sábado, 30 de maio de 2026

DEUS AMOU TANTO O MUNDO…


IX- Domingo do Tempo Comum- Solenidade da Santíssima Trindade -Ano A

Texto Sagrado: Jo 3,16-18 

No imaginário cristão que tanto prezamos, a Santíssima Trindade é um mistério; e mistério é o inexplicável por excelência, aquilo que não pode ser compreendido, o profundamente oculto e secreto, o arcano, portanto aquilo que não pode ser explicado e só pode ser “acreditado”. Para uns, é um dogma imposto que apenas proporciona trabalho aos teólogos mais ou menos “ociosos”. Para outros, estudantes de teologia e para os de áreas afins, é um assunto mais ou menos esotérico e complicado que deve ser ultrapassado… o que significa que, para a vida concreta do dia-a-dia, não significa absolutamente nada. Que grande pena!

Vimos e celebrámos nestes últimos domingos que, para os primeiros, no calor de se sentirem amados e em paz (“os nossos corações não ardiam dentro de nós…”) pelo Crucificado e Ressuscitado, a palavra “Deus” por si só explodiu nos seus rostos. As palavras não conseguiam expressar tudo o que Jesus tinha experimentado e sentido. Queriam exprimir que Deus era aquele "Abba-Imma" (Pai-Mãe) que levou Jesus a amar os oprimidos do seu povo com tanta ternura, que se comoveu e curou os enfermos, que se encantou com as crianças e as acolheu, que se entristeceu com a dureza de coração daqueles que se sentiam seguros com Deus, mas desprezavam os outros, que orou a um Deus que dedicou toda a sua vida ao serviço até ao fim, que nada pediu para si mesmo, a não ser que nos amássemos uns aos outros... Precisavam de estender a palavra "Deus" ao seu limite, até ao seu ponto de rutura, porque em Jesus revelou-se como um Deus perdidamente apaixonado pelo seu mundo e pelas suas criaturas. Então começaram a orar e a viver em «Nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo», e isto antes de os teólogos terem sistematizado o que quer que fosse, nem a hierarquia ter declarado nada — não nos esqueçamos disto. Foram os santos fiéis, como o Papa Francisco gosta de chamar aos cristãos comuns, que deram origem à novidade radical do “dogma” da Trindade… pois a sabedoria vem da simplicidade… diz Jesus.

É claro que a Santíssima Trindade é um mistério, mas um mistério é algo que vivemos todos os dias e que nos sobrecarrega com palavras. “Não há palavras…” dizemos quando queremos expressar algo que nos comoveu profundamente. Os primeiros cristãos ficaram sem palavras e, contra toda a lógica e contra toda a correcção política na esfera cultural judaica e grega, tiveram de ser criativos, lutando com a linguagem para exprimir e celebrar que o “Mistério Absoluto”, a “Realidade que, em última análise, tudo determina”, o “totalmente Outro”… em Jesus se mostrou, se revelou, como um Reino de Compaixão. (“Eu vos abençoo, Pai… vinde a mim, todos vós que estais cansados ​​e sobrecarregados…”). É uma pena que alguns de nós queiram ser contraculturais, alternativos e todas essas coisas — que não estou a dizer que não sejam santas e boas — e, ao mesmo tempo, não saibamos contar a fascinante história de Jesus com o seu Deus — connosco… Toda esta história é a Santíssima Trindade. Devemos reconhecer que Jesus deixou os seus seguidores, deixou-nos, com um problema: em qualquer tempo, o Evangelho já não é do mesmo; é novo, e o novo não pode ser “contado com as mesmas coisas de sempre”. É por isso que somos chamados à escuta contínua do Espírito. O Mistério do Amor que transborda em nós impede-nos de transformar o Deus Vivo num ídolo fossilizado.

Toni Catalá SJ

Imagem: Retirada do Google imagens em 30.05.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-9º Domingo Comum-Ano A, em 30.05.2026. Tradução livre

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Ensemble au cénacle (Auprès de Marie) | Emmanuel Music

 

Oração ao Espírito Santo

 

Oração ao Espírito Santo por um novo Pentecostes pessoal 

Senhor Espírito Santo, eu creio em Ti.

