sábado, 5 de setembro de 2026

O QUE FAÇO POR UMA IGREJA MAIS FIEL A JESUS?


XXIII
- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 18, 15-20

"«Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles». A melhor forma de tornar Cristo presente na sua Igreja é manter-nos unidos, agindo «em seu nome», movidos pelo seu Espírito. A Igreja não precisa tanto das nossas declarações de amor ou das nossas críticas, mas sim do nosso compromisso real. Não são poucas as perguntas que podemos colocar a nós próprios.

O que faço para criar um clima de conversão coletiva no seio desta Igreja, sempre necessitada de renovação e transformação? Como seria a Igreja se todos vivessem a adesão a Cristo mais ou menos como eu a vivo? Seria ela mais ou menos fiel a Jesus?

O que ofereço em termos de espírito, verdade e autenticidade a esta Igreja, tão necessitada de radicalidade evangélica para oferecer um testemunho credível de Jesus no meio de uma sociedade indiferente e descrente?

Como contribuo, com a minha vida, para edificar uma Igreja mais próxima dos homens e mulheres do nosso tempo, que saiba não só ensinar, pregar e exortar, mas, sobretudo, acolher, escutar e acompanhar aqueles que vivem perdidos, sem conhecer o amor nem a amizade?

O que ofereço para construir uma Igreja samaritana, de coração grande e compassivo, capaz de esquecer os seus próprios interesses para viver voltada para os grandes problemas da humanidade?

O que faço para que a Igreja se liberte dos medos e das servidões que a paralisam e a prendem ao passado, e se deixe penetrar e vivificar pela frescura e pela criatividade que nascem do evangelho de Jesus?

O que eu ofereço, nestes momentos, para que a Igreja aprenda a «viver em minoria», sem grandes pretensões sociais, mas de maneira humilde, como «fermento» oculto, «sal» transformador, pequena «semente» disposta a morrer para dar vida? Que faço por uma Igreja mais alegre e esperançosa, mais livre e compreensiva, mais transparente e fraterna, mais crente e credível, mais de Deus e menos do mundo, mais de Jesus e menos dos nossos interesses e ambições? A Igreja muda quando nós mudamos; converte-se quando nós nos convertemos.

6 de setembro

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 05.09.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-23º Domingo Comum-Ano A, em 05.09.2026. Tradução livre

Taize Ubi caritas

 


domingo, 30 de agosto de 2026

PENSAS COMO OS HOMENS, NÃO PENSAS COMO DEUS


XXII
- Domingo do Tempo Comum -Ano A
Texto Sagrado: Mt 16, 21-27

"Pedro confessou muito bem que Jesus é o enviado do Pai (domingo anterior), é aquele que havia de vir, anunciado pelo Batista, é o Filho que vem das entranhas compassivas do Deus da Vida, é o Ungido, o Cristo… mas Pedro não entende, ou não quer entender, que a questão não é confessar corretamente quem é Jesus — até os demónios confessam que Jesus é o Filho de Deus —, mas sim segui-lo na maneira como ele se situa na vida, deixar-se comover ao perceber como se vive como Filho, surpreender-se com o que Jesus entende por ser o Messias de Deus. Podemos saber toda a "ortodoxia" de cor e estar terrivelmente mal situados na vida.

Quando Pedro ouve Jesus anunciar o que pode acontecer em Jerusalém — «sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos escribas» —, enfrenta Jesus e repreende-o. Pedro não quer ouvir falar de um Jesus que se entrega; quer um Messias triunfante, legitimado pelo sucesso e pelo reconhecimento. Jesus é contundente: "Afasta-te de mim, Satanás! Estás a preparar-me uma cilada, escandalizas-me". O mesmo que disse nas tentações, diz agora a Pedro. Não é que Pedro queira poupar Jesus da adversidade pela amizade e pelo carinho; se assim fosse, a resposta de Jesus não teria sido tão radical. Precisamos de evitar leituras "adocicadas" do Evangelho.

Aqui, mais uma vez, encontramo-nos no âmago do Evangelho: Jesus é fiel até ao fim; é aquele que não foge quando vê o lobo aproximar-se, que não foge quando fica a saber que Herodes o quer matar... "até ao fim, até ao terceiro dia, estarei a curar os doentes e a expulsar os demónios".

