domingo, 3 de maio de 2026

Je veux chanter mes hymnes - Chant de l'Emmanuel

 

A Ti meus hinos

Refrão: Eu quero cantar louvor e glória ao Senhor,
Louvá-l'O enquanto viver!
Meu coração exulta no meu Senhor,
A Ti meus hinos, meu Deus!

Eis-me aqui Senhor meu Deus p'ra fazer Tua vontade,
te dou o meu coração, meu Salvador!

Foste Tu que me salvaste da morte e do pecado
E Tua ressurreição  nos dá vida!

Eu Te cantarei Senhor, Tu és minha alegria,
Tu és meu Salvador, Aleluia!

sábado, 2 de maio de 2026

SENHOR, COMO PODEMOS CONHECER O CAMINHO?


- Domingo Páscoa -Ano A

Texto Sagrado: Jo 14, 1-12 

"O regresso do Senhor Ressuscitado à comunidade é um regresso pacífico e vivificante. Agora é o momento em que eles podem compreender, no seu coração, vital e profundamente, tudo o que Jesus experimentou e tudo o que eles experimentaram com Ele. Foi necessário que Jesus “desaparecesse” para que pudessem compreender a sua pessoa e a sua obra, para que pudessem perceber quem era Jesus dos caminhos da Galileia e quem Ele é, agora experimentado como o Senhor e Cristo.

Isto não nos deveria surpreender. Só compreendemos verdadeiramente o que uma pessoa significou para nós e para as nossas vidas quando já não está ao nosso lado. Quando estão connosco, somos mais propensos a ver fraquezas e falhas. Quando desaparecem e o tempo passa, somos tocados com gratidão por tudo o que a sua proximidade e presença significaram nas nossas vidas. Quando um amigo ou familiar nos deixa pela morte, no vazio da separação começamos a aperceber-nos de tudo o que nos deram em vida.

O caminho que Jesus percorreu na sua vida foi um caminho de serviço, mas os seus seguidores não compreenderam que o caminho da humildade e do amor altruísta, do amor sacrificial, era a única forma de alcançar o Pai. Alcançámos o Pai através do serviço às suas criaturas ("Se eu, sendo Senhor e Mestre, lavei os vossos pés..."). Ao longo de toda a narrativa da Páscoa, os discípulos chegarão a compreender Jesus nos seus corações. A vida de discipulado é um processo; estamos sempre a descobrir novas dimensões, novas experiências... é a Fonte de Água Viva que nunca seca.

A verdade é uma palavra tão deturpada que ainda hoje a sua existência é negada; o que existe são opiniões, mas não factos verdadeiros — é a este ponto que chegamos... Esta situação provoca um profundo desconforto, hesitação, perplexidade e uma necessidade mórbida de procurar segurança nas pessoas e nas ideologias, de seguir promessas improváveis ​​que matam a liberdade. Jesus não diz propriamente que só "a verdade nos liberta". As mentiras aprisionam, enganam, toldam a nossa visão e escravizam-nos. A comunidade dos seguidores de Jesus está a experimentar que só Ele é a Verdade que nos guia no caminho da liberdade.

Entendo que a palavra nos assusta porque, sob o pretexto de "possuir a verdade", causamos e continuamos a causar destruição. Não possuímos a verdade; pelo contrário, a Verdade possui-nos. A verdade de que Jesus habita e vive no Pai e o Pai n’Ele não é um jogo de palavras, mas antes o critério para sabermos que vivemos na Verdade quando nos aproximamos d’Ele e experimentamos a alegria de nos sentirmos enraizados no Compassivo. A única verdade é o Amor Incondicional, do qual ninguém nem nada nos pode separar.

Ele é a Vida, a nossa vida. Ele sustenta-a, mantém-na, é a nossa força na fraqueza, a luz no meio da nossa escuridão, a nossa esperança em tempos de incerteza. Ele provou-o dando a Sua vida incondicionalmente por nós. Obrigado, Jesus, por seres o caminho da vida e da verdade.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 02.05.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-5º Domingo de Páscoa-Ano A, em 02.05.2026. Tradução livre

sábado, 25 de abril de 2026

ENCONTRAR A PORTA CERTA

IV
- Domingo Páscoa -Ano A

Texto Sagrado: Jo 10, 1-10 

"O Evangelho de João apresenta Jesus com imagens originais e belas. Quer que os seus leitores descubram que só ele pode responder plenamente às necessidades mais fundamentais da humanidade. Jesus é “o pão da vida”: quem dele se alimentar nunca terá fome. Ele é “a luz do mundo”: quem o segue não andará nas trevas. Ele é “o bom pastor”: quem escuta a sua voz encontrará a vida.

Entre estas imagens, encontra-se uma, humilde e quase esquecida, que, no entanto, contém um significado profundo. “Eu sou a porta”. Esse é Jesus. Uma porta aberta. Quem o segue atravessa um limiar que conduz a um novo mundo: uma nova forma de compreender e viver a vida.

O evangelista explica-o com três características: “Quem entrar por Mim será salvo”. A vida tem muitos caminhos. Nem todos conduzem ao sucesso ou garantem uma vida plena. Quem, de alguma forma, se liga a Jesus e procura segui-Lo, está a entrar pela porta certa. Não desperdiçará a sua vida. A salvará.

