“ Quero gritar
Meu Deus, tu és grande, tu és bom!
Deus Vivo, O Altíssimo!
Tu és o Deus d`´Amor!
Meu Deus, tu és grande, tu és bom!
Deus Vivo, O Altíssimo!
Tu estás presente em toda a criação! ”
“ Quero gritar
Meu Deus, tu és grande, tu és bom!
Deus Vivo, O Altíssimo!
Tu és o Deus d`´Amor!
Meu Deus, tu és grande, tu és bom!
Deus Vivo, O Altíssimo!
Tu estás presente em toda a criação! ”
Texto Sagrado: Mt 10, 26-33
"Se lermos os quatro Evangelhos
com serenidade e atenção contínua — lembrando que não foram escritos com
capítulos e versículos — percebemos como, ao longo da leitura, Jesus nos
convida continuamente a não temer, a não ter medo, a encontrar a paz e a pedir
força: “Não tenhas medo, Zacarias”, “Não tenhas medo, Maria”, “Não tenhas medo,
pastores”, “Não tenhas medo, Pedro”, “Não tenhas medo, pequeno rebanho”, “Não
te preocupes com…”, “Não tenhas medo daqueles que podem matar o corpo”, “A paz
esteja convosco”, “Vinde a Mim, todos vós que estais cansados e
sobrecarregados”, “Pedi ao Espírito que vos fortaleça…”. Se lermos isto com
serenidade, os nossos corações alegram-se e desejam aproximar-se cada vez mais
de Jesus.
O Cristo narrado, recordado e
vivido pelas comunidades cristãs é um Jesus pacífico e pacificador, um Jesus
que nos convida a viver à luz do dia e a não nos escondermos nas trevas da
noite, um Jesus que deseja que descubramos a nossa plena dignidade como filhos
e filhas do Deus da Vida na plena luz da verdade e da alegria, e não nos
escondamos nas trevas, nas meias-verdades, na ambiguidade, naquilo que é
sórdido, rarefeito, odioso, insultuoso, amargo, na cobardia anonimato… que
tantas vezes emerge em momentos críticos como aquele que estamos a viver.
Ele não quer que sejamos fracos,
intimidados, medrosos, submissos ou assustados… A Boa Nova de Jesus
apresenta-nos duas formas de viver: trilhar o caminho da liberdade e da força
ou percorrer a vida acovardados e sobrecarregados de obstáculos. Escolher um
caminho ou outro depende do Deus a quem oramos, invocamos e em quem acreditamos
— isto é, do Deus em quem desejamos firmar a nossa vida. Não esqueçamos que o
Deus de Jesus é “a Fonte da Vida”. O caminho da estagnação e do isolamento é o
caminho dos ídolos.
Jesus alerta-nos para um único
medo que devemos evitar: o medo daqueles que nos podem matar “corpo e alma”, ou
seja, matar não só a nossa vida “biológica”, mas também a nossa vitalidade, o
nosso desejo de viver com compaixão, de criar espaços de repouso e alívio como
Ele. Medo daqueles que nos podem conduzir a ciclos de desesperança e
derrotismo. Medo daqueles que nos podem transformar em “mortos-vivos”.
O que pode matar a “verdadeira
vida”, como gostava de dizer Santo Inácio de Loyola, não é “tomar o partido de
Jesus”, mas “nega-Lo”. Devemos ter cuidado, pois as nossas ilusões levam-nos
sempre a conceber o discipulado como uma batalha entre o bem e o mal: os bons
somos nós, cristãos, os maus são os outros, os que estão fora da fé; Aqueles de
nós que estão do lado de Jesus são os "salvos", aqueles que o negam
são sempre os outros, aqueles que serão "condenados"... Será que
acreditamos mesmo que é tudo assim tão simples? Tomar ou não o partido de Jesus
não é algo que possamos conhecer claramente neste momento; só saberemos no fim.
Mas Jesus é bom e deu-nos uma antevisão dos critérios finais: estar ao meu lado
é alimentar, vestir, visitar... Isto soa-vos familiar?
Continuemos a desejar, a pedir, a
estar sempre "ao lado de Jesus", pois este desejo não nos mata a
vida, mas, pelo contrário, dá-nos vida.
