quarta-feira, 14 de setembro de 2016

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ


Cruz fiel e redentora,
Árvore nobre, gloriosa!
 Nenhuma outra nos deu
Tal ramagem, flor e fruto,
 Doces cravos, doce lenho,
 doce fruto sustentais!
 
Porto feliz preparaste
 Para o mundo naufragado
E pagaste por inteiro
O preço da redenção,
Pois o sangue do Cordeiro
Resgatou as nossas culpas.
 
Deus quis vencer o inimigo
 Com as suas próprias armas.
 A Sabedoria aceitou
O tremendo desafio
 E onde nascera a morte
 Brotou a fonte da vida.
 
Elevemos jubilosos
 À Santíssima Trindade
O louvor que Lhe devemos
 Pela nossa salvação,
 Ao Eterno Pai e ao Filho
 E ao Espírito de amor.

" Hino retirado do livro da Liturgia das Horas-dia 14 Setembro-EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ- Vésperas II"

terça-feira, 13 de setembro de 2016

«Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!»

Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão.
Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade.
Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores».
Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te».
O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe.
Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo».
E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.


(…) Comentário do dia: Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Sermão 98


«Jovem, Eu te ordeno: Levanta-te!»
No evangelho encontramos três mortos ressuscitados pelo Senhor de forma visível, e milhares ressuscitados de forma invisível. […] A filha do chefe da sinagoga (Mc 5,22ss), o filho da viúva de Naim e Lázaro (Jo 11) […] são símbolos dos três tipos de pecadores ainda hoje ressuscitados pelo Senhor. A menina ainda se encontrava em casa de seu pai […], o filho da viúva já não estava em casa de sua mãe, mas também ainda não estava no túmulo, […] e Lázaro já estava sepultado. […]

Assim, há pessoas com o pecado dentro do coração mas que ainda não o cometeram. […] Tendo consentido no pecado, ele habita-lhes a alma como morto, mas não saiu ainda para fora. Ora, acontece amiúde […] aos homens esta experiência interior: depois de terem escutado a palavra de Deus, parece-lhes que o Senhor lhes diz: «Levanta-te!» E, condenando o consentimento que dantes haviam dado ao mal, retomam fôlego para viver na salvação e na justiça. […] Outros, após aquele consentimento, partem para os atos, transportando assim o morto que traziam escondido no fundo do coração para o expor diante de todos. Deveremos desesperar deles? Não disse o Salvador ao jovem de Naim: «Eu te ordeno: Levanta-te!»? Não o devolveu a sua mãe? O mesmo acontece a quem atua desse modo: tocado e comovido pela Palavra da Verdade, ressuscita à voz de Cristo e volta à vida. É certo que deu mais um passo na via do pecado, mas não pereceu para sempre.

Já aqueles que se embrenharam nos maus hábitos, a ponto de perderem a noção do próprio mal que cometem, procuram defender os seus atos maus e enfurecem-se quando alguém lhos censura. […] A esses, esmagados pelo peso do hábito de pecar, albergam as mortalhas e os túmulos […] e cada pedra colocada sobre o seu sepulcro mais não é do que a força tirânica do hábito que lhes oprime a alma e os impede de se levantarem para respirar. […]

Por isso, irmãos caríssimos, façamos de tal modo que quem vive viva, e quem está morto volte à vida […] e faça penitência. […] Os que vivem conservem a vida, e os que estão mortos apressem-se a ressuscitar.


“Retirado  do site “Evangelho Quotidiano”  de 13-09-2016”

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Papa preside à canonização da Beata Madre Teresa de Calcutá


Papa proclama santa Madre Teresa de Calcutá e sublinha que Igreja deve estar onde há «uma mão estendida»

Santa Madre Teresa de Calcutá: é assim que os católicos passam a partir de agora a chamar e a pedir a intercessão à fundadora das Missionárias da Caridade, figura cuja vida e ação se estenderam muito para além das fronteiras físicas e espirituais do catolicismo.

