sábado, 25 de setembro de 2021
Jesus não dispensa a tua presença...
«Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: "Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar". E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo". Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres"» (Mt 26, 36-39).
Texto: Retirado
do Site do Vaticano em 25.09.2021- http://www.vatican.va/
Imagem: Retirada da "Google imagens" em 25.09.2021-“Recriação da Paixão de Cristo em Vilar Maior”
Pastores na Europa: refletir, reconstruir, ver…
CONCELEBRAÇÃO
EUCARÍSTICA
COM OS
PARTICIPANTES NA ASSEMBLEIA PLENÁRIA DO CONSELHO
DAS
CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS DA EUROPA
(C.C.E.E.)
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Temos três verbos que, hoje, nos oferece a Palavra de Deus e que
nos interpelam como cristãos e pastores na Europa: refletir, reconstruir, ver.
Refletir é
a primeira coisa que o Senhor convida a fazer por meio do profeta Ageu:
«Refleti, no vosso coração, sobre o caminho que tomastes». Di-lo duas vezes ao
povo (Ag 1, 5.7). E sobre que aspetos do seu caminho devia refletir
o povo de Deus? Ouçamos o que diz o Senhor: «É então tempo para vós habitardes
em casas confortáveis, enquanto esta casa está em ruínas?» (1, 4). Regressado
do exílio, o povo preocupara-se por arranjar as suas casas; agora contenta-se
com viver cómodo e tranquilo em casa, enquanto o templo de Deus está em ruínas
e ninguém o reconstrói. Este convite a refletir interpela-nos: de facto, também
hoje na Europa nós, cristãos, somos tentados a acomodar-nos nas nossas
estruturas, nas nossas casas e nas nossas igrejas, nas nossas seguranças
proporcionadas pelas tradições, na satisfação por um certo consenso, enquanto
em redor os templos se esvaziam e Jesus fica cada vez mais esquecido.
Reflitamos! Quantas pessoas deixaram de ter fome e sede de Deus!
Não porque sejam más, mas porque falta quem lhes abra o apetite da fé e
reacenda a sede que há no coração do homem: aquela «concriada e já perpétua
sede» de que fala Dante (Paraíso, II, 19) e que a ditadura do consumismo
– ditadura leve, mas sufocante – tenta extinguir. Muitos são levados a sentir
apenas necessidades materiais, não a falta de Deus. E com certeza
preocupamo-nos com isso, mas verdadeiramente quanto nos importamos? É fácil
julgar quem não crê, é cómodo elencar os motivos da secularização, do
relativismo e de tantos outros ismos, mas no fundo é estéril. A
Palavra de Deus leva-nos a refletir sobre nós mesmos: sentimos amizade e
compaixão por quem não teve a alegria de encontrar Jesus ou a perdeu? Estamos
tranquilos porque no fundo não nos falta nada para viver, ou inquietos ao ver
tantos irmãos e irmãs longe da alegria de Jesus?
E o Senhor, por meio do profeta Ageu, pede ao povo para refletir
sobre outra coisa. Diz assim: «Comestes mas não vos saciastes; bebestes, mas
não apagastes a vossa sede; vestistes-vos, mas não vos aquecestes» (1, 6).
Enfim, o povo tinha tudo o que queria, e não era feliz. Que lhe faltava? No-lo
sugere Jesus com palavras que parecem recalcar as de Ageu: «Tive fome e não me
destes de comer, tive sede e não me destes de beber, (…) estava nu e não me
vestistes» (Mt 25, 42-43). A falta de caridade causa infelicidade,
porque só o amor sacia o coração. Só o amor sacia o coração. Fechados no
interesse pelas próprias coisas, os habitantes de Jerusalém perderam o
sabor da gratuidade. Também este pode ser o nosso problema: concentrar-se
sobre as várias posições da Igreja, os debates, as agendas e estratégias, e
perder de vista o verdadeiro programa que é o do Evangelho: o zelo da caridade,
o ardor da gratuidade. O caminho de saída dos problemas e fechamentos é
sempre o do dom gratuito; não há outro. Reflitamos nisto.