Toni Catalá SJ"
Imagem: Retirada do Google imagens em 20.06.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-12º Domingo Comum-Ano A, em 20.06.2026. Tradução livre
Texto Sagrado: Mt 9, 36-10.8
"Muitos cristãos acreditam que vivem a sua fé de forma responsável porque observam cuidadosamente determinadas práticas religiosas e procuram alinhar o seu comportamento com as leis morais e as normas eclesiásticas.
Da mesma forma, muitas comunidades cristãs acreditam que cumprem fielmente a sua missão porque se esforçam por oferecer serviços de catequese e formação na fé e se empenham em celebrar o culto cristão com dignidade.
Será que era só isso que Jesus pretendia instaurar quando enviou os seus discípulos ao mundo? Será esta a vida que ele quis incutir no coração da história?
Precisamos de ouvir novamente as palavras de Jesus para redescobrir a verdadeira missão dos crentes no meio desta sociedade. O evangelista Mateus regista o seu mandamento assim: “Ide e pregai que o reino dos céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. De graça recebestes, de graça dai”.
A nossa primeira tarefa hoje é também proclamar que Deus está perto de nós, empenhado em preservar a felicidade da humanidade. Mas esta proclamação de um Deus salvador não se faz apenas através de discursos e palavras evocativas. Não se assegura apenas através do catecismo ou da educação religiosa. Jesus recorda-nos como proclamar Deus: trabalhando desinteressadamente para dar vida nova às pessoas.
“Curar os doentes”, isto é, libertar as pessoas de tudo o que lhes rouba a vida e lhes causa sofrimento. Curar a alma e o corpo daqueles que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa do quotidiano.
“Ressuscitar os mortos”, isto é, libertar as pessoas daquilo que bloqueia as suas vidas e mata a sua esperança. Despertar de novo o amor pela vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres em quem a vida está a morrer lentamente.
“Purificar os leprosos”, isto é, purificar esta sociedade de tanta falsidade, hipocrisia e convencionalismo. Para ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade e honestidade.
“Expulsar os demónios” significa libertar as pessoas dos muitos ídolos que nos escravizam, nos possuem e pervertem as nossas relações. Onde quer que as pessoas sejam libertadas, aí Deus está a ser proclamado.
14 de junho
José António Pagola"
Imagem: Retirada do Google imagens em 13.06.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-11º Domingo Comum-Ano A, em 13.06.2026. Tradução livre
Texto Sagrado: Jo 3,16-18
No imaginário cristão que tanto
prezamos, a Santíssima Trindade é um mistério; e mistério é o inexplicável por
excelência, aquilo que não pode ser compreendido, o profundamente oculto e
secreto, o arcano, portanto aquilo que não pode ser explicado e só pode ser
“acreditado”. Para uns, é um dogma imposto que apenas proporciona trabalho aos
teólogos mais ou menos “ociosos”. Para outros, estudantes de teologia e para os
de áreas afins, é um assunto mais ou menos esotérico e complicado que deve ser
ultrapassado… o que significa que, para a vida concreta do dia-a-dia, não
significa absolutamente nada. Que grande pena!
Vimos e celebrámos nestes últimos
domingos que, para os primeiros, no calor de se sentirem amados e em paz (“os
nossos corações não ardiam dentro de nós…”) pelo Crucificado e Ressuscitado, a
palavra “Deus” por si só explodiu nos seus rostos. As palavras não conseguiam
expressar tudo o que Jesus tinha experimentado e sentido. Queriam exprimir que
Deus era aquele "Abba-Imma" (Pai-Mãe) que levou Jesus a amar os
oprimidos do seu povo com tanta ternura, que se comoveu e curou os enfermos,
que se encantou com as crianças e as acolheu, que se entristeceu com a dureza
de coração daqueles que se sentiam seguros com Deus, mas desprezavam os outros,
que orou a um Deus que dedicou toda a sua vida ao serviço até ao fim, que nada
pediu para si mesmo, a não ser que nos amássemos uns aos outros... Precisavam
de estender a palavra "Deus" ao seu limite, até ao seu ponto de
rutura, porque em Jesus revelou-se como um Deus perdidamente apaixonado pelo
seu mundo e pelas suas criaturas. Então começaram a orar e a viver em «Nome do Pai,
e do Filho, e do Espírito Santo», e isto antes de os teólogos terem
sistematizado o que quer que fosse, nem a hierarquia ter declarado nada — não
nos esqueçamos disto. Foram os santos fiéis, como o Papa Francisco gosta de
chamar aos cristãos comuns, que deram origem à novidade radical do “dogma” da
Trindade… pois a sabedoria vem da simplicidade… diz Jesus.