Na missa em que canonizou a mais recente santa da Igreja, celebrada esta manhã na Praça de S. Pedro, no Vaticano, o papa frisou que para os cristãos «não existe alternativa à caridade»: «Estamos chamados a por em prática o que pedimos na oração e professamos na fé».
«Como o Senhor veio até mim e se inclinou sobre mim na hora da necessidade, assim vou ao seu encontro e inclino-me sobre aqueles que perderam a fé ou vivem como se Deus não existisse, sobre os jovens sem valores e ideais, sobre as famílias em crise, sobre os doentes e os prisioneiros, sobre os refugiados e imigrantes, sobre os fracos e desamparados no corpo e no espírito, sobre os menores abandonados à própria sorte, bem como sobre os idosos deixados sozinhos. Onde quer que haja uma mão estendida pedindo ajuda para levantar-se, ali deve estar a nossa presença e a presença da Igreja, que apoia e dá esperança», vincou.
Francisco sublinhou que «seguir Jesus é um compromisso sério e ao mesmo tempo alegre; exige radicalidade e coragem para reconhecer o divino Mestre no mais pobre e colocar-se ao seu serviço. Para isso, os voluntários que servem os últimos e necessitados por amor de Jesus não esperam nenhum agradecimento ou gratificação, mas renunciam tudo isso porque encontraram o amor verdadeiro»
«Para Deus são agradáveis todas as obras de misericórdia, porque no irmão que ajudamos, reconhecemos o rosto de Deus que ninguém pode ver. Todas as vezes em que nos inclinamos para as necessidades dos irmãos, damos de comer e beber a Jesus; vestimos, apoiamos e visitamos o Filho de Deus», declarou.
Na parte final da homilia, o papa centrou-se em Madre Teresa, que «ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que "quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável". Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da Terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes da pobreza criada por eles mesmos».
«A misericórdia foi para ela o “sal”, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento», apontou, destacando que «a sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais» continua a ser hoje «um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres».
Ao mundo do voluntariado, o papa exortou a que a nova santa seja «o modelo de santidade»:  «Que esta incansável agente de misericórdia nos ajude a entender mais e mais que o nosso único critério de ação é o amor gratuito, livre de qualquer ideologia e de qualquer vínculo e que é derramado sobre todos sem distinção de língua, cultura, raça ou religião».
«Madre Teresa gostava de dizer: "Talvez não fale a língua deles, mas posso sorrir". Levemos no coração o seu sorriso e o ofereçamos a quem encontremos no nosso caminho, especialmente àqueles que sofrem. Assim abriremos horizontes de alegria e de esperança numa humanidade tão desesperançada e necessitada de compreensão e ternura», concluiu Francisco.
A memória litúrgica de Madre Teresa de Calcutá celebra-se anualmente a 5 de setembro, pelo que esta segunda-feira vai ser invocada como santa pela primeira vez.
Após a Eucaristia com o rito da canonização, Francisco presidiu à oração do "Angelus", invocadora da Virgem Maria, tendo recordado palavras proferidas por Santa Madre Teresa de Calcutá: «Sou albanesa de sangue, indiana de cidadania. Para aqueles que se referem à minha fé, sou uma irmã católica. Segundo a minha vocação, pertenço ao mundo. Mas quanto ao que diz respeito ao meu coração, pertenço inteiramente ao Coração de Jesus».
Na missa estiveram presentes os presidentes da Albânia, Antiga República Jugoslava da Macedónia e Kosovo, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, a rainha de Espanha, o presidente dos Bektashi, fraternidade muçulmana albanesa, e o bispo da Igreja protestante de Calcutá.
No "Angelus" Francisco recordou «quantos se gastam ao serviço dos irmãos em contextos difíceis e arriscados», «especialmente as muitas religiosas que dão a sua vida sem se pouparem».
«Rezemos em particular pela irmã missionária espanhola, irmã Isabel, que foi morta há dois dias na capital do Haiti, um país tão sofrido, para o qual faço votos de que cessem tais atos de violência e haja maior segurança para todos. Recordemos também outras irmãs que, recentemente, sofreram violência noutros países», assinalou o papa.
Rui Jorge Martins
Publicado em 04.09.2016 no SNPC


"Retirado do site -CATEQUESE Hoje- http://www.catequesehoje.org.br "- Um site com brasileiro com muita qualidade!

"Atenção ao preconceito no olhar sobre a mulher"


«Na audiência geral desta quarta-feira o Papa Francisco continuou a sua reflexão sobre a misericórdia afirmando que a mesma "oferece dignidade". O Papa tomou o trecho do evangelho que narra o encontro de Jesus com uma mulher e onde o mestre afirma à mulher ' a tua fé te salvou':

"Quanta fé, quanta fé tinha esta mulher. Tida como impura por causa das hemorragias e, por isso, excluída das liturgias, da vida conjugal, das normais relações com os demais: era uma mulher descartada pela sociedade",a firmou o Papa.
Olhando para a atualidade Francisco convidou os crentes a "refletirem sobre o olhar como a mulher é frequentemente percebida e representada" e pediu "cuidado e atenção à comunidades cristãs" para olhares cheios de preconceitos e suspeitas que lesam a intangível dignidade da mulher".
"Jesus admirou a fé desta mulher que todos evitavam e transformou a sua esperança em salvação. Não sabemos o seu nome, mas as poucas linhas com as quais o Evangelho descreve o seu encontro com Jesus delineiam um itinerário de fé capaz de reestabelecer a verdade e a grandiosidade da dignidade de todas as pessoas", sustentou.
Na segunda parte da sua reflexão o Papa convidou os presentes a meditarem sobre o olhar de "misericordia e ternura" com que Jesus acolhe a mulher "que vai até ele meio escondida e envergonhada":
"Jesus não se limita a colhe-la mas acha-a digna de tal encontro ao ponto de lhe dirigir a sua palavra e a sua atenção com um "'coragem filha'".
Para Francisco este "‘coragem, filha’ é a expressão de toda a misericórdia de Deus por aquela mulher e por todas as pessoas descartadas. Quantas vezes nos sentimos interiormente descartados pelos nossos pecados, que tanto fizemos, que tanto fizemos. E o Senhor nos diz: ‘coragem, vem, para mim não és um descartado. Coragem filho, tu és um filho e uma filha’. Este é o momento da graça, do perdão, momento de inclusão na vida de Jesus, da Igreja, de misericórdia. Hoje todos nós, grandes ou pequenos pecadores, mas todos somos pecadores, o Senhor diz-nos: ‘vem, coragem, não estás mais descartado, eu abraço-te, eu perdoo-te’. Assim é a misericórdia de Deus. Temos que ter coragem e ir até ele, pedir perdão dos nossos pecados e seguir adiante com coragem como fez esta mulher", afirmou.»