O evangelista diz algo mais. Quem entra por meio de Jesus “poderá entrar e sair”. Ele tem liberdade de movimentos. Entra num espaço onde pode ser livre, pois é guiado apenas pelo Espírito de Jesus. Não é a terra da anarquia ou da licenciosidade [devassidão/libertinagem].

Ele “entra e sai”, passando sempre por aquela “porta” que é Jesus, e segue os seus passos.

O evangelista acrescenta ainda outro pormenor: quem entra por aquela porta que é Jesus “encontrará pastagem”, não terá fome nem sede. Encontrará alimento sólido e abundante para viver.

Cristo é a “porta” pela qual nós, cristãos, também devemos entrar hoje, se queremos reacender a nossa identidade. Um cristianismo composto por pessoas batizadas que se relacionam com um Jesus incompreendido, vagamente recordado, afirmado apenas ocasionalmente de forma abstrata, um Jesus silencioso que nada diz de especial ao mundo de hoje, um Jesus que não toca os corações… é um cristianismo sem futuro.

Só Cristo nos pode conduzir a um novo nível de vida cristã, mais bem fundamentada, motivada e alimentada pelo Evangelho. Cada um de nós pode contribuir para uma Igreja nos próximos anos onde Jesus seja sentido e vivido de forma mais vívida e apaixonada. Podemos tornar a Igreja mais semelhante a Jesus.

26 de abril de 2026

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 25.04.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-4º Domingo de Páscoa-Ano A, em 25.04.2026. Tradução livre

terça-feira, 21 de abril de 2026

Tu as mis sur moi ta main | Emmanuel Music

 

O SENHOR ESTÁ SEMPRE PRESENTE NA NOSSA VIDA

III- Domingo Páscoa -Ano A

Texto Sagrado: Lc 24, 13-35 

"O caminho de Emaús é o retrato de muitos momentos de nossa vida. Assim como aqueles dois discípulos, também nós caminhamos carregando tristezas, expectativas não correspondidas e uma sensação de vazio quando aquilo em que acreditávamos parece ter desmoronado. Eles seguiam conversando, tentando compreender o que havia acontecido, mas caminhavam com o rosto abatido. Aquele percurso descreve a jornada interior de todo cristão quando se encontra diante de perdas, decepções ou silêncios de Deus que parecem prolongados demais.

Enquanto eles falavam sobre suas dores, Jesus se aproximou e caminhava ao lado deles. Eles, porém, não o reconheceram. Isso revela uma verdade fundamental: o Senhor está presente em nossa vida mesmo quando não percebemos. Ele se aproxima não quando estamos fortes, mas justamente quando estamos confusos, desanimados ou feridos. Muitas vezes nossos olhos estão impedidos de reconhecer Sua presença porque estamos fixos demais nas nossas frustrações ou expectativas.

Os discípulos desabafam: “Nós esperávamos…”. A raiz da tristeza deles estava em uma esperança construída a partir das expectativas humanas, não do plano de Deus. Também nós, muitas vezes, nos decepcionamos não porque Deus falhou, mas porque projetamos sobre Ele nossos próprios desejos e imaginamos que Ele deveria agir conforme nossos planos. Quando a realidade não corresponde às nossas expectativas, sentimos o peso do desânimo que aqueles discípulos carregavam. O texto nos convida a permitir que Deus purifique nossas imagens d'Ele e que nos ensine a olhar a vida com os olhos da fé.

Jesus escuta, acolhe, caminha, e então começa a iluminar. Ele interpreta as Escrituras e revela um sentido novo para aquilo que parecia apenas dor e fracasso. A Palavra de Deus faz arder o coração porque reorganiza o que dentro de nós está confuso. Ela nos ajuda a compreender que até mesmo os momentos difíceis podem ser parte de um caminho que conduz à vida. Quando permitimos que a Palavra nos alcance, ela acende uma esperança nova e cura as feridas que antes pareciam definitivas.

Ao chegarem ao povoado, Jesus faz menção de seguir adiante, mas os discípulos o convidam: “Fica connosco, pois já é tarde”. Esse pedido é o centro da transformação. Reconhecemos, aí, um gesto profundamente pessoal: convidar Jesus para dentro de nossa própria casa interior, permitir que Ele permaneça nas nossas noites, dúvidas e fragilidades. A fé cresce quando deixamos Cristo permanecer, e não apenas passar pela nossa vida. É esse pedido simples :“fica comigo, Senhor” que muda tudo.

O reconhecimento acontece no partir do pão. O gesto de Jesus abre os olhos dos discípulos e eles finalmente percebem quem caminhava com eles. Também nós reconhecemos o Senhor quando nos aproximamos da Eucaristia e da vida comunitária; quando partilhamos, acolhemos e nos deixamos alimentar. O Cristo ressuscitado se revela tanto na celebração quanto na fraternidade concreta, onde o pão é dividido e a vida é comunicada.

Depois desse encontro, os discípulos se levantam e retornam imediatamente a Jerusalém. A alegria do reencontro transforma a noite em caminho e devolve a eles a missão que parecia perdida. O encontro pessoal com Cristo sempre nos envia de volta ao lugar de onde viemos, mas renovados, fortalecidos, capazes de testemunhar aquilo que vivemos.

