"da Revista <<bíblica>>, n.º 349 de novembro/dezembro de 2013"
domingo, 22 de dezembro de 2013
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
Ternura de Santo António para com o Menino Jesus
" Bem-aventurados os puros
de coração, porque verão a Deus.... Pensa nuns olhos limpos, que vêem as coisas
com o encantamento do Criador, e nas pessoas sem espírito de desejo ou posse.
Pois bem, só quem for assim há-de ver a Deus! Mas não subas já para o Céu...
Ver a Deus aqui na terra! Esse Deus que deixou na criação a marca da Sua
beleza, da Sua harmonia, da Sua omnipotência na fragilidade, esse Deus que se
fez Menino.
António, nos últimos
dias da sua vida em Camposampiero, teve a visão do Menino Jesus. Depois de uma
vida passada vendo Deus nos irmãos pobres e desprotegidos, teve o prémio de o
ter nos braços. Neste sentido, António é um perfeito discípulo de S. Francisco,
que amou fortemente a humanidade e fragilidade de Deus.
Existe em Camposampiero,
situada dentro da igreja de S. João Baptista, pertencente aos Frades Menores
Conventuais, uma cela, dita cela da visão, parte integrante do convento e agora
meta de peregrinações. Foi ali que Santo António teve a visão do Menino Jesus.
A fonte mais antiga que nos relata o milagre é o liber miraculorum.
O Santo está na cidade,
para um período de pregação. Um devoto oferece hospitalidade. Provavelmente,
para ir ao encontro do hóspede excepcional, o homem aproxima-se do quarto, onde
dorme Santo António. E, quando olha através da janela, vê entre os braços de
Santo António um menino de extraordinária beleza. Entre a criança e Santo
António entrelaçam-se gestos comoventes de ternura. O benfeitor, quase como
prémio da sua cortesia, alegra-se com a maravilhosa visão. Só depois da morte
de Santo António o piedoso homem confessa este milagre (provavelmente trata-se
do conde Tiso VI de Camposampiero). A pequena cela estava situado no pequeno
ermo que o conde Tiso tinha oferecido aos frades. A mesma Assídua - a primeira
biografia de Santo António - diz que, morrendo, Santo António exclamou: Vejo o
meu Senhor.
O nosso Deus, que deixou
no homem a imagem do Seu amor, da Sua inteligência e da Sua liberdade, da Sua
gratuidade e comunhão, quis gratificar Santo António com a Sua presença,
apresentando-se na fragilidade e simplicidade de uma criança, exactamente como
António o tinha servido nos irmãos. Só aquele que se tornar criança terá a
visão de Deus, face a face, sem espelhos e sem disfarces.
Neste lugar, os
peregrinos portugueses, visivelmente comovidos, repensaram nos tempos da sua
própria infância e da própria inocência. Nos ouvidos ecoavam as palavras do
Santo: O Menino não conhece a malícia do mundo; não sabe pecar, não faz mal ao
próximo; não mantém ira; a ninguém odeia; não admira a glória deste mundo; não
faz escolha de pessoas.”
<<Frei João Sartori-Mensageiro de Santo António>>
domingo, 24 de novembro de 2013
sábado, 23 de novembro de 2013
PAPA FRANCISCO-AUDIÊNCIA GERAL
PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013
Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Na quarta-feira passada falei sobre a remissão dos pecados, referida de modo especial ao Baptismo. Hoje aprofundamos o tema da remissão dos pecados, mas em referência ao chamado «poder das chaves», que é um símbolo bíblico da missão que Jesus confiou aos Apóstolos.
Antes de tudo, devemos recordar que o protagonista do perdão dos pecados é o Espírito Santo. Na sua primeira aparição aos Apóstolos, no Cenáculo, Jesus ressuscitado fez o gesto de soprar sobre eles, dizendo: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo 20, 22-23). Transfigurado no seu corpo, Jesus já é o homem novo, que oferece os dons pascais, fruto da sua morte e ressurreição. Quais são estes dons? A paz, a alegria, o perdão dos pecados e a missão, mas sobretudo o Espírito Santo, que é fonte de tudo isto. O sopro de Jesus, acompanhado pelas palavras com as quais comunica o Espírito, indica a transmissão da vida, a vida nova regenerada pelo perdão.
