XIX - Domingo do Tempo Comum -Ano A
Texto Sagrado: Mateus 14,22-33
Então, Jesus é “imprudente”? Sim, de facto, é imprudente,
assume riscos, nem sempre calcula as consequências das suas palavras e ações no
Reino: “Quem dizem que Eu sou?”… “Vai-te embora, Herodes quer matar-te…”. “Ele
ficou admirado com a tua falta de fé”… “Os teus parentes dizem que és
mentalmente instável.” Mas Jesus é vivido a partir da confiança em Deus Pai e
Criador, e não da confiança na “sabedoria prudente do mundo”.
Jesus impele-nos para o novo e para o desconhecido, mas nunca
nos deixa sós (“Tende coragem… não tenhais medo”). Devemos reconhecer que, ao
seguir Jesus, o medo de falhar e de afundar, o medo de desaparecer, tanto a
nível pessoal como eclesial, leva-nos muitas vezes a querer encontrar “tábuas
de salvação” longe do Senhor. Encontrar “tábuas de salvação” nos poderes deste
mundo é uma tentação crónica e prejudicial (…).
Pedro quer aproximar-se do Senhor, caminhando sobre as águas,
mantendo-se firme no meio das adversidades, mas também provar-Lhe que é Ele
mesmo (“se és tu…”). Pedro não está no âmbito da confiança incondicional no
Senhor; ainda está numa relação de “Jesus, precisas de me provar…”. Pedro
afunda-se, dominado pelo medo.
É sempre Jesus que estende a mão e nos tira do lamaçal; Ele é
o único que nos salva. Não nos podemos salvar sozinhos. Isto, na nossa cultura
arrogante e narcisista, é “heresia”. É verdade que não preciso de um salvador
que “salve” apenas para depois me escravizar ou subjugar como fazem os
“líderes”, diz Jesus. Só quero um Salvador que tenha compaixão de nós porque
Ele também passou pelo abismo, e o Pai ressuscitou-O dos mortos e fez de nós
Seus irmãos e irmãs.
Toni Catalá SJ
Imagem: Retirada da Secções da "Comunidade Emanuel" em Paray-Le-Monial, França- 02 a 07.08.2026.
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-19º Domingo Comum-Ano A, em 11.07.2026. Tradução livre.

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