Assim, o episódio de Emaús se torna um convite pessoal: reconhecer nossos desalentos, acolher a presença silenciosa de Cristo, deixar que Sua Palavra ilumine nossa história, convidá-lo a permanecer connosco e reencontrá-lo no partir do pão. E, finalmente, levantar-nos para continuar o caminho, anunciando com a própria vida que o Senhor está vivo e caminha connosco."

Imagem: Retirada da "Google imagens" em 22.04.2026.

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de  Eliseu Wisniewski em 22.04.2026.

domingo, 12 de abril de 2026

Ressuscitei

 

«A PAZ ESTEJA CONVOSCO»


"O Evangelho de João 20,19-23 nos convida a reconhecer que, muitas vezes, também nós nos encontramos como os discípulos: fechados, com medo, inseguros diante dos acontecimentos da vida. Carregamos preocupações, dúvidas e feridas que nos fazem recuar e nos proteger. No entanto, é justamente nesse espaço de fragilidade que o Ressuscitado se faz presente. Ele não espera que estejamos prontos ou fortes; entra em nossa realidade tal como ela é e se coloca no meio de nós.

Sua primeira palavra é de paz: “A paz esteja convosco” (v. 19). Não se trata de uma saudação comum, mas de um dom profundo que devolve sentido à vida. Quando acolhemos essa presença, algo muda dentro de nós: o medo começa a dar lugar à confiança, e a tristeza se abre à alegria.
Jesus mostra suas feridas, revelando que a dor não é apagada, mas transformada. Isso nos ajuda a compreender que também as nossas feridas podem se tornar lugar de encontro com Deus, espaço de cura e de esperança. Não precisamos escondê-las, pois o Senhor as conhece e as assume conosco.

Em seguida, Ele nos envia: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (v. 21). A experiência do encontro com Cristo não nos fecha em nós mesmos, mas nos coloca em movimento. Somos chamados a levar aos outros aquilo que recebemos: a paz, a misericórdia, a esperança.
Para isso, Ele nos dá o seu Espírito. É o Espírito Santo que nos fortalece, nos orienta e nos sustenta no caminho. Não caminhamos sozinhos; somos conduzidos por essa presença viva que nos capacita a viver como discípulos.

Por fim, Jesus nos confia o perdão (v. 23). Em um mundo marcado por divisões e feridas, somos chamados a ser instrumentos de reconciliação. Perdoar não é fácil, mas é caminho de libertação e de vida nova, para nós e para os outros.
Assim, este evangelho nos convida a abrir as portas do coração, a acolher a presença do Ressuscitado e a permitir que Ele transforme nossos medos em paz, nossas feridas em esperança e nossa vida em missão."

Imagem: Retirado da partilha da página Facebook de  Eliseu Wisniewski em 12.04.2026.

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de  Eliseu Wisniewski em 12.04.2026.

domingo, 5 de abril de 2026

Wake up the world - (Rejoice Cover)

 

"Acorda, acorda o mundo e canta Aleluia! A alegria de Deus é a nossa força, Aleluia! Alegria na Terra e no Céu! Senhor Jesus, vem!"

MISTÉRIO DA ESPERANÇA


"Crer no Ressuscitado é recusar aceitar que nossa vida seja apenas um breve interlúdio entre dois imensos vazios. Confiando em Jesus, ressuscitado por Deus, sentimos, desejamos e cremos que Deus está guiando o anseio por vida, justiça e paz — um anseio que reside no coração da humanidade e de toda a criação em direção à sua verdadeira plenitude.

Crer no Ressuscitado é rebelar-se com todas as nossas forças contra a noção de que a vasta maioria dos homens, mulheres e crianças, que conheceram apenas miséria, humilhação e sofrimento nesta vida, será para sempre esquecida.

Crer no Ressuscitado é confiar em uma vida onde não haverá mais pobreza nem dor, onde ninguém estará triste, onde ninguém terá que chorar. Finalmente, poderemos ver aqueles que chegam em barcos alcançarem sua verdadeira pátria. Crer no Senhor Ressuscitado significa estender a mão com esperança a tantas pessoas doentes, com enfermidades crônicas, com deficiências físicas e mentais, pessoas mergulhadas na depressão, cansadas da vida e em constante luta. Um dia elas saberão o que é viver em paz e com saúde perfeita. Elas ouvirão as palavras do Pai: "Entrem para sempre na alegria do seu Senhor".

Crer no Senhor Ressuscitado significa recusar-se a aceitar que Deus permanecerá para sempre um "Deus oculto", cujo olhar, ternura e abraço não podemos conhecer. Nós o encontraremos gloriosamente encarnado para sempre em Jesus.

Crer no Senhor Ressuscitado significa confiar que nossos esforços por um mundo mais humano e alegre não serão em vão. Um dia abençoado, os últimos serão os primeiros, e as prostitutas nos precederão no reino.

Crer no Ressuscitado é saber que tudo o que ficou inacabado aqui, tudo o que não pôde ser, tudo o que estragamos com nossa falta de jeito ou nosso pecado, alcançará sua plenitude em Deus. Nada se perderá daquilo que vivemos com amor ou daquilo a que renunciamos por amor.

