segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"Atenção ao preconceito no olhar sobre a mulher"


«Na audiência geral desta quarta-feira o Papa Francisco continuou a sua reflexão sobre a misericórdia afirmando que a mesma "oferece dignidade". O Papa tomou o trecho do evangelho que narra o encontro de Jesus com uma mulher e onde o mestre afirma à mulher ' a tua fé te salvou':

"Quanta fé, quanta fé tinha esta mulher. Tida como impura por causa das hemorragias e, por isso, excluída das liturgias, da vida conjugal, das normais relações com os demais: era uma mulher descartada pela sociedade",a firmou o Papa.
Olhando para a atualidade Francisco convidou os crentes a "refletirem sobre o olhar como a mulher é frequentemente percebida e representada" e pediu "cuidado e atenção à comunidades cristãs" para olhares cheios de preconceitos e suspeitas que lesam a intangível dignidade da mulher".
"Jesus admirou a fé desta mulher que todos evitavam e transformou a sua esperança em salvação. Não sabemos o seu nome, mas as poucas linhas com as quais o Evangelho descreve o seu encontro com Jesus delineiam um itinerário de fé capaz de reestabelecer a verdade e a grandiosidade da dignidade de todas as pessoas", sustentou.
Na segunda parte da sua reflexão o Papa convidou os presentes a meditarem sobre o olhar de "misericordia e ternura" com que Jesus acolhe a mulher "que vai até ele meio escondida e envergonhada":
"Jesus não se limita a colhe-la mas acha-a digna de tal encontro ao ponto de lhe dirigir a sua palavra e a sua atenção com um "'coragem filha'".
Para Francisco este "‘coragem, filha’ é a expressão de toda a misericórdia de Deus por aquela mulher e por todas as pessoas descartadas. Quantas vezes nos sentimos interiormente descartados pelos nossos pecados, que tanto fizemos, que tanto fizemos. E o Senhor nos diz: ‘coragem, vem, para mim não és um descartado. Coragem filho, tu és um filho e uma filha’. Este é o momento da graça, do perdão, momento de inclusão na vida de Jesus, da Igreja, de misericórdia. Hoje todos nós, grandes ou pequenos pecadores, mas todos somos pecadores, o Senhor diz-nos: ‘vem, coragem, não estás mais descartado, eu abraço-te, eu perdoo-te’. Assim é a misericórdia de Deus. Temos que ter coragem e ir até ele, pedir perdão dos nossos pecados e seguir adiante com coragem como fez esta mulher", afirmou.»

“Retirado da -newsletter  da EDUCRIS de 01-09-2016 - newsletter@educris.com "

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

JMJ 2016: Papa desafia os jovens a serem "protagonistas da história"



«Mensagem forte do Papa Francisco quase no final da Jornada Mundial da Juventude que decorre em Cracóvia, Polónia, até amanhã, Domingo. Na sua intervenção, durante a vigília deste final de tarde, o Papa desafiou os jovens a deixarem-se "tocar", a sairem do conforto do "sofá" e a tornarem-se, eles mesmos, "protagonistas da história". Francisco realçou que "cada ser humano é único" e lembrou que "não lutamos o ódio com o ódio" mas com "fraternidade, comunhão".

Leia, na íntegra, a intervenção do Papa Francisco.
"Queridos jovens!