E depois de ter refletido, temos o segundo passo: reconstruir. «Reedificai a
[minha] casa»: pede Deus através do profeta (Ag 1, 8). E o povo
reconstrói o templo. Cessa de contentar-se com um presente tranquilo, e
trabalha para o futuro. E como havia gente que era contrária, diz-nos o Livro
das Crónicas que trabalhavam com uma mão nas pedras, para construir, e a outra
na espada, para defender este processo de reconstrução. Não foi fácil
reconstruir o templo. Disto precisa a construção da casa comum europeia: deixar
as conveniências do imediato para voltar à visão clarividente dos pais
fundadores, uma visão – atrever-me-ia a dizer – profética
e de conjunto, porque não procuravam os consensos do momento, mas sonhavam
o futuro de todos. Assim foram construídas as paredes da casa europeia e só as,
é verdade sim se poderão robustecer. O mesmo vale também para a Igreja, casa de
Deus. Para torná-la bela e acolhedora, é necessário olhar juntos para o futuro,
não restaurar o passado. Infelizmente está na moda aquele “restauracionismo” do
passado que nos mata, que nos mata a todos. Sem dúvida, devemos partir dos
alicerces, das raízes – isto sim, é verdade –, porque dali se reconstrói: a
partir da tradição viva da Igreja, que nos alicerça sobre o essencial, ou seja,
o anúncio feliz, a proximidade e o testemunho.
Daqui se reconstrói: a partir dos alicerces da Igreja dos primórdios e de
sempre, da adoração de Deus e do amor ao próximo, não a partir dos próprios
gostos de cada um, nem dos pactos e negociações que se possam fazer agora –
digamos – para defender a Igreja e defender a cristandade.
Amados Irmãos, quero agradecer-vos por este trabalho não fácil de
reconstrução, que realizais com a graça de Deus. Obrigado por estes primeiros
50 anos ao serviço da Igreja e da Europa. Encorajemo-nos, sem nunca ceder ao
desânimo e à resignação: somos chamados pelo Senhor a uma obra esplêndida, a
trabalhar para que a sua casa seja cada vez mais acolhedora, para que cada um
possa entrar e viver nela, para que a Igreja tenha as portas abertas a todos e
ninguém se sinta tentado a concentrar-se apenas em olhar e trocar as
fechaduras. As pequenas coisas que nos deliciam… E somos tentados. Mas não! A
mudança tem de vir doutra parte, vem das raízes. A reconstrução vem doutra
parte.
O povo de Israel reconstruiu o templo com as suas próprias mãos.
Os grandes reconstrutores da fé do continente fizeram o mesmo – pensemos nos
Padroeiros. Puseram em jogo a sua pequenez, confiando em Deus. Penso nos
Santos, como Martinho, Francisco, Domingos, Pio que hoje comemoramos; penso nos
Patronos como Bento, Cirilo e Metódio, Brígida, Catarina de Sena, Teresa
Benedita da Cruz. Começaram por si mesmos, por mudar a própria vida, acolhendo
a graça de Deus. Não se preocuparam com os tempos sombrios, as adversidades e
qualquer divisão, que sempre existiu. Não perderam tempo a criticar e
culpabilizar. Viveram o Evangelho, sem se importar com a relevância e a
política. Assim, com a força suave do amor de Deus, encarnaram o seu estilo de
proximidade, de compaixão e de ternura – o estilo de Deus: proximidade,
compaixão e ternura – e construíram mosteiros, bonificaram terras, deram alma a
pessoas e países: nenhum programa “social” (entre aspas), só o Evangelho. E com
o Evangelho progrediram.