Crer no Ressuscitado é ter esperança de que os momentos de alegria e as experiências amargas, as "marcas" que deixamos nas pessoas e nas coisas, tudo o que construímos com amor, serão transfigurados. Não conheceremos mais amizades que terminam, festas que acabam ou despedidas que trazem tristeza. Deus será tudo em todos.

Crer no Ressuscitado é crer que um dia ouviremos estas palavras incríveis que o Livro do Apocalipse coloca nos lábios de Deus: "Eu sou o princípio e o fim de todas as coisas. A quem tiver sede, darei de graça da fonte da água da vida." Não haverá mais morte, nem choro, nem dor, pois todas essas coisas terão passado."

Imagem: Propriedade do Blog Catequese Missionária.

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola- Domingo Páscoa Ano A, em 05.04.2026. Tradução livre

domingo, 22 de março de 2026

E AINDA SE PERGUNTA SE LÁZARO RESSUSCITOU FISICAMENTE, ESTÁ MORTO


V- Domingo Quaresma -Ano A

Texto Sagrado: Jo11, 1-45

"Água, luz, vida. Estas são três metáforas poderosas que nos tentam levar para além de toda a lógica. Se insistirmos em interpretá-las literalmente, distorcemos o texto e ficamos privados da verdadeira mensagem.

Tudo é simbólico. Uma família de irmãos, a nova comunidade. Jesus integrado no grupo através do seu amor por cada um. Alguns membros da comunidade preocupam-se com a saúde dos outros. A falta de lógica na narrativa obriga-nos a ir além de uma interpretação literal.

Se nos perguntarmos se Lázaro ressuscitou fisicamente, significa que ainda estamos mortos. A alternativa não é esta vida cá em baixo ou outra vida depois, mas uma continuação desta. A alternativa é: apenas a vida biológica, ou a Vida definitiva durante esta vida física, mas para além dela. Que Lázaro ressuscite apenas para morrer de novo não faz sentido. Nenhum outro texto do Novo Testamento menciona um acontecimento tão espetacular.

"Eu sou a ressurreição e a vida". Jesus não veio prolongar a vida física; veio comunicar a Vida de Deus. Esta Vida anula os efeitos catastróficos da morte biológica. Perante a morte natural, a Vida que se segue aparece como uma renovação da vida que termina. Na realidade, é a única Vida verdadeira.

Jesus corrige o conceito de "ressurreição no último dia", que Marta partilhou com os fariseus. Para João, o último dia é o dia da morte de Jesus, no qual, com o dom do Espírito, se completa a criação da humanidade. É uma vergonha continuarmos a depender da fé para a vida depois da morte, que Jesus declara insuficiente.

"Onde o colocaram?" Isto indica que foram eles que colocaram Lázaro no túmulo, um lugar de morte sem esperança. O túmulo não é o lugar apropriado para aqueles que juraram fidelidade a Jesus. Ao dizer-lhes: "Tirem a pedra", Jesus pede à comunidade que abandone as suas crenças. Os mortos não precisam de ser separados dos vivos. Os mortos podem estar vivos e os vivos, mortos.

Algo já está a cheirar mal. A trágica realidade da morte é incontornável. Marta ainda pensa que a morte é o fim. Jesus quer mostrar-lhe que não é o fim; mas também que sem a “morte” a verdadeira Vida não pode ser alcançada. A morte deixa de ser o horizonte final da vida quando é abraçada. Ninguém está isento de morrer.

Ao remover a pedra, a fronteira entre os mortos e os vivos desaparece. A pedra impedia a entrada e a saída de qualquer pessoa. Era o sinal do fim da existência. A pesada laje de pedra ocultava a presença da Vida para além da morte. Jesus sabe que Lázaro aceitou a Vida antes de morrer, e é por isso que continua a viver.

"Lázaro, vem cá para fora!" O túmulo onde o tinham colocado não era o seu lugar. O crente não está destinado ao túmulo porque continua a viver. Os destinatários do clamor são eles, e não Lázaro. "Vinde todos vós para a verdadeira vida!"

"O morto saiu com os braços e as pernas atados". O ser humano, que não nasce para uma nova Vida, permanece atado de pés e mãos, incapaz de crescer como tal. Mais uma vez, é impossível compreender a frase literalmente. Como poderia ele sair se os seus pés estavam atados? Parecia um cadáver, mas estava vivo.

Lázaro possui todos os atributos da morte, mas sai por si porque está vivo. A comunidade precisa de tomar consciência da sua nova situação. Foram eles que o aprisionaram e são eles que o devem libertar. Lázaro não regressa à comunidade, mas é libertado. Agora, sabendo que morrer não significa deixar de viver, podem oferecer a sua vida como Jesus fez.

Irmão Marcos"

Imagem: Retirada do Google imagens em 22.03.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola-5º Domingo da Quaresma-Ano A, em 22.03.2026. Tradução livre

sábado, 14 de março de 2026

CAMINHOS PARA A FÉ


IV- Domingo Quaresma -Ano A

Texto Sagrado: Jo 9, 1-41

"A história é inesquecível. Tradicionalmente chamada "a cura do cego de nascença", é muito mais do que isso, pois o evangelista descreve a viagem interior de um homem perdido na escuridão até encontrar Jesus, "Luz do mundo".

