brota uma invocação espontânea: "Senhor, mostra-me a tua face".

Também conheci pessoas que agem sempre dentro do âmbito do que é prático. Algumas abandonam Deus porque Ele lhes parece totalmente inútil; outras agarram-se a Ele e adoram-n’O porque Ele serve os seus propósitos. Contudo, também conheci pessoas simples que vivem a dar graças a Deus. Gozam das coisas boas da vida, suportam as dificuldades com paciência; sabem viver e ajudar os outros a viver. Não sei como o conseguem, mas o louvor ao Criador parece brotar sempre dos seus corações. As suas vidas são uma bênção.

Já falei sobre temas religiosos muitas vezes e sobre Deus a uma grande variedade de pessoas. Por vezes, encontro pessoas que fazem uma pergunta atrás da outra sobre todo o tipo de assuntos teológicos, sem demonstrar o mínimo interesse em encontrar-se com Deus. Mas também já vi pessoas simples cujos olhos brilhavam com uma luz especial quando lia passagens como esta do profeta Isaías: “Eu sou o Senhor, teu Deus… Tu és precioso aos meus olhos, e digno de honra, e eu te amo… Não temas, porque eu sou contigo” (Isaías 43:4); ou quando recitei o Salmo 103: “Como um pai se compadece dos seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem; pois sabe como somos formados, lembra-se de que somos pó” (Salmo 103:13-14). Sim, Deus revela-se a pessoas simples.

5 de julho

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 04.07.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-14º Domingo Comum-Ano A, em 04.07.2026. Tradução livre.

sábado, 27 de junho de 2026

APRENDENDO A DAR


XIII-Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 10, 37-42

"Por vezes, responder às perguntas mais simples não é assim tão fácil. Ouvimos dizer frequentemente que amar é dar. Mas o que significa dar? Muitos presumem que dar significa simplesmente privar-se de algo, renunciar a algo ou "sacrificar-se" ao abdicar de alguma coisa. Estamos tão condicionados pela nossa sociedade de consumo — e tão inclinados a possuir, acumular e ganhar — que o acto de «dar» nos parece improdutivo. Parece um empobrecimento que não estamos dispostos a aceitar. Na nossa sociedade, quem dá sem receber é visto como alguém pouco prático, irrealista ou pouco inteligente.

No entanto, dar é algo totalmente diferente. O ato de dar é a expressão mais rica de vitalidade, abundância e poder criativo. Quando damos verdadeiramente, sentimo-nos cheios de vida e transbordantes, capazes de enriquecer os outros — mesmo que de forma modesta. "Só o amor faz a vida valer a pena. Só ajudar os outros traz a grande alegria de viver" (Karl Tillmann).

Dar significa estar vivo e ser rico. Quem possui muito, mas não sabe dar, não é verdadeiramente rico. Por mais que possua, continua pequeno, impotente e empobrecido. Na realidade, a única pessoa verdadeiramente rica é aquela que é capaz de dar algo de si aos outros.

Todos nós precisamos de ouvir com mais atenção e profundidade as palavras de Jesus. Nem mesmo um copo de água fresca dado a uma pessoa sedenta e necessitada ficará sem recompensa. Devemos aprender a partilhar o que está vivo em nós e pode fazer o bem aos outros — partilhando a nossa alegria, compreensão, encorajamento, esperança, hospitalidade ou proximidade.

Muitas vezes, não se trata de coisas grandiosas ou espetaculares. Trata-se simplesmente de "um copo de água fresca": um sorriso acolhedor, uma escuta sem pressas, uma ajuda para levantar um espírito abatido, um gesto de solidariedade, uma visita ou um sinal de apoio e amizade. Não nos esqueçamos disso. No coração da vida, existe Alguém que abençoa, acolhe e recompensa cada gesto de amor, por mais pequeno que nos possa parecer. O seu nome é Deus, nosso Pai. 

28 de junho

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 27.06.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-13º Domingo Comum-Ano A, em 27.06.2026. Tradução livre.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Mon Dieu, tu es grand, tu es beau!

“ Quero gritar

Meu Deus, tu és grande, tu és bom!

Deus Vivo, O Altíssimo!

Tu és o Deus d`´Amor!

Meu Deus, tu és grande, tu és bom!

Deus Vivo, O Altíssimo!

Tu estás presente em toda a criação! ”


sábado, 20 de junho de 2026

PORTANTO, NÃO TENHAM MEDO


XII
- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 10, 26-33

"Se lermos os quatro Evangelhos com serenidade e atenção contínua — lembrando que não foram escritos com capítulos e versículos — percebemos como, ao longo da leitura, Jesus nos convida continuamente a não temer, a não ter medo, a encontrar a paz e a pedir força: “Não tenhas medo, Zacarias”, “Não tenhas medo, Maria”, “Não tenhas medo, pastores”, “Não tenhas medo, Pedro”, “Não tenhas medo, pequeno rebanho”, “Não te preocupes com…”, “Não tenhas medo daqueles que podem matar o corpo”, “A paz esteja convosco”, “Vinde a Mim, todos vós que estais cansados ​​e sobrecarregados”, “Pedi ao Espírito que vos fortaleça…”. Se lermos isto com serenidade, os nossos corações alegram-se e desejam aproximar-se cada vez mais de Jesus.

