segunda-feira, 14 de setembro de 2026

BRAÇOS NUS DE JESUS


«Depois cruxificaram-n’O  e repartiram entre si os Seus vestidos, sorteando-os para verem o que levava cada um.»  Mc 15, 24
Imaginar Jesus pregado numa cruz não é fácil, Ele, O Filho amado de Deus Pai, sujeito a tão cruel estado.
O Todo Poderoso, deixa-Se pregar no madeiro  sem resistir, entregando-Se por Amor à Humanidade, por toda Humanidade, a  do presente, a do passado e a do futuro.  É o Verbo feito Carne, que  aceita  inscrever-Se  no madeiro, que nunca recusa a Vontade e  a Sabedoria do Pai.
Tão alto é o preço do nosso Resgate, mas  muito mais alto é o Amor de  Jesus  por todos nós. Quem muito perdoou, muito amou.
Nasceu Jesus  e foi deitado numa manjedoura, na sua morte, foi  pregado numa cruz. Mas aqueles Braços de Menino,  que  só puderam contar com  a ternura de  Maria e José,  já estavam abertos para  todos abraçar. Na Sua caminhada entre nós , Jesus teve sempre os Braços abertos para acolher, acarinhar, tocar, orar ao Pai, transformar, perdoar,  curar…No madeiro teve os Braços abertos para nos resgatar, e agora Ressuscitado, Seus  Braços abertos estão  para sempre nos receber…
Braços nus de Jesus sobre a cruz, "sem nada "e "com tudo"...
Braços nus de Jesus, Braços de Pai, de Mãe, de Irmão. Braços Santos!
No nosso caminhar, quando cairmos, saibamos confiar nos Braços de Jesus para Ele nos erguer, se nos sujarmos,  saibamos aproximar de Jesus para Ele nos purificar, no desânimo, saibamos encontrar o abraço de Jesus para nos animar.
Neste mundo que ainda é frio, saibamos ter os braços abertos como Jesus, para carinhosamente suavizar o fardo dos nossos irmãos mais abatidos.
Diác. José Luís Leão/2015
Imagem: Retirada do Google imagens em 14.09.2026;
Senhor,  que eu nunca me esqueça dos Braços Teus!

[LU] Cruz fiel e redentora - Manuel de Faria


 

sábado, 12 de setembro de 2026

NÃO DEVIAS TU TAMBÉM TER COMPAIXÃO DO TEU COMPANHEIRO ?

XXIV- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 18, 21-35

"Jesus continua com os seus discípulos a caminho de Jerusalém, instruindo-os sobre como lidar com os conflitos na comunidade, tal como foi proclamado no evangelho do passado domingo. Pedro insiste em perguntar quantas vezes é preciso perdoar o irmão que ofende. A resposta de Jesus é contundente: sempre! (setenta vezes sete).

É neste momento que surgem a inquietação, o mal-estar, a culpa e o sentimento de infidelidade em muitos seguidores e seguidoras de Jesus. Enredamo-nos no nosso "mundo afectivo raquítico e ofendido" e transformamo-lo no critério supremo para o perdão; constatamos a enorme dificuldade que temos em perdoar e, então, duvidamos que o Deus da vida também nos perdoe sempre e definitivamente.

Se ficarmos presos ao "eu", não há saída. Acomodamo-nos na ofensa, na ferida, e a nossa vida torna-se amarga. Perdemos a ternura, a compaixão e a doçura, dando lugar ao ressentimento e à impotência — sobretudo quando continuamos a rezar «tal como nós perdoamos». Quanto sofrimento gera o querer perdoar e não conseguir, o experimentar a impotência! Por outro lado, tem-se a impressão de que Jesus não está a falar com seres de outra galáxia, nem com uma elite, mas a exortar homens e mulheres como nós. Jesus não pede o impossível, mas leva-nos ao limite para que as nossas potencialidades aflorem.