Eu creio que Tu és o Amor que une o Pai e o Filho.

Eu creio que Tu és Aquele que gerou Jesus

no ventre da Virgem Maria.

Eu creio que Tu és a força do alto,

prometida por Jesus aos seus discípulos.

Eu creio que Tu és o fogo que desceu

sobre os apóstolos e a Virgem Maria no Pentecostes.

 

Senhor Espírito  Santo creio que sem Ti nada posso fazer;

sem Ti, não posso responder plenamente

ao apelo de seguir Jesus e servir os meus irmãos.

Sei que te recebi no dia do meu baptismo e da minha

confirmação, mas vejo que até agora, não deixei espaço

suficiente para Ti na minha vida.

É por isso que, Senhor Espírito Santo,

neste dia eu quero abrir-te o meu coração.

Faz-me viver um novo Pentecostes pessoal.

Vem tomar posse da minha vida, do meu corpo

e da minha alma, da minha vontade, da minha inteligência,

da minha sensibilidade. Eu me entrego a Ti.

 

Guia-me, ilumina-me, e aconselha-me, apoia-me, envia-me.

Vem confirmar em mim o que deve ser fortalecido.

Vem ajudar-me a converter em mim o que precisa ser mudado.

Dá-me todos os dons que preciso para servir os meus

irmãos e arder de amor por eles.

 

Usa-me como quiseres.

Estou pronto para ser teu instrumento.

Senhor Espírito Santo, entrego-Te todas as minhas feridas,

todos os meus medos, todos os meus limites, todos os

meus egoísmos. Sê minha força na luta, minha fidelidade na

prova, minha alegria na oferta de mim mesmo. Mostra-me o

caminho para a felicidade e capacita-me a segui-lo.

Numa palavra, Senhor Espírito Santo,

sê Tu mesmo a minha santidade e torna-me

uma jubilosa testemunha de Cristo.

Espírito Santo, eu confio em Ti. Amén.

 

Oração- retirada do Forum 2022 da Comunidade Emanuel – “Na força do Espírito” – foi desenvolvido por um irmão belga da Comunidade Emanuel , o Jean-Luc Moens, que até há poucos meses era também o Moderador Internacional da Charis.

Imagem-retirada da "google imagens" em 18.05.2026

EU ESTAREI SEMPRE CONVOSCO

"Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando O viram, adoraram-nO; alguns, no entanto, ainda duvidavam. Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes:

«Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra.Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.»" Mt 28, 16-20


"VISÃO DA PARÓQUIA DE S.JOSÉ

NASCEMOS DO ENCONTRO PESSOAL COM CRISTO.
CRESCEMOS NA COMUNHÃO COM DEUS E COM OS IRMÃOS,
FORMAMOS DISCÍPULOS QUE EVANGELIZAM COM OUSADIA E SERVEM COM AMOR."

Imagem: átrio da Igreja de S.José em Coimbra, Portugal (08.12.2024).

segunda-feira, 11 de maio de 2026

UM SÓ É O MEU SENHOR

  


«Um só
é o meu Senhor,
que pode quebrar
toda a monotonia,
toda insatisfação,
todo o vazio,
toda a sede,
tristeza e injustiça,
É Jesus Cristo
Filho de Deus Vivo,
na unidade do
Espírito Santo!»
 
    Diac. José Luís Leão-2017

Vida en abundancia

 



Vida em abundância

Os lírios do campo e as aves do céu
Não se preocupam, porque estão nas Minhas mãos.
Tende confiança em mim,
Eu estou aqui junto a vós.

Ama o que és e as tuas circunstâncias,
Estou contigo, com a tua cruz às Minhas costas,
Tudo acabará bem,
Eu faço novas todas as coisas.

Eu venho trazer-te vida
Vida em abundância, em abundância.
Eu Sou o caminho
A verdade e a vida,
Vida em abundância, em abundância.

Não fiz o Homem para que esteja só;
Caminhai juntos como irmãos:
Suportai-vos mutuamente
Amai-vos uns aos outros.

A felicidade da Vida Eterna
Começa Comigo na Terra,
Sente-te vivo, a festa do Reino começa aqui!

