Catequese Missionária
sábado, 9 de maio de 2026
O DEUS TRINO É A VIDA E ESTÁ EM MIM
VI - Domingo Páscoa -Ano A
Texto Sagrado: Jo 14,15-21
Esta passagem fala da presença do Pai, de Jesus e do Espírito nos membros da comunidade. Visa mostrar que não eram inferiores àqueles que conheceram Jesus; por isso é tão importante para nós hoje. Coloca-nos perante a realidade do Jesus vivo que nos capacita para vivermos com a mesma Vida que Ele teve.
Não nos devemos confundir com a forma como estas ideias sobre
a relação de Jesus, o Pai e o Espírito são formuladas. Não se trata de uma
relação com alguma entidade exterior aos seres humanos. Nem sequer estamos a
falar de três realidades distintas: Pai, Jesus e Espírito. Estamos a falar da
mesma realidade com nomes diferentes. Ela insiste na identidade dos três.
Se me amardes, obedecereis aos meus mandamentos. No capítulo
seguinte, estes reduzem-se a um: amar. Quem não ama os outros não ama Jesus,
nem o Pai, porque eles estão em cada ser humano. O amor é o mandamento. As
“exigências” não são obrigações impostas a partir do exterior, mas uma urgência
que vem de dentro e se manifesta em ações.
Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará outro Advogado para estar
convosco para sempre. Ele não está a falar de uma realidade distinta daquilo
que ele ou o Pai são. Será uma nova forma de experienciar o amor. Diz que
enviará o Espírito, depois de ele próprio voltar e, finalmente, que o Pai e ele
virão e permanecerão. É uma realidade que é múltipla e, ao mesmo tempo, una.
Advogado (paráclito) é aquele que ajuda em qualquer
circunstância; um advogado, um defensor num julgamento. Tem um duplo papel:
interpretar a mensagem de Jesus e dar segurança e orientação aos discípulos.
Enquanto estava com eles, era o próprio Jesus que os defendia. Ora, o Espírito
será o único advogado, mas mais eficaz, porque os defenderá a partir de dentro.
Não vos deixarei órfãos. No Antigo Testamento, o órfão era o
protótipo daquele contra quem se podia cometer impunemente todo o tipo de
injustiça. Jesus não deixará os seus seguidores indefesos contra o poder do
mal. Este poder não se manifestará eliminando o inimigo, mas fortalecendo
aquele que é atacado, para que o vençam sem serem afetados de forma alguma.
O mundo não me verá mais; vós, porém, ver-me-eis, porque eu
tenho vida, e vós também a tereis. Não se trata de visão sensorial, mas de
descobrir que Ele continua a dar-lhes vida. O mundo deixará de O ver. Aqueles
que, durante a sua vida terrena, O viram como o mundo, poderão agora vê-Lo de
uma nova forma.
Nesse dia, experimentareis que Eu Me identifico com o Pai,
vós comigo e Eu convosco. Ao participarem na vida do Pai, experimentarão a
unidade com Jesus e com o Pai. É o significado mais profundo do amor: a unidade
(ágape). Já não há sujeito que ama nem objeto amado. É uma experiência de
unidade tão viva que ninguém lhes pode tirar.
“Quem aceita os meus mandamentos e os guarda, esse é que Me
ama.” A sua mensagem é de amor pela humanidade, não de submissão. A presença de
Jesus e de Deus é experimentada como uma proximidade interior, e não exterior.
No passado domingo, ia preparar um lugar na casa do Pai. Aí, são o Pai e Jesus
que vêm habitar com o discípulo.
Um versículo depois, diz: “Quem Me ama guardará a minha
palavra, e meu Pai lhe mostrará o seu amor; viremos a ele e faremos nele a
nossa morada.” Têm a presença garantida do Pai de Jesus e do Espírito. Deus não
tem de vir de lado nenhum, porque Ele está em nós antes mesmo de começarmos a
existir. A identidade de Jesus e do Pai é confirmada.
Jesus viveu uma identificação com Deus que não podemos
exprimir por palavras. Somos chamados a essa mesma identificação. Tornar-me uno
com Deus, que é espírito e que não está em nós como parte parcial de um todo
que é o eu, mas como fundamento do meu ser, sem o qual nada pode existir em
mim. Sou plenamente humano e divino.
Irmão Marcos
Imagem: Retirada do Google imagens em 09.05.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-5º Domingo de Páscoa-Ano A, em 09.05.2026. Tradução livre
domingo, 3 de maio de 2026
Je veux chanter mes hymnes - Chant de l'Emmanuel
sábado, 2 de maio de 2026
SENHOR, COMO PODEMOS CONHECER O CAMINHO?
V - Domingo Páscoa -Ano A
Texto Sagrado: Jo 14, 1-12
"O regresso do Senhor Ressuscitado
à comunidade é um regresso pacífico e vivificante. Agora é o momento em que
eles podem compreender, no seu coração, vital e profundamente, tudo o que Jesus
experimentou e tudo o que eles experimentaram com Ele. Foi necessário que Jesus
“desaparecesse” para que pudessem compreender a sua pessoa e a sua obra, para
que pudessem perceber quem era Jesus dos caminhos da Galileia e quem Ele é,
agora experimentado como o Senhor e Cristo.