É claro que a Santíssima Trindade
é um mistério, mas um mistério é algo que vivemos todos os dias e que nos
sobrecarrega com palavras. “Não há palavras…” dizemos quando queremos expressar
algo que nos comoveu profundamente. Os primeiros cristãos ficaram sem palavras
e, contra toda a lógica e contra toda a correcção política na esfera cultural
judaica e grega, tiveram de ser criativos, lutando com a linguagem para
exprimir e celebrar que o “Mistério Absoluto”, a “Realidade que, em última
análise, tudo determina”, o “totalmente Outro”… em Jesus se mostrou, se
revelou, como um Reino de Compaixão. (“Eu vos abençoo, Pai… vinde a mim, todos
vós que estais cansados e sobrecarregados…”). É uma pena que alguns de nós
queiram ser contraculturais, alternativos e todas essas coisas — que não estou
a dizer que não sejam santas e boas — e, ao mesmo tempo, não saibamos contar a
fascinante história de Jesus com o seu Deus — connosco… Toda esta história é a
Santíssima Trindade. Devemos reconhecer que Jesus deixou os seus seguidores,
deixou-nos, com um problema: em qualquer tempo, o Evangelho já não é do mesmo;
é novo, e o novo não pode ser “contado com as mesmas coisas de sempre”. É por
isso que somos chamados à escuta contínua do Espírito. O Mistério do Amor que
transborda em nós impede-nos de transformar o Deus Vivo num ídolo fossilizado.
Toni Catalá SJ
Imagem: Retirada do Google imagens em 30.05.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-9º Domingo Comum-Ano A, em 30.05.2026. Tradução livre

Oração ao Espírito Santo por um novo Pentecostes
pessoal
Senhor Espírito Santo, eu creio em
Ti.
Eu creio que Tu és o Amor que une o
Pai e o Filho.
Eu creio que Tu és Aquele que gerou
Jesus
no ventre da Virgem Maria.
Eu creio que Tu és a força do alto,
prometida por Jesus aos seus
discípulos.
Eu creio que Tu és o fogo que
desceu
sobre os apóstolos e a Virgem Maria
no Pentecostes.
Senhor Espírito Santo creio
que sem Ti nada posso fazer;
sem Ti, não posso responder
plenamente
ao apelo de seguir Jesus e servir
os meus irmãos.
Sei que te recebi no dia do meu
baptismo e da minha
confirmação, mas vejo que até
agora, não deixei espaço
suficiente para Ti na minha vida.
É por isso que, Senhor Espírito
Santo,
neste dia eu quero abrir-te o meu
coração.
Faz-me viver um novo Pentecostes
pessoal.
Vem tomar posse da minha vida, do
meu corpo
e da minha alma, da minha vontade,
da minha inteligência,
da minha sensibilidade. Eu me
entrego a Ti.
Guia-me, ilumina-me, e
aconselha-me, apoia-me, envia-me.
Vem confirmar em mim o que deve ser
fortalecido.
Vem ajudar-me a converter em mim o
que precisa ser mudado.
Dá-me todos os dons que preciso
para servir os meus
irmãos e arder de amor por eles.
Usa-me como quiseres.
Estou pronto para ser teu
instrumento.
Senhor Espírito Santo, entrego-Te
todas as minhas feridas,
todos os meus medos, todos os meus
limites, todos os
meus egoísmos. Sê minha força na
luta, minha fidelidade na
prova, minha alegria na oferta de
mim mesmo. Mostra-me o
caminho para a felicidade e
capacita-me a segui-lo.