Não sabemos o seu nome. Sabemos apenas que é um mendigo, cego de nascença, que pede esmola à porta do Templo. Ele não conhece a luz. Nunca a viu. Não consegue andar nem orientar-se. A sua vida desenrola-se na escuridão. Nunca conhecerá uma vida digna.

Um dia, Jesus cruza-se no seu caminho. O cego é tão necessitado que permite que Jesus trabalhe nos seus olhos. Não sabe quem é Jesus, mas confia no seu poder de cura. Seguindo as instruções de Jesus, purifica a sua visão no Tanque de Siloé e, pela primeira vez, começa a ver. O encontro com Jesus mudará a sua vida.

Os vizinhos vêem-no transformado. É o mesmo homem, mas parece uma pessoa diferente. O homem explica a sua experiência: “Um homem chamado Jesus” curou-o. Ele não sabe mais nada. Não sabe quem é Jesus nem onde está, mas Jesus abriu-lhe os olhos. Jesus faz o bem mesmo àqueles que O reconhecem apenas como homem.

Os fariseus, conhecedores da religião, fazem-lhe todo o tipo de perguntas sobre Jesus. Fala-lhes da sua experiência: “Só sei de uma coisa: eu era cego e agora vejo”. Perguntam-lhe o que pensa de Jesus, e ele diz-lhes o que sente: “Que é um profeta”. O que ele recebeu dele é tão bom que esse homem deve vir de Deus. É assim que muitas pessoas simples experimentam a sua fé em Jesus. Não percebem de teologia, mas sentem que este homem vem de Deus.

Aos poucos, o mendigo é deixado sozinho. Os seus pais não o defendem. Os líderes religiosos expulsam-no da sinagoga. Mas Jesus não abandona aqueles que o amam e o procuram. “Quando ouviu que o tinham expulsado, foi procurá-lo.” Jesus tem os seus próprios meios de encontrar aqueles que O procuram. Ninguém o pode impedir.

Quando Jesus encontra o homem que ninguém parece compreender, faz-lhe apenas uma pergunta: “Crês no Filho do Homem?” Crê no novo Homem, o Homem plenamente humano precisamente porque é a encarnação do insondável mistério de Deus? O mendigo está disposto a acreditar, mas vê-se mais cego do que nunca: “E quem é ele, Senhor, para que eu acredite nele?”

Jesus diz-lhe: “Já O viste: é aquele que está a falar contigo.” Os olhos do cego abrem-se. Prostra-se diante de Jesus e diz: “Eu creio, Senhor.” Só ouvindo Jesus e permitindo que nos guie interiormente é que caminhamos para uma fé mais plena e também mais humilde.

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 14.03.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola-4º Domingo da Quaresma-Ano A, em 14.03.2026. Tradução livre


Ô mon Bien-Aimé | Emmanuel Music

 

Ó meu Bem-Amado, Jesus meu Senhor,

verdadeira alegria do coração:   mais que o mel

 Tua doce presença,   vem-nos encher da tua alegria!

Iesu, Iesu,

Iesu, Adoramus te!

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te!

Tu confortas aquele que pede perdão; 

dás coragem ao fraco que confia em Ti.   Consolador

de quem Te procura,   do que Te encontra, grande alegria!


Ninguém pode exprimir tua graça e poder,   nenhum hino

contém teu imenso amor.   Mas quem mergulha

em teu coração,   encontra a vida que não tem fim!

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te!

Sê a fonte da nossa alegria, Jesus.   Tu, o

nosso tesouro  um dia nos céus.  Que a nossa

glória  repouse em Ti.   Agora e sempre, Ámen!

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te! 

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te!

sábado, 7 de março de 2026

DEUS É SOMENTE ESPÍRITO

III-Domingo Quaresma -Ano A

Texto Sagrado: Jo 4,5-42

"Hoje e nos próximos dois domingos, vamos ler os Evangelhos de João: a mulher samaritana, o cego de nascença e a ressurreição de Lázaro. O "Eu Sou" de João se repete nos três: Eu sou a água viva, a luz, a vida. A narrativa é uma catequese que nos convida a seguir Jesus-Vida.

Os samaritanos eram desprezados pelos judeus como hereges. O pior insulto que se podia dirigir a um judeu era chamá-lo de samaritano. Sem essa chave, a narrativa não pode ser compreendida.

Jesus é a água viva, que substituirá a Lei e o Templo. Esta é a chave para toda a narrativa. A mulher não tem nome; ela representa a região da Samaria, que saciará sua sede na tradição. Jesus está sozinho. Este é o encontro do Messias com a Samaria, a infiel. O profeta Oséias da Samaria havia denunciado a prostituição desta terra.

Jesus toma a iniciativa pedindo água à mulher samaritana. Ele se aproxima dela implorando por ajuda. Ela tem o que lhe falta e de que precisa: água. A surpresa da mulher é compreensível. Jesus acaba de derrubar uma dupla barreira: a que separava judeus e samaritanos, e a que separava homens e mulheres. Ele reconhece que uma mulher pode lhe oferecer algo.

Jesus lhe pediu um favor, mas é para retribuir com um muito maior. Jesus mostra-se acima das circunstâncias aparentemente adversas. A mulher não conhece outra água além daquela do poço (a lei), que só pode ser obtida por meio do esforço humano. Como os judeus, ela não descobriu que existe um dom gratuito e melhor de Deus.

