domingo, 29 de maio de 2022

Oração ao Espírito Santo


 Oração ao Espírito Santo por um novo Pentecostes pessoal

 

Senhor Espírito Santo, eu creio em Ti.

Eu creio que Tu és o Amor que une o Pai e o Filho.

Eu creio que Tu és Aquele que gerou Jesus

no ventre da Virgem Maria.

Eu creio que Tu és a força do alto,

prometida por Jesus aos seus discípulos.

Eu creio que Tu és o fogo que desceu

sobre os apóstolos e a Virgem Maria no Pentecostes.

 

Senhor Espírito  Santo creio que sem Ti nada posso fazer;

sem Ti, não posso responder plenamente

ao apelo de seguir Jesus e servir os meus irmãos.

Sei que te recebi no dia do meu baptismo e da minha

confirmação, mas vejo que até agora, não deixei espaço

suficiente para Ti na minha vida.

É por isso que, Senhor Espírito Santo,

neste dia eu quero abrir-te o meu coração.

Faz-me viver um novo Pentecostes pessoal.

Vem tomar posse da minha vida, do meu corpo

e da minha alma, da minha vontade, da minha inteligência,

da minha sensibilidade. Eu me entrego a Ti.

 

Guia-me, ilumina-me, e aconselha-me, apoia-me, envia-me.

Vem confirmar em mim o que deve ser fortalecido.

Vem ajudar-me a converter em mim o que precisa ser mudado.

Dá-me todos os dons que preciso para servir os meus

irmãos e arder de amor por eles.

 

Usa-me como quiseres.

Estou pronto para ser teu instrumento.

Senhor Espírito Santo, entrego-Te todas as minhas feridas,

todos os meus medos, todos os meus limites, todos os

meus egoísmos. Sê minha força na luta, minha fidelidade na

prova, minha alegria na oferta de mim mesmo. Mostra-me o

caminho para a felicidade e capacita-me a segui-lo.

Numa palavra, Senhor Espírito Santo,

sê Tu mesmo a minha santidade e torna-me

uma jubilosa testemunha de Cristo.

Espírito Santo, eu confio em Ti. Amén.

 

Oração- retirada do Forum 2022 da Comunidade Emanuel – “Na força do Espírito” – foi desenvolvido por um irmão belga da Comunidade Emanuel , o Jean-Luc Moens, que até há poucos meses era também o Moderador Internacional da Charis.

Imagem-retirada da "google imagens" em 29.05.2022


sábado, 14 de maio de 2022

Espírito Santo, vem, dá nos tua luz

Chamados para construir a família humana

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O 59º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

[8 de maio de 2022 - IV Domingo de Páscoa]

«Chamados para construir a família humana»

Queridos irmãos e irmãs!

Nos dias que correm, enquanto continuam a soprar os ventos gélidos da guerra e da opressão e frequentemente testemunhamos fenómenos de polarização, prosseguimos como Igreja o processo sinodal iniciado: sentimos urgente necessidade de caminhar juntos cultivando as dimensões da escuta, participação e partilha. Juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade, queremos contribuir para construir a família humana, curar as suas feridas e projetá-la para um futuro melhor. Nesta perspetiva, para o LIX Dia Mundial de Oração pelas Vocações, desejo refletir convosco sobre o amplo significado da «vocação», no contexto duma Igreja sinodal que se coloca à escuta de Deus e do mundo.

Todos chamados a ser protagonistas da missão

A sinodalidade, o caminhar juntos é uma vocação fundamental para a Igreja e, só neste horizonte, é possível descobrir e valorizar as diversas vocações, carismas e ministérios. Ao mesmo tempo, sabemos que a Igreja existe para evangelizar, saindo de si mesma e espalhando a semente do Evangelho na história. Ora esta missão é possível precisamente colocando em sinergia todas as áreas pastorais e, antes ainda, envolvendo todos os discípulos do Senhor. Com efeito, «em virtude do Batismo recebido, cada membro do Povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 120). É preciso acautelar-se da mentalidade que separa sacerdotes e leigos, considerando protagonistas os primeiros e executores os segundos, e levar por diante a missão cristã, conjuntamente, leigos e pastores como único Povo de Deus. Toda a Igreja é comunidade evangelizadora.