É bom estar aqui convosco nesta Vigília de Oração.
Na parte final do seu corajoso e emocionante testemunho, Rand pediu-nos uma coisa. Disse-nos: «Peço-vos, sinceramente, que rezeis pelo meu amado país». Uma história marcada pela guerra, pelo sofrimento, pela ruína, que termina com um pedido: o da oração. Que há de melhor para começar a nossa Vigília do que rezar?
Vimos de várias partes do mundo, de continentes, países, línguas, culturas, povos diferentes. Somos «filhos» de nações que estão talvez em disputa por vários conflitos, ou até mesmo em guerra. Outros vimos de países que podem estar «em paz», que não têm conflitos bélicos, onde muitas das coisas dolorosas que acontecem no mundo fazem parte apenas das notícias e da imprensa. Mas estamos cientes duma realidade: hoje e aqui, para nós provenientes de diversas partes do mundo, o sofrimento e a guerra que vivem muitos jovens deixaram de ser uma coisa anónima, já não são uma notícia de imprensa, mas têm um nome, um rosto, uma história, fizeram-se-me vizinhos. Hoje a guerra na Síria é a dor e o sofrimento de tantas pessoas, de tantos jovens como o corajoso Rand, que está aqui entre nós e pede-nos para rezar pelo seu país amado.
Há situações que nos podem parecer distantes, até ao momento em que, de alguma forma, as tocamos. Há realidades que não entendemos porque vemo-las apenas através dum monitor (do telemóvel ou do computador). Mas, quando tomamos contacto com a vida, com as vidas concretas e já não pela mediação dos monitores, então algo mexe connosco, sentimo-nos convidados a envolver-nos: «Basta de cidades esquecidas», como diz Rand; nunca mais deve acontecer que irmãos estejam «circundados pela morte e por assassinatos» sentindo que ninguém os ajudará. Queridos amigos, convido-vos a rezar juntos pelo sofrimento de tantas vítimas da guerra, para podermos compreender, uma vez por todas, que nada justifica o sangue dum irmão, que nada é mais precioso do que a pessoa que temos ao nosso lado. E, neste pedido de oração, quero-vos agradecer também a vós, Natália e Miguel, pois também vós partilhastes connosco as vossas batalhas, as vossas guerras interiores. Apresentastes-nos as vossas lutas e o modo como as superastes. Sois um sinal vivo daquilo que a misericórdia quer fazer em nós.
Agora, não vamos pôr-nos a gritar contra ninguém, não vamos pôr-nos a litigar, não queremos destruir. Não queremos vencer o ódio com mais ódio, vencer a violência com mais violência, vencer o terror com mais terror. A nossa resposta a este mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade, chama-se irmandade, chama-se comunhão, chama-se família. Alegramo-nos pelo facto de virmos de culturas diferentes e nos unirmos para rezar. Que a nossa palavra melhor, o nosso melhor discurso seja unirmo-nos em oração. Façamos um momento de silêncio, e rezemos; ponhamos diante de Deus os testemunhos destes amigos, identifiquemo-nos com aqueles para quem «a família é um conceito inexistente, a casa apenas um lugar para dormir e comer», ou com aqueles que vivem no medo porque creem que os seus erros e pecados os baniram definitivamente. Coloquemos na presença do nosso Deus também as vossas «guerras», as lutas que cada um carrega consigo, no seu próprio coração.
(SILÊNCIO)
Enquanto rezávamos, veio-me à mente a imagem dos Apóstolos no dia de Pentecostes. Uma cena que nos pode ajudar a compreender tudo aquilo que Deus sonha realizar na nossa vida, em nós e connosco. Naquele dia, os discípulos estavam fechados dentro de casa pelo medo. Sentiam-se ameaçados por um ambiente que os perseguia, que os forçava a estar numa pequena casa obrigando-os a ficar ali imóveis e paralisados. O medo apoderou-se deles. Naquele contexto, acontece algo espetacular, algo grandioso. Vem o Espírito Santo, e línguas como que de fogo pousaram sobre cada um deles, impelindo-os para uma aventura que nunca teriam sonhado.
Ouvimos três testemunhos; tocamos, com os nossos corações, as suas histórias, as suas vidas. Vimos como eles viveram momentos semelhantes aos dos discípulos, atravessaram momentos em que estiveram cheios de medo, em que parecia que tudo desmoronava. O medo e a angústia, que nascem do facto de uma pessoa saber que saindo de casa pode não ver mais os seus entes queridos, o medo de não se sentir apreciado e amado, o medo de não ter outras oportunidades. Eles partilharam connosco a mesma experiência que fizeram os discípulos, experimentaram o medo que leva ao único lugar possível: o fechamento. E, quando o medo se esconde no fechamento, fá-lo sempre na companhia da sua «irmã gémea», a paralisia; faz-nos sentir paralisados. Sentir que, neste mundo, nas nossas cidades, nas nossas comunidades, já não há espaço para crescer, para sonhar, para criar, para contemplar horizontes, em suma, para viver, é um dos piores males que nos podem acontecer na vida. A paralisia faz-nos perder o gosto de desfrutar do encontro, da amizade, o gosto de sonhar juntos, de caminhar com os outros.
Na vida, porém, há outra paralisia ainda mais perigosa e difícil, muitas vezes, de identificar e que nos custa muito reconhecer. Gosto de a chamar a paralisia que brota quando se confunde a FELICIDADE com um SOFÁ! Sim, julgar que, para ser felizes, temos necessidade de um bom sofá. Um sofá que nos ajude a estar cómodos, tranquilos, bem seguros. Um sofá – como os que existem agora, modernos, incluindo massagens para dormir – que nos garanta horas de tranquilidade para mergulharmos no mundo dos videojogos e passar horas diante do computador. Um sofá contra todo o tipo de dores e medos. Um sofá que nos faça estar fechados em casa, sem nos cansarmos nem nos preocuparmos. Provavelmente, o sofá-felicidade é a paralisia silenciosa que mais nos pode arruinar; porque pouco a pouco, sem nos darmos conta, encontramo-nos adormecidos, encontramo-nos pasmados e entontecidos enquanto outros – talvez os mais vivos, mas não os melhores – decidem o futuro por nós. Certamente, para muitos, é mais fácil e vantajoso ter jovens pasmados e entontecidos que confundem a felicidade com um sofá; para muitos, isto resulta mais conveniente do que ter jovens vigilantes, desejosos de responder ao sonho de Deus e a todas as aspirações do coração.