Eu venho trazer-te vida
Vida em abundância, em abundância.
Eu sou o caminho
A verdade e a vida,
Vida em abundância, em abundância.

Encorajo os teus sonhos e os teus projetos,
Todas as tuas buscas e teus anseios.
Já ouvi a tua oração
entrega-te à esperança.  

Sobe à Minha barca a navegar mar adentro,
No profundo está o que é verdadeiro.
Anima-te a voar
na aventura do confiar.

Eu venho trazer-te vida
Vida em abundância, em abundância.
Eu sou o caminho
A verdade e a vida,
Vida em abundância, em abundância


Tradução livre: Gracinda Leão
Fotos: Gracinda Leão-Dia da Ascenção 2025-Igreja Franciscanos  Capuchinhos  de Gondomar

domingo, 10 de maio de 2026

NA FORÇA DO ESPÍRITO

“Naqueles dias, Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo, que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam batizados em nome do Senhor Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.” Actos 8, 5-8, 14-17

Evangelizar como a Igreja primitiva: semelhanças entre a missão de Filipe na Samaria e o Percurso Alpha

A narrativa dos Atos dos Apóstolos sobre a missão do diácono Filipe numa cidade da Samaria permite-nos visualizar a expansão da Igreja nascente. Lucas apresenta, neste texto, um modelo de evangelização e de construção da comunidade cristã: pôr-se a caminho para anunciar o Messias, falar para todos sem exceção, ser instrumento nas mãos de Deus para que se operem milagres, pedir o Espírito Santo em união com a Igreja.

Esta passagem bíblica ajuda-nos também a compreender melhor a importância do primeiro anúncio — o Kerigma — na vida cristã. O Kerigma é o anúncio essencial de Jesus Cristo morto e ressuscitado, dirigido a todos os homens e mulheres como proposta de salvação, esperança e vida nova. Nos nossos dias, o Percurso Alpha procura viver esta mesma dinâmica missionária da Igreja primitiva: acolher sem excluir, anunciar Cristo com simplicidade, testemunhar através da vida, transmitir a alegria do Evangelho e abrir os corações à ação do Espírito Santo. A experiência da Samaria continua atual e inspiradora para a evangelização da Igreja hoje, encontrando no Percurso Alpha uma expressão concreta e renovada do primeiro anúncio cristão.

1) Não exclui ninguém

O primeiro anúncio cristão, o Kerigma, destina-se a todas as pessoas sem exceção. Filipe atravessa fronteiras culturais e religiosas ao dirigir-se à Samaria. A Igreja é chamada a anunciar Jesus a todos: afastados, indiferentes, feridos, ou descrentes. O Kerigma não é reservado a um grupo seleto. O Percurso Alpha começa precisamente por este princípio: todos são bem-vindos. Tal como Filipe foi à Samaria — um lugar rejeitado e desprezado pelos judeus — também o Alpha procura chegar a cada pessoa, independentemente da sua história, dúvidas, feridas ou distância da Igreja. O Evangelho não é reservado para “os perfeitos” ou para quem já acredita; é um convite aberto àqueles que procuram sentido, esperança e verdade.

Nos encontros Alpha cria-se um ambiente de acolhimento, escuta e respeito. Seja presencialmente ou online, cada participante pode colocar perguntas sem medo de julgamento. No agir de cada elemento da equipa que conduz o percurso Alpha segue-se o exemplo de Jesus, que se aproximava dos excluídos e anunciava o Reino. Uma comunidade cristã autêntica não fecha portas nem levanta barreiras: acolhe e torna-se casa para todos.

2) Filipe anuncia Cristo

O centro do anúncio de Filipe não era uma teoria nem um conjunto de regras morais: era Jesus Cristo. Também o Percurso Alpha tem como foco essencial levar cada pessoa a descobrir quem é Jesus, o seu amor, a sua morte e ressurreição, e o sentido novo que Ele oferece à vida. O cristianismo não começa por normas, mas por um encontro pessoal com Cristo vivo.

