Catequese Missionária
domingo, 5 de abril de 2026
Wake up the world - (Rejoice Cover)
MISTÉRIO DA ESPERANÇA
Crer no Ressuscitado é rebelar-se com todas as nossas forças contra a noção de que a vasta maioria dos homens, mulheres e crianças, que conheceram apenas miséria, humilhação e sofrimento nesta vida, será para sempre esquecida.
Crer no Ressuscitado é confiar em uma vida onde não haverá mais pobreza nem dor, onde ninguém estará triste, onde ninguém terá que chorar. Finalmente, poderemos ver aqueles que chegam em barcos alcançarem sua verdadeira pátria. Crer no Senhor Ressuscitado significa estender a mão com esperança a tantas pessoas doentes, com enfermidades crônicas, com deficiências físicas e mentais, pessoas mergulhadas na depressão, cansadas da vida e em constante luta. Um dia elas saberão o que é viver em paz e com saúde perfeita. Elas ouvirão as palavras do Pai: "Entrem para sempre na alegria do seu Senhor".
Crer no Senhor Ressuscitado significa recusar-se a aceitar que Deus permanecerá para sempre um "Deus oculto", cujo olhar, ternura e abraço não podemos conhecer. Nós o encontraremos gloriosamente encarnado para sempre em Jesus.
Crer no Senhor Ressuscitado significa confiar que nossos esforços por um mundo mais humano e alegre não serão em vão. Um dia abençoado, os últimos serão os primeiros, e as prostitutas nos precederão no reino.
Crer no Ressuscitado é saber que tudo o que ficou inacabado aqui, tudo o que não pôde ser, tudo o que estragamos com nossa falta de jeito ou nosso pecado, alcançará sua plenitude em Deus. Nada se perderá daquilo que vivemos com amor ou daquilo a que renunciamos por amor.
Crer no Ressuscitado é ter esperança de que os momentos de alegria e as experiências amargas, as "marcas" que deixamos nas pessoas e nas coisas, tudo o que construímos com amor, serão transfigurados. Não conheceremos mais amizades que terminam, festas que acabam ou despedidas que trazem tristeza. Deus será tudo em todos.
Crer no Ressuscitado é crer que um dia ouviremos estas
palavras incríveis que o Livro do Apocalipse coloca nos lábios de Deus:
"Eu sou o princípio e o fim de todas as coisas. A quem tiver sede, darei
de graça da fonte da água da vida." Não haverá mais morte, nem choro, nem
dor, pois todas essas coisas terão passado."
Imagem: Propriedade do Blog Catequese Missionária.
Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola- Domingo Páscoa Ano A, em 05.04.2026. Tradução livre
sexta-feira, 3 de abril de 2026
terça-feira, 24 de março de 2026
domingo, 22 de março de 2026
E AINDA SE PERGUNTA SE LÁZARO RESSUSCITOU FISICAMENTE, ESTÁ MORTO
Texto Sagrado: Jo11, 1-45
"Água, luz, vida. Estas são três metáforas poderosas que nos tentam levar para além de toda a lógica. Se insistirmos em interpretá-las literalmente, distorcemos o texto e ficamos privados da verdadeira mensagem.
Tudo é simbólico. Uma família de
irmãos, a nova comunidade. Jesus integrado no grupo através do seu amor por
cada um. Alguns membros da comunidade preocupam-se com a saúde dos outros. A
falta de lógica na narrativa obriga-nos a ir além de uma interpretação literal.
Se nos perguntarmos se Lázaro
ressuscitou fisicamente, significa que ainda estamos mortos. A alternativa não
é esta vida cá em baixo ou outra vida depois, mas uma continuação desta. A
alternativa é: apenas a vida biológica, ou a Vida definitiva durante esta vida
física, mas para além dela. Que Lázaro ressuscite apenas para morrer de novo
não faz sentido. Nenhum outro texto do Novo Testamento menciona um
acontecimento tão espetacular.
"Eu sou a ressurreição e a
vida". Jesus não veio prolongar a vida física; veio comunicar a Vida de
Deus. Esta Vida anula os efeitos catastróficos da morte biológica. Perante a
morte natural, a Vida que se segue aparece como uma renovação da vida que
termina. Na realidade, é a única Vida verdadeira.
Jesus corrige o conceito de
"ressurreição no último dia", que Marta partilhou com os fariseus.
Para João, o último dia é o dia da morte de Jesus, no qual, com o dom do
Espírito, se completa a criação da humanidade. É uma vergonha continuarmos a
depender da fé para a vida depois da morte, que Jesus declara insuficiente.
"Onde o colocaram?"
Isto indica que foram eles que colocaram Lázaro no túmulo, um lugar de morte
sem esperança. O túmulo não é o lugar apropriado para aqueles que juraram
fidelidade a Jesus. Ao dizer-lhes: "Tirem a pedra", Jesus pede à
comunidade que abandone as suas crenças. Os mortos não precisam de ser
separados dos vivos. Os mortos podem estar vivos e os vivos, mortos.
Algo já está a cheirar mal. A
trágica realidade da morte é incontornável. Marta ainda pensa que a morte é o
fim. Jesus quer mostrar-lhe que não é o fim; mas também que sem a “morte” a
verdadeira Vida não pode ser alcançada. A morte deixa de ser o horizonte final
da vida quando é abraçada. Ninguém está isento de morrer.
Ao remover a pedra, a fronteira entre os mortos e os vivos desaparece. A pedra impedia a entrada e a saída de qualquer pessoa. Era o sinal do fim da existência. A pesada laje de pedra ocultava a presença da Vida para além da morte. Jesus sabe que Lázaro aceitou a Vida antes de morrer, e é por isso que continua a viver.
"Lázaro, vem cá para
fora!" O túmulo onde o tinham colocado não era o seu lugar. O crente não
está destinado ao túmulo porque continua a viver. Os destinatários do clamor
são eles, e não Lázaro. "Vinde todos vós para a verdadeira vida!"
"O morto saiu com os braços
e as pernas atados". O ser humano, que não nasce para uma nova Vida,
permanece atado de pés e mãos, incapaz de crescer como tal. Mais uma vez, é
impossível compreender a frase literalmente. Como poderia ele sair se os seus
pés estavam atados? Parecia um cadáver, mas estava vivo.
Lázaro possui todos os atributos
da morte, mas sai por si porque está vivo. A comunidade precisa de tomar
consciência da sua nova situação. Foram eles que o aprisionaram e são eles que
o devem libertar. Lázaro não regressa à comunidade, mas é libertado. Agora,
sabendo que morrer não significa deixar de viver, podem oferecer a sua vida
como Jesus fez.
Irmão Marcos"
Imagem: Retirada do Google imagens em 22.03.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola-5º Domingo da Quaresma-Ano A, em 22.03.2026. Tradução livre