Reedificai a minha casa. O verbo está conjugado no
plural. Toda a reconstrução se realiza em conjunto, sob o signo da unidade, ou
seja, com os outros. Pode haver diferentes visões, mas deve-se sempre guardar a
unidade. Porque, se guardarmos a graça do todo, o Senhor edifica mesmo lá onde
nós não conseguimos. A graça do conjunto. Esta é a nossa chamada: ser Igreja,
formar um só Corpo entre nós. É a nossa vocação, como Pastores: reunir o
rebanho, não o dispersar nem mesmo preservar em belos recintos fechados. Isto é
matá-lo. Reconstruir significa fazer-se artesãos de comunhão, tecedores de
unidade a todos os níveis: não por estratégia, mas pelo Evangelho.
Se edificarmos desta forma, daremos aos nossos irmãos e irmãs a
chance de ver: é o
terceiro verbo. Aparece na conclusão do Evangelho de hoje, onde se diz que
Herodes procurava «ver Jesus» (cf. Lc 9, 9). Hoje, como então,
fala-se muito de Jesus. Então dizia-se que «João ressuscitara dos mortos, (...)
Elias aparecera, (...) um dos profetas antigos ressuscitara» (Lc 9,
7-8). Todos eles mostravam apreço por Jesus, mas não compreendiam a sua
novidade e encerravam-No em esquemas já vistos: João, Elias, os profetas...
Jesus, porém, não pode ser classificado nos esquemas do «ouvi dizer» ou do «já
visto?… Jesus sempre é novidade, sempre. O encontro com Jesus gera em ti
maravilha, e se, no encontro com Jesus, não sentes esta maravilha, não
encontraste Jesus
Muitos na Europa pensam que a fé seja algo já visto, que pertence
ao passado. Porquê? Porque não viram Jesus em ação nas suas vidas. E muitas
vezes não O viram, porque nós não O mostramos suficientemente com as nossas
vidas. Pois Deus vê-Se nos rostos e nos gestos de homens e mulheres
transformados pela sua presença. E se os cristãos, em vez de irradiarem a
alegria contagiante do Evangelho, repropuseram esquemas religiosos gastos,
intelectualistas e moralistas, as pessoas não veem o Bom Pastor. Não reconhecem
Aquele que, apaixonado por cada uma das suas ovelhas, a chama pelo nome,
procura-a e trá-la de volta colocando-a aos ombros. Não veem Aquele de Quem
pregamos a incrível Paixão, precisamente porque Ele tem uma única paixão: o
homem. Este amor divino, misericordioso e impressionante é a novidade perene do
Evangelho. E pede-nos a nós, amados Irmãos, opções sábias e ousadas, feitas em
nome daquela ternura louca com que Cristo nos salvou. Não nos pede para
demonstrar, pede-nos para mostrar Deus, como fizeram os Santos: não por
palavras, mas com a vida. Pede oração e pobreza, pede criatividade e
gratuidade. Ajudemos a Europa de hoje, doente de cansaço (esta
é a doença da Europa atual) a reencontrar o rosto sempre jovem de Jesus e da
sua esposa. Não podemos fazer outra coisa senão dar-nos completamente a nós
mesmos para que se veja esta beleza sem ocaso.
Texto: Retirado
do Site do Vaticano em 25.09.2021- http://www.vatican.va/
Imagem: Retirada da "Google imagens" em 25.09.2021
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
Se vos deixardes guiar pelo Espírito, já não estais sob a lei
Catequese [do Papa Francisco] sobre a Carta aos Gálatas
4. A lei de Moisés
"Irmãos e irmãs, bom dia!