Chamados a ser guardiões uns dos outros e da criação

A palavra «vocação» não deve ser entendida em sentido restrito, referindo-a apenas àqueles que seguem o Senhor pelo caminho duma consagração específica. Todos somos chamados a participar na missão de Cristo de reunir a humanidade dispersa e reconciliá-la com Deus. De modo mais geral, cada pessoa humana, antes ainda de viver o encontro com Cristo e abraçar a fé cristã, recebe com o dom da vida um chamamento fundamental: cada um de nós é uma criatura querida e amada por Deus, objeto dum pensamento único e especial d’Ele e somos chamados a desenvolver, ao longo da nossa vida, esta centelha divina que mora no coração de cada homem e mulher, contribuindo para fazer crescer uma humanidade animada pelo amor e mútuo acolhimento. Somos chamados a ser guardiões uns dos outros, a construir laços de concórdia e partilha, a curar as feridas da criação para que não seja destruída a sua beleza. Em suma, tornamo-nos uma família na maravilhosa casa comum da criação, na variedade harmoniosa dos seus elementos. Neste sentido amplo, não só os indivíduos mas também os povos, as comunidades e as agregações dos mais variados géneros têm uma «vocação».

Chamados a acolher o olhar de Deus

Nesta grande vocação comum, insere-se a chamada mais particular que Deus nos dirige, alcançando a nossa existência com o seu Amor e orientando-a para a sua meta definitiva, para uma plenitude que ultrapassa até mesmo o limiar da morte. Assim quis Deus olhar, e olha, para a nossa vida.

As seguintes palavras são atribuídas a Miguel Ângelo Buonarroti: «No interior de cada bloco de pedra, há uma estátua, cabendo ao escultor a tarefa de a descobrir». Se tal pode ser o olhar do artista, com muito mais razão assim nos vê Deus: naquela jovem de Nazaré, viu a Mãe de Deus; no pescador Simão, filho de Jonas, viu Pedro, a rocha sobre a qual podia construir a sua Igreja; no publicano Levi, entreviu o apóstolo e o evangelista Mateus; em Saulo, cruel perseguidor dos cristãos, viu Paulo, o apóstolo dos gentios. O seu olhar de amor sempre nos alcança, toca, liberta e transforma, fazendo com que nos tornemos pessoas novas.

Esta é a dinâmica de cada vocação: somos alcançados pelo olhar de Deus, que nos chama. A vocação – como aliás a santidade – não é uma experiência extraordinária reservada a poucos. Tal como existem «os santos ao pé da porta» (Francisco, Exort. ap. Gaudete et exsultate, 6-9), assim também a vocação é para todos, porque todos são olhados com amor e chamados por Deus.

Diz um provérbio do Extremo Oriente: «Um sábio, ao olhar o ovo, sabe ver a águia; ao olhar a semente, vislumbra uma grande árvore; ao olhar um pecador, sabe entrever um santo». É assim que Deus nos olha: em cada um de nós, vê potencialidades, às vezes ignoradas por nós mesmos, e atua incansavelmente, ao longo da nossa vida, a fim de as podermos colocar ao serviço do bem comum.

Assim a vocação nasce, graças à arte do Escultor divino que, com as suas «mãos», nos faz sair de nós mesmos, para que se delineie em nós a obra-prima que somos chamados a ser. Particularmente capaz de nos purificar, iluminar e recriar é a Palavra de Deus, que nos liberta do egocentrismo. Coloquemo-nos, pois, à escuta da Palavra, para nos abrirmos à vocação que Deus nos confia! E aprendamos a escutar também os irmãos e irmãs na fé, porque nos seus conselhos e exemplo pode esconder-se a iniciativa de Deus, que nos indica estradas sempre novas a percorrer.

Chamados a responder ao olhar de Deus

O olhar amoroso e criador de Deus alcançou-nos de forma singular em Jesus. Ao falar do jovem rico, o evangelista Marcos observa: «Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele» (10, 21). O mesmo olhar de Jesus, cheio de amor, pousa sobre cada um de nós. Irmãos e irmãs, deixemo-nos tocar por este olhar e ser levados por Ele para além de nós mesmos! E aprendamos também a olhar de tal modo um para o outro que as pessoas com quem vivemos e as que encontramos – sejam elas quem forem – possam sentir-se acolhidas e descobrir que há Alguém que as olha com amor, convidando-as a desenvolverem todas as suas potencialidades.