Numa palavra, Senhor Espírito
Santo,
sê Tu mesmo a minha santidade e
torna-me
uma jubilosa testemunha de Cristo.
Espírito Santo, eu confio em Ti.
Amén.
Oração- retirada do Forum 2022 da
Comunidade Emanuel – “Na força do Espírito” – foi desenvolvido por um irmão
belga da Comunidade Emanuel , o Jean-Luc Moens, que até há poucos meses era
também o Moderador Internacional da Charis.
Imagem-retirada da "google
imagens" em 18.05.2026
"Os onze discípulos partiram
para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando O viram,
adoraram-nO; alguns, no entanto, ainda duvidavam. Aproximando-se deles, Jesus
disse-lhes:
«Foi-me dado todo o poder no Céu e
na Terra.Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome
do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos
tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos
tempos.»" Mt 28, 16-20
“Naqueles dias, Filipe desceu
a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões
aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres
que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes
gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados. E houve muita alegria
naquela cidade. Quando os Apóstolos que estavam em Jerusalém ouviram dizer que
a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Quando
chegaram lá, rezaram pelos samaritanos, para que recebessem o Espírito Santo,
que ainda não tinha descido sobre eles: só estavam batizados em nome do Senhor
Jesus. Então impunham-lhes as mãos e eles recebiam o Espírito Santo.” Actos
8, 5-8, 14-17
Evangelizar como a Igreja
primitiva: semelhanças entre a missão de Filipe na Samaria e o Percurso Alpha
A narrativa dos Atos dos
Apóstolos sobre a missão do diácono Filipe numa cidade da Samaria permite-nos
visualizar a expansão da Igreja nascente. Lucas apresenta, neste texto, um
modelo de evangelização e de construção da comunidade cristã: pôr-se a caminho para
anunciar o Messias, falar para todos sem exceção, ser instrumento nas mãos de
Deus para que se operem milagres, pedir o Espírito Santo em união com a Igreja.
Esta passagem bíblica ajuda-nos
também a compreender melhor a importância do primeiro anúncio — o Kerigma — na
vida cristã. O Kerigma é o anúncio essencial de Jesus Cristo morto e
ressuscitado, dirigido a todos os homens e mulheres como proposta de salvação,
esperança e vida nova. Nos nossos dias, o Percurso Alpha procura viver esta
mesma dinâmica missionária da Igreja primitiva: acolher sem excluir, anunciar
Cristo com simplicidade, testemunhar através da vida, transmitir a alegria do
Evangelho e abrir os corações à ação do Espírito Santo. A experiência da
Samaria continua atual e inspiradora para a evangelização da Igreja hoje,
encontrando no Percurso Alpha uma expressão concreta e renovada do primeiro
anúncio cristão.
1) Não exclui ninguém
O primeiro anúncio cristão, o
Kerigma, destina-se a todas as pessoas sem exceção. Filipe atravessa fronteiras
culturais e religiosas ao dirigir-se à Samaria. A Igreja é chamada a anunciar
Jesus a todos: afastados, indiferentes, feridos, ou descrentes. O Kerigma não é
reservado a um grupo seleto. O Percurso Alpha começa precisamente por este
princípio: todos são bem-vindos. Tal como Filipe foi à Samaria — um lugar
rejeitado e desprezado pelos judeus — também o Alpha procura chegar a cada
pessoa, independentemente da sua história, dúvidas, feridas ou distância da
Igreja. O Evangelho não é reservado para “os perfeitos” ou para quem já
acredita; é um convite aberto àqueles que procuram sentido, esperança e
verdade.
Nos encontros Alpha cria-se um
ambiente de acolhimento, escuta e respeito. Seja presencialmente ou online,
cada participante pode colocar perguntas sem medo de julgamento. No agir de
cada elemento da equipa que conduz o percurso Alpha segue-se o exemplo de Jesus,
que se aproximava dos excluídos e anunciava o Reino. Uma comunidade cristã
autêntica não fecha portas nem levanta barreiras: acolhe e torna-se casa para
todos.