“Retirado da -newsletter  da EDUCRIS de 01-09-2016 - newsletter@educris.com "

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

JMJ 2016: Papa desafia os jovens a serem "protagonistas da história"



«Mensagem forte do Papa Francisco quase no final da Jornada Mundial da Juventude que decorre em Cracóvia, Polónia, até amanhã, Domingo. Na sua intervenção, durante a vigília deste final de tarde, o Papa desafiou os jovens a deixarem-se "tocar", a sairem do conforto do "sofá" e a tornarem-se, eles mesmos, "protagonistas da história". Francisco realçou que "cada ser humano é único" e lembrou que "não lutamos o ódio com o ódio" mas com "fraternidade, comunhão".

Leia, na íntegra, a intervenção do Papa Francisco.
"Queridos jovens!

É bom estar aqui convosco nesta Vigília de Oração.
Na parte final do seu corajoso e emocionante testemunho, Rand pediu-nos uma coisa. Disse-nos: «Peço-vos, sinceramente, que rezeis pelo meu amado país». Uma história marcada pela guerra, pelo sofrimento, pela ruína, que termina com um pedido: o da oração. Que há de melhor para começar a nossa Vigília do que rezar?
Vimos de várias partes do mundo, de continentes, países, línguas, culturas, povos diferentes. Somos «filhos» de nações que estão talvez em disputa por vários conflitos, ou até mesmo em guerra. Outros vimos de países que podem estar «em paz», que não têm conflitos bélicos, onde muitas das coisas dolorosas que acontecem no mundo fazem parte apenas das notícias e da imprensa. Mas estamos cientes duma realidade: hoje e aqui, para nós provenientes de diversas partes do mundo, o sofrimento e a guerra que vivem muitos jovens deixaram de ser uma coisa anónima, já não são uma notícia de imprensa, mas têm um nome, um rosto, uma história, fizeram-se-me vizinhos. Hoje a guerra na Síria é a dor e o sofrimento de tantas pessoas, de tantos jovens como o corajoso Rand, que está aqui entre nós e pede-nos para rezar pelo seu país amado.
Há situações que nos podem parecer distantes, até ao momento em que, de alguma forma, as tocamos. Há realidades que não entendemos porque vemo-las apenas através dum monitor (do telemóvel ou do computador). Mas, quando tomamos contacto com a vida, com as vidas concretas e já não pela mediação dos monitores, então algo mexe connosco, sentimo-nos convidados a envolver-nos: «Basta de cidades esquecidas», como diz Rand; nunca mais deve acontecer que irmãos estejam «circundados pela morte e por assassinatos» sentindo que ninguém os ajudará. Queridos amigos, convido-vos a rezar juntos pelo sofrimento de tantas vítimas da guerra, para podermos compreender, uma vez por todas, que nada justifica o sangue dum irmão, que nada é mais precioso do que a pessoa que temos ao nosso lado. E, neste pedido de oração, quero-vos agradecer também a vós, Natália e Miguel, pois também vós partilhastes connosco as vossas batalhas, as vossas guerras interiores. Apresentastes-nos as vossas lutas e o modo como as superastes. Sois um sinal vivo daquilo que a misericórdia quer fazer em nós.
Agora, não vamos pôr-nos a gritar contra ninguém, não vamos pôr-nos a litigar, não queremos destruir. Não queremos vencer o ódio com mais ódio, vencer a violência com mais violência, vencer o terror com mais terror. A nossa resposta a este mundo em guerra tem um nome: chama-se fraternidade, chama-se irmandade, chama-se comunhão, chama-se família. Alegramo-nos pelo facto de virmos de culturas diferentes e nos unirmos para rezar. Que a nossa palavra melhor, o nosso melhor discurso seja unirmo-nos em oração. Façamos um momento de silêncio, e rezemos; ponhamos diante de Deus os testemunhos destes amigos, identifiquemo-nos com aqueles para quem «a família é um conceito inexistente, a casa apenas um lugar para dormir e comer», ou com aqueles que vivem no medo porque creem que os seus erros e pecados os baniram definitivamente. Coloquemos na presença do nosso Deus também as vossas «guerras», as lutas que cada um carrega consigo, no seu próprio coração.
(SILÊNCIO)
Enquanto rezávamos, veio-me à mente a imagem dos Apóstolos no dia de Pentecostes. Uma cena que nos pode ajudar a compreender tudo aquilo que Deus sonha realizar na nossa vida, em nós e connosco. Naquele dia, os discípulos estavam fechados dentro de casa pelo medo. Sentiam-se ameaçados por um ambiente que os perseguia, que os forçava a estar numa pequena casa obrigando-os a ficar ali imóveis e paralisados. O medo apoderou-se deles. Naquele contexto, acontece algo espetacular, algo grandioso. Vem o Espírito Santo, e línguas como que de fogo pousaram sobre cada um deles, impelindo-os para uma aventura que nunca teriam sonhado.
Ouvimos três testemunhos; tocamos, com os nossos corações, as suas histórias, as suas vidas. Vimos como eles viveram momentos semelhantes aos dos discípulos, atravessaram momentos em que estiveram cheios de medo, em que parecia que tudo desmoronava. O medo e a angústia, que nascem do facto de uma pessoa saber que saindo de casa pode não ver mais os seus entes queridos, o medo de não se sentir apreciado e amado, o medo de não ter outras oportunidades. Eles partilharam connosco a mesma experiência que fizeram os discípulos, experimentaram o medo que leva ao único lugar possível: o fechamento. E, quando o medo se esconde no fechamento, fá-lo sempre na companhia da sua «irmã gémea», a paralisia; faz-nos sentir paralisados. Sentir que, neste mundo, nas nossas cidades, nas nossas comunidades, já não há espaço para crescer, para sonhar, para criar, para contemplar horizontes, em suma, para viver, é um dos piores males que nos podem acontecer na vida. A paralisia faz-nos perder o gosto de desfrutar do encontro, da amizade, o gosto de sonhar juntos, de caminhar com os outros.
Na vida, porém, há outra paralisia ainda mais perigosa e difícil, muitas vezes, de identificar e que nos custa muito reconhecer. Gosto de a chamar a paralisia que brota quando se confunde a FELICIDADE com um SOFÁ! Sim, julgar que, para ser felizes, temos necessidade de um bom sofá. Um sofá que nos ajude a estar cómodos, tranquilos, bem seguros. Um sofá – como os que existem agora, modernos, incluindo massagens para dormir – que nos garanta horas de tranquilidade para mergulharmos no mundo dos videojogos e passar horas diante do computador. Um sofá contra todo o tipo de dores e medos. Um sofá que nos faça estar fechados em casa, sem nos cansarmos nem nos preocuparmos. Provavelmente, o sofá-felicidade é a paralisia silenciosa que mais nos pode arruinar; porque pouco a pouco, sem nos darmos conta, encontramo-nos adormecidos, encontramo-nos pasmados e entontecidos enquanto outros – talvez os mais vivos, mas não os melhores – decidem o futuro por nós. Certamente, para muitos, é mais fácil e vantajoso ter jovens pasmados e entontecidos que confundem a felicidade com um sofá; para muitos, isto resulta mais conveniente do que ter jovens vigilantes, desejosos de responder ao sonho de Deus e a todas as aspirações do coração.