A nossa vida muda quando acolhemos este olhar. Tudo se torna um diálogo vocacional entre nós e o Senhor, mas também entre nós e os outros. Um diálogo que, vivido em profundidade, nos faz tornar cada vez mais aquilo que somos: na vocação ao sacerdócio ordenado, ser instrumento da graça e da misericórdia de Cristo; na vocação à vida consagrada, ser louvor de Deus e profecia de nova humanidade; na vocação ao matrimónio, ser dom mútuo e geradores e educadores da vida; em cada vocação e ministério na Igreja, em geral, que nos chama a olhar os outros e o mundo com os olhos de Deus, servir o bem e difundir o amor com as obras e as palavras.

A propósito, desejo mencionar aqui a experiência do Dr. José Gregório Hernández Cisneros. Quando trabalhava como médico em Caracas, na Venezuela, quis tornar-se irmão terceiro franciscano. Mais tarde, pensou em tornar-se monge e sacerdote, mas a saúde não lho permitiu. Compreendeu então que a sua vocação era precisamente a profissão médica, na qual se prodigalizou especialmente a favor dos pobres. E, sem reservas, dedicou-se aos doentes atingidos pela epidemia de gripe chamada «espanhola», que então alastrava pelo mundo. Morreu atropelado por um carro, ao sair duma farmácia aonde fora buscar remédios para uma idosa, sua paciente. Testemunha exemplar do que significa acolher a vocação do Senhor aderindo plenamente à mesma, foi beatificado há um ano.

Convocados para construir um mundo fraterno

Como cristãos, não só somos chamados, isto é, interpelados cada qual pessoalmente por uma vocação, mas também con-vocados. Somos como os ladrilhos dum mosaico, belos já quando vistos um a um, mas só juntos é que formam uma imagem. Brilhamos, cada um e cada uma de nós, como uma estrela no coração de Deus e no firmamento do universo, mas somos chamados a compor constelações que orientem e iluminem o caminho da humanidade, a partir do ambiente onde vivemos. Tal é o mistério da Igreja: na convivência das diferenças, ela é sinal e instrumento daquilo a que toda a humanidade é chamada. Para isso, a Igreja deve tornar-se cada vez mais sinodal: capaz de caminhar unida na harmonia das diversidades, onde todos têm a sua própria contribuição para dar e podem participar ativamente.

Portanto, quando falamos de «vocação», não se trata apenas de escolher esta ou aquela forma de vida, votar a própria existência a um determinado ministério ou seguir o encanto do carisma duma família religiosa, dum movimento ou duma comunidade eclesial; mas trata-se sobretudo de realizar o sonho de Deus, o grande desígnio da fraternidade que Jesus tinha no coração quando pediu ao Pai «que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Cada vocação na Igreja e, em sentido largo, também na sociedade, concorre para um objetivo comum: fazer ressoar entre os homens e as mulheres aquela harmonia dos múltiplos e variados dons que só o Espírito Santo sabe realizar. Sacerdotes, consagradas e consagrados, fiéis leigos, caminhemos e trabalhemos juntos, para testemunhar que uma grande família humana unida no amor não é uma utopia, mas o projeto para o qual Deus nos criou!

Rezemos, irmãos e irmãs, para que o Povo de Deus, no meio das dramáticas vicissitudes da história, corresponda cada vez mais a esta vocação. Invoquemos a luz do Espírito Santo, para que cada um e cada uma de nós possa encontrar o respetivo lugar e dar o melhor de si neste grande desígnio!

Roma, São João de Latrão, no IV Domingo de Páscoa, 8 de maio de 2022.

Francisco

Texto: Retirado do Site do Vaticano em 14.05.2022- http://www.vatican.va/

Imagem: Retirada da "Google imagens" em 14.05.2022

domingo, 17 de abril de 2022


  "Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria!"

Votos de Santa Páscoa 2022!

sábado, 16 de abril de 2022

Ressuscitei

Voici le jour du Seigneur | Pâques


Santa Páscoa!

