domingo, 1 de novembro de 2026

Santidade uma meta para todos…

Ser cristão e não querer ser santo faz sentido? (...) Ser cristão, e não desejar que todos sejam santos é aceitável? (...) Obviamente que não. A “Santidade” é um “máximo” e um “mínimo” de todos os cristãos. É um “máximo” porque bem sabemos que Santo só  é o Senhor que nos criou, seu Filho que nos remiu e o Espirito Santo que nos santifica. A  Santidade plena não é atingida por nós, mas é um “mínimo”, uma exigência, porque tudo devemos fazer para imitar Jesus, tudo devemos fazer para que a vontade de Deus seja cumprida em nós próprios e em todos.

Pelo Batismo nos tornamos em novas criaturas, santos  do Santo. Em primeiro lugar, é pela Graça de Deus que somos santos, é iniciativa de Deus,  uma oferta, um dom precioso, foi Jesus que nos ofereceu a sua Vida; mas também é verdade que nos compete aceitar ou não essa Oferta, essa Entrega total. "Amor com amor se paga", diz o ditado, e daí nasce a questão: -sou grato ou ingrato? Quero ser santo ou não? 

É cristão o peregrino que caminha para a santidade. Ainda que, por vezes, seja ingrato para com Jesus, ele sabe que só é feliz louvando o Senhor para  sempre. Ninguém se justifica sozinho, foi Ele que nos resgatou e nos branqueou com o Seu Sangue. Jesus detesta o pecado  mas muito amou e ama o pecador: Há muito que nos resgatou(…). O Pai também ama os filhos que andaram por caminhos errados . Ainda sem cada um destes filhos  o saber, o Pai  já o esperava e tinha guardado para ele aquele abraço, que, sem palavras, tudo cura e perdoa. E então faz-se a festa, mata-se o vitelo gordo, a alegria nasce de novo.

O cristão procura a Verdade que é o Verbo Encarnado que habitou entre nós (…) quem caminha com a Palavra de Deus e se vai convertendo a Ela, caminha na santidade. Quem vive com sinceridade os Sacramentos,  já experimenta a santidade e a alegria de ser santo na comunhão dos Santos.

Ser santo é aceitar ser criança de novo, confiando inteiramente no Pai.
                                                                                                                                                                              (Diác.José Luís Leão-2013)

<<Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos.Amen.>>    
                                       Ap7,10.12

Imagem: Retirada do Google imagens em 01.11.2026

Cura: que enfermidades?

 


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

SEREIS BEM-AVENTURADOS


 XXXI - Domingo do Tempo Comum (Solenidade de Todos os Santos) -Ano A

Texto Sagrado: Mt 5, 1-12a 

"Seguimos o Senhor sempre na “comunhão dos santos”. Estamos no âmbito daquele que é compassivo, do Deus da Vida, graças às mulheres e aos homens que, ao longo da história, viveram o Evangelho e nos introduziram nele. Este seguimento ocorre no seio de uma corrente de testemunhas da Compaixão e da Justiça.

A nossa fé cristã não é uma mera adesão a um conteúdo doutrinário, mas antes o desejo de viver em misericórdia, justiça e humildade, como declarou, desde a antiguidade, o profeta Miqueias. Para nós, o Santo de Deus é Jesus de Nazaré, aquele que “passou fazendo o bem”.

Quando, na liturgia, proclamamos no Glória: “Só vós sois o Santo, só vós, o Senhor”, reconhecemo-nos como peregrinos e caminhantes. Acontece que, graças a Deus, na nossa caminhada pela vida, encontramos homens e mulheres que refletiram para nós a Santidade de Jesus. Incentivaram-nos — e continuam a encorajar-nos — no nosso desejo de moldar o nosso coração e as nossas ações segundo os sentimentos de Cristo Jesus. Hoje, trazemo-los à memória e agradecemos as suas vidas.

Não estamos sozinhos no caminho — não é uma viagem para “cavaleiros solitários” (o “Cavaleiro Solitário” era uma personagem de banda desenhada que eu lia em criança) —, mas caminhamos sempre com outros. Cada cristão deveria ter a sua própria “ladainha dos santos”. Cada um de nós conhece homens e mulheres que foram canais de misericórdia na nossa vida, tanto no passado como no presente. Nunca devemos esquecê-los.

A nossa vida, sem os santos e santas de Deus, seria uma alucinação impossível de viver; mostram-nos que, juntos, vivemos o Evangelho. Como diz São Paulo, somos um só corpo com uma diversidade de dons: onde eu não chego, chega o meu companheiro de caminhada. Acontece que, ao longo do caminho, houve companheiros e companheiras que foram especialmente agraciados e que se tornaram a nossa fortaleza e o nosso guia.