«O que é a lei?» (Gl 3, 19). Esta é a questão que,
seguindo São Paulo, desejamos aprofundar hoje, a fim de reconhecer a novidade
da vida cristã animada pelo Espírito Santo. Mas se há o Espírito Santo, se há
Jesus que nos redimiu, o que é a Lei? Sobre isto vamos refletir hoje. O
Apóstolo escreve: «Se vos deixardes guiar pelo Espírito, já não estais sob a
lei» (Gl 5, 18). Ao contrário, os detratores de Paulo afirmaram que
os Gálatas deviam seguir a Lei para ser salvos. Voltavam atrás. Eram
nostálgicos de outros tempos, dos tempos antes de Jesus Cristo. O Apóstolo não
está minimamente de acordo. Não foi nestes termos que ele tinha concordado com
os outros Apóstolos em Jerusalém. Ele lembra-se bem das palavras de Pedro
quando disse: «Por que tentais a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem
os nossos pais nem nós pudemos suportar?» (At 15, 10). As
disposições que emergiram daquele “primeiro concílio” - o primeiro concílio
ecuménico foi o de Jerusalém e as disposições que surgiram daquele concílio
eram muito claras, e diziam: «Pareceu-nos bem, ao Espírito Santo e a nós, não
vos impor outro peso além do seguinte, indispensável: que vos abstenhais das
carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, de animais sufocados, e da impureza»
(At 15, 28-29). Algumas coisas que diziam respeito ao culto a Deus,
à idolatria, referiam-se também à forma de compreender a vida daquela época.
Quando Paulo fala da Lei, refere-se normalmente à Lei mosaica, a
Lei de Moisés, os Dez Mandamentos. Estava relacionado com a Aliança que Deus
tinha estabelecido com o seu povo, um caminho para preparar aquela Aliança.
Segundo vários textos do Antigo Testamento, a Torá - que é o
termo hebraico com que se indica a Lei - é a coletânea de todas as prescrições
e regras que os israelitas devem observar, em virtude da Aliança com Deus. Uma
síntese eficaz do que é a Torá pode ser encontrada neste texto
do Deuteronómio, que diz: «O Senhor alegrar-se-á de novo em tornar-te
feliz, como se comprazia no tempo dos teus pais, contanto que obedeças à voz do
Senhor, teu Deus, observando os seus mandamentos e os seus preceitos escritos
neste livro da lei, e que voltes para o Senhor, teu Deus, com todo o teu
coração e toda a tua alma» (30, 9-10). A observância da Lei garantiu ao povo os
benefícios da Aliança e assegurou a sua ligação especial com Deus. Este povo,
esta gente, estas pessoas, estão ligados a Deus e mostram esta união com Deus
no cumprimento, na observância da Lei. Estabelecendo a Aliança com Israel, Deus
ofereceu-lhe a Torá, a Lei, para que pudesse compreender a Sua
vontade e viver em justiça. Pensamos que nessa altura havia necessidade de tal
Lei, foi um grande dom que Deus ofereceu ao seu povo, porquê? Porque nessa
altura havia paganismo em toda a parte, idolatria em toda a parte e o
comportamento humano que deriva da idolatria, e por esta razão o grande dom de
Deus ao seu povo é a Lei para ir em frente. Várias vezes, especialmente nos
livros dos profetas, constata-se que a não observância dos preceitos da Lei
constituía uma verdadeira traição da Aliança, provocando a reação da ira de
Deus. A ligação entre Aliança e Lei era tão estreita que as duas realidades
eram inseparáveis. A Lei é a expressão de que uma pessoa, um povo, está em aliança
com Deus.
À luz de tudo isto, é fácil compreender como os missionários que
se tinham infiltrado entre os Gálatas tiveram uma boa oportunidade ao afirmar
que a adesão à Aliança também implicava a observância da Lei mosaica, como era
na altura. No entanto, é precisamente sobre este ponto que podemos descobrir a
inteligência espiritual de São Paulo e as grandes intuições que ele expressou,
sustentado pela graça que recebeu para a sua missão evangelizadora.