Mas a verdade é outra! Queridos jovens, não viemos ao mundo para «vegetar», para transcorrer comodamente os dias, para fazer da vida um sofá que nos adormeça; pelo contrário, viemos com outra finalidade, para deixar uma marca. É muito triste passar pela vida sem deixar uma marca. Mas, quando escolhemos a comodidade, confundindo felicidade com consumo, então o preço que pagamos é muito, mas muito caro: perdemos a liberdade.
É precisamente aqui que existe uma grande paralisia: quando começamos a pensar que a felicidade é sinónimo de comodidade, que ser feliz é caminhar na vida adormentado ou narcotizado, que a única maneira de ser feliz é estar como que entorpecido. É certo que a droga faz mal, mas há muitas outras drogas socialmente aceitáveis, que acabam por nos tornar em todo o caso muito mais escravos. Umas e outras despojam-nos do nosso bem maior: a liberdade.
Amigos, Jesus é o Senhor do risco, do sempre «mais além». Jesus não é o Senhor do conforto, da segurança e da comodidade. Para seguir a Jesus, é preciso ter uma boa dose de coragem, é preciso decidir-se a trocar o sofá por um par de sapatos que te ajudem a caminhar por estradas nunca sonhadas e nem mesmo pensadas, por estradas que podem abrir novos horizontes, capazes de contagiar-te a alegria, aquela alegria que nasce do amor de Deus, a alegria que deixa no teu coração cada gesto, cada atitude de misericórdia. Caminhar pelas estradas seguindo a «loucura» do nosso Deus, que nos ensina a encontrá-Lo no faminto, no sedento, no maltrapilho, no doente, no amigo em maus lençóis, no encarcerado, no refugiado e migrante, no vizinho que vive só. Caminhar pelas estradas do nosso Deus, que nos convida a ser atores políticos, pessoas que pensam, animadores sociais; que nos encoraja a pensar uma economia mais solidária. Em todos os campos onde vos encontrais, o amor de Deus convida-vos a levar a Boa Nova, fazendo da própria vida um dom para Ele e para os outros.
Poderíeis replicar-me: Mas isto, padre, não é para todos; é só para alguns eleitos! Sim, e estes eleitos são todos aqueles que estão dispostos a partilhar a sua vida com os outros. Tal como o Espírito Santo transformou o coração dos discípulos no dia de Pentecostes, assim o fez também com os nossos amigos que partilharam os seus testemunhos. Uso as tuas palavras, Miguel: disseste-nos que no dia em que te confiaram, lá na «Fazenda», a responsabilidade de contribuir para o melhor funcionamento da casa, então começaste a compreender que Deus te pedia algo. Assim começou a transformação.
Este é o segredo, queridos amigos, que todos somos chamados a experimentar. Deus espera algo de ti, Deus quer algo de ti, Deus espera-te. Deus vem quebrar os nossos fechamentos, vem abrir as portas das nossas vidas, das nossas perspetivas, dos nossos olhares. Deus vem abrir tudo aquilo que te fecha. Convida-te a sonhar, quer fazer-te ver que, contigo, o mundo pode ser diferente. É assim: se não deres o melhor de ti mesmo, o mundo não será diverso.
O tempo que hoje estamos a viver não precisa de jovens-sofá, mas de jovens com os sapatos, ainda melhor, calçados com as botas. Aceita apenas jogadores titulares em campo, não há lugar para reservas. O mundo de hoje pede-vos para serdes protagonistas da história, porque a vida é bela desde que a queiramos viver, desde que queiramos deixar uma marca. Hoje a história pede-nos que defendamos a nossa dignidade e não deixemos que sejam outros a decidir o nosso futuro. O Senhor, como no Pentecostes, quer realizar um dos maiores milagres que podemos experimentar: fazer com que as tuas mãos, as minhas mãos, as nossas mãos se transformem em sinais de reconciliação, de comunhão, de criação. Ele quer as tuas mãos para continuar a construir o mundo de hoje. Quer construí-lo contigo.
Dir-me-ás: Mas, padre, eu sou muito limitado, sou pecador… que posso fazer? Quando o Senhor nos chama não pensa naquilo que somos, naquilo que éramos, naquilo que fizemos ou deixamos de fazer. Pelo contrário: no momento em que nos chama, Ele está a ver tudo aquilo que poderemos fazer, todo o amor que somos capazes de comunicar. Ele aposta sempre no futuro, no amanhã. Jesus olha-te projetado no horizonte.
Por isso, amigos, hoje Jesus convida-te, chama-te a deixar a tua marca na vida, uma marca que determine a história, que determine a tua história e a história de muitos.
A vida de hoje diz-nos que é muito fácil fixar a atenção naquilo que nos divide, naquilo que nos separa. Querem fazer-nos crer que fechar-nos é a melhor maneira de nos protegermos daquilo que nos faz mal. Hoje nós, adultos, precisamos de vós para nos ensinardes a conviver na diversidade, no diálogo, na partilha da multiculturalidade não como uma ameaça mas como uma oportunidade: tende a coragem de nos ensinar que é mais fácil construir pontes do que levantar muros! E todos juntos pedimos que exijais de nós percorrer as estradas da fraternidade. Construir pontes… Sabeis qual é a primeira ponte a construir? Uma ponte que podemos realizar aqui e agora: um aperto de mão, estender a mão. Coragem! Fazei agora, aqui, esta ponte primordial, e dai-vos a mão. É a grande ponte fraterna, e podem aprender a fazê-la os grandes deste mundo... Não para a fotografia, mas para continuar a construir pontes cada vez maiores. Que esta ponte humana seja semente de muitas outras; será uma marca.
Hoje, Jesus, que é o caminho, chama-te a deixar a tua marca na história. Ele, que é a vida, convida-te a deixar uma marca que encha de vida a tua história e a de muitos outros. Ele, que é a verdade, convida-te a deixar as estradas da separação, da divisão, do sem-sentido. Aceitais? Que respondem as vossas mãos e os vossos pés ao Senhor, que é caminho, verdade e vida? "»
“Retirado da -newsletter  da EDUCRIS de 30-07-2016 - newsletter@educris.com"




