XXVI- Domingo do Tempo Comum -Ano A
"Jesus chegou a Jerusalém. Quer anunciar o tempo novo do Reino
de Deus na Cidade de David, no lugar onde todo o filho de Israel se comove
perante a grandiosidade do Templo, das suas liturgias e sacrifícios. Nesse
lugar (21,12-17), Jesus realiza um gesto profético para colocar as coisas no
seu devido lugar: expulsa aqueles que "compram e vendem", aqueles que
transformaram a casa de oração num covil de ladrões. Jesus não pode tolerar
que, em nome de Deus, se comercialize a dor das pessoas. O perdão não se obtém
com sacrifícios, nem com ofertas, nem com dinheiro... O Deus Compassivo não
precisa de nada disto.
No momento em que vira as mesas do comércio, Jesus passa a
aliviar o sofrimento no próprio templo — "aproximaram-se dele cegos e
coxos, e ele os curou" — e são as crianças que o reconhecem como o Filho
de David, como aquele que havia de vir e que João Batista já tinha anunciado.
Torna-se realidade, mais uma vez, a oração de Jesus: "Pai, as pessoas
simples compreendem-me; os sábios e entendidos não me compreendem. Obrigado,
porque assim foi do teu agrado".
Os "sumos sacerdotes", administradores do Templo
(não esqueçamos que, quando Deus é localizado num lugar, este necessita de
administradores e funcionários), e os "anciãos" — a elite laica de
Jerusalém — não suportam Jesus; não o compreendem nem o querem compreender. Não
querem compreender que curar, aliviar, perdoar e dignificar as criaturas
oprimidas e abatidas — os «cegos e coxos» — é o que o Deus da vida deseja.
Perante tamanha dureza de coração, Jesus percebe que é
impossível fazer mais alguma coisa. Quando o coração é de mármore, quando a
falta de compaixão é total, é inútil insistir. Jesus deixou-os ali e saiu da
cidade, indo para Betânia. É um momento muito difícil para Jesus: experimentar
a impotência de transmitir aos "funcionários de Deus" que o Deus de
Israel é ternura, compaixão, misericórdia, perdão e vida. É uma experiência
duríssima, pois toca o núcleo essencial da missão de Jesus. Rejeitar a missão é
rejeitar o próprio Jesus. Ele precisa de respirar, de se afastar; vai a Betânia
em busca de um pouco de alívio.
Jesus regressa a Jerusalém e, um pouco mais sereno, agarra-se
a uma última esperança. Sabe que João Batista, seu amigo e precursor, é
respeitado — ainda que por medo do povo — pelos membros do Sinédrio e pelos
sacerdotes; então, lança-lhes a pergunta: o Batismo de João vinha de Deus ou
dos homens? É como perguntar se João era um homem de Deus ou um charlatão. Não
respondem a Jesus, e aí o diálogo quebra-se. Jesus diz-lhes então: "Pois
também eu não vos digo em nome de quem atuo, de quem venho e de onde provém a
minha autoridade para curar e expulsar os mercadores do Templo". O diálogo
é quebrado. Jesus considera inútil qualquer conversa com as elites de
Jerusalém. Ele tentou de tudo, mas a cegueira prevalece.
Agora compreendemos a parábola dos dois filhos e a afirmação
contundente de Jesus: vocês acreditam estar na vinha do Senhor, mas não estão,
porque o coração de vocês está nas riquezas, nas honrarias e nas parafernálias
do Templo. Por outro lado, os publicanos e as prostitutas — que não estavam na
vinha, mas que, no final, se deixaram tocar pela honestidade de João e
acreditaram na sua mensagem de conversão e de justiça — são os que
verdadeiramente estavam na vinha. Continuemos a desejar, de coração, que Jesus
amoleça e converta o nosso coração.
Toni Catalá SJ"
Imagem: Retirada do Google imagens em 25.09.2026;
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-26º Domingo Comum-Ano A, em 25.09.2026. Tradução livre
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