sexta-feira, 23 de outubro de 2026

O AMOR É TUDO

XXX- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 22, 34-40

"Os judeus chegaram a contabilizar seiscentos e treze mandamentos que deviam ser observados para cumprir integralmente a Lei. Por isso, não era incomum, nos círculos rabínicos, surgirem perguntas como a que foi feita a Jesus, numa tentativa de buscar o essencial: qual é o primeiro de todos os mandamentos?

Jesus responde de forma clara e precisa: «O primeiro é: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu ser”. O segundo é este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não há maior mandamento do que estes». Como ouvir, hoje, estas palavras fundamentais de Jesus?

Há algo que se nos revela com toda a clareza: o amor é tudo. O que nos é pedido na vida é amar. Aí está a chave. Podemos, depois, extrair todo o tipo de consequências e desenvolvimentos, mas o essencial é viver diante de Deus e dos outros numa atitude de amor. Se pudéssemos agir sempre assim, tudo estaria salvo. Não há nada mais importante do que isso, nem mesmo a prática de uma determinada religião.

Mas porque é que o amor é a força que dá sentido, verdade e plenitude à vida? Esta centralidade do amor assenta, segundo a fé cristã, numa realidade: Deus, a origem de toda a vida, é, Ele próprio, amor. Esta é a definição ousada e insuperável da fé cristã: «Deus é amor» (1 João 4,8). De certo modo — ainda que de forma imperfeita —, pode dizer-se que Deus consiste em amar; Deus não sabe, não quer e não pode fazer outra coisa senão amar. Podemos duvidar de tudo, mas daquilo de que nunca devemos duvidar é do Seu amor.

É precisamente por isso que amar a Deus significa encontrar o nosso próprio bem. O que dá verdadeira glória a Deus não é o nosso mal, mas sim a nossa vida e a nossa plenitude. Quem ama a Deus e se sabe amado por Ele com um amor infinito aprende a olhar para si mesmo, a valorizar-se e a cuidar de si com verdadeiro amor. Quanta força e dinamismo gera em nós esta forma peculiar de nos compreendermos! Quantos medos e angústias se dissipam dentro de nós! Como a vida se torna diferente quando a pessoa aprende a dizer: «Senhor, faça-se a Tua vontade, pois, assim, vai-se construindo também o meu próprio bem».

Por outro lado, é então que se compreende, na sua verdadeira profundidade, o segundo mandamento: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Quem ama a Deus sabe que não pode viver numa atitude de indiferença, descaso ou esquecimento em relação aos outros. A única postura humana perante qualquer pessoa que encontremos na vida é amá-la.

Isto não significa que se deva viver da mesma forma a intimidade com a esposa, a relação com o cliente ou o encontro casual com alguém na rua. O que nos é pedido é agir, em cada situação, procurando positivamente o bem que desejamos para nós. Em tempos em que tudo parece ser posto em causa, é bom lembrar que há algo inquestionável: o ser humano é verdadeiramente humano quando sabe viver amando a Deus e ao próximo.

25 de outubro,

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 23.10.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-30º Domingo Comum-Ano A, em 23.10.2026. Tradução livre

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