quarta-feira, 27 de julho de 2016

CATEQUESE: A ALEGRIA DO ENCONTRO COM JESUS



"CATEQUESE: A ALEGRIA DO ENCONTRO COM JESUS

Documento de Trabalho

Comissão Episcopal da Educação Cristã  e Doutrina na Fé”


Aqui seguem, a algumas perguntas, as respostas/reflexão de um catequista em particular:

Cap.I: Renovação Conciliar da Catequese
-Que principais linhas de renovação de Catequese se alcançaram nas nossas comunidades?

Resposta de um catequista:
«-Uma catequese organizada, sistemática;
-Uma catequese com uma formação pertinente e forte;
-Uma catequese aberta a todas as dimensões da Fé;
-Uma catequese de Comunhão, de Igreja, Carismática, Querigmática;
-Uma catequese menos doutrinal;
-Uma catequese com menos fórmulas;
-Encontros de  catequese  de carácter mais Catecumenal ;
 -Partir da Vida, Alargar até chegar à Palavra, Aprofundar a Palavra, Celebrar essa Palavra, partir para a Vida Transformado … ;
-O catequista  caminha com os  catequizandos, partilhando mutuamente  a Fé ao longo da vida…»

-A que novas acentuações é necessário, neste momento, prestar especial atenção para uma catequese mais eficaz?

Resposta de um catequista:
«-VOCAÇÃO:  A vocação do catequista deve ser clara. Deus Chama, e ele reponde…-eis-me aqui Senhor, sou teu  servo, fraco e humilde…-que queres que eu faça? Quem não sentir este chamamento, deve pedi-lo ardentemente, e só depois de o receber, é que deve avançar…
-PROXIMIDADE:  Ajudar a que as comunidades sejam mais acolhedoras, mais sensíveis, menos formatadas, mais realistas. Porque será que nos baptizados  as comunidades não vibram? Porque será que no final do 5º ano de catequese se faz um retiro com os adolescentes,  no sentido de os ajudar a escolher um serviço na comunidade (acólitos, zeladores, visitadores, leitores…) e…não acontece nada,… será que as comunidades estão dispostas a recebe-los de braços abertos, a aceitar a renovação, ou será que estão mais preocupados  em manter o seu lugar cativo,  e a marcar o seu território pessoal ? Alguns Cooperadores (Agentes) pastorais serão portas, corações delicados… ou serão barreiras que escodem tudo…?
- PROXIMIDADE :  Acolher melhor os pais, criar laços, “convívios”;
-PROXIMIDADE/FORMAÇÃO:  Os pais devem ser ajudados a serem os primeiros educadores na Fé;
-DEPENDÊNCIA: Todos temos de reaprender a saber “dar” e a saber  “receber”, reaprender a sermos dependentes de Deus, e  de uns dos outros, como as primeiras comunidades cristãs;
-ABERTURA:  Acabar como isolamento do acto catequético, com a impermeabilidade do grupo, da paróquia, do arciprestado(…)
-TODOS SOMOS DISCÍPULOS: Todos precisam de ser catequizados. Quantas vezes como catequistas, sentimos que aquelas “simples” Palavras da catequese dos primeiros anos, nos  soam a Novidade e nos Alegram o Coração, a nós em primeiro lugar! “Deus Ama-Te”…Quem não precisa que de ser catequizado permanentemente?
-TODOS SOMOS APÓSTOLOS:  É URGENTE uma Catequese  mais Missionária, em que cada um é ajudado por todos  a Evangelizar, na escolinha, em casa na família, num lar de idosos, num funeral…
-MISERICÓRDIA:  É URGENTE  uma Catequese Misericordiosa. Jesus também pode ser encontrado naqueles de quem nos fazemos próximos, naqueles de quem nos aproximamos, naqueles que muitas vezes cheiram mal… Viver as Obras de Misericórdia  é ser  cristão. Devemo-nos aproximar mais, muito mais,…  dos doentes, dos presos, dos idosos, dos marginalizados, das famílias em dificuldades…
-CONVÍVIO :  É URGENTE convívio, partilha e aprendizagem  intergeracional ;
-INFORMAÇÃO: Deve ser melhorada a informação nas paróquias, no sentido de a todos, chamar, tocar e  envolver…
-ACTIVIDADES:  O desporto, a cultura, os debates…devem estar sempre presentes na catequese.
- AS NOSSAS CASAS :  Os Institutos religiosos, os seminários (…),  devem abrir-se ás comunidades locais, em especial à catequese.»

Cap.II Novos Desafios
-A análise apresentada (rotura na transmissão da fé…) corresponde à sua experiência? Serão estes os aspectos da realidade que mais influenciam a adesão à fé? Indica outros?

Resposta de um catequista:
«-A  prática cristã que recebi de meus pais, o tempo que era dedicado à oração, o tipo de oração, os pontos de vista de então, comparando com a família jovem que agora formo, conjuntamente com a minha esposa e filhos, concordo que há uma rotura com o passado, mas não uma rotura com a fé.
Penso que os filhos recebem directamente do coração dos pais. No meio das correrias, dificuldades , computadores, televisões…, também  há momentos em que eles vêm os pais a rezar, em que também se  reza em conjunto, ouvem falar de Deus… “Adorar a só a Deus”...Jesus é teu melhor amigo…Justo, só Jesus…Partilha…é preciso tempo para Deus…”Jesus também deu a vida por ti!”…” Vamos rezar uma Ave-maria pela avó que está doente”… “Pai ,posso ler a leitura que está  ler?”...”Tenho de me confessar”… “Hoje é Domingo, vamos à Missa!”
Também há momentos de frustração. Mãe a Missa é uma seca…que horas são, quanto  tempo ainda demora…Momentos em que esperávamos que o coração se abrisse, e parece que não acontece nada,…egoísmos,  friezas,…
O TESTEMUNHO dos pais é fundamental para transmitir a fé!
Há famílias jovens que pouco falam de Deus, cristãos que se esquecem do Domingo com frequência , aí,  a comunidade  deve  aproximar-se, e dar o seu alegre  TESTEMUNHO… A catequese familiar também  será uma boa oportunidade para despertar a fé na família. Os movimentos tipo   “ Alfa”,  também podem ajudar no clic, e muitos  outros…»
-Porque é importante acentuar que nós apenas semeamos mas é Deus quem faz crescer?

