terça-feira, 11 de agosto de 2026

CORAGEM! SOU EU, NÃO TENHAM MEDO!

XIX - Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mateus 14,22-33

"O mar, as ondas, a tempestade representam o inóspito, a profunda incerteza, aquilo que está fora do nosso controlo. O povo judeu nunca foi um povo marítimo; no máximo, alguns eram pescadores costeiros no Mar da Galileia. A terra seca representa segurança, raízes, terreno familiar… Jesus ordenou-lhes que embarcassem, que se aventurassem no imprevisível. O Reino de Deus que Jesus proclama e que se concretiza não se trata de permanecer no que é seguro, no que é familiar… Jesus pede-nos para “embarcar” em jornadas que, desde o início, não oferecem qualquer garantia de sucesso, mas sim jornadas que podem falhar e afundar-nos.

Então, Jesus é “imprudente”? Sim, de facto, é imprudente, assume riscos, nem sempre calcula as consequências das suas palavras e ações no Reino: “Quem dizem que Eu sou?”… “Vai-te embora, Herodes quer matar-te…”. “Ele ficou admirado com a tua falta de fé”… “Os teus parentes dizem que és mentalmente instável.” Mas Jesus é vivido a partir da confiança em Deus Pai e Criador, e não da confiança na “sabedoria prudente do mundo”.

Jesus impele-nos para o novo e para o desconhecido, mas nunca nos deixa sós (“Tende coragem… não tenhais medo”). Devemos reconhecer que, ao seguir Jesus, o medo de falhar e de afundar, o medo de desaparecer, tanto a nível pessoal como eclesial, leva-nos muitas vezes a querer encontrar “tábuas de salvação” longe do Senhor. Encontrar “tábuas de salvação” nos poderes deste mundo é uma tentação crónica e prejudicial (…).

Pedro quer aproximar-se do Senhor, caminhando sobre as águas, mantendo-se firme no meio das adversidades, mas também provar-Lhe que é Ele mesmo (“se ​​​​és tu…”). Pedro não está no âmbito da confiança incondicional no Senhor; ainda está numa relação de “Jesus, precisas de me provar…”. Pedro afunda-se, dominado pelo medo.

É sempre Jesus que estende a mão e nos tira do lamaçal; Ele é o único que nos salva. Não nos podemos salvar sozinhos. Isto, na nossa cultura arrogante e narcisista, é “heresia”. É verdade que não preciso de um salvador que “salve” apenas para depois me escravizar ou subjugar como fazem os “líderes”, diz Jesus. Só quero um Salvador que tenha compaixão de nós porque Ele também passou pelo abismo, e o Pai ressuscitou-O dos mortos e fez de nós Seus irmãos e irmãs.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Retirada da Secções da "Comunidade Emanuel" em Paray-Le-Monial, França- 02 a 07.08.2026.

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-19º Domingo Comum-Ano A, em 11.07.2026. Tradução livre.