Jesus quer ir a Jerusalém, sabendo o que pode vir pela frente; não por obstinação, mas por compaixão. Não vai a Jerusalém por um destino fatal, desejado por um deus cruel que quer sacrifícios sangrentos — atenção: as imagens arcaicas de Deus continuam actuantes! Quer ir porque Jesus é filho de Israel e Jerusalém é o auge da sua alegria, como diz o salmista, embora saiba que a transformaram no lugar dos “traficantes da dor”. Sabe que converteram o lugar de oração e de encontro dos povos num “covil de ladrões”. Como filho de Israel, quer levar a compaixão para o centro do poder religioso, mesmo sabendo que pode ser triturado por ele. Não quer deixar ninguém sem possibilidade de abertura ao Reino que está a acontecer.

Ora, após o confronto com Pedro, Jesus diz aos discípulos que quem quiser ganhar tem de perder; quem quiser autoafirmar a sua vida tem de a libertar, tem de a ceder; quem o quiser seguir tem de carregar as suas perdas de prestígio, de relevância, de riqueza, de vanglória, de domínio, de prepotência… isto é carregar a cruz e caminhar com Ele até ao fim. “Ganhar o mundo não serve de nada se arruinar a vida.” Obrigado, Francisco Javier, pelo belo testemunho que nos deste sobre isto! ... Pensar como os homens e pensar como Deus são coisas incompatíveis. Pensar como Deus é percorrer um caminho humilde, compassivo, livre, pacificado, caminhando com ternura e sentido de justiça. Obrigado, Jesus, porque contigo é possível caminhar.

Toni Catalá, SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 30.08.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-22º Domingo Comum-Ano A, em 30.08.2026. Tradução livre

Quién podrá apartarnos de su amor | Música Católica

 


sábado, 22 de agosto de 2026

TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO


XXI
- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mateus 16,13-20

"Quando Jesus pergunta aos seus discípulos: "Quem é que as pessoas dizem que Eu sou?", é porque está perplexo perante as reações que a sua atuação provoca. No passado domingo, vimos um Jesus que se afasta da Galileia porque precisa de um alento perante a pressão dos fariseus e dos letrados. Regressa à Galileia (é bom ler Mt 15,29-39 para saborear o evangelho deste domingo) e continua a envolver-se com compaixão: a ele recorrem "coxos, cegos, aleijados, surdo-mudos e muitos outros doentes", e as pessoas comuns, o povo simples, "louvavam o Deus de Israel" pelo que viam. Jesus comove-se diante da multidão que o segue, pois "não têm o que comer", e não pode deixá-los partir assim, "porque desfaleceriam pelo caminho". Realmente, o evangelho é um hino à compaixão e à vida!

Mas Jesus depara-se com o facto de que os saduceus e fariseus — os «proprietários de Deus» — não vêem motivos para louvar o Deus de Israel pelo facto de o povo recuperar a dignidade e a saúde; "querem e pedem um sinal vindo do céu", dando a impressão de que os "sinais da terra" não lhes bastam. Que cegueira, que falta de compaixão, que falta de sensibilidade, que falta de coração para não ver que a Glória de Deus reside no facto de as suas criaturas viverem! Jesus está perplexo: para uns, louva o Deus Vivo; para outros — "os de má intenção" —, o que faz é "apenas humano", obra de Belzebu. Encontramo-nos, mais uma vez, no núcleo mais íntimo da experiência de Jesus: "Pai, as pessoas simples compreendem-Me; os sábios e entendidos, não" (Mt 11,25-30).

Jesus pergunta porque não esperava que a sua compaixão agitasse o sistema religioso da forma como o estava a fazer. Retira-se de novo para Cesareia de Filipe, a norte da Galileia, quase em terra fenícia, para ficar a sós com os seus. Aquela pergunta: “Quem é que o povo diz que...?” — não se dirige a todo o mundo, mas apenas à sua comunidade. É tempo de esclarecer as coisas, de falar sobre o que se passa com a sua comunidade, e Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Esta confissão é profunda e certeira; toca a identidade mais íntima de Jesus. É como quem diz: “Jesus, tu és o presente do Pai, tu és aquele que havia de vir, tu és aquele que vem das entranhas compassivas do Pai e Criador, tu és o seu Filho...”. Jesus diz a Pedro que, sobre esta confissão de fé, será edificada a sua comunidade futura — a Igreja — e que nada, nenhum inferno deste mundo, poderá derrotar a compaixão, a ternura e a fidelidade inabalável do Deus da Vida, que se manifesta em Jesus e na comunidade por Ele convocada.