Resposta de um catequista:
«-Um aspecto relevante, é que a que a catequese não se faz. Dizer “fazer catequese”, é uma falta de sensibilidade chocante. A catequese vive-se , o catequista testemunha a sua fé, a fé da igreja. O catequizando vai caminhando com o catequista e seus companheiros da vida,  vai partilhando a sua fé, que irá florindo com o tempo . Portanto, é importante semear, e ter um coração para ser semeado (tanto o catequista como os catequizandos)…O testemunho do catequista ,dos catequizandos, enraizados  numa comunidade aberta (testemunha também), dará frutos. A Palavra de Deus é sempre eficaz!»

Cap.III-Novas oportunidades para o Evangelho
-Como preparar, no tempo da catequese, o futuro da vida cristã?

Resposta de um catequista:
«A catequese tem que se desinstalar:
1-Optar por uma catequese familiar, como já é realizada em alguns contextos de catequese nacional, em que todos vão crescendo em conjunto na Fé,  Pais, Filhos, Avós, Comunidade, Padre, etc…
2-Aposta por uma  Catequese mais Missionária, recebi de graça, vou dar de graça… recebi uma sementinha pequenina, vou partilha-la …
3-Catequese de “primeiro anúncio “, querigmática .
Estas novas realidades,  obrigam a mudar o sistema instalado, como por exemplo : o  ciclo de uma catequese (ver ” Sementes Missionárias”) , interligação mais forte com a Eucaristia e outros Sacramentos, co-responsabilidade de todos, muita humildade , muita comunhão, intergeracionalidade, ecumenismo …»

Cap. IV-Catequese  no Horizonte Evangelizador e Missionário
-Este é um capítulo fundamental para renovar a catequese no nosso tempo: situá-la num horizonte evangelizador. Como avalia as dimensões referidas neste capítulo? Como traduzi-las na prática? Que mudanças implicam?

Resposta de um catequista:
«A  pastoral de manutenção é defunta, não serve para nada. Cada pessoa, cada fiel, pelo Baptismo tem que ser  Evangelizador . Esta caminhada, faz-se caminhado, quem procura Jesus e o “Encontra”, renova-se,  abre-se, sai, parte…
Primeiro, é preciso Encontrar Jesus, o meu  Maior  Amigo…Aquele que também deu e dá  a Vida por mim. Depois, …também se vai descobrindo que “ onde dois ou três estiverem reunidos em meu Nome, Eu estarei no meio deles”, e que, “Este é o Meu Corpo, que será entregue  Vós, fazei isto em memória de Mim”…Aqui está o Mistério!  A catequese tem que ser uma caminhada com Jesus, tal como aconteceu com os Discípulos de Emaús, mas estendida no tempo e em diversos espaços.
A Palavra de Deus é luz e fonte para o caminho, e pela mesma Palavra, nós somos interpelados a  encontrar Cristo no Próximo. Quem leva a”Luz”aos outros, recebe muita mais “Luz”.
A Oração é a cola que estabiliza e tudo congrega, sem ela tudo se dispersa. Alguém  consegue sentir a brisa, os sinais, sem a oração…? E quando caímos? O que nos levanta?»

-Decisivo no processo de catequese é a experiência pessoal do encontro com Cristo. Na vida dos catequistas, na sua concretamente, renova-se e aprofunda-se constantemente este encontro com cristo? Como pode levar o catequista levar a este encontro?