O que o "Sábado Santo" nos ensina?

“No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo...” (Jo 19,41 

É Sábado e Jerusalém voltou à sua normalidade: nada mudou, ao menos aparentemente, na história. Silêncio gélido, desconcerto, frustração e indiferença cobrem a cidade santa como um manto de densa neblina.

Como seguidores(as) de Jesus vivemos nossos adventos, natais, quaresmas, páscoas e pentecostes; vivemos nossas sextas-feiras; é preciso aprender a viver o incômodo silêncio dos sábados santos.

No caminho do seguimento de Jesus há “Sábados Santos”, tanto no nível pessoal como comunitário: passamos por contínuas mortes, noites escuras, crises, silêncios carregados de tristeza, falta de esperança, dúvidas de fé, fracassos, traumas...

A humanidade inteira vive um grande “Sábado Santo”; há uma espera angustiada dos povos. Envolve-nos a “noite sabática”, que deve realimentar a paixão pela vida.

Sábado Santo da dor, da tristeza, do fracasso..., mas também Sábado Santo da espera e da esperança. É o Sábado Santo que nos abre às surpresas de Deus. 

Onde encontrar, então, a razão, o segredo e o sentido deste dia que dá a sensação de um “dia morto”?

Certamente está neste fato: se o Crucificado não tivesse descido até os “infernos” da vida, em quem os homens e as mulheres que ali vivem poderiam se apoiar? A quem poderiam ter por companheiro, amigo e irmão? De quem poderiam sentir uma presença consoladora?

Somente porque Jesus desceu nos “infernos” da vida é que pode salvar-nos deles, transformá-los em caminho. “Porque foi provado no sofrimento, pode ajudar os que são provados” (Heb. 2,18).

Os “crucificados da história”, os sofredores e as vítimas são lugar de encontro, sempre e para todos; eles são sacramento do mundo que Jesus veio transformar, porque não corresponde ao que o Pai sonhou a respeito deste mesmo mundo; são um compromisso obrigatório para encontrar Aquele que viveu a verdadeira Paixão em favor da vida.

Talvez nem todos possamos estar ao lado das vítimas e dos últimos, próximos deles, participando de sua vida. No entanto, todos devemos estar a favor deles, junto Àquele que, na sua morte, faz-se solidário com todos e caminha ao lado de todos eles.

As “mediações” que Deus utiliza em sua ação salvífica são o amor humilde, a pobreza solidária e a participação no sofrimento humano. Loucuras do amor de Deus. Só o amor que se entrega, salva. 

É em sua morte na Cruz que Jesus desce até o extremo de sua condição humana. Com estas duas palavras, “descer” e “subir”, o evangelista João descreve o mistério da Redenção realizada por Cristo.

                      “Ninguém subiu ao céu senão Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” (Jô. 3,13)

A Igreja primitiva viu a “descida entre os mortos” como paradigma da Redenção. No Sábado de Aleluia, ela lembra este “descer” às profundezas da terra e da humanidade.

Na “descida aos infernos”, lá onde o ser humano chegou ao extremo, onde ele se encontra excluído de toda comunicação e comunhão, onde não pode fazer mais coisa alguma, aí Jesus o toma pelas mãos e ressurge com ele para a vida. Jesus Cristo acolheu tudo quanto é humano e desta maneira tudo redimiu. Ele “subiu” ao céu porque “desceu” às profundezas da terra. 

A descida aos “infernos” é imagem da descida de Jesus às regiões sombrias de nossa existência.

Descobrimo-Lo presente nos nossos “infernos interiores. As profundezas de nosso ser se iluminam, e tudo quanto foi reprimido, recalcado, ferido... é tocado e assumido por Jesus e nos desperta para a vida.

É preciso descer, com Jesus, ao túmulo de nossa interioridade, transitar pelos espaços e dimensões não integradas. Só quem desce às profundezas de si mesmo é capaz de vislumbrar potencialidades de vida que não foram ativadas. É preciso morrer ao “ego”, “descer” aos “infernos” interiores e sociais para expandir a vida em novas direções.

“Descer” “subir”, portanto, são imagens para descrever o processo de transformação realizado por Jesus morto, e também sepultado, no interior de cada um de nós.