Porque reconhecemos a Santidade de Jesus como única — e na qual desejamos participar —, permitimos que Ele, mais uma vez, nos mostre o caminho para não nos perdermos (sabemos que é possível chamar "santidade" até às extravagâncias mais bizarras, ou dinâmicas de vida que conduzem a uma verdadeira desumanização). Reconhecer a Santidade de Jesus significa escutar, com alegria, como Ele chama felizes, bem-aventurados, agraciados e abençoados aqueles que promovem a paz, os misericordiosos, os puros de coração, os humildes, aqueles que exprimem, por meio de lágrimas, que são filhos e filhas da aflição; os que se arriscam por um mundo mais voltado para Deus, mais justo; os pobres que não depositam as suas preocupações na riqueza...

Jesus apresenta-nos o mapa do território da santidade, para que não nos desviemos por caminhos de injustiça, dureza de coração, desprezo, apego à riqueza, vaidade, prepotência ou agressividade. Sabemos que vivemos num mundo onde a santidade ainda não se manifestou na sua plenitude — onde o trigo e o joio crescem juntos, e onde a santidade e a maldição coexistem —, mas não nos devemos cansar de agradecer àqueles que, com a sua forma de viver, nos mostram a verdadeira vida

Os santos e santas de Deus são os abençoados pelo dom da bondade e da sabedoria existencial que, na nossa caminhada, fazem emergir o melhor de nós mesmos. Jesus e os seus santos e santas fazem de nós pessoas melhores.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Propriedade do Blog.

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-31º Domingo Comum- Solenidade de Todos os Santos -Ano A, em 30.10.2026. Tradução livre

Heureux, Bienheureux

 


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O AMOR É TUDO

XXX- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 22, 34-40

"Os judeus chegaram a contabilizar seiscentos e treze mandamentos que deviam ser observados para cumprir integralmente a Lei. Por isso, não era incomum, nos círculos rabínicos, surgirem perguntas como a que foi feita a Jesus, numa tentativa de buscar o essencial: qual é o primeiro de todos os mandamentos?

Jesus responde de forma clara e precisa: «O primeiro é: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu ser”. O segundo é este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não há maior mandamento do que estes». Como ouvir, hoje, estas palavras fundamentais de Jesus?

Há algo que se nos revela com toda a clareza: o amor é tudo. O que nos é pedido na vida é amar. Aí está a chave. Podemos, depois, extrair todo o tipo de consequências e desenvolvimentos, mas o essencial é viver diante de Deus e dos outros numa atitude de amor. Se pudéssemos agir sempre assim, tudo estaria salvo. Não há nada mais importante do que isso, nem mesmo a prática de uma determinada religião.

Mas porque é que o amor é a força que dá sentido, verdade e plenitude à vida? Esta centralidade do amor assenta, segundo a fé cristã, numa realidade: Deus, a origem de toda a vida, é, Ele próprio, amor. Esta é a definição ousada e insuperável da fé cristã: «Deus é amor» (1 João 4,8). De certo modo — ainda que de forma imperfeita —, pode dizer-se que Deus consiste em amar; Deus não sabe, não quer e não pode fazer outra coisa senão amar. Podemos duvidar de tudo, mas daquilo de que nunca devemos duvidar é do Seu amor.

É precisamente por isso que amar a Deus significa encontrar o nosso próprio bem. O que dá verdadeira glória a Deus não é o nosso mal, mas sim a nossa vida e a nossa plenitude. Quem ama a Deus e se sabe amado por Ele com um amor infinito aprende a olhar para si mesmo, a valorizar-se e a cuidar de si com verdadeiro amor. Quanta força e dinamismo gera em nós esta forma peculiar de nos compreendermos! Quantos medos e angústias se dissipam dentro de nós! Como a vida se torna diferente quando a pessoa aprende a dizer: «Senhor, faça-se a Tua vontade, pois, assim, vai-se construindo também o meu próprio bem».

Por outro lado, é então que se compreende, na sua verdadeira profundidade, o segundo mandamento: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Quem ama a Deus sabe que não pode viver numa atitude de indiferença, descaso ou esquecimento em relação aos outros. A única postura humana perante qualquer pessoa que encontremos na vida é amá-la.