Mas a verdade é outra! Queridos jovens, não viemos ao mundo para «vegetar», para transcorrer comodamente os dias, para fazer da vida um sofá que nos adormeça; pelo contrário, viemos com outra finalidade, para deixar uma marca. É muito triste passar pela vida sem deixar uma marca. Mas, quando escolhemos a comodidade, confundindo felicidade com consumo, então o preço que pagamos é muito, mas muito caro: perdemos a liberdade.
É precisamente aqui que existe uma grande paralisia: quando começamos a pensar que a felicidade é sinónimo de comodidade, que ser feliz é caminhar na vida adormentado ou narcotizado, que a única maneira de ser feliz é estar como que entorpecido. É certo que a droga faz mal, mas há muitas outras drogas socialmente aceitáveis, que acabam por nos tornar em todo o caso muito mais escravos. Umas e outras despojam-nos do nosso bem maior: a liberdade.
Amigos, Jesus é o Senhor do risco, do sempre «mais além». Jesus não é o Senhor do conforto, da segurança e da comodidade. Para seguir a Jesus, é preciso ter uma boa dose de coragem, é preciso decidir-se a trocar o sofá por um par de sapatos que te ajudem a caminhar por estradas nunca sonhadas e nem mesmo pensadas, por estradas que podem abrir novos horizontes, capazes de contagiar-te a alegria, aquela alegria que nasce do amor de Deus, a alegria que deixa no teu coração cada gesto, cada atitude de misericórdia. Caminhar pelas estradas seguindo a «loucura» do nosso Deus, que nos ensina a encontrá-Lo no faminto, no sedento, no maltrapilho, no doente, no amigo em maus lençóis, no encarcerado, no refugiado e migrante, no vizinho que vive só. Caminhar pelas estradas do nosso Deus, que nos convida a ser atores políticos, pessoas que pensam, animadores sociais; que nos encoraja a pensar uma economia mais solidária. Em todos os campos onde vos encontrais, o amor de Deus convida-vos a levar a Boa Nova, fazendo da própria vida um dom para Ele e para os outros.
Poderíeis replicar-me: Mas isto, padre, não é para todos; é só para alguns eleitos! Sim, e estes eleitos são todos aqueles que estão dispostos a partilhar a sua vida com os outros. Tal como o Espírito Santo transformou o coração dos discípulos no dia de Pentecostes, assim o fez também com os nossos amigos que partilharam os seus testemunhos. Uso as tuas palavras, Miguel: disseste-nos que no dia em que te confiaram, lá na «Fazenda», a responsabilidade de contribuir para o melhor funcionamento da casa, então começaste a compreender que Deus te pedia algo. Assim começou a transformação.
Este é o segredo, queridos amigos, que todos somos chamados a experimentar. Deus espera algo de ti, Deus quer algo de ti, Deus espera-te. Deus vem quebrar os nossos fechamentos, vem abrir as portas das nossas vidas, das nossas perspetivas, dos nossos olhares. Deus vem abrir tudo aquilo que te fecha. Convida-te a sonhar, quer fazer-te ver que, contigo, o mundo pode ser diferente. É assim: se não deres o melhor de ti mesmo, o mundo não será diverso.
O tempo que hoje estamos a viver não precisa de jovens-sofá, mas de jovens com os sapatos, ainda melhor, calçados com as botas. Aceita apenas jogadores titulares em campo, não há lugar para reservas. O mundo de hoje pede-vos para serdes protagonistas da história, porque a vida é bela desde que a queiramos viver, desde que queiramos deixar uma marca. Hoje a história pede-nos que defendamos a nossa dignidade e não deixemos que sejam outros a decidir o nosso futuro. O Senhor, como no Pentecostes, quer realizar um dos maiores milagres que podemos experimentar: fazer com que as tuas mãos, as minhas mãos, as nossas mãos se transformem em sinais de reconciliação, de comunhão, de criação. Ele quer as tuas mãos para continuar a construir o mundo de hoje. Quer construí-lo contigo.
Dir-me-ás: Mas, padre, eu sou muito limitado, sou pecador… que posso fazer? Quando o Senhor nos chama não pensa naquilo que somos, naquilo que éramos, naquilo que fizemos ou deixamos de fazer. Pelo contrário: no momento em que nos chama, Ele está a ver tudo aquilo que poderemos fazer, todo o amor que somos capazes de comunicar. Ele aposta sempre no futuro, no amanhã. Jesus olha-te projetado no horizonte.
Por isso, amigos, hoje Jesus convida-te, chama-te a deixar a tua marca na vida, uma marca que determine a história, que determine a tua história e a história de muitos.
A vida de hoje diz-nos que é muito fácil fixar a atenção naquilo que nos divide, naquilo que nos separa. Querem fazer-nos crer que fechar-nos é a melhor maneira de nos protegermos daquilo que nos faz mal. Hoje nós, adultos, precisamos de vós para nos ensinardes a conviver na diversidade, no diálogo, na partilha da multiculturalidade não como uma ameaça mas como uma oportunidade: tende a coragem de nos ensinar que é mais fácil construir pontes do que levantar muros! E todos juntos pedimos que exijais de nós percorrer as estradas da fraternidade. Construir pontes… Sabeis qual é a primeira ponte a construir? Uma ponte que podemos realizar aqui e agora: um aperto de mão, estender a mão. Coragem! Fazei agora, aqui, esta ponte primordial, e dai-vos a mão. É a grande ponte fraterna, e podem aprender a fazê-la os grandes deste mundo... Não para a fotografia, mas para continuar a construir pontes cada vez maiores. Que esta ponte humana seja semente de muitas outras; será uma marca.
Hoje, Jesus, que é o caminho, chama-te a deixar a tua marca na história. Ele, que é a vida, convida-te a deixar uma marca que encha de vida a tua história e a de muitos outros. Ele, que é a verdade, convida-te a deixar as estradas da separação, da divisão, do sem-sentido. Aceitais? Que respondem as vossas mãos e os vossos pés ao Senhor, que é caminho, verdade e vida? "»
“Retirado da -newsletter  da EDUCRIS de 30-07-2016 - newsletter@educris.com"