Ao longo do percurso Alpha, os temas apresentados ajudam os participantes a compreender a fé cristã de forma simples e profunda. No Alpha faz-se o primeiro anúncio; leva à (re)descoberta de que Deus ama cada pessoa, que Cristo deu a vida por nós e que ressuscitou para nos oferecer vida nova. Esta mensagem simples e poderosa é a base da evangelização cristã. Quando  é vivido com autenticidade, o percurso Alpha desperta o coração humano para o Amor de Deus;  aumenta a confiança e o desejo de conhecer  e despertar uma relação com Jesus.

3) A Palavra é acompanhada de ação

Lucas mostra que a pregação de Filipe era confirmada por gestos concretos de cura e libertação. O Percurso Alpha valoriza muito esta coerência entre aquilo que se anuncia e a forma como se vive.Por isso, o ambiente de amizade, a atenção aos participantes, a disponibilidade das equipas para os acolher e para rezar por eles,  a partilha sincera tornam-se sinais concretos do Evangelho. Muitas pessoas aproximam-se da fé não pelo que escutam e veem nos vídeos, mas pela experiência de serem acolhidas e amadas, como são, no momento em que estão, e não naquele onde gostariam de estar. A ação do Espírito manifesta-se frequentemente através de pequenos gestos humanos que revelam a presença de Deus.

4) “A cidade encheu-se de alegria”

O fruto da missão de Filipe foi a alegria, sinal da presença de Deus no meio do povo. Também o Percurso Alpha procura transmitir esta dimensão alegre da fé cristã. O Evangelho ilumina a vida e dá esperança mesmo em tempos difíceis.

Nos encontros Alpha, a alegria nasce da convivência, da descoberta de Deus e da experiência de pertença. Muitas pessoas reencontram ali a confiança, a paz interior e o entusiasmo espiritual. Quando alguém descobre que é amado por Deus e que não está sozinho, o coração enche-se naturalmente de alegria verdadeira.

5) O Espírito Santo e a comunhão com a Igreja

Apesar do importante trabalho de Filipe, faltava ainda o dom do Espírito Santo, que desceu sobre os samaritanos pela oração dos apóstolos Pedro e João. Isto recorda-nos a importância da oração uns pelos outros; ensina-nos que a fé cristã não é apenas um caminho individual, mas uma vida em comunhão com a Igreja. No Percurso Alpha, há também um momento central dedicado ao Espírito Santo, o “fim-de semana Alpha” em que cada participante é convidado a abrir-se à ação transformadora de Deus. Por outro lado, os elementos da equipa interceder pelos participantes. E o Espírito Santo não deixa de nos surpreender a todos!

Ao mesmo tempo, o Alpha não existe isoladamente: está ligado à comunidade paroquial e à Igreja universal. Tal como Pedro e João simbolizavam a união com a Igreja de Jerusalém, também o percurso Alpha deve conduzir à integração na vida da Igreja, nos sacramentos e na comunidade cristã. O Espírito Santo gera unidade, fortalece a fé e faz crescer discípulos missionários. Da ação de Deus, podem dar testemunho os que já fizeram Alpha e deram conta da intervenção divina nas suas vidas concretas. Alguns quiseram confessar-se após anos de afastamento, outros pediram o batismo ou quiseram crismar-se, muitos rezaram com confiança ou confiaram-se à oração de outros. Depois das onze semanas do Percurso, perdura a família Alpha, fundada em todas as vivências e amizade em Cristo.

Para concluir, na Samaria, através da missão de Filipe e da presença dos apóstolos, nasceu uma comunidade construída a partir do primeiro anúncio cristão e da ação do Espírito Santo. O Percurso Alpha espelha e continua a dinâmica missionária da Igreja primitiva. Ao proporcionar um espaço de encontro, escuta e descoberta de Jesus Cristo, torna-se instrumento privilegiado do primeiro anúncio para as pessoas de hoje. Quando o Evangelho é anunciado com simplicidade, alegria e confiança no Espírito Santo, as pessoas transformam-se em pedras vivas, comprometem-se no acolhimento e dão testemunho alegre das maravilhas que Deus fez por elas.  “Ontem” na Samaria, hoje em qualquer geografia, o anúncio de Cristo continua.

