sexta-feira, 6 de novembro de 2026

O AMOR MANTÉM-ME ACESSO, O EGOÍSMO EXTINGUE-ME.

XXXII
- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 25, 1-13 

"As leituras destes últimos domingos do ano litúrgico convidam-nos a despertar, a estar preparados. Mas não devemos continuar a pensar naquele Deus vingativo que está à espreita, à espera de nos apanhar num deslize e de nos condenar. Deus não nos espera no fim da viagem. Deus está presente nas nossas vidas desde o início, para que possamos vivê-las plenamente.

Não é a morte que deve dar sentido às nossas vidas, mas sim o contrário; só vivendo a vida plenamente podemos aprender a morrer. Mesmo que me restasse apenas um segundo de vida, seria errado pensar na morte. Seria mais positivo viver este segundo plenamente. A morte não tira nem acrescenta nada; devemos dar verdadeiro sentido à vida enquanto ela está plenamente consciente.

O casamento consistia em conduzir a noiva até à casa do noivo, onde se realizava o banquete. Esta cerimónia não tinha um carácter religioso especial. O noivo, acompanhado pelos seus amigos e familiares, dirigia-se a casa da noiva para a escoltar até à casa da sua família. Todos estes rituais começavam ao pôr-do-sol, ou seja, à noite, daí a necessidade de lâmpadas.

A luz é mais importante do que as próprias raparigas, porque o que determina se entram ou não no banquete é se têm ou não uma lâmpada acesa. Ora, para uma lâmpada dar luz, necessita de azeite e estar acesa. Aqui reside o ponto crucial da questão. O importante é a luz, mas o que deve ser garantido é o óleo e que a lâmpada está acesa.

O azeite e a luz são as obras. Jesus disse: Eu sou a luz do mundo. E também: Vós sois a luz do mundo. Os seres humanos são luz quando desdobram o seu verdadeiro ser. A nossa natureza animal não é algo mau; pelo contrário, é a base para atingirmos a nossa plenitude, mas se não formos mais além, limitamos o nosso potencial para a humanidade.

Dar sentido à vida é mais importante do que a própria vida. A vida tem significado em si mesma, mas precisamos de o descobrir. Essa é a tarefa especificamente humana. As nossas vidas podem ser arruinadas como vidas humanas. Devemos estar alerta, porque o tempo passa. Devemos despertar, caso contrário, perderemos a oportunidade de sermos nós próprios.

A luz são as nossas ações. O óleo que alimenta a chama é o amor. Ser sábio não depende de um maior conhecimento racional, mas da plenitude da Vida. Isto explica porque é que as pessoas sábias não partilham o seu óleo com as tolas. Não é egoísmo. É simplesmente que é impossível amar em nome de outro. A nossa lâmpada não pode queimar com óleo emprestado.

Dar sentido à vida não pode ser improvisado num instante. Só com aquilo que há de Deus em mim, descoberto, reconhecido e desdobrado, me posso considerar verdadeiramente em chamas. Este desdobramento constitui a Sabedoria de que falou a primeira leitura. Sem a chama do amor sincero e eficaz, seremos irreconhecíveis até para o próprio Deus.

Interpretar a parábola como significando que devemos estar preparados para o dia da morte é distorcer o Evangelho. A parábola não enfatiza o fim, mas sim a futilidade de uma vida extinta sem amor por aqueles que me rodeiam. A minha lâmpada deve estar sempre acesa; se esperarmos para a preparar até ao último momento, a vida passará desprovida de sentido.

Se o óleo é o amor manifestado nas obras, o que conta é uma vida inteira consumida no serviço ao próximo. Não conseguimos pensar no último dia para lhe dar sentido. Devemos procurar uma interpretação mais de acordo com toda a mensagem de Jesus. A sua entrega total transformou tudo o que havia de humano nele em algo divino, não em alguma vida após a morte, mas aqui e agora.