quarta-feira, 27 de julho de 2016

CATEQUESE: A ALEGRIA DO ENCONTRO COM JESUS



"CATEQUESE: A ALEGRIA DO ENCONTRO COM JESUS

Documento de Trabalho

Comissão Episcopal da Educação Cristã  e Doutrina na Fé”


Aqui seguem, a algumas perguntas, as respostas/reflexão de um catequista em particular:

Cap.I: Renovação Conciliar da Catequese
-Que principais linhas de renovação de Catequese se alcançaram nas nossas comunidades?

Resposta de um catequista:
«-Uma catequese organizada, sistemática;
-Uma catequese com uma formação pertinente e forte;
-Uma catequese aberta a todas as dimensões da Fé;
-Uma catequese de Comunhão, de Igreja, Carismática, Querigmática;
-Uma catequese menos doutrinal;
-Uma catequese com menos fórmulas;
-Encontros de  catequese  de carácter mais Catecumenal ;
 -Partir da Vida, Alargar até chegar à Palavra, Aprofundar a Palavra, Celebrar essa Palavra, partir para a Vida Transformado … ;
-O catequista  caminha com os  catequizandos, partilhando mutuamente  a Fé ao longo da vida…»

-A que novas acentuações é necessário, neste momento, prestar especial atenção para uma catequese mais eficaz?

Resposta de um catequista:
«-VOCAÇÃO:  A vocação do catequista deve ser clara. Deus Chama, e ele reponde…-eis-me aqui Senhor, sou teu  servo, fraco e humilde…-que queres que eu faça? Quem não sentir este chamamento, deve pedi-lo ardentemente, e só depois de o receber, é que deve avançar…
-PROXIMIDADE:  Ajudar a que as comunidades sejam mais acolhedoras, mais sensíveis, menos formatadas, mais realistas. Porque será que nos baptizados  as comunidades não vibram? Porque será que no final do 5º ano de catequese se faz um retiro com os adolescentes,  no sentido de os ajudar a escolher um serviço na comunidade (acólitos, zeladores, visitadores, leitores…) e…não acontece nada,… será que as comunidades estão dispostas a recebe-los de braços abertos, a aceitar a renovação, ou será que estão mais preocupados  em manter o seu lugar cativo,  e a marcar o seu território pessoal ? Alguns Cooperadores (Agentes) pastorais serão portas, corações delicados… ou serão barreiras que escodem tudo…?
- PROXIMIDADE :  Acolher melhor os pais, criar laços, “convívios”;
-PROXIMIDADE/FORMAÇÃO:  Os pais devem ser ajudados a serem os primeiros educadores na Fé;
-DEPENDÊNCIA: Todos temos de reaprender a saber “dar” e a saber  “receber”, reaprender a sermos dependentes de Deus, e  de uns dos outros, como as primeiras comunidades cristãs;
-ABERTURA:  Acabar como isolamento do acto catequético, com a impermeabilidade do grupo, da paróquia, do arciprestado(…)
-TODOS SOMOS DISCÍPULOS: Todos precisam de ser catequizados. Quantas vezes como catequistas, sentimos que aquelas “simples” Palavras da catequese dos primeiros anos, nos  soam a Novidade e nos Alegram o Coração, a nós em primeiro lugar! “Deus Ama-Te”…Quem não precisa que de ser catequizado permanentemente?
-TODOS SOMOS APÓSTOLOS:  É URGENTE uma Catequese  mais Missionária, em que cada um é ajudado por todos  a Evangelizar, na escolinha, em casa na família, num lar de idosos, num funeral…
-MISERICÓRDIA:  É URGENTE  uma Catequese Misericordiosa. Jesus também pode ser encontrado naqueles de quem nos fazemos próximos, naqueles de quem nos aproximamos, naqueles que muitas vezes cheiram mal… Viver as Obras de Misericórdia  é ser  cristão. Devemo-nos aproximar mais, muito mais,…  dos doentes, dos presos, dos idosos, dos marginalizados, das famílias em dificuldades…
-CONVÍVIO :  É URGENTE convívio, partilha e aprendizagem  intergeracional ;
-INFORMAÇÃO: Deve ser melhorada a informação nas paróquias, no sentido de a todos, chamar, tocar e  envolver…
-ACTIVIDADES:  O desporto, a cultura, os debates…devem estar sempre presentes na catequese.
- AS NOSSAS CASAS :  Os Institutos religiosos, os seminários (…),  devem abrir-se ás comunidades locais, em especial à catequese.»

