domingo, 12 de abril de 2026

Ressuscitei

 

«A PAZ ESTEJA CONVOSCO»


"O Evangelho de João 20,19-23 nos convida a reconhecer que, muitas vezes, também nós nos encontramos como os discípulos: fechados, com medo, inseguros diante dos acontecimentos da vida. Carregamos preocupações, dúvidas e feridas que nos fazem recuar e nos proteger. No entanto, é justamente nesse espaço de fragilidade que o Ressuscitado se faz presente. Ele não espera que estejamos prontos ou fortes; entra em nossa realidade tal como ela é e se coloca no meio de nós.

Sua primeira palavra é de paz: “A paz esteja convosco” (v. 19). Não se trata de uma saudação comum, mas de um dom profundo que devolve sentido à vida. Quando acolhemos essa presença, algo muda dentro de nós: o medo começa a dar lugar à confiança, e a tristeza se abre à alegria.
Jesus mostra suas feridas, revelando que a dor não é apagada, mas transformada. Isso nos ajuda a compreender que também as nossas feridas podem se tornar lugar de encontro com Deus, espaço de cura e de esperança. Não precisamos escondê-las, pois o Senhor as conhece e as assume conosco.

Em seguida, Ele nos envia: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (v. 21). A experiência do encontro com Cristo não nos fecha em nós mesmos, mas nos coloca em movimento. Somos chamados a levar aos outros aquilo que recebemos: a paz, a misericórdia, a esperança.
Para isso, Ele nos dá o seu Espírito. É o Espírito Santo que nos fortalece, nos orienta e nos sustenta no caminho. Não caminhamos sozinhos; somos conduzidos por essa presença viva que nos capacita a viver como discípulos.

Por fim, Jesus nos confia o perdão (v. 23). Em um mundo marcado por divisões e feridas, somos chamados a ser instrumentos de reconciliação. Perdoar não é fácil, mas é caminho de libertação e de vida nova, para nós e para os outros.
Assim, este evangelho nos convida a abrir as portas do coração, a acolher a presença do Ressuscitado e a permitir que Ele transforme nossos medos em paz, nossas feridas em esperança e nossa vida em missão."

Imagem: Retirado da partilha da página Facebok de  Eliseu Wisniewski em 12.04.2026.

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de  Eliseu Wisniewski em 12.04.2026.

domingo, 5 de abril de 2026

Wake up the world - (Rejoice Cover)

 

"Acorda, acorda o mundo e canta Aleluia! A alegria de Deus é a nossa força, Aleluia! Alegria na Terra e no Céu! Senhor Jesus, vem!"

MISTÉRIO DA ESPERANÇA


"Crer no Ressuscitado é recusar aceitar que nossa vida seja apenas um breve interlúdio entre dois imensos vazios. Confiando em Jesus, ressuscitado por Deus, sentimos, desejamos e cremos que Deus está guiando o anseio por vida, justiça e paz — um anseio que reside no coração da humanidade e de toda a criação em direção à sua verdadeira plenitude.

Crer no Ressuscitado é rebelar-se com todas as nossas forças contra a noção de que a vasta maioria dos homens, mulheres e crianças, que conheceram apenas miséria, humilhação e sofrimento nesta vida, será para sempre esquecida.

Crer no Ressuscitado é confiar em uma vida onde não haverá mais pobreza nem dor, onde ninguém estará triste, onde ninguém terá que chorar. Finalmente, poderemos ver aqueles que chegam em barcos alcançarem sua verdadeira pátria. Crer no Senhor Ressuscitado significa estender a mão com esperança a tantas pessoas doentes, com enfermidades crônicas, com deficiências físicas e mentais, pessoas mergulhadas na depressão, cansadas da vida e em constante luta. Um dia elas saberão o que é viver em paz e com saúde perfeita. Elas ouvirão as palavras do Pai: "Entrem para sempre na alegria do seu Senhor".

Crer no Senhor Ressuscitado significa recusar-se a aceitar que Deus permanecerá para sempre um "Deus oculto", cujo olhar, ternura e abraço não podemos conhecer. Nós o encontraremos gloriosamente encarnado para sempre em Jesus.

Crer no Senhor Ressuscitado significa confiar que nossos esforços por um mundo mais humano e alegre não serão em vão. Um dia abençoado, os últimos serão os primeiros, e as prostitutas nos precederão no reino.

Crer no Ressuscitado é saber que tudo o que ficou inacabado aqui, tudo o que não pôde ser, tudo o que estragamos com nossa falta de jeito ou nosso pecado, alcançará sua plenitude em Deus. Nada se perderá daquilo que vivemos com amor ou daquilo a que renunciamos por amor.