A água — o Espírito — que Jesus dá torna-se uma fonte que continuamente dá Vida. Essa Vida contém energia suficiente para desenvolver cada ser humano a partir de sua dimensão pessoal mais profunda. O homem recebe a Vida nas profundezas do seu ser. A água precisa ser tirada do poço; O Espírito está sempre profundamente dentro de cada um.

João é um mestre em usar o mal-entendido de uma afirmação para enfatizar a explicação. Jesus fala da Vida, e a mulher samaritana fala da água para beber. A melhor demonstração de que mantemos essa ambivalência é que a primeira leitura é a passagem de Êxodo, onde a prova de que Deus está com o povo é que Ele lhes dá água.

O significado dos versículos, que se referem a maridos, deve ser buscado no contexto profético, que nos leva ao relacionamento infiel de Samaria com Deus. Samaria teve cinco deuses, e aquele que eles têm agora (Javé), por compartilhá-Lo, também não é o seu verdadeiro deus.

Em Jesus, a atitude de Deus é personificada: Ele não rompeu com Samaria, mas a procura ativamente. A água tradicional (a Lei) não havia saciado a sede do povo. Sua busca os levou a uma multiplicidade de maridos — senhores — deuses.

A mulher samaritana descobre que Jesus é um profeta. A imagem que ela tem do Messias é a de um profeta como Moisés. Ela permanece apegada à tradição de "nossos ancestrais". Ela busca a solução nos costumes antigos, a única realidade que conhece.

Para Jesus, até mesmo o Templo de Jerusalém está corrompido. Ambas as alternativas estão erradas. Sua oferta é algo novo. É uma mudança radical. O próprio Jesus será o lugar do encontro com Deus. O relacionamento direto com Deus tornará possível a unidade e o amor.

"Deus é Espírito." Devemos ter em mente que, da perspectiva grega, "Espírito" significa simplesmente um ser imaterial. Da perspectiva judaica, possui uma gama muito rica de significados. Significa que Deus é poder, o dinamismo do amor, Vida.

O culto antigo era uma humilhação diante de um Deus soberano; enfatizava a distância. O novo culto eleva a humanidade e elimina essa distância. Deus não precisa nem espera presentes de nós. Os hereges samaritanos estão mais próximos de Deus do que os judeus ortodoxos.

Irmão Marcos"

Imagem: Retirada do Google imagens em 07.03.2026;

Texto: Retirado  da partilha da página Facebok de José António Pagola-3º Domingo da Quaresma-Ano A, em 07.03.2026. Tradução livre


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Vem salvar nos, Senhor

 

Feliz Quaresma 2026! 
Aproveita bem estes 40 dias para te encontrares com o Senhor, que veio, vem e virá para te salvar!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Menos ais, quero muito mais

                               https://youtu.be/rK8xaNrWSmY?si=nEJxjB-WZO077e9M

Fonte: Youtube-"10 minutos com Jesus" https://www.blogger.com/blog/post/edit/6295148518364359132/1203343430355371490


As Cinco Chagas do Senhor

~
Naquele tempo, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: «Tenho sede».

Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, expirou.
Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele.
Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.
Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado».
Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».

Comentário do dia:  São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja. Comentário sobre a Epístola aos Gálatas, 6
O nosso título de glória é o Filho do Homem entregue nas mãos dos homens
«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo», diz São Paulo (Gal 6,14). Repara, observa Santo Agostinho: onde o sábio segundo este mundo julgou encontrar a vergonha, aí descobriu o apóstolo Paulo um tesouro; pois aquilo que para outro é loucura é para ele sabedoria (1Cor 1,17s) e título de glória.
Com efeito, cada um retira a sua glória daquilo que, a seus olhos, o torna grande; se julga ser um homem importante por ser rico, glorifica-se nos seus bens. Mas aquele que não encontra grandeza para si senão em Jesus Cristo põe a sua glória apenas em Jesus; assim era o apóstolo Paulo, que dizia: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»(Gal 2,20). É por isso que apenas se gloria em Cristo, e sobretudo na cruz de Cristo. É que nesta cruz estão reunidos todos os motivos de glória que um homem pode ter.
Há pessoas que retiram a sua glória da amizade com os grandes e poderosos; Paulo, porém, apenas tem necessidade da cruz de Cristo, onde descobre o sinal mais evidente da amizade de Deus: «Deus demonstra o seu amor para connosco pelo facto de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores» (Rom 5,8). Não, nada manifesta tão bem o amor de Deus para connosco como a morte de Cristo. «Oh, testemunho inestimável do amor!», exclama São Gregório. «Para resgatar o escravo, entregastes o Filho!»
Imagem:Retirada do Google imagens em 07.02.2026;
Texto: Retirado  do site “Evangelho Quotidiano - 07-02-2017-Cinco Chagas do Senhor-Festa

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Um em Cristo, unidos na missão


MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
PARA O 100º DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

[18 de outubro de 2026]

[Multimídia]

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Queridos irmãos e irmãs!

Para o Dia Mundial das Missões de 2026, que marca o centenário desta celebração, instituída por Pio XI e tão estimada pela Igreja, escolhi o tema «Um em Cristo, unidos na missão». Após o Ano Jubilar, desejo exortar toda a Igreja a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança.