10.05.2026

Gracinda Leão (Alpha Guarda)

Imagem: Arquivo Alpha Guarda-2025

sábado, 9 de maio de 2026

Jésus tu es le Christ

 

O DEUS TRINO É A VIDA E ESTÁ EM MIM


VI 
- Domingo Páscoa -Ano A

Texto Sagrado: Jo 14,15-21

Esta passagem fala da presença do Pai, de Jesus e do Espírito nos membros da comunidade. Visa mostrar que não eram inferiores àqueles que conheceram Jesus; por isso é tão importante para nós hoje. Coloca-nos perante a realidade do Jesus vivo que nos capacita para vivermos com a mesma Vida que Ele teve.

Não nos devemos confundir com a forma como estas ideias sobre a relação de Jesus, o Pai e o Espírito são formuladas. Não se trata de uma relação com alguma entidade exterior aos seres humanos. Nem sequer estamos a falar de três realidades distintas: Pai, Jesus e Espírito. Estamos a falar da mesma realidade com nomes diferentes. Ela insiste na identidade dos três.

Se me amardes, obedecereis aos meus mandamentos. No capítulo seguinte, estes reduzem-se a um: amar. Quem não ama os outros não ama Jesus, nem o Pai, porque eles estão em cada ser humano. O amor é o mandamento. As “exigências” não são obrigações impostas a partir do exterior, mas uma urgência que vem de dentro e se manifesta em ações.

Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará outro Advogado para estar convosco para sempre. Ele não está a falar de uma realidade distinta daquilo que ele ou o Pai são. Será uma nova forma de experienciar o amor. Diz que enviará o Espírito, depois de ele próprio voltar e, finalmente, que o Pai e ele virão e permanecerão. É uma realidade que é múltipla e, ao mesmo tempo, una.

Advogado (paráclito) é aquele que ajuda em qualquer circunstância; um advogado, um defensor num julgamento. Tem um duplo papel: interpretar a mensagem de Jesus e dar segurança e orientação aos discípulos. Enquanto estava com eles, era o próprio Jesus que os defendia. Ora, o Espírito será o único advogado, mas mais eficaz, porque os defenderá a partir de dentro.

Não vos deixarei órfãos. No Antigo Testamento, o órfão era o protótipo daquele contra quem se podia cometer impunemente todo o tipo de injustiça. Jesus não deixará os seus seguidores indefesos contra o poder do mal. Este poder não se manifestará eliminando o inimigo, mas fortalecendo aquele que é atacado, para que o vençam sem serem afetados de forma alguma.

O mundo não me verá mais; vós, porém, ver-me-eis, porque eu tenho vida, e vós também a tereis. Não se trata de visão sensorial, mas de descobrir que Ele continua a dar-lhes vida. O mundo deixará de O ver. Aqueles que, durante a sua vida terrena, O viram como o mundo, poderão agora vê-Lo de uma nova forma.

Nesse dia, experimentareis que Eu Me identifico com o Pai, vós comigo e Eu convosco. Ao participarem na vida do Pai, experimentarão a unidade com Jesus e com o Pai. É o significado mais profundo do amor: a unidade (ágape). Já não há sujeito que ama nem objeto amado. É uma experiência de unidade tão viva que ninguém lhes pode tirar.

“Quem aceita os meus mandamentos e os guarda, esse é que Me ama.” A sua mensagem é de amor pela humanidade, não de submissão. A presença de Jesus e de Deus é experimentada como uma proximidade interior, e não exterior. No passado domingo, ia preparar um lugar na casa do Pai. Aí, são o Pai e Jesus que vêm habitar com o discípulo.

Um versículo depois, diz: “Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai lhe mostrará o seu amor; viremos a ele e faremos nele a nossa morada.” Têm a presença garantida do Pai de Jesus e do Espírito. Deus não tem de vir de lado nenhum, porque Ele está em nós antes mesmo de começarmos a existir. A identidade de Jesus e do Pai é confirmada.

Jesus viveu uma identificação com Deus que não podemos exprimir por palavras. Somos chamados a essa mesma identificação. Tornar-me uno com Deus, que é espírito e que não está em nós como parte parcial de um todo que é o eu, mas como fundamento do meu ser, sem o qual nada pode existir em mim. Sou plenamente humano e divino.