2) Filipe anuncia Cristo
O centro do anúncio de Filipe não
era uma teoria nem um conjunto de regras morais: era Jesus Cristo. Também o
Percurso Alpha tem como foco essencial levar cada pessoa a descobrir quem é
Jesus, o seu amor, a sua morte e ressurreição, e o sentido novo que Ele oferece
à vida. O cristianismo não começa por normas, mas por um encontro pessoal com
Cristo vivo.
Ao longo do percurso Alpha, os
temas apresentados ajudam os participantes a compreender a fé cristã de forma
simples e profunda. No Alpha faz-se o primeiro anúncio; leva à (re)descoberta
de que Deus ama cada pessoa, que Cristo deu a vida por nós e que ressuscitou
para nos oferecer vida nova. Esta mensagem simples e poderosa é a base da
evangelização cristã. Quando é vivido
com autenticidade, o percurso Alpha desperta o coração humano para o Amor de
Deus; aumenta a confiança e o desejo de conhecer
e despertar uma relação com Jesus.
3) A Palavra é acompanhada de
ação
Lucas mostra que a pregação de
Filipe era confirmada por gestos concretos de cura e libertação. O Percurso
Alpha valoriza muito esta coerência entre aquilo que se anuncia e a forma como
se vive.Por isso, o ambiente de amizade, a atenção aos participantes, a
disponibilidade das equipas para os acolher e para rezar por eles, a partilha sincera tornam-se sinais concretos
do Evangelho. Muitas pessoas aproximam-se da fé não pelo que escutam e veem nos
vídeos, mas pela experiência de serem acolhidas e amadas, como são, no momento
em que estão, e não naquele onde gostariam de estar. A ação do Espírito
manifesta-se frequentemente através de pequenos gestos humanos que revelam a
presença de Deus.
4) “A cidade encheu-se de
alegria”
O fruto da missão de Filipe foi a
alegria, sinal da presença de Deus no meio do povo. Também o Percurso Alpha
procura transmitir esta dimensão alegre da fé cristã. O Evangelho ilumina a
vida e dá esperança mesmo em tempos difíceis.
Nos encontros Alpha, a alegria
nasce da convivência, da descoberta de Deus e da experiência de pertença.
Muitas pessoas reencontram ali a confiança, a paz interior e o entusiasmo
espiritual. Quando alguém descobre que é amado por Deus e que não está sozinho,
o coração enche-se naturalmente de alegria verdadeira.
5) O Espírito Santo e a
comunhão com a Igreja
Apesar do importante trabalho de
Filipe, faltava ainda o dom do Espírito Santo, que desceu sobre os samaritanos
pela oração dos apóstolos Pedro e João. Isto recorda-nos a importância da
oração uns pelos outros; ensina-nos que a fé cristã não é apenas um caminho
individual, mas uma vida em comunhão com a Igreja. No Percurso Alpha, há também
um momento central dedicado ao Espírito Santo, o “fim-de semana Alpha” em que
cada participante é convidado a abrir-se à ação transformadora de Deus. Por
outro lado, os elementos da equipa interceder pelos participantes. E o Espírito
Santo não deixa de nos surpreender a todos!
Ao mesmo tempo, o Alpha não existe isoladamente: está ligado à comunidade paroquial e à Igreja universal. Tal como Pedro e João simbolizavam a união com a Igreja de Jerusalém, também o percurso Alpha deve conduzir à integração na vida da Igreja, nos sacramentos e na comunidade cristã. O Espírito Santo gera unidade, fortalece a fé e faz crescer discípulos missionários. Da ação de Deus, podem dar testemunho os que já fizeram Alpha e deram conta da intervenção divina nas suas vidas concretas. Alguns quiseram confessar-se após anos de afastamento, outros pediram o batismo ou quiseram crismar-se, muitos rezaram com confiança ou confiaram-se à oração de outros. Depois das onze semanas do Percurso, perdura a família Alpha, fundada em todas as vivências e amizade em Cristo.
Para concluir, na Samaria,
através da missão de Filipe e da presença dos apóstolos, nasceu uma comunidade
construída a partir do primeiro anúncio cristão e da ação do Espírito Santo. O
Percurso Alpha espelha e continua a dinâmica missionária da Igreja primitiva.