Refletindo sobre o nosso ser um em Cristo e unidos na missão, deixemo-nos guiar e inspirar pela graça divina, para «renovar em nós o fogo da vocação missionária» e avançar juntos no empenho pela evangelização, numa «nova era missionária» na história da Igreja (Homilia na Missa pelo Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, 5 de outubro de 2025).

1. Um em Cristo. Discípulos-missionários unidos n’Ele e com os irmãos e irmãs

No centro da missão está o mistério da união com Cristo. Antes da sua Paixão, Jesus orou ao Pai: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós» (Jo 17, 21). Nestas palavras, revela-se o desejo mais profundo do Senhor Jesus e, ao mesmo tempo, a identidade da Igreja, comunidade dos seus discípulos: ser uma comunhão que nasce da Trindade e que vive da e na Trindade, ao serviço da fraternidade entre todos os seres humanos e da harmonia com todas as criaturas.

Ser cristão não é, em primeiro lugar, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no Espírito Santo. Significa permanecer em Cristo como os ramos na videira (cf. Jo 15, 4), imersos na vida trinitária. Desta união, brota a comunhão recíproca entre os crentes e nasce toda a fecundidade missionária. Sim, como ensinou São João Paulo II, a comunhão representa a fonte e, simultaneamente, o fruto da missão (cf. Exort. ap. Christifideles laici, 32).

Sendo assim, a primeira responsabilidade missionária da Igreja é renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros. Em muitas situações, assistimos a conflitos, polarizações, incompreensões, desconfiança mútua. Quando, também nas nossas comunidades, isto acontece, o seu testemunho enfraquece. A missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, requer primeiramente corações reconciliados e desejosos de comunhão. Nesta ótica, será importante intensificar o compromisso ecuménico com todas as Igrejas cristãs, aproveitando também as oportunidades suscitadas pela comum celebração do 1700.º aniversário do Concílio de Nicéia.

Por último, mas não menos importante, ser «um em Cristo» chama-nos a manter sempre o olhar voltado para o Senhor, para que Ele esteja verdadeiramente no centro da vida pessoal e comunitária, de cada palavra, ação, relação interpessoal, de modo a fazer-nos dizer com admiração: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). Isto será possível na escuta constante da sua Palavra e na graça dos Sacramentos, para sermos pedras vivas da Igreja, chamada hoje a recolher as instâncias fundamentais do Concílio Vaticano II e do subsequente Magistério pontifício, em particular, do Papa Francisco. Realmente, como afirma São Paulo, «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» (2 Cor 4, 5). Reitero, portanto, as palavras de São Paulo VI: «Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 22). Tal processo de genuína evangelização começa a partir do coração de cada cristão para depois se expandir a toda a humanidade.

Por conseguinte, quanto mais estivermos unidos em Cristo, mais poderemos realizar juntos a missão que Ele nos confia.

2. Unidos na missão. Para que o mundo creia em Cristo Senhor

A unidade dos discípulos não é um fim em si mesma: ela está orientada para a missão. Jesus afirma-o com clareza: «para que assim […] o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17, 21). É no testemunho de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária que o anúncio do Evangelho encontra toda a sua força comunicativa.

Nesta perspectiva, vale a pena recordar o lema do Beato Paulo Manna: «Toda a Igreja para o mundo inteiro», que expressa sinteticamente o ideal que animou a fundação, em 1916, da Pontifícia União Missionária. A ela, no seu 110.º aniversário, pelo empenho em animar e formar o espírito missionário de sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos, favorecendo a união de todas as forças evangelizadoras, vai o meu reconhecimento e a minha bênção. Com efeito, nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja. Como o Papa Francisco recordou mais de uma vez, o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta, comunitária, sinodal.

Por isso, estar unidos na missão significa guardar e alimentar a espiritualidade de comunhão e colaboração missionária. Crescendo dia a dia nessa atitude, aprendemos com a graça divina a olhar cada vez mais para os nossos irmãos e irmãs com olhos de fé, a reconhecer com alegria o bem que o Espírito suscita em cada um, a acolher a diversidade como riqueza, a carregar os fardos uns dos outros e a buscar constantemente a unidade que vem do Alto. Pois temos juntos uma única missão que nos vem de «um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos» (Ef 4, 5-6). Esta espiritualidade constitui a forma quotidiana do discipulado missionário. Ela ajuda-nos a recuperar uma visão universal da missão evangelizadora da Igreja, superando a fragmentação dos esforços e divisões de facções – “de Paulo”, “de Apolo” – entre os seguidores do único Senhor (cf. 1 Cor 1, 10-12).

Obviamente, a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objetivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele. A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam plena e harmoniosamente na mesma fé. Encorajo, deste modo, as instituições e realidades eclesiais a fortalecer o sentido de comunhão missionária eclesial e a desenvolver com criatividade formas concretas de colaboração entre si para a missão e na missão.