Resposta de um catequista:
«-Na minha vida pessoal, esse encontro com Cristo é permanente, em cada instante. A Bíblia não parou no tempo, ela continua a ser escrita nas nossas vidas, mas é preciso estar atento e aberto  aos sinais e à conversão permanente.
Para ajudar no processo da catequese, da Vida para a Vida…, a “Escola com Jesus” parece ser um bem precioso:
“O programa de formação das crianças da Infância Missionária é conhecido como "Escola com Jesus" e integra o catecismo num processo formativo. Cada tema é desenvolvido em quatro etapas ou áreas: catequese missionária, espiritualidade missionária, serviço missionário e comunhão missionária. Uma vez que se conclui o ciclo, propõe-se um novo tema e começa-se novamente um processo análogo
1-ENCONTROS DE CATEQUESE MISSIONÁRIA :Escuta-se a palavra de Deus, seguindo um estudo sistemático da doutrina contida nela. Neste encontro, as crianças escrevem, desenham, tiram conclusões, memorizam as mensagens principais. Trata-se de um encontro orientado para a reflexão, o estudo e a compreensão daquilo que Deus nos comunica para a nossa missão
Cada encontro possui um carácter específico e, a cada quatro encontros, começa uma nova unidade do grupo, em conformidade com o plano de formação e também tendo em conta os tempos litúrgicos, os eventos paroquiais, etc.
Nestes encontros incluem-se os seguintes elementos:
•Testemunho pessoal: convidam-se as crianças a descrever o modo como assumiram os seus compromissos missionários durante a semana que acaba de passar.
•Proclamação e estudo da Palavra de Deus: utilizam-se para ajudar a compreender a Palavra de Deus, representações, símbolos, gestos.
•Compromisso missionário: no encerramento de cada encontro as crianças comprometem-se em realizar durante essa semana certas actividades, através das quais compartilham com a comunidade mais ampla a Palavra de Deus que elas mesmas receberam.
2-ENCONTROS DE ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA
Refere-se ao segundo encontro, ou seja, à segunda semana. Trata-se da celebração e da experiência daquilo que se aprendeu no primeiro encontro (catequese missionária). O objectivo consiste em interiorizar a mensagem aprendida para vivê-la, celebrá-la e assimilá-la.
Para este encontro, orna-se a casa apropriadamente, conforme o tema. Por exemplo: velas, Bíblias, almofadas, imagens, música… de tal modo que, ao entrarem, as crianças sintam imediatamente que este encontro semanal é diferente. Corresponde mais ao coração que à mente!
Em conformidade com o tema e as circunstâncias, escolhe-se uma dinâmica como actividade central do encontro: "laboratório" de oração, retiro, celebração da Palavra, desenhos bíblicos, celebração da Eucaristia, dinâmicas de sensibilização espiritual, etc. O mais importante é ajudar, tanto na experiência da presença do amor de Deus, como na oração e na celebração da sua Palavra, de maneira a poder adoptá-la progressivamente na vida pessoal e comunitária.
3- ENCONTROS DE SERVIÇO MISSIONÁRIO
Refere-se ao terceiro encontro, isto é, à terceira semana. Aqui, ajudam-se as crianças a passar do "ser" ao "fazer" discípulos para Jesus, ensinando às outras o que elas aprenderam d'Ele. As crianças reconhecem na acção missionária a missão evangelizadora que receberam desde o baptismo e que elas cumprem através dos seus serviços ao próximo, em particular às outras crianças do mundo. Elas fazem amigos para Jesus e, em seu nome, compartilham com as outras crianças o seu pão, especialmente o pão da fé, para ajudá-las nas suas necessidades.
As diversas actividades incluem: o anúncio do Evangelho aos outros; a formação missionária das outras crianças; os serviços aos outros grupos; os serviços missionários na própria família; os serviços missionários na própria escola; as actividades para incentivar a oração e as ofertas em favor das missões do mundo inteiro; a preparação das Celebrações Litúrgicas para as quais se convidam os familiares, amigos, a comunidade, etc.; a comunicação e apoio aos missionários que se encontram em outros países o em outros continentes; as actividades em benefício das crianças necessitadas; o intercâmbio de experiências com o pároco e com outros colaboradores na paróquia; a preparação do material para a animação missionária; as visitas aos enfermos, aos idosos, aos órfãos, etc.
4- ENCONTROS DE COMUNHÃO MISSIONÁRIA
Refere-se ao quarto encontro, ou seja, à quarta semana. Estes encontros são orientados para rever e fortalecer a experiência de comunhão missionária entre as crianças e entre elas e os outros, a fim de criar comunidades eclesiais vivas, dinâmicas e missionárias.
Recomenda-se que esta quarta etapa inclua, algumas vezes, encontros com as famílias das crianças, com outros grupos de crianças, com o pároco e com a sua equipe, com os seus mestres e companheiros, etc.
•Entre as actividades recomendadas incluem-se: festas, passeios, reuniões, jogos e recreações, competições, celebrações de aniversários, etc. “ »

Cap.V: exercícios Práticos  (…)
Cap.VI: Formar Discípulos Missionários
-Que mudanças implica na nossa forma de fazer catequese a preocupação de formar discípulos missionários ?

Resposta de um catequista:
«-A catequese não se faz. A catequese não é um produto industrial…entra o fio…sai a meia!
A catequese Vive-se, a catequese é Vida para a Vida. As nossas paróquias não são comunidades  missionárias (salvo algumas excepções, claro). Toda a comunidade tem que se envolver nesta causa, e todos juntos, conseguiremos nos transformar em Discípulos Missionários!»

Cap. VII: Igreja Mãe e Mestra

Resposta de um catequista:
«-Todos temos que ser “Discípulos” e “Missionários”, aprendendo a estar pregados com Jesus na Cruz, morrendo para a nossa vontade, fazendo a vontade de Jesus.  Mas também temos que partir com alegria, e  anunciar  Jesus Ressuscitado, como Maria Madalena, os  Apóstolos, e todos que se seguiram…»

segunda-feira, 25 de julho de 2016

«Mulher, porque choras»


«Evangelho segundo S. João 20,1-2.11-18.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram».
E ficou a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro
e viu dois Anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus.
Os Anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?». Ela respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram».
Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele.
Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar».
Disse-lhe Jesus: «Maria!». Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!».
Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai.
Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus». Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito.


Comentário do dia:
São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilia 25

«Mulher, porque choras?»

Maria torna-se testemunha da compaixão de Deus, [...] aquela Maria a quem um fariseu queria quebrar o arroubo de ternura: «Se este homem fosse profeta», exclamava ele, «saberia quem é a mulher que Lhe toca e o que ela é: uma pecadora» (Lc 7,39). Mas as suas lágrimas apagaram-lhe as manchas do corpo e do coração; e ela precipitou-se a seguir os passos do seu Salvador, afastando-se dos caminhos do mal. Estava sentada aos pés de Jesus e escutava-O (Lc 10,39). Vivo, apertou-O nos braços; depois de morto, procurou-O, encontrando vivo Aquele que procurava morto. E encontrou nele tanta graça, que acabou por ser ela a levar a boa nova aos apóstolos, aos mensageiros de Deus!