Ao proporcionar um espaço de encontro, escuta e descoberta de Jesus Cristo,
torna-se instrumento privilegiado do primeiro anúncio para as pessoas de hoje.
Quando o Evangelho é anunciado com simplicidade, alegria e confiança no
Espírito Santo, as pessoas transformam-se em pedras vivas, comprometem-se no
acolhimento e dão testemunho alegre das maravilhas que Deus fez por elas. “Ontem” na Samaria, hoje em qualquer
geografia, o anúncio de Cristo continua.
10.05.2026
Gracinda Leão (Alpha Guarda)
Imagem: Arquivo Alpha Guarda-2025
Texto Sagrado: Jo 14,15-21
Esta passagem fala da presença do Pai, de Jesus e do Espírito nos membros da comunidade. Visa mostrar que não eram inferiores àqueles que conheceram Jesus; por isso é tão importante para nós hoje. Coloca-nos perante a realidade do Jesus vivo que nos capacita para vivermos com a mesma Vida que Ele teve.
Não nos devemos confundir com a forma como estas ideias sobre
a relação de Jesus, o Pai e o Espírito são formuladas. Não se trata de uma
relação com alguma entidade exterior aos seres humanos. Nem sequer estamos a
falar de três realidades distintas: Pai, Jesus e Espírito. Estamos a falar da
mesma realidade com nomes diferentes. Ela insiste na identidade dos três.
Se me amardes, obedecereis aos meus mandamentos. No capítulo
seguinte, estes reduzem-se a um: amar. Quem não ama os outros não ama Jesus,
nem o Pai, porque eles estão em cada ser humano. O amor é o mandamento. As
“exigências” não são obrigações impostas a partir do exterior, mas uma urgência
que vem de dentro e se manifesta em ações.
Eu pedirei ao Pai, e ele vos dará outro Advogado para estar
convosco para sempre. Ele não está a falar de uma realidade distinta daquilo
que ele ou o Pai são. Será uma nova forma de experienciar o amor. Diz que
enviará o Espírito, depois de ele próprio voltar e, finalmente, que o Pai e ele
virão e permanecerão. É uma realidade que é múltipla e, ao mesmo tempo, una.
Advogado (paráclito) é aquele que ajuda em qualquer
circunstância; um advogado, um defensor num julgamento. Tem um duplo papel:
interpretar a mensagem de Jesus e dar segurança e orientação aos discípulos.
Enquanto estava com eles, era o próprio Jesus que os defendia. Ora, o Espírito
será o único advogado, mas mais eficaz, porque os defenderá a partir de dentro.
Não vos deixarei órfãos. No Antigo Testamento, o órfão era o
protótipo daquele contra quem se podia cometer impunemente todo o tipo de
injustiça. Jesus não deixará os seus seguidores indefesos contra o poder do
mal. Este poder não se manifestará eliminando o inimigo, mas fortalecendo
aquele que é atacado, para que o vençam sem serem afetados de forma alguma.
O mundo não me verá mais; vós, porém, ver-me-eis, porque eu
tenho vida, e vós também a tereis. Não se trata de visão sensorial, mas de
descobrir que Ele continua a dar-lhes vida. O mundo deixará de O ver. Aqueles
que, durante a sua vida terrena, O viram como o mundo, poderão agora vê-Lo de
uma nova forma.
Nesse dia, experimentareis que Eu Me identifico com o Pai,
vós comigo e Eu convosco. Ao participarem na vida do Pai, experimentarão a
unidade com Jesus e com o Pai. É o significado mais profundo do amor: a unidade
(ágape). Já não há sujeito que ama nem objeto amado. É uma experiência de
unidade tão viva que ninguém lhes pode tirar.
“Quem aceita os meus mandamentos e os guarda, esse é que Me
ama.” A sua mensagem é de amor pela humanidade, não de submissão. A presença de
Jesus e de Deus é experimentada como uma proximidade interior, e não exterior.
No passado domingo, ia preparar um lugar na casa do Pai. Aí, são o Pai e Jesus
que vêm habitar com o discípulo.