Jesus diz-nos que é preciso cortar, soltar (perdoar) a ofensa, não nos acomodarmos nela, para evitar que se desencadeiem dinâmicas infernais de ódio, vingança e injustiça. Se não tomarmos uma atitude, destruir-nos-emos. É preciso interromper a longa trajetória de ódios que passam de geração em geração. Jesus é judeu e sabe que as vinganças se eternizam: “Caim será vingado sete vezes, e Lameque, setenta e sete” (Gn 4,24). Para Jesus, o perdão nunca pode ser menos abrangente do que os desejos de vingança; caso contrário, já não existiríamos...

Jesus responde a Pedro com uma parábola que dispensa explicações: sou capaz de perdoar se me sinto perdoado. O problema é que, hoje, não sentimos necessidade de ser perdoados; tornamo-nos deuses. Sentir necessidade de perdão não significa fazer o papel de vítima, alimentando a baixa autoestima ou espiritualidades que nos corroem por dentro… mas sim reconhecer que, se nos sobrestimamos — o orgulho —, prejudicamos os outros; e se nos subestimamos — não nos reconhecendo como criaturas agraciadas —, prejudicamo-nos a nós próprios... e é essa a nossa tendência.

Só o olhar compassivo de Jesus nos coloca de volta no nosso devido lugar. Só a experiência de um amor compassivo, que nos abraça e nos faz sentir amados, nos restaura. Assim, é mais fácil que o nosso "eu" ferido não se prenda à amargura e à injustiça, mas se volte para a compaixão pelo outro.

A parábola mostra-nos, de forma genial, onde pode levar esta falta de reconhecimento grato — que é o que nos permite sentir o perdão incondicional —: à nossa própria destruição. Para nos amar, o nosso Deus pede apenas que nos deixemos amar; por isso, ele lança fora e perdoa tudo aquilo que acreditamos nos afastar dele e nos manter no orgulho. O homem e a mulher que se sentem amados são capazes de sentir compaixão pelo próximo.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 12.09.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-24º Domingo Comum-Ano A, em 12.09.2026. Tradução livre

Voici ce cœur (St Jean Eudes) | Processionnal d'offertoire - Sacré Cœur | Official Lyrics Video

 


sábado, 5 de setembro de 2026

O QUE FAÇO POR UMA IGREJA MAIS FIEL A JESUS?


XXIII
- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 18, 15-20

"«Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles». A melhor forma de tornar Cristo presente na sua Igreja é manter-nos unidos, agindo «em seu nome», movidos pelo seu Espírito. A Igreja não precisa tanto das nossas declarações de amor ou das nossas críticas, mas sim do nosso compromisso real. Não são poucas as perguntas que podemos colocar a nós próprios.

O que faço para criar um clima de conversão coletiva no seio desta Igreja, sempre necessitada de renovação e transformação? Como seria a Igreja se todos vivessem a adesão a Cristo mais ou menos como eu a vivo? Seria ela mais ou menos fiel a Jesus?

O que ofereço em termos de espírito, verdade e autenticidade a esta Igreja, tão necessitada de radicalidade evangélica para oferecer um testemunho credível de Jesus no meio de uma sociedade indiferente e descrente?

Como contribuo, com a minha vida, para edificar uma Igreja mais próxima dos homens e mulheres do nosso tempo, que saiba não só ensinar, pregar e exortar, mas, sobretudo, acolher, escutar e acompanhar aqueles que vivem perdidos, sem conhecer o amor nem a amizade?

O que ofereço para construir uma Igreja samaritana, de coração grande e compassivo, capaz de esquecer os seus próprios interesses para viver voltada para os grandes problemas da humanidade?

O que faço para que a Igreja se liberte dos medos e das servidões que a paralisam e a prendem ao passado, e se deixe penetrar e vivificar pela frescura e pela criatividade que nascem do evangelho de Jesus?

O que eu ofereço, nestes momentos, para que a Igreja aprenda a «viver em minoria», sem grandes pretensões sociais, mas de maneira humilde, como «fermento» oculto, «sal» transformador, pequena «semente» disposta a morrer para dar vida? Que faço por uma Igreja mais alegre e esperançosa, mais livre e compreensiva, mais transparente e fraterna, mais crente e credível, mais de Deus e menos do mundo, mais de Jesus e menos dos nossos interesses e ambições? A Igreja muda quando nós mudamos; converte-se quando nós nos convertemos.