Crer no Ressuscitado é ter esperança de que os momentos de alegria e as experiências amargas, as "marcas" que deixamos nas pessoas e nas coisas, tudo o que construímos com amor, serão transfigurados. Não conheceremos mais amizades que terminam, festas que acabam ou despedidas que trazem tristeza. Deus será tudo em todos.

Crer no Ressuscitado é crer que um dia ouviremos estas palavras incríveis que o Livro do Apocalipse coloca nos lábios de Deus: "Eu sou o princípio e o fim de todas as coisas. A quem tiver sede, darei de graça da fonte da água da vida." Não haverá mais morte, nem choro, nem dor, pois todas essas coisas terão passado."

Imagem: Propriedade do Blog Catequese Missionária.

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola- Domingo Páscoa Ano A, em 05.04.2026. Tradução livre

domingo, 22 de março de 2026

E AINDA SE PERGUNTA SE LÁZARO RESSUSCITOU FISICAMENTE, ESTÁ MORTO


V- Domingo Quaresma -Ano A

Texto Sagrado: Jo11, 1-45

"Água, luz, vida. Estas são três metáforas poderosas que nos tentam levar para além de toda a lógica. Se insistirmos em interpretá-las literalmente, distorcemos o texto e ficamos privados da verdadeira mensagem.

Tudo é simbólico. Uma família de irmãos, a nova comunidade. Jesus integrado no grupo através do seu amor por cada um. Alguns membros da comunidade preocupam-se com a saúde dos outros. A falta de lógica na narrativa obriga-nos a ir além de uma interpretação literal.

Se nos perguntarmos se Lázaro ressuscitou fisicamente, significa que ainda estamos mortos. A alternativa não é esta vida cá em baixo ou outra vida depois, mas uma continuação desta. A alternativa é: apenas a vida biológica, ou a Vida definitiva durante esta vida física, mas para além dela. Que Lázaro ressuscite apenas para morrer de novo não faz sentido. Nenhum outro texto do Novo Testamento menciona um acontecimento tão espetacular.

"Eu sou a ressurreição e a vida". Jesus não veio prolongar a vida física; veio comunicar a Vida de Deus. Esta Vida anula os efeitos catastróficos da morte biológica. Perante a morte natural, a Vida que se segue aparece como uma renovação da vida que termina. Na realidade, é a única Vida verdadeira.

Jesus corrige o conceito de "ressurreição no último dia", que Marta partilhou com os fariseus. Para João, o último dia é o dia da morte de Jesus, no qual, com o dom do Espírito, se completa a criação da humanidade. É uma vergonha continuarmos a depender da fé para a vida depois da morte, que Jesus declara insuficiente.

"Onde o colocaram?" Isto indica que foram eles que colocaram Lázaro no túmulo, um lugar de morte sem esperança. O túmulo não é o lugar apropriado para aqueles que juraram fidelidade a Jesus. Ao dizer-lhes: "Tirem a pedra", Jesus pede à comunidade que abandone as suas crenças. Os mortos não precisam de ser separados dos vivos. Os mortos podem estar vivos e os vivos, mortos.

Algo já está a cheirar mal. A trágica realidade da morte é incontornável. Marta ainda pensa que a morte é o fim. Jesus quer mostrar-lhe que não é o fim; mas também que sem a “morte” a verdadeira Vida não pode ser alcançada. A morte deixa de ser o horizonte final da vida quando é abraçada. Ninguém está isento de morrer.

Ao remover a pedra, a fronteira entre os mortos e os vivos desaparece. A pedra impedia a entrada e a saída de qualquer pessoa. Era o sinal do fim da existência. A pesada laje de pedra ocultava a presença da Vida para além da morte. Jesus sabe que Lázaro aceitou a Vida antes de morrer, e é por isso que continua a viver.

"Lázaro, vem cá para fora!" O túmulo onde o tinham colocado não era o seu lugar. O crente não está destinado ao túmulo porque continua a viver. Os destinatários do clamor são eles, e não Lázaro. "Vinde todos vós para a verdadeira vida!"

"O morto saiu com os braços e as pernas atados". O ser humano, que não nasce para uma nova Vida, permanece atado de pés e mãos, incapaz de crescer como tal. Mais uma vez, é impossível compreender a frase literalmente. Como poderia ele sair se os seus pés estavam atados? Parecia um cadáver, mas estava vivo.

Lázaro possui todos os atributos da morte, mas sai por si porque está vivo. A comunidade precisa de tomar consciência da sua nova situação. Foram eles que o aprisionaram e são eles que o devem libertar. Lázaro não regressa à comunidade, mas é libertado. Agora, sabendo que morrer não significa deixar de viver, podem oferecer a sua vida como Jesus fez.

Irmão Marcos"

Imagem: Retirada do Google imagens em 22.03.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola-5º Domingo da Quaresma-Ano A, em 22.03.2026. Tradução livre