Isto não significa que se deva viver da mesma forma a intimidade com a esposa, a relação com o cliente ou o encontro casual com alguém na rua. O que nos é pedido é agir, em cada situação, procurando positivamente o bem que desejamos para nós. Em tempos em que tudo parece ser posto em causa, é bom lembrar que há algo inquestionável: o ser humano é verdadeiramente humano quando sabe viver amando a Deus e ao próximo.

25 de outubro,

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 23.10.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-30º Domingo Comum-Ano A, em 23.10.2026. Tradução livre

Ô mort, où est ta victoire | Louange | Emmanuel Music



sexta-feira, 16 de outubro de 2026

HIPÓCRITAS, PORQUE ME TENTAIS?


XXIX
- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 22, 15-21

"Jesus já rompeu com o pessoal do Templo — saduceus e membros do conselho, que constituem a elite sacerdotal e a aristocracia — e, agora, são os fariseus que, cada vez mais, tentam encurralar Jesus. Os fariseus não estão tanto ligados ao Templo, mas sim à Lei. Divergem dos saduceus quanto à crença na ressurreição dos mortos; os saduceus não acreditam — entre outras razões, porque já possuem tudo aqui e nada mais esperam. Os fariseus acreditam na ressurreição e vivem segundo a Lei; nesse sentido, são pessoas profundamente religiosas. O problema deles é que pensam: “nós não somos como os outros”. Mais uma vez, surge o orgulho, que se aloja naqueles que se consideram fiéis cumpridores da Lei, sem, no entanto, a viverem com um coração agradecido.

Jesus incomoda-os — sobretudo o setor mais “fundamentalista”, oriundo da escola rígida do mestre Shamai. Não porque Ele seja contra a Lei — o que seria um absurdo, dado que Jesus é judeu, e um judeu convicto —, mas pela liberdade com que Ele coloca sempre, no centro do viver segundo a Lei, o alívio e a dignificação das criaturas. Jesus incomoda-os porque, com o seu modo de vida compassivo, lhes desmascara a arrogância e a dureza de coração; acima de tudo, evidencia a capacidade que possuem para interpretar as leis sempre em benefício dos seus próprios interesses (é permitido, por exemplo, levar um animal ao bebedouro num sábado, mas não aliviar as mulheres “curvadas”, abatidas).

Os fariseus querem apanhar Jesus, mas de uma forma subtil, astuta e hipócrita. Aproximam-se d’Ele com lisonjas. O relato diz que Jesus percebe imediatamente a má intenção deles; contudo, aproximam-se acompanhados por “partidários de Herodes” — e este pormenor é fundamental. Herodes é um fantoche de César; é um reizinho colocado por Roma para realizar o “trabalho sujo” do império. Os fariseus aproximam-se de Jesus para o pôr à prova, mas, sozinhos, não se atrevem a fazê-lo; recorrem àqueles que, perante qualquer questionamento a César, responderão com violência.

Quando a religião é utilizada para encobrir interesses obscuros, não há problema em recorrer àqueles que “tiranizam e oprimem” — aos césares deste mundo. Quantos cristãos, que não acreditam na “força do Evangelho”, gostariam que os poderes deste mundo facilitassem a sua “doutrinação”! A Boa Nova legitima-se por si mesma; o Deus da Vida não precisa que ninguém o defenda. Que blasfémia é confundir os próprios interesses com Deus!

Agora, armam-lhe uma cilada: “É lícito pagar impostos a César?”. Se ele diz que não, os partidários de Herodes esmagam-no. Se diz que sim, o povo vê-o como um traidor colaboracionista. Jesus não diz “pagai” a César e “pagai” a Deus, mas antes “devolvei” a César o que é d’Ele e “devolvei” a Deus o que é d’Ele. Isto não é apenas um jogo de palavras. A vida do Reino não deve ser enredada na lógica e na dinâmica do mundo. “Não se pode servir a dois senhores”, dirá Jesus noutro momento. Pagar tributo a César significa aceitar o controlo e o domínio dos poderosos sobre o Reino de Deus. A tentação de todo o poder é divinizar-se, tornar-se um deus; e Jesus não está disposto a fazer o jogo dos poderosos. Jesus diz-nos para devolvermos a César o que é d’Ele — o poder e o domínio — para que possamos viver em liberdade e compaixão; e isso levar-nos-á a “devolver” ao Deus da Vida todo o bem recebido. “Vós me destes, a Vós, Senhor, eu devolvo”, ensina-nos Santo Inácio de Loyola.

Toni Catalá, SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 15.10.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-29º Domingo Comum-Ano A, em 15.10.2026. Tradução livre