Isto não nos deveria surpreender.
Só compreendemos verdadeiramente o que uma pessoa significou para nós e para as
nossas vidas quando já não está ao nosso lado. Quando estão connosco, somos
mais propensos a ver fraquezas e falhas. Quando desaparecem e o tempo passa,
somos tocados com gratidão por tudo o que a sua proximidade e presença
significaram nas nossas vidas. Quando um amigo ou familiar nos deixa pela
morte, no vazio da separação começamos a aperceber-nos de tudo o que nos deram
em vida.
O caminho que Jesus
percorreu na sua vida foi um caminho de serviço, mas os seus seguidores não
compreenderam que o caminho da humildade e do amor altruísta, do amor
sacrificial, era a única forma de alcançar o Pai. Alcançámos o Pai através do
serviço às suas criaturas ("Se eu, sendo Senhor e Mestre, lavei os vossos
pés..."). Ao longo de toda a narrativa da Páscoa, os discípulos chegarão a
compreender Jesus nos seus corações. A vida de discipulado é um processo;
estamos sempre a descobrir novas dimensões, novas experiências... é a Fonte de
Água Viva que nunca seca.
A verdade é uma palavra
tão deturpada que ainda hoje a sua existência é negada; o que existe são
opiniões, mas não factos verdadeiros — é a este ponto que chegamos... Esta
situação provoca um profundo desconforto, hesitação, perplexidade e uma
necessidade mórbida de procurar segurança nas pessoas e nas ideologias, de
seguir promessas improváveis que matam a liberdade. Jesus não diz
propriamente que só "a verdade nos liberta". As mentiras aprisionam,
enganam, toldam a nossa visão e escravizam-nos. A comunidade dos seguidores de
Jesus está a experimentar que só Ele é a Verdade que nos guia no caminho da
liberdade.
Entendo que a palavra nos assusta
porque, sob o pretexto de "possuir a verdade", causamos e continuamos
a causar destruição. Não possuímos a verdade; pelo contrário, a Verdade
possui-nos. A verdade de que Jesus habita e vive no Pai e o Pai n’Ele não é um
jogo de palavras, mas antes o critério para sabermos que vivemos na Verdade
quando nos aproximamos d’Ele e experimentamos a alegria de nos sentirmos
enraizados no Compassivo. A única verdade é o Amor Incondicional, do qual
ninguém nem nada nos pode separar.
Ele é a Vida, a nossa
vida. Ele sustenta-a, mantém-na, é a nossa força na fraqueza, a luz no meio da
nossa escuridão, a nossa esperança em tempos de incerteza. Ele provou-o dando a
Sua vida incondicionalmente por nós. Obrigado, Jesus, por seres o caminho da
vida e da verdade.
Toni Catalá SJ"
Imagem: Retirada do Google imagens em 02.05.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-5º Domingo de Páscoa-Ano A, em 02.05.2026. Tradução livre
sábado, 25 de abril de 2026
ENCONTRAR A PORTA CERTA
Texto Sagrado: Jo 10, 1-10
"O Evangelho de João apresenta Jesus com imagens originais e belas. Quer que os seus leitores descubram que só ele pode responder plenamente às necessidades mais fundamentais da humanidade. Jesus é “o pão da vida”: quem dele se alimentar nunca terá fome. Ele é “a luz do mundo”: quem o segue não andará nas trevas. Ele é “o bom pastor”: quem escuta a sua voz encontrará a vida.
Entre estas imagens, encontra-se
uma, humilde e quase esquecida, que, no entanto, contém um significado
profundo. “Eu sou a porta”. Esse é Jesus. Uma porta aberta. Quem o segue
atravessa um limiar que conduz a um novo mundo: uma nova forma de compreender e
viver a vida.
O evangelista explica-o com três
características: “Quem entrar por Mim será salvo”. A vida tem muitos caminhos.
Nem todos conduzem ao sucesso ou garantem uma vida plena. Quem, de alguma
forma, se liga a Jesus e procura segui-Lo, está a entrar pela porta certa. Não
desperdiçará a sua vida. A salvará.
O evangelista diz algo mais. Quem
entra por meio de Jesus “poderá entrar e sair”. Ele tem liberdade de
movimentos. Entra num espaço onde pode ser livre, pois é guiado apenas pelo
Espírito de Jesus. Não é a terra da anarquia ou da licenciosidade
[devassidão/libertinagem].
Ele “entra e sai”, passando
sempre por aquela “porta” que é Jesus, e segue os seus passos.
O evangelista acrescenta ainda
outro pormenor: quem entra por aquela porta que é Jesus “encontrará pastagem”,
não terá fome nem sede. Encontrará alimento sólido e abundante para viver.
Cristo é a “porta” pela qual nós,
cristãos, também devemos entrar hoje, se queremos reacender a nossa identidade.
