XVII - Domingo do Tempo Comum -Ano A
Texto Sagrado: Mateus 13,44-52
Os estudos sociológicos indicam que a crise religiosa na
Europa caminha para uma «indiferença» crescente — uma indiferença silenciosa,
alheia a qualquer consideração sobre Deus. No entanto, um número cada vez maior
de pessoas, impulsionadas por um certo "anseio por Deus", sente a
necessidade de procurar "algo diferente", uma nova forma de acreditar
n'Ele. Como se procura Deus?
Sem dúvida, cada pessoa deve partir da sua própria
experiência. Não é necessário copiar os outros, nem fazer algo forçado ou
artificial. Cada um conhece os seus desejos e fragilidades, os seus vazios e os
seus medos. Cada um conhece a sua própria "necessidade" de Deus. A
voz d'Ele nunca se cala; Não grita com os lábios, mas sussurra aos nossos
corações.
É precisamente por isso que procurar Deus externamente — em
livros, argumentos ou debates — não chega. "Discutir religião" é uma
coisa; procurar Deus com um coração sincero é algo bem diferente. Percebemos
por nós mesmos quando estamos a fugir de Deus e quando estamos verdadeiramente
a procurá-Lo. Santo Agostinho exprimiu-o assim: "Não te disperses.
Volta-te para o teu interior. A verdade habita no homem interior".
Procurar Deus exige esforço, mas o encontro com Ele nunca é
fruto de uma vontade fanática ou de um ascetismo forçado. Deus é um dom, e o
que importa é acolhê-Lo com "simplicidade de alma". Lembremos a
reflexão da velha prioresa na obra *Diálogos das Carmelitas*, de Georges
Bernanos: "Uma vez deixada para trás a infância, é preciso sofrer muito
para retornar a ela — assim como a aurora só reaparece após uma longa noite.
Terei eu me tornado criança novamente?"
Não é sensato procurar Deus confiando apenas nas próprias
intuições. Há muitas formas de se enganar ou de permanecer preso a um ciclo de
egocentrismo, focado apenas nos próprios sentimentos e ideias. Por isso, é
melhor partilhar e comparar a própria experiência com alguém que nos possa
guiar com base na sua própria vivência de Deus. Esta partilha mútua pode ser o
melhor incentivo para continuar a procurá-Lo. Na sua parábola do "tesouro
escondido no campo", Jesus fala do homem que, "cheio de
alegria", vende tudo o que possui para adquirir o tesouro. Procurar a Deus
não gera tristeza nem amargura; Pelo contrário, isto gera alegria e paz, pois a
pessoa começa a descobrir onde reside a verdadeira felicidade. Lembremo-nos de
Santo Agostinho: "Só aquilo que faz uma pessoa boa a pode fazer
feliz."
26 de julho
José Antonio
Pagola"
Imagem: Propriedade do blog.
Texto: Retirado da partilha da página Facebook de José António Pagola-17º Domingo de Páscoa-Ano A, em 25.07.2026. Tradução livre

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