Cap.II Novos Desafios
-A análise apresentada (rotura na transmissão da fé…) corresponde à sua experiência? Serão estes os aspectos da realidade que mais influenciam a adesão à fé? Indica outros?

Resposta de um catequista:
«-A  prática cristã que recebi de meus pais, o tempo que era dedicado à oração, o tipo de oração, os pontos de vista de então, comparando com a família jovem que agora formo, conjuntamente com a minha esposa e filhos, concordo que há uma rotura com o passado, mas não uma rotura com a fé.
Penso que os filhos recebem directamente do coração dos pais. No meio das correrias, dificuldades , computadores, televisões…, também  há momentos em que eles vêm os pais a rezar, em que também se  reza em conjunto, ouvem falar de Deus… “Adorar a só a Deus”...Jesus é teu melhor amigo…Justo, só Jesus…Partilha…é preciso tempo para Deus…”Jesus também deu a vida por ti!”…” Vamos rezar uma Ave-maria pela avó que está doente”… “Pai ,posso ler a leitura que está  ler?”...”Tenho de me confessar”… “Hoje é Domingo, vamos à Missa!”
Também há momentos de frustração. Mãe a Missa é uma seca…que horas são, quanto  tempo ainda demora…Momentos em que esperávamos que o coração se abrisse, e parece que não acontece nada,…egoísmos,  friezas,…
O TESTEMUNHO dos pais é fundamental para transmitir a fé!
Há famílias jovens que pouco falam de Deus, cristãos que se esquecem do Domingo com frequência , aí,  a comunidade  deve  aproximar-se, e dar o seu alegre  TESTEMUNHO… A catequese familiar também  será uma boa oportunidade para despertar a fé na família. Os movimentos tipo   “ Alfa”,  também podem ajudar no clic, e muitos  outros…»
-Porque é importante acentuar que nós apenas semeamos mas é Deus quem faz crescer?

Resposta de um catequista:
«-Um aspecto relevante, é que a que a catequese não se faz. Dizer “fazer catequese”, é uma falta de sensibilidade chocante. A catequese vive-se , o catequista testemunha a sua fé, a fé da igreja. O catequizando vai caminhando com o catequista e seus companheiros da vida,  vai partilhando a sua fé, que irá florindo com o tempo . Portanto, é importante semear, e ter um coração para ser semeado (tanto o catequista como os catequizandos)…O testemunho do catequista ,dos catequizandos, enraizados  numa comunidade aberta (testemunha também), dará frutos. A Palavra de Deus é sempre eficaz!»

Cap.III-Novas oportunidades para o Evangelho
-Como preparar, no tempo da catequese, o futuro da vida cristã?

Resposta de um catequista:
«A catequese tem que se desinstalar:
1-Optar por uma catequese familiar, como já é realizada em alguns contextos de catequese nacional, em que todos vão crescendo em conjunto na Fé,  Pais, Filhos, Avós, Comunidade, Padre, etc…
2-Aposta por uma  Catequese mais Missionária, recebi de graça, vou dar de graça… recebi uma sementinha pequenina, vou partilha-la …
3-Catequese de “primeiro anúncio “, querigmática .
Estas novas realidades,  obrigam a mudar o sistema instalado, como por exemplo : o  ciclo de uma catequese (ver ” Sementes Missionárias”) , interligação mais forte com a Eucaristia e outros Sacramentos, co-responsabilidade de todos, muita humildade , muita comunhão, intergeracionalidade, ecumenismo …»

Cap. IV-Catequese  no Horizonte Evangelizador e Missionário
-Este é um capítulo fundamental para renovar a catequese no nosso tempo: situá-la num horizonte evangelizador. Como avalia as dimensões referidas neste capítulo? Como traduzi-las na prática? Que mudanças implicam?