Um cristianismo composto por pessoas batizadas que se relacionam com um Jesus
incompreendido, vagamente recordado, afirmado apenas ocasionalmente de forma
abstrata, um Jesus silencioso que nada diz de especial ao mundo de hoje, um
Jesus que não toca os corações… é um cristianismo sem futuro.
Só Cristo nos pode conduzir a um novo nível de vida cristã, mais bem fundamentada, motivada e alimentada pelo Evangelho. Cada um de nós pode contribuir para uma Igreja nos próximos anos onde Jesus seja sentido e vivido de forma mais vívida e apaixonada. Podemos tornar a Igreja mais semelhante a Jesus.
26 de abril de 2026
José António Pagola"
Imagem: Retirada do Google imagens em 25.04.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-4º Domingo de Páscoa-Ano A, em 25.04.2026. Tradução livre
terça-feira, 21 de abril de 2026
O SENHOR ESTÁ SEMPRE PRESENTE NA NOSSA VIDA
Texto Sagrado: Lc 24, 13-35
"O caminho de Emaús é o retrato de
muitos momentos de nossa vida. Assim como aqueles dois discípulos, também nós
caminhamos carregando tristezas, expectativas não correspondidas e uma sensação
de vazio quando aquilo em que acreditávamos parece ter desmoronado. Eles
seguiam conversando, tentando compreender o que havia acontecido, mas
caminhavam com o rosto abatido. Aquele percurso descreve a jornada interior de
todo cristão quando se encontra diante de perdas, decepções ou silêncios de
Deus que parecem prolongados demais.
Enquanto eles falavam sobre suas
dores, Jesus se aproximou e caminhava ao lado deles. Eles, porém, não o
reconheceram. Isso revela uma verdade fundamental: o Senhor está presente em
nossa vida mesmo quando não percebemos. Ele se aproxima não quando estamos
fortes, mas justamente quando estamos confusos, desanimados ou feridos. Muitas
vezes nossos olhos estão impedidos de reconhecer Sua presença porque estamos
fixos demais nas nossas frustrações ou expectativas.
Os discípulos desabafam: “Nós
esperávamos…”. A raiz da tristeza deles estava em uma esperança construída a
partir das expectativas humanas, não do plano de Deus. Também nós, muitas
vezes, nos decepcionamos não porque Deus falhou, mas porque projetamos sobre
Ele nossos próprios desejos e imaginamos que Ele deveria agir conforme nossos
planos. Quando a realidade não corresponde às nossas expectativas, sentimos o
peso do desânimo que aqueles discípulos carregavam. O texto nos convida a
permitir que Deus purifique nossas imagens d'Ele e que nos ensine a olhar a
vida com os olhos da fé.
Jesus escuta, acolhe, caminha, e
então começa a iluminar. Ele interpreta as Escrituras e revela um sentido novo
para aquilo que parecia apenas dor e fracasso. A Palavra de Deus faz arder o
coração porque reorganiza o que dentro de nós está confuso. Ela nos ajuda a
compreender que até mesmo os momentos difíceis podem ser parte de um caminho
que conduz à vida. Quando permitimos que a Palavra nos alcance, ela acende uma
esperança nova e cura as feridas que antes pareciam definitivas.
Ao chegarem ao povoado, Jesus faz
menção de seguir adiante, mas os discípulos o convidam: “Fica connosco, pois já
é tarde”. Esse pedido é o centro da transformação. Reconhecemos, aí, um gesto
profundamente pessoal: convidar Jesus para dentro de nossa própria casa
interior, permitir que Ele permaneça nas nossas noites, dúvidas e fragilidades.
A fé cresce quando deixamos Cristo permanecer, e não apenas passar pela nossa
vida. É esse pedido simples :“fica comigo, Senhor” que muda tudo.
O reconhecimento acontece no
partir do pão. O gesto de Jesus abre os olhos dos discípulos e eles finalmente
percebem quem caminhava com eles. Também nós reconhecemos o Senhor quando nos
aproximamos da Eucaristia e da vida comunitária; quando partilhamos, acolhemos
e nos deixamos alimentar. O Cristo ressuscitado se revela tanto na celebração
quanto na fraternidade concreta, onde o pão é dividido e a vida é comunicada.
Depois desse encontro, os
discípulos se levantam e retornam imediatamente a Jerusalém. A alegria do
reencontro transforma a noite em caminho e devolve a eles a missão que parecia
perdida. O encontro pessoal com Cristo sempre nos envia de volta ao lugar de
onde viemos, mas renovados, fortalecidos, capazes de testemunhar aquilo que
vivemos.
Assim, o episódio de Emaús se
torna um convite pessoal: reconhecer nossos desalentos, acolher a presença
silenciosa de Cristo, deixar que Sua Palavra ilumine nossa história, convidá-lo
a permanecer connosco e reencontrá-lo no partir do pão. E, finalmente,
levantar-nos para continuar o caminho, anunciando com a própria vida que o
Senhor está vivo e caminha connosco."
Imagem:
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de Eliseu Wisniewski em 22.04.2026.