Que havemos de ver aqui, meus irmãos, senão a infinita ternura do nosso Criador que, para dar novo ânimo à nossa consciência, nos dá constantemente exemplos de pecadores arrependidos. Lanço os meus olhos sobre Pedro, olho para o ladrão, examino Zaqueu, considero Maria, e só vejo neles apelos à esperança e ao arrependimento. A vossa fé foi tocada pela dúvida? Pensai em Pedro, que chora amargamente a sua cobardia. Estais ardendo em cólera contra o vosso próximo? Pensai no ladrão, que em plena agonia se arrepende e ganha a recompensa eterna. A avareza seca-vos o coração? Prejudicastes alguém? Vede Zaqueu, que devolve quatro vezes mais aquilo que tinha roubado. Por causa de uma paixão, perdestes a pureza da carne? Olhai para Maria, que purifica o amor da carne com o fogo do amor divino.

Sim, Deus todo-poderoso oferece-nos constantemente exemplos e sinais da sua compaixão. Enchamo-nos, pois, de horror pelos nossos pecados, mesmo pelos mais antigos. Deus todo-poderoso esquece com facilidade que nós cometemos o mal e está pronto a olhar para o nosso arrependimento como se fosse a própria inocência. Nós que, depois das águas da salvação, nos tínhamos de novo manchado, renasçamos com as nossas lágrimas. [...] O nosso Redentor consolará as vossas lágrimas com a sua alegria eterna. »


“Retirado  do site “Evangelho Quotidiano”  de 22-07-2016”

terça-feira, 14 de junho de 2016

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões


No dia da Solenidade de Pentecostes o Papa Francisco publicou a mensagem para o Dia Mundial das Missões que se comemora no próximo dia 16 de Outubro.

"Igreja missionária, testemunha da misericórdia" é o tema da mensagem deste ano que disponibilizamos na íntegra:
“Queridos irmãos e irmãs!
O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que a Igreja está a viver, proporciona uma luz particular também ao Dia Mundial das Missões de 2016: convida-nos a olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material. Com efeito, neste Dia Mundial das Missões, todos somos convidados a «sair», como discípulos missionários, pondo cada um a render os seus talentos, a sua criatividade, a sua sabedoria e experiência para levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus à família humana inteira. Em virtude do mandato missionário, a Igreja tem a peito quantos não conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem a experimentar o amor do Senhor. Ela «tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho» (BulaMisericordiae Vultus, 12), e anunciá-la em todos os cantos da terra, até alcançar toda a mulher, homem, idoso, jovem e criança.
A misericórdia gera íntima alegria no coração do Pai, sempre que encontra cada criatura humana; desde o princípio, Ele dirige-Se amorosamente mesmo às mais vulneráveis, porque a sua grandeza e poder manifestam-se precisamente na capacidade de empatia com os mais pequenos, os descartados, os oprimidos (cf. Dt 4, 31; Sal 86, 15; 103, 8; 111, 4). É o Deus benigno, solícito, fiel; aproxima-Se de quem passa necessidade para estar perto de todos, sobretudo dos pobres; envolve-Se com ternura na realidade humana, tal como fariam um pai e uma mãe na vida dos seus filhos (cf. Jr 31, 20). É ao ventre materno que alude o termo utilizado na Bíblia hebraica para dizer misericórdia: trata-se, pois, do amor duma mãe pelos filhos; filhos que ela amará sempre, em todas as circunstâncias suceda o que suceder, porque são fruto do seu ventre. Este é um aspeto essencial também do amor que Deus nutre por todos os seus filhos, especialmente pelos membros do povo que gerou e deseja criar e educar: perante as suas fragilidades e infidelidades, o seu íntimo comove-se e estremece de compaixão (cf. Os 11, 8). Mas Ele é misericordioso para com todos, o seu amor é para todos os povos e a sua ternura estende-se sobre todas as criaturas (cf. Sal 144, 8-9).
A misericórdia encontra a sua manifestação mais alta e perfeita no Verbo encarnado. Ele revela o rosto do Pai, rico em misericórdia: «não somente fala dela e a explica com o uso de comparações e parábolas, mas sobretudo Ele próprio a encarna e a personifica» (JOÃO PAULO II, Enc. Dives in misericordia, 2). Aceitando e seguindo Jesus por meio do Evangelho e dos Sacramentos, com a ação do Espírito Santo, podemos tornar-nos misericordiosos como o nosso Pai celestial, aprendendo a amar como Ele nos ama e fazendo da nossa vida um dom gratuito, um sinal da sua bondade (cf. Bula Misericordiae Vultus, 3). A primeira comunidade que, no meio da humanidade, vive a misericórdia de Cristo é a Igreja: sempre sente sobre si o olhar d’Ele que a escolhe com amor misericordioso e, deste amor, ela deduz o estilo do seu mandato, vive dele e dá-o a conhecer aos povos num diálogo respeitoso por cada cultura e convicção religiosa.
Como nos primeiros tempos da experiência eclesial, há tantos homens e mulheres de todas as idades e condições que dão testemunho deste amor de misericórdia. Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável e crescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presença masculina. As mulheres, leigas ou consagradas – e hoje também numerosas famílias –, realizam a sua vocação missionária nas mais variadas formas: desde o anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo. Ao lado da obra evangelizadora e sacramental dos missionários, aparecem as mulheres e as famílias que entendem, de forma muitas vezes mais adequada, os problemas das pessoas e sabem enfrentá-los de modo oportuno e por vezes inédito: cuidando da vida, com uma acrescida atenção centrada mais nas pessoas do que nas estruturas e fazendo valer todos os recursos humanos e espirituais para construir harmonia, relacionamento, paz, solidariedade, diálogo, cooperação e fraternidade, tanto no setor das relações interpessoais como na área mais ampla da vida social e cultural e, de modo particular, no cuidado dos pobres.
Em muitos lugares, a evangelização parte da atividade educativa, à qual o trabalho missionário dedica esforço e tempo, como o vinhateiro misericordioso do Evangelho (cf. Lc 13, 7-9; Jo 15, 1), com paciência para esperar os frutos depois de anos de lenta formação; geram-se assim pessoas capazes de evangelizar e fazer chegar o Evangelho onde ninguém esperaria vê-lo realizado. A Igreja pode ser definida «mãe», mesmo para aqueles que poderão um dia chegar à fé em Cristo. Espero, pois, que o povo santo de Deus exerça o serviço materno da misericórdia, que tanto ajuda os povos que ainda não conhecem o Senhor a encontrá-Lo e a amá-Lo. Com efeito a fé é dom de Deus, e não fruto de proselitismo; mas cresce graças à fé e à caridade dos evangelizadores, que são testemunhas de Cristo. Quando os discípulos de Jesus percorrem as estradas do mundo, é-lhes pedido aquele amor sem medida que tende a aplicar a todos a mesma medida do Senhor; anunciamos o dom mais belo e maior que Ele nos ofereceu: a sua vida e o seu amor.