Resposta de um catequista:
«A  pastoral de manutenção é defunta, não serve para nada. Cada pessoa, cada fiel, pelo Baptismo tem que ser  Evangelizador . Esta caminhada, faz-se caminhado, quem procura Jesus e o “Encontra”, renova-se,  abre-se, sai, parte…
Primeiro, é preciso Encontrar Jesus, o meu  Maior  Amigo…Aquele que também deu e dá  a Vida por mim. Depois, …também se vai descobrindo que “ onde dois ou três estiverem reunidos em meu Nome, Eu estarei no meio deles”, e que, “Este é o Meu Corpo, que será entregue  Vós, fazei isto em memória de Mim”…Aqui está o Mistério!  A catequese tem que ser uma caminhada com Jesus, tal como aconteceu com os Discípulos de Emaús, mas estendida no tempo e em diversos espaços.
A Palavra de Deus é luz e fonte para o caminho, e pela mesma Palavra, nós somos interpelados a  encontrar Cristo no Próximo. Quem leva a”Luz”aos outros, recebe muita mais “Luz”.
A Oração é a cola que estabiliza e tudo congrega, sem ela tudo se dispersa. Alguém  consegue sentir a brisa, os sinais, sem a oração…? E quando caímos? O que nos levanta?»

-Decisivo no processo de catequese é a experiência pessoal do encontro com Cristo. Na vida dos catequistas, na sua concretamente, renova-se e aprofunda-se constantemente este encontro com cristo? Como pode levar o catequista levar a este encontro?

Resposta de um catequista:
«-Na minha vida pessoal, esse encontro com Cristo é permanente, em cada instante. A Bíblia não parou no tempo, ela continua a ser escrita nas nossas vidas, mas é preciso estar atento e aberto  aos sinais e à conversão permanente.
Para ajudar no processo da catequese, da Vida para a Vida…, a “Escola com Jesus” parece ser um bem precioso:
“O programa de formação das crianças da Infância Missionária é conhecido como "Escola com Jesus" e integra o catecismo num processo formativo. Cada tema é desenvolvido em quatro etapas ou áreas: catequese missionária, espiritualidade missionária, serviço missionário e comunhão missionária. Uma vez que se conclui o ciclo, propõe-se um novo tema e começa-se novamente um processo análogo
1-ENCONTROS DE CATEQUESE MISSIONÁRIA :Escuta-se a palavra de Deus, seguindo um estudo sistemático da doutrina contida nela. Neste encontro, as crianças escrevem, desenham, tiram conclusões, memorizam as mensagens principais. Trata-se de um encontro orientado para a reflexão, o estudo e a compreensão daquilo que Deus nos comunica para a nossa missão
Cada encontro possui um carácter específico e, a cada quatro encontros, começa uma nova unidade do grupo, em conformidade com o plano de formação e também tendo em conta os tempos litúrgicos, os eventos paroquiais, etc.
Nestes encontros incluem-se os seguintes elementos:
•Testemunho pessoal: convidam-se as crianças a descrever o modo como assumiram os seus compromissos missionários durante a semana que acaba de passar.
•Proclamação e estudo da Palavra de Deus: utilizam-se para ajudar a compreender a Palavra de Deus, representações, símbolos, gestos.
•Compromisso missionário: no encerramento de cada encontro as crianças comprometem-se em realizar durante essa semana certas actividades, através das quais compartilham com a comunidade mais ampla a Palavra de Deus que elas mesmas receberam.
2-ENCONTROS DE ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA
Refere-se ao segundo encontro, ou seja, à segunda semana. Trata-se da celebração e da experiência daquilo que se aprendeu no primeiro encontro (catequese missionária). O objectivo consiste em interiorizar a mensagem aprendida para vivê-la, celebrá-la e assimilá-la.
Para este encontro, orna-se a casa apropriadamente, conforme o tema. Por exemplo: velas, Bíblias, almofadas, imagens, música… de tal modo que, ao entrarem, as crianças sintam imediatamente que este encontro semanal é diferente. Corresponde mais ao coração que à mente!
Em conformidade com o tema e as circunstâncias, escolhe-se uma dinâmica como actividade central do encontro: "laboratório" de oração, retiro, celebração da Palavra, desenhos bíblicos, celebração da Eucaristia, dinâmicas de sensibilização espiritual, etc. O mais importante é ajudar, tanto na experiência da presença do amor de Deus, como na oração e na celebração da sua Palavra, de maneira a poder adoptá-la progressivamente na vida pessoal e comunitária.
3- ENCONTROS DE SERVIÇO MISSIONÁRIO
Refere-se ao terceiro encontro, isto é, à terceira semana. Aqui, ajudam-se as crianças a passar do "ser" ao "fazer" discípulos para Jesus, ensinando às outras o que elas aprenderam d'Ele. As crianças reconhecem na acção missionária a missão evangelizadora que receberam desde o baptismo e que elas cumprem através dos seus serviços ao próximo, em particular às outras crianças do mundo. Elas fazem amigos para Jesus e, em seu nome, compartilham com as outras crianças o seu pão, especialmente o pão da fé, para ajudá-las nas suas necessidades.
As diversas actividades incluem: o anúncio do Evangelho aos outros; a formação missionária das outras crianças; os serviços aos outros grupos; os serviços missionários na própria família; os serviços missionários na própria escola; as actividades para incentivar a oração e as ofertas em favor das missões do mundo inteiro; a preparação das Celebrações Litúrgicas para as quais se convidam os familiares, amigos, a comunidade, etc.; a comunicação e apoio aos missionários que se encontram em outros países o em outros continentes; as actividades em benefício das crianças necessitadas; o intercâmbio de experiências com o pároco e com outros colaboradores na paróquia; a preparação do material para a animação missionária; as visitas aos enfermos, aos idosos, aos órfãos, etc.
4- ENCONTROS DE COMUNHÃO MISSIONÁRIA
Refere-se ao quarto encontro, ou seja, à quarta semana. Estes encontros são orientados para rever e fortalecer a experiência de comunhão missionária entre as crianças e entre elas e os outros, a fim de criar comunidades eclesiais vivas, dinâmicas e missionárias.
Recomenda-se que esta quarta etapa inclua, algumas vezes, encontros com as famílias das crianças, com outros grupos de crianças, com o pároco e com a sua equipe, com os seus mestres e companheiros, etc.
•Entre as actividades recomendadas incluem-se: festas, passeios, reuniões, jogos e recreações, competições, celebrações de aniversários, etc. “ »