O Apóstolo explica aos Gálatas que, na realidade, a Aliança com
Deus e a Lei mosaica não estão indissoluvelmente ligadas. O primeiro elemento
em que se baseia é que a Aliança estabelecida por Deus com Abraão se fundava na
fé no cumprimento da promessa e não na observância da Lei, que ainda não
existia. Abraão começou a caminhar muitos séculos antes da Lei. O Apóstolo
escreve: «Afirmo, pois: a Lei, que chegou quatrocentos e trinta anos mais tarde
[com Moisés], não pode anular o testamento feito por Deus [com Abraão], em boa
e devida forma, e não pode anular a promessa. Pois, se a herança se obtivesse
pela Lei, já não proviria da promessa. Ora, foi pela promessa que Deus concedeu
a sua graça a Abraão» (Gl 3, 17-18). A promessa existia antes
da Lei e a promessa a Abraão, a Lei, chegou 430 anos mais tarde. A palavra
“promessa” é muito importante: o povo de Deus, nós cristãos, caminhamos pela
vida olhando para uma promessa; a promessa é precisamente o que nos atrai,
atrai-nos para o encontro com o Senhor.
Com este raciocínio, Paulo alcançou um primeiro objetivo: a Lei
não é a base da Aliança porque veio mais tarde, foi necessária e justa, mas
primeiro houve a promessa, a Aliança.
Um argumento como este desarma aqueles que afirmam que a Lei
mosaica é uma parte constitutiva da Aliança. Não, a Aliança vem antes, é a
chamada a Abraão. Com efeito, a Torá, a Lei, não
está incluída na promessa feita a Abraão. Dito isto, não se deve pensar que São
Paulo era contrário à Lei mosaica. Não, ele observava-a. Várias vezes nas suas
Cartas, defende a sua origem divina e afirma que desempenha um papel muito
específico na história da salvação. No entanto, a Lei não dá vida, não oferece
o cumprimento da promessa, porque não está em condições de a poder cumprir. A
Lei é um caminho que te leva a avançar para o encontro. Paulo usa uma palavra
muito importante, a Lei é o “pedagogo” em relação a Cristo, o pedagogo em
relação à fé em Cristo, ou seja, o mestre que te leva pela mão ao encontro.
Aqueles que procuram a vida precisam de olhar para a promessa e para o seu
cumprimento em Cristo.
Caríssimos, esta primeira exposição do Apóstolo aos Gálatas
apresenta a novidade radical da vida cristã: todos aqueles que têm fé em Jesus
Cristo são chamados a viver no Espírito Santo, que liberta da Lei, levando-a ao
mesmo tempo a cumprimento segundo o mandamento do amor. Isto é muito
importante, a Lei leva-nos a Jesus. Mas alguns de vós podem dizer-me: “Mas
padre, uma coisa: quer dizer que se eu recitar o Credo não devo cumprir os
Mandamentos?”. Não, os Mandamentos são atuais no sentido de que são “pedagogos”,
que te conduzem ao encontro com Jesus. Mas se puseres de lado o encontro com
Jesus e quiseres voltar a dar mais importância aos Mandamentos, isto não é bom.
E foi precisamente este o problema daqueles missionários fundamentalistas, que
se introduziam entre os Gálatas para os desorientar. Que o Senhor nos ajude a
seguir pelo caminho dos Mandamentos, mas olhando para o amor a Cristo rumo ao
encontro com Cristo, conscientes de que o encontro com Jesus é mais importante
do que todos os Mandamentos.
______________________________
Resumo da catequese do Santo Padre:
«Porquê a Lei?» Eis a pergunta que, seguindo o que o Apóstolo
ensina aos Gálatas, queremos aprofundar hoje, a fim de reconhecer a novidade da
vida cristã animada pelo Espírito Santo. Quando fala da Lei, São Paulo se
refere à Lei Mosaica, relacionada com a aliança de Deus com o povo de Israel.
Mas o Apóstolo explica que Aliança e Lei não estão ligadas de modo
indissolúvel, pois a aliança estabelecida por Deus com Abraão estava
fundamentada sobre a fé no cumprimento da promessa e não sobre a observância da
Lei. A Lei, mesmo tendo um papel importante na história da salvação, não dá a
vida, não oferece o cumprimento da promessa. Quem busca a verdadeira vida
necessita dirigir o seu olhar para a promessa feita por Deus a Abraão e para a
sua plena realização em Cristo. Assim se apresenta a radical novidade da vida
cristã: todos aqueles que crêem em Jesus Cristo são chamados a viver no
Espírito Santo.