A propósito, agradeço às Pontifícias Obras Missionárias pelo serviço à cooperação missionária, que experimentei com apreço já durante o meu ministério no Peru. Estas obras – Propagação da FéInfância MissionáriaSão Pedro Apóstolo e União Missionária – continuam a alimentar e a formar a consciência missionária dos fiéis, seja dos pequenos aos crescidos, e a promover uma rede de oração e caridade que une as comunidades de todo o mundo. É significativo que a fundadora da Obra para a Propagação da Fé, a Beata Pauline Marie Jaricot, tenha idealizado, há duzentos anos, o Rosário Vivo, que ainda hoje reúne à distância numerosos fiéis em grupos para rezar pelas necessidades espirituais e missionárias. É importante recordar que, precisamente a partir de uma proposta da Obra para a Propagação da FéPio XI instituiu, em 1926, a celebração do Dia Mundial das Missões, cujas ofertas recolhidas anualmente são por ela distribuídas, em nome do Papa, para as várias necessidades da missão da Igreja. Desta forma, as quatro Obras, em conjunto e cada uma na sua especificidade, continuam a desempenhar um papel precioso para toda a Igreja. Elas são um sinal vivo da unidade e da comunhão missionária eclesial. Convido todos a colaborar com elas com espírito de gratidão.

3. Missão do amor. Anunciar, viver e partilhar o amor fiel de Deus

Se a unidade é a condição da missão, o amor é a sua essência. A Boa Nova que somos enviados a anunciar ao mundo não é um ideal abstrato: é o Evangelho do amor fiel de Deus, encarnado no rosto e na vida de Jesus Cristo.

A missão dos discípulos e de toda a Igreja é a continuação, no Espírito Santo, da missão de Cristo: uma missão que nasce do amor, que se vive no amor e que conduz ao amor. Tanto é verdade que o próprio Senhor, na sua grande oração ao Pai antes da Paixão, depois de invocar a unidade dos discípulos, conclui assim: «O amor que me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também» (Jo 17, 26). Os Apóstolos, portanto, evangelizaram movidos pelo amor de Cristo e por Cristo (cf. 2 Cor 5, 14). Da mesma forma, ao longo dos séculos, numerosos cristãos, mártires, confessores, missionários, deram a vida para dar a conhecer este amor divino ao mundo. Assim, a missão evangelizadora da Igreja continua guiada pelo Espírito Santo, Espírito de amor, até ao fim dos tempos.

Por isso, desejo agradecer especialmente aos atuais missionários e missionárias ad gentes: pessoas que, como São Francisco Xavier, deixaram a sua terra, a sua família e as seguranças para anunciar o Evangelho, levando Cristo e o seu amor a lugares muitas vezes difíceis, pobres, marcados por conflitos ou culturalmente distantes. Apesar das adversidades e dos limites humanos, eles continuam a doar-se com alegria porque sabem que o próprio Cristo, com o seu Evangelho, é a maior riqueza a partilhar. Com a sua perseverança, mostram que o amor de Deus é mais forte do que qualquer barreira. O mundo ainda precisa destes corajosos testemunhos de Cristo, e também as comunidades eclesiais necessitam de novas vocações missionárias, que devemos sempre ter no coração e rezar continuamente por elas ao Pai. Que Ele nos conceda o dom de jovens e adultos dispostos a deixar tudo para seguir Cristo no caminho da evangelização até aos confins da terra!

Admirando os missionários e as missionárias, faço um apelo especial à Igreja: unirmo-nos todos a eles na missão evangelizadora através do testemunho da vida em Cristo, da oração e do contributo para as missões. Muitas vezes, bem o sabemos, «o Amor não é amado», como disse São Francisco de Assis, a quem olhamos de modo particular pelos oitocentos anos do seu trânsito para o Céu. Deixemo-nos contagiar pelo seu desejo de viver no amor do Senhor e de o transmitir ao próximo e ao distante, porque, como ele afirmava, «muito se deve amar o amor d’Aquele que muito nos amou» (São Boaventura de Bagnoregio, Legenda Maior, cap. IX, 1; Fontes franciscanas, 1161). Sentimo-nos também estimulados pelo zelo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que se propôs continuar a sua missão mesmo depois da morte, declarando: «No Céu, desejarei a mesma coisa que na terra: amar Jesus e fazê-Lo amar» (Carta ao reverendo M. Bellière, 24 de fevereiro de 1897).

Animados por estes testemunhos, comprometamo-nos todos a contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor. As vossas orações e o vosso apoio concreto, especialmente por ocasião do Dia Mundial das Missões, serão uma grande ajuda para levar o Evangelho do amor de Deus a todos, especialmente aos mais pobres e necessitados. Cada dom, mesmo o menor entre eles, torna-se um ato significativo de comunhão missionária. Por isso, renovo o meu sincero agradecimento «por tudo o que fareis para me ajudar a ajudar os missionários em todo o mundo» (Videomensagem para o Dia Mundial das Missões 2025). E para promover a comunhão espiritual, deixo-vos, com a minha bênção, esta simples oração:

Pai santo, concedei-nos ser um em Cristo, enraizados no seu amor que une e renova. Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando todos os dias o vosso amor fiel por cada criatura.

Abençoai os missionários e as missionárias, sustentai-os no seu esforço, guardai-os na esperança!

Maria, Rainha das missões, acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra: tornai-vos instrumentos de paz e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva. Amém.

Vaticano, no III domingo do Tempo Comum, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, 25 de janeiro de 2026

LEÃO PP. XIV

Texto: Retirados do Site do Vaticano - http://www.vatican.va/ em 27/01/2026; 

Imagem: Retirada da "Google imagens" em 27/01/2026;