O Cristo narrado, recordado e vivido pelas comunidades cristãs é um Jesus pacífico e pacificador, um Jesus que nos convida a viver à luz do dia e a não nos escondermos nas trevas da noite, um Jesus que deseja que descubramos a nossa plena dignidade como filhos e filhas do Deus da Vida na plena luz da verdade e da alegria, e não nos escondamos nas trevas, nas meias-verdades, na ambiguidade, naquilo que é sórdido, rarefeito, odioso, insultuoso, amargo, na cobardia anonimato… que tantas vezes emerge em momentos críticos como aquele que estamos a viver.

Ele não quer que sejamos fracos, intimidados, medrosos, submissos ou assustados… A Boa Nova de Jesus apresenta-nos duas formas de viver: trilhar o caminho da liberdade e da força ou percorrer a vida acovardados e sobrecarregados de obstáculos. Escolher um caminho ou outro depende do Deus a quem oramos, invocamos e em quem acreditamos — isto é, do Deus em quem desejamos firmar a nossa vida. Não esqueçamos que o Deus de Jesus é “a Fonte da Vida”. O caminho da estagnação e do isolamento é o caminho dos ídolos.

Jesus alerta-nos para um único medo que devemos evitar: o medo daqueles que nos podem matar “corpo e alma”, ou seja, matar não só a nossa vida “biológica”, mas também a nossa vitalidade, o nosso desejo de viver com compaixão, de criar espaços de repouso e alívio como Ele. Medo daqueles que nos podem conduzir a ciclos de desesperança e derrotismo. Medo daqueles que nos podem transformar em “mortos-vivos”.

O que pode matar a “verdadeira vida”, como gostava de dizer Santo Inácio de Loyola, não é “tomar o partido de Jesus”, mas “nega-Lo”. Devemos ter cuidado, pois as nossas ilusões levam-nos sempre a conceber o discipulado como uma batalha entre o bem e o mal: os bons somos nós, cristãos, os maus são os outros, os que estão fora da fé; Aqueles de nós que estão do lado de Jesus são os "salvos", aqueles que o negam são sempre os outros, aqueles que serão "condenados"... Será que acreditamos mesmo que é tudo assim tão simples? Tomar ou não o partido de Jesus não é algo que possamos conhecer claramente neste momento; só saberemos no fim. Mas Jesus é bom e deu-nos uma antevisão dos critérios finais: estar ao meu lado é alimentar, vestir, visitar... Isto soa-vos familiar?

Continuemos a desejar, a pedir, a estar sempre "ao lado de Jesus", pois este desejo não nos mata a vida, mas, pelo contrário, dá-nos vida.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 20.06.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-12º Domingo Comum-Ano A, em 20.06.2026. Tradução livre

sábado, 13 de junho de 2026

Ô sang et eau | Emmanuel Music

 


PROGRAMA LIBERTADOR


XI- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 9, 36-10.8

"Muitos cristãos acreditam que vivem a sua fé de forma responsável porque observam cuidadosamente determinadas práticas religiosas e procuram alinhar o seu comportamento com as leis morais e as normas eclesiásticas.

Da mesma forma, muitas comunidades cristãs acreditam que cumprem fielmente a sua missão porque se esforçam por oferecer serviços de catequese e formação na fé e se empenham em celebrar o culto cristão com dignidade.

Será que era só isso que Jesus pretendia instaurar quando enviou os seus discípulos ao mundo? Será esta a vida que ele quis incutir no coração da história?

Precisamos de ouvir novamente as palavras de Jesus para redescobrir a verdadeira missão dos crentes no meio desta sociedade. O evangelista Mateus regista o seu mandamento assim: “Ide e pregai que o reino dos céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. De graça recebestes, de graça dai”.

A nossa primeira tarefa hoje é também proclamar que Deus está perto de nós, empenhado em preservar a felicidade da humanidade. Mas esta proclamação de um Deus salvador não se faz apenas através de discursos e palavras evocativas. Não se assegura apenas através do catecismo ou da educação religiosa. Jesus recorda-nos como proclamar Deus: trabalhando desinteressadamente para dar vida nova às pessoas.

“Curar os doentes”, isto é, libertar as pessoas de tudo o que lhes rouba a vida e lhes causa sofrimento. Curar a alma e o corpo daqueles que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa do quotidiano.

“Ressuscitar os mortos”, isto é, libertar as pessoas daquilo que bloqueia as suas vidas e mata a sua esperança. Despertar de novo o amor pela vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres em quem a vida está a morrer lentamente.

“Purificar os leprosos”, isto é, purificar esta sociedade de tanta falsidade, hipocrisia e convencionalismo. Para ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade e honestidade.

“Expulsar os demónios” significa libertar as pessoas dos muitos ídolos que nos escravizam, nos possuem e pervertem as nossas relações. Onde quer que as pessoas sejam libertadas, aí Deus está a ser proclamado.

14 de junho

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 13.06.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-11º Domingo Comum-Ano A, em 13.06.2026. Tradução livre