Devemos abandonar toda a busca de glorificação, seja neste mundo ou no outro, e trilhar o caminho do serviço ao próximo, entregando-nos completamente. O óleo só ilumina à custa de ser consumido. Se aceitarmos o programa do Evangelho simplesmente porque nos foi prometida “glória” na vida após a morte, ele não funcionará.

Frei Marcos "

Imagem: Menino Jesus que dorme consolado ao colo de seu pai (S.José)- Igreja da Santíssima Trindade -Porto.

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-32º Domingo Comum-Ano A, em 06.11.2026. Tradução livre

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terça-feira, 3 de novembro de 2026

8º PERCURSO ALPHA GUARDA-ONLINE

Olá, queres saber mais sobre Jesus, vem fazer o Percurso Alpha connosco!

Convida os teus amigos, os felizes e os desanimados, os que têm fé e os que não têm, os que estão revoltados, pois há uma equipa acolhedora quer fazer caminho com todos eles! Surpreende-te e deixa-te surpreender!

São onze secções online, em que poderás “re”descobrir o Amor de Jesus por ti! Inscreve-te e convida os teus amigos!

❓ Há perguntas que merecem tempo. E um lugar para conversar.
Vamos dar início ao 8.º Percurso Alpha Guarda!
📅 Início: 27 de novembro, às 21h30
💻 Online, através do Zoom
📩 Mais informações: alphaguarda@gmail.com
Traz as tuas perguntas. Há lugar para ti.

domingo, 1 de novembro de 2026

Santidade uma meta para todos…

Ser cristão e não querer ser santo faz sentido? (...) Ser cristão, e não desejar que todos sejam santos é aceitável? (...) Obviamente que não. A “Santidade” é um “máximo” e um “mínimo” de todos os cristãos. É um “máximo” porque bem sabemos que Santo só  é o Senhor que nos criou, seu Filho que nos remiu e o Espirito Santo que nos santifica. A  Santidade plena não é atingida por nós, mas é um “mínimo”, uma exigência, porque tudo devemos fazer para imitar Jesus, tudo devemos fazer para que a vontade de Deus seja cumprida em nós próprios e em todos.

Pelo Batismo nos tornamos em novas criaturas, santos  do Santo. Em primeiro lugar, é pela Graça de Deus que somos santos, é iniciativa de Deus,  uma oferta, um dom precioso, foi Jesus que nos ofereceu a sua Vida; mas também é verdade que nos compete aceitar ou não essa Oferta, essa Entrega total. "Amor com amor se paga", diz o ditado, e daí nasce a questão: -sou grato ou ingrato? Quero ser santo ou não? 

É cristão o peregrino que caminha para a santidade. Ainda que, por vezes, seja ingrato para com Jesus, ele sabe que só é feliz louvando o Senhor para  sempre. Ninguém se justifica sozinho, foi Ele que nos resgatou e nos branqueou com o Seu Sangue. Jesus detesta o pecado  mas muito amou e ama o pecador: Há muito que nos resgatou(…). O Pai também ama os filhos que andaram por caminhos errados . Ainda sem cada um destes filhos  o saber, o Pai  já o esperava e tinha guardado para ele aquele abraço, que, sem palavras, tudo cura e perdoa. E então faz-se a festa, mata-se o vitelo gordo, a alegria nasce de novo.

O cristão procura a Verdade que é o Verbo Encarnado que habitou entre nós (…) quem caminha com a Palavra de Deus e se vai convertendo a Ela, caminha na santidade. Quem vive com sinceridade os Sacramentos,  já experimenta a santidade e a alegria de ser santo na comunhão dos Santos.

Ser santo é aceitar ser criança de novo, confiando inteiramente no Pai.
                                                                                                                                                                              (Diác.José Luís Leão-2013)

<<Louvor ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos.Amen.>>    
                                       Ap7,10.12

Imagem: Retirada do Google imagens em 01.11.2026

Cura: que enfermidades?