Se com Ele quisermos subir ao Pai, temos primeiro de descer com Ele à terra, afundar os pés na nossa própria condição humana. Não podemos subir ao céu se não estivermos dispostos a descer com Jesus aos nossos “húmus”às nossas sombras, à condição terrena, ao inconsciente, à nossa fraqueza humana.

Nós “subimos” a Deus quando “descemos” à nossa humanidade. Este é o caminho da liberdade, este é o caminho do amor e da humildade, da mansidão e da misericórdia.

coração, a quem nada do que é “humano” lhe é estranhoalarga-se, enche-se do amor de Deus, que transforma e ressuscita tudo o que é humano.

Ao fazer, junto com Jesus Cristo, o caminho da “descida”, vamos ao encontro de nossa realidade e nos colocamos diante de Deus para que Ele transforme em amor tudo quanto em nós existe, para que sejamos totalmente perpassados pelo Espírito de Deus. 

O evangelista João nos diz que Jesus, após sua crucifixão, foi colocado em um “sepulcro novo”.

O sepulcro representa a “passagem” entre o antigo e o novo. Ao ser fechado com uma pedra, no entardecer da Sexta-Feira Santa, encerrava-se um ciclo. Ao se abrir, na madrugada do domingo, inaugura-se um novo tempo, uma nova Criação. Os sinais estão ali, no ventre aberto da Terra. Sinais que podem ser mudos para nós e fazendo-nos deter no passado, ou podem ser umbral de novas significações.

Neste Sábado Santo, situemo-nos junto ao sepulcro, lugar onde tivemos os últimos sinais ou notícias d’Aquele que foi fiel até o fim. Ali podemos permanecer com as velhas interpretações ou podemos nos dispor a acolher a surpresa que irrompe, o novo que quebra o que é caduco e sem sentido.

“O Sábado Santo é o tempo de uma gravidez: podemos dizer de uma “segunda gestação” de Jesus Cristo. Se a “primeira gestação” de Jesus foi a entrada de Deus na carne humana, no Shábbat se gesta a divinização do ser humano e da história na carne de Deus. O sepulcro é o ventre da terra onde foi sepultado o cadáver de Jesus. Nesse corpo inerte, torturado e deformado, acontecerá uma metamorfose. Ali a matéria se divinizará. Toda a criação, contida na corporeidade de Jesus, é chamada a ressuscitar. O Verbo se fez carne para que a Carne se divinize.

Tudo isso acontecerá secreta e simbolicamente entre o Shábbat e a alvorada de uma nova criação. A terra está ameaçada e grávida de ressurreição.

O Sepulcro era novo, dizem os relatos, como virgem era o ventre de Maria. Disponível, inocente, livre. O vazio como possibilidade, como fecundidade: “Feliz tu, cheia de graça, porque está vazia de ti mesma. Teu espaço interior te faz matriz do Verbo, da Palavra pela qual Deus se historiza”.

Assim como as entranhas de Maria albergaram o primeiro nascimento de Jesus, as entranhas da Terra e da história albergam as sementes de seu segundo nascimento.

O sepulcro é uma manjedoura de vida nova, de humanidade inaugurada por uma Presença nascente. Tudo está grávido de ressurreição”.

(Javier Melloni – El Cristo interior – Herder). 

Textos bíblicos:  Jo 19,38-42   Mc 15,42-47 

Sábado Santo ajuda a dar sentido à solidão: há solidão vazia, que deprime, mas há solidão (solitude) que nos faz ter acesso às dimensões desconhecidas de nossa vida... As experiências de fracasso, de crise, de desolação... ativam outros recursos e nos motivam a purificar nossa adesão a Deus.

Santo Inácio de Loyola nos convida a passar este dia na casa de Maria, em comunhão com seus sentimentos e sua esperança.

É a única que tem certeza de que a Vida do seu Filho não permanece na morte.

Sua atitude revela-se antecipadora da Ressurreição, assim como ela antecipou o primeiro “sinal” de Jesus nas Bodas de Caná.

Pe. Adroaldo Palaoro sj

16.04.22

Texto e Imagem- Retirado do site - "CATEQUESEHoje -  www.catequesehoje.org.br ", em 16.04.2022 - Um site de Catequese do Brasil, com muita qualidade!