Mas Jesus sabe o que o espera: senadores, letrados e sumos sacerdotes não descansarão enquanto não se livrarem dele... Contudo, Pedro já não quer ouvir isso; não quer saber de um Messias, de um Cristo, que se entrega até ao fim simplesmente porque veio para servir; de um Filho que prefere abdicar da vida, entregá-la, em vez de se afirmar gerando violência. Não se testemunha Deus pela força, mas pela fraqueza compassiva. Pedro não quer saber de um Bom Pastor que não foge. Jesus é muito claro com Pedro: “Tu és Satanás e só gerarás sofrimento se não pautares a tua vida pela compaixão; nesse caso, não serás a pedra sobre a qual se edifica a comunidade...”. Pedro, tal como nós, terá de passar pelo abandono do Getsémani e encontrar a paz no amor incondicional — a Páscoa do Senhor — para compreender verdadeiramente quem é Jesus e o que é o seu Reino.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Fotografia de Cristo Crucificado-Igreja dos Capuchinhos  em Gondomar

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-21º Domingo do Tempo Comum -Ano A, em 22.08.2026. Tradução livre

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MULHER, GRANDE É A TUA FÉ


XX- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mateus 15,21-28

"Jesus atravessa um momento difícil. Como verdadeiro filho de Israel, sente-se enviado para curar as ovelhas perdidas do seu povo; no entanto, depara-se apenas com incompreensão e rejeição por parte daqueles que conhecem a Lei e gerem a relação do povo com Deus. Sente-se enviado para o seu próprio povo, mas vê-se obrigado a retirar para território "pagão" — Tiro e Sídon —, pois "veio para o que era seu, e os seus não o receberam". Aqueles que deveriam ser mais sensíveis aos sinais messiânicos da vinda do Reino de Deus não o acolhem; os fariseus e os escribas endureceram os corações e não suportam Jesus — não lhe dão tréguas.

A razão deste afastamento temporário da Galileia é que Jesus precisa de se distanciar do seu povo. Ele sofre com o que está a vivenciar. Precisa de uma "pausa no caminho". Precisa de "tomar distância", e é então, em território pagão, que uma mulher lhe pede compaixão. Não nos deve surpreender que Jesus fique desconcertado e "não lhe responda uma única palavra". O seu próprio povo não o acolhe, mas «outros» — pagãos — pedem-lhe a cura. A mulher cananeia vive uma angústia profunda; parece não encontrar alívio nem cura na sua própria terra pagã. Ela clama por socorro, recorrendo ao Filho de David — uma última esperança, invocando aquele que, em Israel, estava destinado a restaurar o que se havia perdido.

O processo pelo qual Jesus chega a compreender que a compaixão é para todos — para os que estão dentro e para os que estão fora, tanto para os judeus como para os gentios — é vital; é um processo doloroso e fascinante, tanto para Jesus como para nós. Temos dificuldade em aceitar a plena humanidade de Jesus — uma humanidade exatamente igual à nossa, exceto pelo «pecado», que é precisamente o que nos desumaniza.

Jesus está constantemente a "crescer" em humanidade; não está isento de «crescer» em sabedoria — o Evangelho diz-nos isso claramente. É por isso que só reage quando desafiado e confrontado por uma mulher gentia. A mulher não encontra a salvação no seu próprio "contexto pagão", enquanto Jesus a oferece ao seu "contexto religioso", apenas para enfrentar a rejeição. Ela diz-lhe que não deseja tirar nada a Israel — «o pão dos filhos» —; no entanto, afirma de forma provocadora que todos têm direito a, pelo menos, "algumas migalhas de compaixão". Causa um profundo impacto em Jesus.

Em terra estrangeira e confrontado por uma estrangeira, Jesus questiona as suas próprias perceções da realidade enquanto filho de Israel; percebe que a fé, a confiança e a sensibilidade para a necessidade de salvação existem mesmo entre os "de fora". Esta mulher abre os olhos a Jesus; rompe as fronteiras da Palestina, levando-o a olhar para além desses limites.

É certo que o mistério pascal de Jesus nos abre à universalidade; contudo, é também profundamente consolador ver um Jesus que — enquanto viveu a sua missão pelas estradas da Galileia — é desafiado e forçado a reexaminar as suas convicções judaicas herdadas, reconhecendo, por fim, a grande fé desta mulher cananeia e admitindo que a compaixão se estende a todos. Esta história deita por terra qualquer tentativa de qualquer grupo — seja ele qual for — de monopolizar a fé como uma posse; como nos diz brilhantemente S. Paulo, ninguém tem direito exclusivo a Cristo.

Toni Catalá SJ"

magem: Retirada da "Google imagens" a 13.08.2026, 

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-20º Domingo do Tempo Comum -Ano A, em 13.08.2026. Tradução livre

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