Mas antes de fazer o gesto se soprar e conceder o Espírito, Jesus mostra as suas chagas, nas mãos e no lado: essas feridas representam o preço da nossa salvação. O Espírito Santo concede-nos o perdão de Deus, «passando através» das chagas de Jesus. As feridas que Ele quis conservar; também neste momento, no Céu, Ele mostra ao Pai as chagas com as quais nos resgatou. Em virtude destas feridas, os nossos pecados são perdoados: assim Jesus ofereceu a sua vida pela nossa paz, pela nossa alegria, pelo dom da graça na nossa alma, pelo perdão dos nossos pecados. É muito bom contemplar Jesus assim!
Consideremos o segundo elemento: Jesus concede aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados. É um pouco difícil compreender como um homem pode perdoar os pecados, mas Jesus confere este poder. A Igreja é depositária do poder das chaves, de abrir ou fechar ao perdão. Na sua misericórdia soberana, Deus perdoa cada homem, mas Ele mesmo quis que quantos pertencem a Cristo e à Igreja recebam o perdão mediante os ministros da Comunidade. Através do ministério apostólico, a misericórdia de Deus alcança-me, as minhas culpas são-me perdoadas e é-me conferida a alegria.
Deste modo, Jesus chama a viver a reconciliação também na dimensão eclesial, comunitária. E isto é muito bom! A Igreja, que é santa e ao mesmo tempo carente de penitência, acompanha o nosso caminho de conversão durante a vida inteira. A Igreja não é senhora do poder das chaves, mas é serva do ministério da misericórdia e rejubila todas as vezes que pode oferecer este dom divino.
Talvez muitas pessoas não compreendam a dimensão eclesial do perdão, porque predominam sempre o individualismo e o subjectivismo, e até nós cristãos sentimos isto. Sem dúvida, Deus perdoa cada pecador arrependido, pessoalmente, mas o cristão está unido a Cristo, e Cristo à Igreja. Para nós cristãos há um dom a mais, há sempre um compromisso a mais: passar humildemente através do ministério eclesial. Devemos valorizá-lo; é uma dádiva, uma atenção, uma salvaguarda e também a certeza de que Deus me perdoou. Vou ter com o irmão sacerdote e digo: «Padre, cometi isto...». E ele responde: «Mas eu perdoo-te; Deus perdoa-te!». Naquele momento, estou convicto de que Deus me perdoou! E isto é bom, é ter a segurança que Deus nos perdoa sempre, nunca se cansa de perdoar. E não devemos cansar-nos de ir pedir perdão. Podemos ter vergonha de confessar os nossos pecados, mas as nossas mães e avós já diziam que é melhor corar uma vez do que empalidecer mil vezes. Coramos uma vez, mas os pecados são-nos perdoados e vamos em frente.
Enfim, um último ponto: o sacerdote, instrumento para o perdão dos pecados. O perdão de Deus, que nos é concedido na Igreja, é-nos transmitido mediante o ministério do nosso irmão, o sacerdote; também ele, um homem que como nós precisa de misericórdia, se torna verdadeiramente instrumento de misericórdia, comunicando-nos o amor ilimitado de Deus Pai. Inclusive os presbíteros e os Bispos devem confessar-se: todos nós somos pecadores. Também o Papa se confessa a cada quinze dias, porque inclusive o Papa é pecador. O confessor ouve os pecados que lhe confesso, aconselha-me e perdoa-me, porque todos nós precisamos deste perdão. Às vezes ouvimos certas pessoas afirmar que se confessam directamente com Deus... Sim, como eu dizia antes, Deus ouve sempre, mas no sacramento da Reconciliação envia um irmão a trazer-nos o perdão, a segurança do perdão em nome da Igreja.