Cap.V: exercícios Práticos  (…)
Cap.VI: Formar Discípulos Missionários
-Que mudanças implica na nossa forma de fazer catequese a preocupação de formar discípulos missionários ?

Resposta de um catequista:
«-A catequese não se faz. A catequese não é um produto industrial…entra o fio…sai a meia!
A catequese Vive-se, a catequese é Vida para a Vida. As nossas paróquias não são comunidades  missionárias (salvo algumas excepções, claro). Toda a comunidade tem que se envolver nesta causa, e todos juntos, conseguiremos nos transformar em Discípulos Missionários!»

Cap. VII: Igreja Mãe e Mestra

Resposta de um catequista:
«-Todos temos que ser “Discípulos” e “Missionários”, aprendendo a estar pregados com Jesus na Cruz, morrendo para a nossa vontade, fazendo a vontade de Jesus.  Mas também temos que partir com alegria, e  anunciar  Jesus Ressuscitado, como Maria Madalena, os  Apóstolos, e todos que se seguiram…»

segunda-feira, 25 de julho de 2016

«Mulher, porque choras»


«Evangelho segundo S. João 20,1-2.11-18.

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro.
Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predileto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram».
E ficou a chorar junto do sepulcro. Enquanto chorava, debruçou-se para dentro do sepulcro
e viu dois Anjos vestidos de branco, sentados, um à cabeceira e outro aos pés, onde estivera deitado o corpo de Jesus.
Os Anjos perguntaram a Maria: «Mulher, porque choras?». Ela respondeu-lhes: «Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram».
Dito isto, voltou-se para trás e viu Jesus de pé, sem saber que era Ele.
Disse-lhe Jesus: «Mulher, porque choras? A quem procuras?». Pensando que era o jardineiro, ela respondeu-Lhe: «Senhor, se foste tu que O levaste, diz-me onde O puseste, para eu O ir buscar».
Disse-lhe Jesus: «Maria!». Ela voltou-se e respondeu em hebraico: «Rabuni!», que quer dizer: «Mestre!».
Jesus disse-lhe: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai.
Vai ter com os meus irmãos e diz-lhes que vou subir para o meu Pai e vosso Pai, para o meu Deus e vosso Deus». Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: «Vi o Senhor». E contou-lhes o que Ele lhe tinha dito.


Comentário do dia:
São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja
Homilia 25

«Mulher, porque choras?»

Maria torna-se testemunha da compaixão de Deus, [...] aquela Maria a quem um fariseu queria quebrar o arroubo de ternura: «Se este homem fosse profeta», exclamava ele, «saberia quem é a mulher que Lhe toca e o que ela é: uma pecadora» (Lc 7,39). Mas as suas lágrimas apagaram-lhe as manchas do corpo e do coração; e ela precipitou-se a seguir os passos do seu Salvador, afastando-se dos caminhos do mal. Estava sentada aos pés de Jesus e escutava-O (Lc 10,39). Vivo, apertou-O nos braços; depois de morto, procurou-O, encontrando vivo Aquele que procurava morto. E encontrou nele tanta graça, que acabou por ser ela a levar a boa nova aos apóstolos, aos mensageiros de Deus!

Que havemos de ver aqui, meus irmãos, senão a infinita ternura do nosso Criador que, para dar novo ânimo à nossa consciência, nos dá constantemente exemplos de pecadores arrependidos. Lanço os meus olhos sobre Pedro, olho para o ladrão, examino Zaqueu, considero Maria, e só vejo neles apelos à esperança e ao arrependimento. A vossa fé foi tocada pela dúvida? Pensai em Pedro, que chora amargamente a sua cobardia. Estais ardendo em cólera contra o vosso próximo? Pensai no ladrão, que em plena agonia se arrepende e ganha a recompensa eterna. A avareza seca-vos o coração? Prejudicastes alguém? Vede Zaqueu, que devolve quatro vezes mais aquilo que tinha roubado. Por causa de uma paixão, perdestes a pureza da carne? Olhai para Maria, que purifica o amor da carne com o fogo do amor divino.

Sim, Deus todo-poderoso oferece-nos constantemente exemplos e sinais da sua compaixão. Enchamo-nos, pois, de horror pelos nossos pecados, mesmo pelos mais antigos. Deus todo-poderoso esquece com facilidade que nós cometemos o mal e está pronto a olhar para o nosso arrependimento como se fosse a própria inocência. Nós que, depois das águas da salvação, nos tínhamos de novo manchado, renasçamos com as nossas lágrimas. [...] O nosso Redentor consolará as vossas lágrimas com a sua alegria eterna. »


“Retirado  do site “Evangelho Quotidiano”  de 22-07-2016”