quinta-feira, 24 de setembro de 2026

EM CONTRAPARTIDA, OS PUBLICANOS E AS PROSTITUTAS ACREDITAVAM NELE

XXVI- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mt 21, 38-32

"Jesus chegou a Jerusalém. Quer anunciar o tempo novo do Reino de Deus na Cidade de David, no lugar onde todo o filho de Israel se comove perante a grandiosidade do Templo, das suas liturgias e sacrifícios. Nesse lugar (21,12-17), Jesus realiza um gesto profético para colocar as coisas no seu devido lugar: expulsa aqueles que "compram e vendem", aqueles que transformaram a casa de oração num covil de ladrões. Jesus não pode tolerar que, em nome de Deus, se comercialize a dor das pessoas. O perdão não se obtém com sacrifícios, nem com ofertas, nem com dinheiro... O Deus Compassivo não precisa de nada disto.

No momento em que vira as mesas do comércio, Jesus passa a aliviar o sofrimento no próprio templo — "aproximaram-se dele cegos e coxos, e ele os curou" — e são as crianças que o reconhecem como o Filho de David, como aquele que havia de vir e que João Batista já tinha anunciado. Torna-se realidade, mais uma vez, a oração de Jesus: "Pai, as pessoas simples compreendem-me; os sábios e entendidos não me compreendem. Obrigado, porque assim foi do teu agrado".

Os "sumos sacerdotes", administradores do Templo (não esqueçamos que, quando Deus é localizado num lugar, este necessita de administradores e funcionários), e os "anciãos" — a elite laica de Jerusalém — não suportam Jesus; não o compreendem nem o querem compreender. Não querem compreender que curar, aliviar, perdoar e dignificar as criaturas oprimidas e abatidas — os «cegos e coxos» — é o que o Deus da vida deseja.

Perante tamanha dureza de coração, Jesus percebe que é impossível fazer mais alguma coisa. Quando o coração é de mármore, quando a falta de compaixão é total, é inútil insistir. Jesus deixou-os ali e saiu da cidade, indo para Betânia. É um momento muito difícil para Jesus: experimentar a impotência de transmitir aos "funcionários de Deus" que o Deus de Israel é ternura, compaixão, misericórdia, perdão e vida. É uma experiência duríssima, pois toca o núcleo essencial da missão de Jesus. Rejeitar a missão é rejeitar o próprio Jesus. Ele precisa de respirar, de se afastar; vai a Betânia em busca de um pouco de alívio.

Jesus regressa a Jerusalém e, um pouco mais sereno, agarra-se a uma última esperança. Sabe que João Batista, seu amigo e precursor, é respeitado — ainda que por medo do povo — pelos membros do Sinédrio e pelos sacerdotes; então, lança-lhes a pergunta: o Batismo de João vinha de Deus ou dos homens? É como perguntar se João era um homem de Deus ou um charlatão. Não respondem a Jesus, e aí o diálogo quebra-se. Jesus diz-lhes então: "Pois também eu não vos digo em nome de quem atuo, de quem venho e de onde provém a minha autoridade para curar e expulsar os mercadores do Templo". O diálogo é quebrado. Jesus considera inútil qualquer conversa com as elites de Jerusalém. Ele tentou de tudo, mas a cegueira prevalece.

Agora compreendemos a parábola dos dois filhos e a afirmação contundente de Jesus: vocês acreditam estar na vinha do Senhor, mas não estão, porque o coração de vocês está nas riquezas, nas honrarias e nas parafernálias do Templo. Por outro lado, os publicanos e as prostitutas — que não estavam na vinha, mas que, no final, se deixaram tocar pela honestidade de João e acreditaram na sua mensagem de conversão e de justiça — são os que verdadeiramente estavam na vinha. Continuemos a desejar, de coração, que Jesus amoleça e converta o nosso coração.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Retirada do Google imagens em 25.09.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-26º Domingo Comum-Ano A, em 25.09.2026. Tradução livre

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