sábado, 22 de agosto de 2026

TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO


XXI
- Domingo do Tempo Comum -Ano A

Texto Sagrado: Mateus 16,13-20

"Quando Jesus pergunta aos seus discípulos: "Quem é que as pessoas dizem que Eu sou?", é porque está perplexo perante as reações que a sua atuação provoca. No passado domingo, vimos um Jesus que se afasta da Galileia porque precisa de um alento perante a pressão dos fariseus e dos letrados. Regressa à Galileia (é bom ler Mt 15,29-39 para saborear o evangelho deste domingo) e continua a envolver-se com compaixão: a ele recorrem "coxos, cegos, aleijados, surdo-mudos e muitos outros doentes", e as pessoas comuns, o povo simples, "louvavam o Deus de Israel" pelo que viam. Jesus comove-se diante da multidão que o segue, pois "não têm o que comer", e não pode deixá-los partir assim, "porque desfaleceriam pelo caminho". Realmente, o evangelho é um hino à compaixão e à vida!

Mas Jesus depara-se com o facto de que os saduceus e fariseus — os «proprietários de Deus» — não vêem motivos para louvar o Deus de Israel pelo facto de o povo recuperar a dignidade e a saúde; "querem e pedem um sinal vindo do céu", dando a impressão de que os "sinais da terra" não lhes bastam. Que cegueira, que falta de compaixão, que falta de sensibilidade, que falta de coração para não ver que a Glória de Deus reside no facto de as suas criaturas viverem! Jesus está perplexo: para uns, louva o Deus Vivo; para outros — "os de má intenção" —, o que faz é "apenas humano", obra de Belzebu. Encontramo-nos, mais uma vez, no núcleo mais íntimo da experiência de Jesus: "Pai, as pessoas simples compreendem-Me; os sábios e entendidos, não" (Mt 11,25-30).

Jesus pergunta porque não esperava que a sua compaixão agitasse o sistema religioso da forma como o estava a fazer. Retira-se de novo para Cesareia de Filipe, a norte da Galileia, quase em terra fenícia, para ficar a sós com os seus. Aquela pergunta: “Quem é que o povo diz que...?” — não se dirige a todo o mundo, mas apenas à sua comunidade. É tempo de esclarecer as coisas, de falar sobre o que se passa com a sua comunidade, e Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Esta confissão é profunda e certeira; toca a identidade mais íntima de Jesus. É como quem diz: “Jesus, tu és o presente do Pai, tu és aquele que havia de vir, tu és aquele que vem das entranhas compassivas do Pai e Criador, tu és o seu Filho...”. Jesus diz a Pedro que, sobre esta confissão de fé, será edificada a sua comunidade futura — a Igreja — e que nada, nenhum inferno deste mundo, poderá derrotar a compaixão, a ternura e a fidelidade inabalável do Deus da Vida, que se manifesta em Jesus e na comunidade por Ele convocada.

Mas Jesus sabe o que o espera: senadores, letrados e sumos sacerdotes não descansarão enquanto não se livrarem dele... Contudo, Pedro já não quer ouvir isso; não quer saber de um Messias, de um Cristo, que se entrega até ao fim simplesmente porque veio para servir; de um Filho que prefere abdicar da vida, entregá-la, em vez de se afirmar gerando violência. Não se testemunha Deus pela força, mas pela fraqueza compassiva. Pedro não quer saber de um Bom Pastor que não foge. Jesus é muito claro com Pedro: “Tu és Satanás e só gerarás sofrimento se não pautares a tua vida pela compaixão; nesse caso, não serás a pedra sobre a qual se edifica a comunidade...”. Pedro, tal como nós, terá de passar pelo abandono do Getsémani e encontrar a paz no amor incondicional — a Páscoa do Senhor — para compreender verdadeiramente quem é Jesus e o que é o seu Reino.

Toni Catalá SJ"

Imagem: Fotografia de Cristo Crucificado-Igreja dos Capuchinhos  em Gondomar

Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-21º Domingo do Tempo Comum -Ano A, em 22.08.2026. Tradução livre

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