6 de setembro

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 05.09.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-23º Domingo Comum-Ano A, em 05.09.2026. Tradução livre

Taize Ubi caritas

 


domingo, 30 de agosto de 2026

PENSAS COMO OS HOMENS, NÃO PENSAS COMO DEUS


XXII
- Domingo do Tempo Comum -Ano A
Texto Sagrado: Mt 16, 21-27

"Pedro confessou muito bem que Jesus é o enviado do Pai (domingo anterior), é aquele que havia de vir, anunciado pelo Batista, é o Filho que vem das entranhas compassivas do Deus da Vida, é o Ungido, o Cristo… mas Pedro não entende, ou não quer entender, que a questão não é confessar corretamente quem é Jesus — até os demónios confessam que Jesus é o Filho de Deus —, mas sim segui-lo na maneira como ele se situa na vida, deixar-se comover ao perceber como se vive como Filho, surpreender-se com o que Jesus entende por ser o Messias de Deus. Podemos saber toda a "ortodoxia" de cor e estar terrivelmente mal situados na vida.

Quando Pedro ouve Jesus anunciar o que pode acontecer em Jerusalém — «sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos escribas» —, enfrenta Jesus e repreende-o. Pedro não quer ouvir falar de um Jesus que se entrega; quer um Messias triunfante, legitimado pelo sucesso e pelo reconhecimento. Jesus é contundente: "Afasta-te de mim, Satanás! Estás a preparar-me uma cilada, escandalizas-me". O mesmo que disse nas tentações, diz agora a Pedro. Não é que Pedro queira poupar Jesus da adversidade pela amizade e pelo carinho; se assim fosse, a resposta de Jesus não teria sido tão radical. Precisamos de evitar leituras "adocicadas" do Evangelho.

Aqui, mais uma vez, encontramo-nos no âmago do Evangelho: Jesus é fiel até ao fim; é aquele que não foge quando vê o lobo aproximar-se, que não foge quando fica a saber que Herodes o quer matar... "até ao fim, até ao terceiro dia, estarei a curar os doentes e a expulsar os demónios".

Jesus quer ir a Jerusalém, sabendo o que pode vir pela frente; não por obstinação, mas por compaixão. Não vai a Jerusalém por um destino fatal, desejado por um deus cruel que quer sacrifícios sangrentos — atenção: as imagens arcaicas de Deus continuam actuantes! Quer ir porque Jesus é filho de Israel e Jerusalém é o auge da sua alegria, como diz o salmista, embora saiba que a transformaram no lugar dos “traficantes da dor”. Sabe que converteram o lugar de oração e de encontro dos povos num “covil de ladrões”. Como filho de Israel, quer levar a compaixão para o centro do poder religioso, mesmo sabendo que pode ser triturado por ele. Não quer deixar ninguém sem possibilidade de abertura ao Reino que está a acontecer.

Ora, após o confronto com Pedro, Jesus diz aos discípulos que quem quiser ganhar tem de perder; quem quiser autoafirmar a sua vida tem de a libertar, tem de a ceder; quem o quiser seguir tem de carregar as suas perdas de prestígio, de relevância, de riqueza, de vanglória, de domínio, de prepotência… isto é carregar a cruz e caminhar com Ele até ao fim. “Ganhar o mundo não serve de nada se arruinar a vida.” Obrigado, Francisco Javier, pelo belo testemunho que nos deste sobre isto! ... Pensar como os homens e pensar como Deus são coisas incompatíveis. Pensar como Deus é percorrer um caminho humilde, compassivo, livre, pacificado, caminhando com ternura e sentido de justiça. Obrigado, Jesus, porque contigo é possível caminhar.

Toni Catalá, SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 30.08.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-22º Domingo Comum-Ano A, em 30.08.2026. Tradução livre