"O Evangelho de João 20,19-23 nos convida a reconhecer que, muitas vezes, também nós nos encontramos como os discípulos: fechados, com medo, inseguros diante dos acontecimentos da vida. Carregamos preocupações, dúvidas e feridas que nos fazem recuar e nos proteger. No entanto, é justamente nesse espaço de fragilidade que o Ressuscitado se faz presente. Ele não espera que estejamos prontos ou fortes; entra em nossa realidade tal como ela é e se coloca no meio de nós.
Sua primeira palavra é de paz: “A paz esteja convosco” (v. 19). Não se trata de uma saudação comum, mas de um dom profundo que devolve sentido à vida. Quando acolhemos essa presença, algo muda dentro de nós: o medo começa a dar lugar à confiança, e a tristeza se abre à alegria.
Jesus mostra suas feridas, revelando que a dor não é apagada, mas transformada. Isso nos ajuda a compreender que também as nossas feridas podem se tornar lugar de encontro com Deus, espaço de cura e de esperança. Não precisamos escondê-las, pois o Senhor as conhece e as assume conosco.
Em seguida, Ele nos envia: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (v. 21). A experiência do encontro com Cristo não nos fecha em nós mesmos, mas nos coloca em movimento. Somos chamados a levar aos outros aquilo que recebemos: a paz, a misericórdia, a esperança.
Para isso, Ele nos dá o seu Espírito. É o Espírito Santo que nos fortalece, nos orienta e nos sustenta no caminho. Não caminhamos sozinhos; somos conduzidos por essa presença viva que nos capacita a viver como discípulos.
Por fim, Jesus nos confia o perdão (v. 23). Em um mundo marcado por divisões e feridas, somos chamados a ser instrumentos de reconciliação. Perdoar não é fácil, mas é caminho de libertação e de vida nova, para nós e para os outros.
Assim, este evangelho nos convida a abrir as portas do coração, a acolher a presença do Ressuscitado e a permitir que Ele transforme nossos medos em paz, nossas feridas em esperança e nossa vida em missão."
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Texto: Retirado da partilha da página Facebok de Eliseu Wisniewski em 12.04.2026.

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