 


sexta-feira, 30 de outubro de 2026

SEREIS BEM-AVENTURADOS


 XXXI - Domingo do Tempo Comum (Solenidade de Todos os Santos) -Ano A

Texto Sagrado: Mt 5, 1-12a 

"Seguimos o Senhor sempre na “comunhão dos santos”. Estamos no âmbito daquele que é compassivo, do Deus da Vida, graças às mulheres e aos homens que, ao longo da história, viveram o Evangelho e nos introduziram nele. Este seguimento ocorre no seio de uma corrente de testemunhas da Compaixão e da Justiça.

A nossa fé cristã não é uma mera adesão a um conteúdo doutrinário, mas antes o desejo de viver em misericórdia, justiça e humildade, como declarou, desde a antiguidade, o profeta Miqueias. Para nós, o Santo de Deus é Jesus de Nazaré, aquele que “passou fazendo o bem”.

Quando, na liturgia, proclamamos no Glória: “Só vós sois o Santo, só vós, o Senhor”, reconhecemo-nos como peregrinos e caminhantes. Acontece que, graças a Deus, na nossa caminhada pela vida, encontramos homens e mulheres que refletiram para nós a Santidade de Jesus. Incentivaram-nos — e continuam a encorajar-nos — no nosso desejo de moldar o nosso coração e as nossas ações segundo os sentimentos de Cristo Jesus. Hoje, trazemo-los à memória e agradecemos as suas vidas.

Não estamos sozinhos no caminho — não é uma viagem para “cavaleiros solitários” (o “Cavaleiro Solitário” era uma personagem de banda desenhada que eu lia em criança) —, mas caminhamos sempre com outros. Cada cristão deveria ter a sua própria “ladainha dos santos”. Cada um de nós conhece homens e mulheres que foram canais de misericórdia na nossa vida, tanto no passado como no presente. Nunca devemos esquecê-los.

A nossa vida, sem os santos e santas de Deus, seria uma alucinação impossível de viver; mostram-nos que, juntos, vivemos o Evangelho. Como diz São Paulo, somos um só corpo com uma diversidade de dons: onde eu não chego, chega o meu companheiro de caminhada. Acontece que, ao longo do caminho, houve companheiros e companheiras que foram especialmente agraciados e que se tornaram a nossa fortaleza e o nosso guia.

Porque reconhecemos a Santidade de Jesus como única — e na qual desejamos participar —, permitimos que Ele, mais uma vez, nos mostre o caminho para não nos perdermos (sabemos que é possível chamar "santidade" até às extravagâncias mais bizarras, ou dinâmicas de vida que conduzem a uma verdadeira desumanização). Reconhecer a Santidade de Jesus significa escutar, com alegria, como Ele chama felizes, bem-aventurados, agraciados e abençoados aqueles que promovem a paz, os misericordiosos, os puros de coração, os humildes, aqueles que exprimem, por meio de lágrimas, que são filhos e filhas da aflição; os que se arriscam por um mundo mais voltado para Deus, mais justo; os pobres que não depositam as suas preocupações na riqueza...

Jesus apresenta-nos o mapa do território da santidade, para que não nos desviemos por caminhos de injustiça, dureza de coração, desprezo, apego à riqueza, vaidade, prepotência ou agressividade. Sabemos que vivemos num mundo onde a santidade ainda não se manifestou na sua plenitude — onde o trigo e o joio crescem juntos, e onde a santidade e a maldição coexistem —, mas não nos devemos cansar de agradecer àqueles que, com a sua forma de viver, nos mostram a verdadeira vida

Os santos e santas de Deus são os abençoados pelo dom da bondade e da sabedoria existencial que, na nossa caminhada, fazem emergir o melhor de nós mesmos. Jesus e os seus santos e santas fazem de nós pessoas melhores.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Propriedade do Blog.

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-31º Domingo Comum- Solenidade de Todos os Santos -Ano A, em 30.10.2026. Tradução livre

Heureux, Bienheureux