Um versículo depois, diz: “Quem Me ama guardará a minha
palavra, e meu Pai lhe mostrará o seu amor; viremos a ele e faremos nele a
nossa morada.” Têm a presença garantida do Pai de Jesus e do Espírito. Deus não
tem de vir de lado nenhum, porque Ele está em nós antes mesmo de começarmos a
existir. A identidade de Jesus e do Pai é confirmada.
Jesus viveu uma identificação com Deus que não podemos
exprimir por palavras. Somos chamados a essa mesma identificação. Tornar-me uno
com Deus, que é espírito e que não está em nós como parte parcial de um todo
que é o eu, mas como fundamento do meu ser, sem o qual nada pode existir em
mim. Sou plenamente humano e divino.
Irmão Marcos
Imagem: Retirada do Google imagens em 09.05.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-5º Domingo de Páscoa-Ano A, em 09.05.2026. Tradução livre
Texto Sagrado: Jo 14, 1-12
"O regresso do Senhor Ressuscitado
à comunidade é um regresso pacífico e vivificante. Agora é o momento em que
eles podem compreender, no seu coração, vital e profundamente, tudo o que Jesus
experimentou e tudo o que eles experimentaram com Ele. Foi necessário que Jesus
“desaparecesse” para que pudessem compreender a sua pessoa e a sua obra, para
que pudessem perceber quem era Jesus dos caminhos da Galileia e quem Ele é,
agora experimentado como o Senhor e Cristo.
Isto não nos deveria surpreender.
Só compreendemos verdadeiramente o que uma pessoa significou para nós e para as
nossas vidas quando já não está ao nosso lado. Quando estão connosco, somos
mais propensos a ver fraquezas e falhas. Quando desaparecem e o tempo passa,
somos tocados com gratidão por tudo o que a sua proximidade e presença
significaram nas nossas vidas. Quando um amigo ou familiar nos deixa pela
morte, no vazio da separação começamos a aperceber-nos de tudo o que nos deram
em vida.
O caminho que Jesus
percorreu na sua vida foi um caminho de serviço, mas os seus seguidores não
compreenderam que o caminho da humildade e do amor altruísta, do amor
sacrificial, era a única forma de alcançar o Pai. Alcançámos o Pai através do
serviço às suas criaturas ("Se eu, sendo Senhor e Mestre, lavei os vossos
pés..."). Ao longo de toda a narrativa da Páscoa, os discípulos chegarão a
compreender Jesus nos seus corações. A vida de discipulado é um processo;
estamos sempre a descobrir novas dimensões, novas experiências... é a Fonte de
Água Viva que nunca seca.
A verdade é uma palavra
tão deturpada que ainda hoje a sua existência é negada; o que existe são
opiniões, mas não factos verdadeiros — é a este ponto que chegamos... Esta
situação provoca um profundo desconforto, hesitação, perplexidade e uma
necessidade mórbida de procurar segurança nas pessoas e nas ideologias, de
seguir promessas improváveis que matam a liberdade. Jesus não diz
propriamente que só "a verdade nos liberta". As mentiras aprisionam,
enganam, toldam a nossa visão e escravizam-nos. A comunidade dos seguidores de
Jesus está a experimentar que só Ele é a Verdade que nos guia no caminho da
liberdade.
Entendo que a palavra nos assusta
porque, sob o pretexto de "possuir a verdade", causamos e continuamos
a causar destruição. Não possuímos a verdade; pelo contrário, a Verdade
possui-nos. A verdade de que Jesus habita e vive no Pai e o Pai n’Ele não é um
jogo de palavras, mas antes o critério para sabermos que vivemos na Verdade
quando nos aproximamos d’Ele e experimentamos a alegria de nos sentirmos
enraizados no Compassivo. A única verdade é o Amor Incondicional, do qual
ninguém nem nada nos pode separar.
Ele é a Vida, a nossa
vida. Ele sustenta-a, mantém-na, é a nossa força na fraqueza, a luz no meio da
nossa escuridão, a nossa esperança em tempos de incerteza. Ele provou-o dando a
Sua vida incondicionalmente por nós. Obrigado, Jesus, por seres o caminho da
vida e da verdade.
Toni Catalá SJ"
Imagem: Retirada do Google imagens em 02.05.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-5º Domingo de Páscoa-Ano A, em 02.05.2026. Tradução livre