O serviço que o sacerdote presta como ministro, por parte de Deus, para perdoar os pecados é muito delicado e exige que o seu coração esteja em paz, que o presbítero tenha o coração em paz; que não maltrate os fiéis, mas que seja manso, benévolo e misericordioso; que saiba semear esperança nos corações e sobretudo que esteja consciente de que o irmão ou a irmã que se aproxima do sacramento da Reconciliação procura o perdão, e fá-lo como as numerosas pessoas que se aproximavam de Jesus para serem curadas. O sacerdote que não tiver esta disposição de espírito é melhor que, enquanto não se corrigir, não administre este Sacramento. Os fiéis penitentes têm o direito, todos os fiéis têm o direito de encontrar nos sacerdotes servidores do perdão de Deus.
Caros irmãos, como membros da Igreja estamos conscientes da beleza desta dádiva que o próprio Deus nos concede? Sentimos a alegria deste esmero, desta atenção materna que a Igreja tem por nós? Sabemos valorizá-la com simplicidade e assiduidade? Não esqueçamos que Deus nunca se cansa de nos perdoar; mediante o ministério do sacerdote, Ele aperta-nos num novo abraço que nos regenera e nos permite erguer-se de novo e retomar o caminho. Porque esta é a nossa vida: devemos erguer-nos sempre de novo e retomar o caminho!
domingo, 17 de novembro de 2013
Santidade uma meta para todos…
Ser cristão e não querer ser santo faz sentido? (...) Ser
cristão, e não desejar que todos sejam santos é aceitável? (...) Obviamente que
não. A “Santidade” é o “máximo” e o “mínimo” de todos os cristãos. É o “máximo”
porque bem sabemos que Santo só é o Senhor que nos criou, seu Filho que nos
remiu e o Espirito Santo que nos santifica. A Santidade plena não é atingida por nós, mas é
um “mínimo”, uma exigência, porque tudo devemos fazer para imitar Jesus, tudo devemos
fazer para que a vontade de Deus seja cumprida em nós próprios e em todos.
Pelo Batismo nos tornamos em novas criaturas, santos do Santo. Em primeiro lugar, é pela Graça de
Deus que somos santos, é iniciativa de Deus, uma oferta, um dom precioso, foi Jesus que nos
ofereceu a sua Vida; mas também é verdade que nos compete aceitar ou não essa
Oferta, essa Entrega total. "Amor com amor se paga", diz o ditado, e daí nasce a
questão: -sou grato ou ingrato? Quero ser santo ou não?
É cristão o peregrino que caminha para a santidade. Ainda
que, por vezes, seja ingrato para com Jesus, ele sabe que só é feliz louvando o
Senhor para sempre. Ninguém se justifica
sozinho, foi Ele que nos resgatou e nos branqueou com o Seu Sangue. Jesus detesta
o pecado mas muito amou e ama o pecador:
Há muito que nos resgatou(…). O Pai também ama os filhos que andaram por caminhos
errados . Ainda sem cada um destes filhos o saber, o Pai já o esperava e tinha guardado para ele aquele
abraço, que, sem palavras, tudo cura e perdoa. E então faz-se a festa, mata-se o
vitelo gordo, a alegria nasce de novo.
O cristão procura a Verdade que é o Verbo Encarnado que
habitou entre nós (…) quem caminha com a Palavra de Deus e se vai convertendo a
Ela, caminha na santidade. Quem vive com sinceridade os Sacramentos, já experimenta a santidade e a alegria de ser
santo na comunhão dos Santos.
Ser santo é aceitar ser criança de novo, confiando inteiramente
no Pai.
(Diac. José
Luís Leão)
<<Louvor ao nosso
Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro. A bênção, a glória, a
sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força ao nosso Deus, pelos
séculos dos séculos.Amen.>>
Ap7,10.12
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
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