Irmão Marcos

Imagem: Retirada do Google imagens em 09.05.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-5º Domingo de Páscoa-Ano A, em 09.05.2026. Tradução livre

domingo, 3 de maio de 2026

Je veux chanter mes hymnes - Chant de l'Emmanuel

 

A Ti meus hinos

Refrão: Eu quero cantar louvor e glória ao Senhor,
Louvá-l'O enquanto viver!
Meu coração exulta no meu Senhor,
A Ti meus hinos, meu Deus!

Eis-me aqui Senhor meu Deus p'ra fazer Tua vontade,
te dou o meu coração, meu Salvador!

Foste Tu que me salvaste da morte e do pecado
E Tua ressurreição  nos dá vida!

Eu Te cantarei Senhor, Tu és minha alegria,
Tu és meu Salvador, Aleluia!

sábado, 2 de maio de 2026

SENHOR, COMO PODEMOS CONHECER O CAMINHO?


- Domingo Páscoa -Ano A

Texto Sagrado: Jo 14, 1-12 

"O regresso do Senhor Ressuscitado à comunidade é um regresso pacífico e vivificante. Agora é o momento em que eles podem compreender, no seu coração, vital e profundamente, tudo o que Jesus experimentou e tudo o que eles experimentaram com Ele. Foi necessário que Jesus “desaparecesse” para que pudessem compreender a sua pessoa e a sua obra, para que pudessem perceber quem era Jesus dos caminhos da Galileia e quem Ele é, agora experimentado como o Senhor e Cristo.

Isto não nos deveria surpreender. Só compreendemos verdadeiramente o que uma pessoa significou para nós e para as nossas vidas quando já não está ao nosso lado. Quando estão connosco, somos mais propensos a ver fraquezas e falhas. Quando desaparecem e o tempo passa, somos tocados com gratidão por tudo o que a sua proximidade e presença significaram nas nossas vidas. Quando um amigo ou familiar nos deixa pela morte, no vazio da separação começamos a aperceber-nos de tudo o que nos deram em vida.

O caminho que Jesus percorreu na sua vida foi um caminho de serviço, mas os seus seguidores não compreenderam que o caminho da humildade e do amor altruísta, do amor sacrificial, era a única forma de alcançar o Pai. Alcançámos o Pai através do serviço às suas criaturas ("Se eu, sendo Senhor e Mestre, lavei os vossos pés..."). Ao longo de toda a narrativa da Páscoa, os discípulos chegarão a compreender Jesus nos seus corações. A vida de discipulado é um processo; estamos sempre a descobrir novas dimensões, novas experiências... é a Fonte de Água Viva que nunca seca.

A verdade é uma palavra tão deturpada que ainda hoje a sua existência é negada; o que existe são opiniões, mas não factos verdadeiros — é a este ponto que chegamos... Esta situação provoca um profundo desconforto, hesitação, perplexidade e uma necessidade mórbida de procurar segurança nas pessoas e nas ideologias, de seguir promessas improváveis ​​que matam a liberdade. Jesus não diz propriamente que só "a verdade nos liberta". As mentiras aprisionam, enganam, toldam a nossa visão e escravizam-nos. A comunidade dos seguidores de Jesus está a experimentar que só Ele é a Verdade que nos guia no caminho da liberdade.

Entendo que a palavra nos assusta porque, sob o pretexto de "possuir a verdade", causamos e continuamos a causar destruição. Não possuímos a verdade; pelo contrário, a Verdade possui-nos. A verdade de que Jesus habita e vive no Pai e o Pai n’Ele não é um jogo de palavras, mas antes o critério para sabermos que vivemos na Verdade quando nos aproximamos d’Ele e experimentamos a alegria de nos sentirmos enraizados no Compassivo. A única verdade é o Amor Incondicional, do qual ninguém nem nada nos pode separar.

Ele é a Vida, a nossa vida. Ele sustenta-a, mantém-na, é a nossa força na fraqueza, a luz no meio da nossa escuridão, a nossa esperança em tempos de incerteza. Ele provou-o dando a Sua vida incondicionalmente por nós. Obrigado, Jesus, por seres o caminho da vida e da verdade.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 02.05.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-5º Domingo de Páscoa-Ano A, em 02.05.2026. Tradução livre