terça-feira, 21 de abril de 2026

Tu as mis sur moi ta main | Emmanuel Music

 

O SENHOR ESTÁ SEMPRE PRESENTE NA NOSSA VIDA

III- Domingo Páscoa -Ano A

Texto Sagrado: Lc 24, 13-35 

"O caminho de Emaús é o retrato de muitos momentos de nossa vida. Assim como aqueles dois discípulos, também nós caminhamos carregando tristezas, expectativas não correspondidas e uma sensação de vazio quando aquilo em que acreditávamos parece ter desmoronado. Eles seguiam conversando, tentando compreender o que havia acontecido, mas caminhavam com o rosto abatido. Aquele percurso descreve a jornada interior de todo cristão quando se encontra diante de perdas, decepções ou silêncios de Deus que parecem prolongados demais.

Enquanto eles falavam sobre suas dores, Jesus se aproximou e caminhava ao lado deles. Eles, porém, não o reconheceram. Isso revela uma verdade fundamental: o Senhor está presente em nossa vida mesmo quando não percebemos. Ele se aproxima não quando estamos fortes, mas justamente quando estamos confusos, desanimados ou feridos. Muitas vezes nossos olhos estão impedidos de reconhecer Sua presença porque estamos fixos demais nas nossas frustrações ou expectativas.

Os discípulos desabafam: “Nós esperávamos…”. A raiz da tristeza deles estava em uma esperança construída a partir das expectativas humanas, não do plano de Deus. Também nós, muitas vezes, nos decepcionamos não porque Deus falhou, mas porque projetamos sobre Ele nossos próprios desejos e imaginamos que Ele deveria agir conforme nossos planos. Quando a realidade não corresponde às nossas expectativas, sentimos o peso do desânimo que aqueles discípulos carregavam. O texto nos convida a permitir que Deus purifique nossas imagens d'Ele e que nos ensine a olhar a vida com os olhos da fé.

Jesus escuta, acolhe, caminha, e então começa a iluminar. Ele interpreta as Escrituras e revela um sentido novo para aquilo que parecia apenas dor e fracasso. A Palavra de Deus faz arder o coração porque reorganiza o que dentro de nós está confuso. Ela nos ajuda a compreender que até mesmo os momentos difíceis podem ser parte de um caminho que conduz à vida. Quando permitimos que a Palavra nos alcance, ela acende uma esperança nova e cura as feridas que antes pareciam definitivas.

Ao chegarem ao povoado, Jesus faz menção de seguir adiante, mas os discípulos o convidam: “Fica connosco, pois já é tarde”. Esse pedido é o centro da transformação. Reconhecemos, aí, um gesto profundamente pessoal: convidar Jesus para dentro de nossa própria casa interior, permitir que Ele permaneça nas nossas noites, dúvidas e fragilidades. A fé cresce quando deixamos Cristo permanecer, e não apenas passar pela nossa vida. É esse pedido simples :“fica comigo, Senhor” que muda tudo.

O reconhecimento acontece no partir do pão. O gesto de Jesus abre os olhos dos discípulos e eles finalmente percebem quem caminhava com eles. Também nós reconhecemos o Senhor quando nos aproximamos da Eucaristia e da vida comunitária; quando partilhamos, acolhemos e nos deixamos alimentar. O Cristo ressuscitado se revela tanto na celebração quanto na fraternidade concreta, onde o pão é dividido e a vida é comunicada.

Depois desse encontro, os discípulos se levantam e retornam imediatamente a Jerusalém. A alegria do reencontro transforma a noite em caminho e devolve a eles a missão que parecia perdida. O encontro pessoal com Cristo sempre nos envia de volta ao lugar de onde viemos, mas renovados, fortalecidos, capazes de testemunhar aquilo que vivemos.

Assim, o episódio de Emaús se torna um convite pessoal: reconhecer nossos desalentos, acolher a presença silenciosa de Cristo, deixar que Sua Palavra ilumine nossa história, convidá-lo a permanecer connosco e reencontrá-lo no partir do pão. E, finalmente, levantar-nos para continuar o caminho, anunciando com a própria vida que o Senhor está vivo e caminha connosco."

Imagem: Retirada da "Google imagens" em 22.04.2026.

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de  Eliseu Wisniewski em 22.04.2026.

domingo, 12 de abril de 2026

Ressuscitei

 

«A PAZ ESTEJA CONVOSCO»


"O Evangelho de João 20,19-23 nos convida a reconhecer que, muitas vezes, também nós nos encontramos como os discípulos: fechados, com medo, inseguros diante dos acontecimentos da vida. Carregamos preocupações, dúvidas e feridas que nos fazem recuar e nos proteger. No entanto, é justamente nesse espaço de fragilidade que o Ressuscitado se faz presente. Ele não espera que estejamos prontos ou fortes; entra em nossa realidade tal como ela é e se coloca no meio de nós.