Cada povo e cultura tem direito de receber a mensagem de salvação, que é dom de Deus para todos. E a necessidade dela redobra ao considerarmos quantas injustiças, guerras, crises humanitárias aguardam, hoje, por uma solução. Os missionários sabem, por experiência, que o Evangelho do perdão e da misericórdia pode levar alegria e reconciliação, justiça e paz. O mandato do Evangelho – «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20) – não terminou, antes pelo contrário impele-nos a todos, nos cenários presentes e desafios atuais, a sentir-nos chamados para uma renovada «saída» missionária, como indiquei na Exortação Apostólica Evangelii gaudium: «cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (n. 20).
Precisamente neste Ano Jubilar, celebra o seu nonagésimo aniversário o Dia Mundial das Missões, promovido pela Pontifícia Obra da Propagação da Fé e aprovado pelo Papa Pio XI em 1926. Por isso, considero oportuno recordar as sábias indicações dos meus Predecessores, estabelecendo que fossem destinadas a esta Opera todas as ofertas que cada diocese, paróquia, comunidade religiosa, associação e movimento, de todo o mundo, pudessem recolher para socorrer as comunidades cristãs necessitadas de ajuda e revigorar o anúncio do Evangelho até aos últimos confins da terra. Também nos nossos dias, não nos subtraiamos a este gesto de comunhão eclesial missionário; não restrinjamos o coração às nossas preocupações particulares, mas alarguemo-lo aos horizontes da humanidade inteira.
Santa Maria, ícone sublime da humanidade redimida, modelo missionário para a Igreja, ensine a todos, homens, mulheres e famílias, a gerar e guardar por todo o lado a presença viva e misteriosa do Senhor Ressuscitado, que renova e enche de jubilosa misericórdia as relações entre as pessoas, as culturas e os povos”.

Vaticano, 15 de maio – Solenidade de Pentecostes – de 2016"
“Retirado do site da EDUCRIS em 15-06-2016 -  http://www.educris.com "

sexta-feira, 3 de junho de 2016

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS




«Evangelho segundo S. Lucas 15,3-7
 Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus e aos escribas a seguinte parábola: « Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar?
Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros
e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’.
Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento».


«É nisto que está o amor: não fomos nós que amámos a Deus, foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho» (1Jo 4,10)
O Coração do nosso Salvador é uma fornalha ardente de amor por nós: um amor purificador, um amor iluminador, um amor santificador, um amor transformador e um amor divinizante. Um amor purificador, em que os corações são purificados mais perfeitamente do que o ouro no fogo. Um amor iluminador, que dissipa as trevas do inferno que cobrem a Terra, para nos fazer entrar nas luzes admiráveis do Céu: «Chamou-nos das trevas para a sua luz admirável» (1Ped 2,9). Um amor santificador, que destruiu o pecado na nossa alma, para nela estabelecer o reino da graça. Um amor transformador, que muda as serpentes em pombas, os lobos em cordeiros, as alimárias em anjos, os filhos do diabo em filhos da graça e da bênção. Um amor divinizante, que faz dos homens deuses, tornando-os participantes da santidade de Deus, da sua misericórdia, paciência, bondade, amor, caridade e das outras perfeições divinas: «participantes da natureza divina» (2Ped 1,4).

O Coração de Jesus é um fogo que derrama as suas chamas no Céu, na Terra e em todo o Universo. Fogo e chamas que abrasam os corações dos serafins, e que abrasariam todos os corações da Terra, se o gelo do pecado não se lhe opusesse. Ele tem um amor extraordinário pelos homens, tanto pelos bons e seus amigos, como pelos maus e seus inimigos, pelos quais nutre uma caridade tão ardente que nem todas as torrentes das águas dos seus pecados são capazes de a extinguir!

Comentário do dia: São João Eudes (1601-1680), presbítero, pregador, fundador de institutos religiosos -Coração admirável”»
“Retirado  do site “Evangelho Quotidiano”  de 03-06-2016