Sua primeira palavra é de paz: “A paz esteja convosco” (v. 19). Não se trata de uma saudação comum, mas de um dom profundo que devolve sentido à vida. Quando acolhemos essa presença, algo muda dentro de nós: o medo começa a dar lugar à confiança, e a tristeza se abre à alegria.
Jesus mostra suas feridas, revelando que a dor não é apagada, mas transformada. Isso nos ajuda a compreender que também as nossas feridas podem se tornar lugar de encontro com Deus, espaço de cura e de esperança. Não precisamos escondê-las, pois o Senhor as conhece e as assume conosco.

Em seguida, Ele nos envia: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (v. 21). A experiência do encontro com Cristo não nos fecha em nós mesmos, mas nos coloca em movimento. Somos chamados a levar aos outros aquilo que recebemos: a paz, a misericórdia, a esperança.
Para isso, Ele nos dá o seu Espírito. É o Espírito Santo que nos fortalece, nos orienta e nos sustenta no caminho. Não caminhamos sozinhos; somos conduzidos por essa presença viva que nos capacita a viver como discípulos.

Por fim, Jesus nos confia o perdão (v. 23). Em um mundo marcado por divisões e feridas, somos chamados a ser instrumentos de reconciliação. Perdoar não é fácil, mas é caminho de libertação e de vida nova, para nós e para os outros.
Assim, este evangelho nos convida a abrir as portas do coração, a acolher a presença do Ressuscitado e a permitir que Ele transforme nossos medos em paz, nossas feridas em esperança e nossa vida em missão."

Imagem: Retirado da partilha da página Facebok de  Eliseu Wisniewski em 12.04.2026.

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de  Eliseu Wisniewski em 12.04.2026.

domingo, 5 de abril de 2026

Wake up the world - (Rejoice Cover)

 

"Acorda, acorda o mundo e canta Aleluia! A alegria de Deus é a nossa força, Aleluia! Alegria na Terra e no Céu! Senhor Jesus, vem!"

MISTÉRIO DA ESPERANÇA


"Crer no Ressuscitado é recusar aceitar que nossa vida seja apenas um breve interlúdio entre dois imensos vazios. Confiando em Jesus, ressuscitado por Deus, sentimos, desejamos e cremos que Deus está guiando o anseio por vida, justiça e paz — um anseio que reside no coração da humanidade e de toda a criação em direção à sua verdadeira plenitude.

Crer no Ressuscitado é rebelar-se com todas as nossas forças contra a noção de que a vasta maioria dos homens, mulheres e crianças, que conheceram apenas miséria, humilhação e sofrimento nesta vida, será para sempre esquecida.

Crer no Ressuscitado é confiar em uma vida onde não haverá mais pobreza nem dor, onde ninguém estará triste, onde ninguém terá que chorar. Finalmente, poderemos ver aqueles que chegam em barcos alcançarem sua verdadeira pátria. Crer no Senhor Ressuscitado significa estender a mão com esperança a tantas pessoas doentes, com enfermidades crônicas, com deficiências físicas e mentais, pessoas mergulhadas na depressão, cansadas da vida e em constante luta. Um dia elas saberão o que é viver em paz e com saúde perfeita. Elas ouvirão as palavras do Pai: "Entrem para sempre na alegria do seu Senhor".

Crer no Senhor Ressuscitado significa recusar-se a aceitar que Deus permanecerá para sempre um "Deus oculto", cujo olhar, ternura e abraço não podemos conhecer. Nós o encontraremos gloriosamente encarnado para sempre em Jesus.

Crer no Senhor Ressuscitado significa confiar que nossos esforços por um mundo mais humano e alegre não serão em vão. Um dia abençoado, os últimos serão os primeiros, e as prostitutas nos precederão no reino.

Crer no Ressuscitado é saber que tudo o que ficou inacabado aqui, tudo o que não pôde ser, tudo o que estragamos com nossa falta de jeito ou nosso pecado, alcançará sua plenitude em Deus. Nada se perderá daquilo que vivemos com amor ou daquilo a que renunciamos por amor.

Crer no Ressuscitado é ter esperança de que os momentos de alegria e as experiências amargas, as "marcas" que deixamos nas pessoas e nas coisas, tudo o que construímos com amor, serão transfigurados. Não conheceremos mais amizades que terminam, festas que acabam ou despedidas que trazem tristeza. Deus será tudo em todos.

Crer no Ressuscitado é crer que um dia ouviremos estas palavras incríveis que o Livro do Apocalipse coloca nos lábios de Deus: "Eu sou o princípio e o fim de todas as coisas. A quem tiver sede, darei de graça da fonte da água da vida." Não haverá mais morte, nem choro, nem dor, pois todas essas coisas terão passado."

Imagem: Propriedade do Blog Catequese Missionária.

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola- Domingo Páscoa Ano A, em 05.04.2026. Tradução livre