__________________________________
Saudações:
Saúdo os fiéis de língua portuguesa – vejo que estão presentes alguns brasileiros, os saúdo, muito bem! Queridos irmãos e irmãs de língua portuguesa: crer em Jesus Cristo, vivendo no Espírito Santo nos conduz à verdadeira vida. Peçamos ao Senhor que aumente nossa fé para que possamos participar da herança prometida. Que Deus vos abençoe!
Papa Francisco"
[Catequese na audiência geral de 11.08.2021]
Texto: Retirado do Site do Vaticano em 19.08.2021- http://www.vatican.va/
Imagem: Retirada da "Google imagens" em 19.08.2021.
sexta-feira, 30 de julho de 2021
sábado, 10 de julho de 2021
Seguir Jesus é ter entranhas peregrinas
“Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado” (Mc 6,8)
O Evangelho
deste domingo marca o começo de uma nova etapa na vida e missão de Jesus. Os
discípulos vão estar incorporados à missão que, até agora, era realizada só
pelo Mestre.
Depois da
experiência de fracasso na sinagoga de seu povo, Jesus não só intensifica o
anúncio da “boa notícia” do Reino, mas compromete os seus discípulos nesse
ministério. A rejeição dos dirigentes e dos seus conterrâneos o obrigam a
buscar outros interlocutores que não estavam “viciados” pelo ensinamento
oficial.
Jesus, na Galileia,
encontrou os seus caminhos: junto ao mar, nas estradas poeirentas, nas
margens... Ele se fez “estrada” para encontrar aqueles que não tinham “lugar”,
os deslocados, os socialmente rejeitados e que eram a razão de seu amor e do
seu cuidado; fez-se solidário com aqueles que estavam à beira dos caminhos e os
convidou a caminhar para um novo lugar. Na Galileia, Jesus teve suas
preferências e escolheu o caminho da exclusão e da dor. Por isso, ao enviar
seus seguidores, lançou-os na “estrada da vida”, para serem presenças de vida
onde a vida era violentada: curar, expulsar demónios...
Para Ele, o
caminho é o lugar do novo, das surpresas, dos encontros...
Inúmeros
cristãos entendem sua fé só como uma “obrigação”. Há um conjunto de crenças que
devem ser “aceites”, embora muitos não conheçam o seu conteúdo nem saibam o
impacto que podem ter em suas vidas; há também um código de leis que “deve” ser
observado, embora muitos não entendam bem tanta exigência atribuída a Deus;
existem práticas religiosas que “devem” ser cumpridas, mesmo que seja de
maneira mecânica. Esta maneira de compreender e viver a fé gera um tipo de
cristão medíocre, sem desejo de Deus e sem criatividade nem paixão alguma por
contagiar sua fé. Contenta-se com “cumprir”. Esta religião não tem atrativo
algum; converte-se em um peso difícil de suportar e provoca alergia em muitos.
Na vivência
cristã, muitos passam do seguimento do “Homem das estradas poeirentas” ao mero
cumprimento de normas, ritos, doutrinas…
No entanto,
o caminho de Jesus não vai pelo terreno pantanoso do legalismo e do moralismo,
mas pelo terreno firme da misericórdia, do cuidado, do compromisso com a
vida...
Jesus tinha
alergia a lugares fechados, mofados...; ele preferia transitar pelos lugares
abertos, arejados, porque se deixava conduzir pelo Espírito.
Já nas
primeiras comunidades cristãs o seguimento de Jesus era vivido de outra
maneira. A fé cristã não era entendida como um “sistema religioso”; a vivência
do seguimento de Jesus era conhecida como “caminho”, que era a
maneira mais acertada para viver com sentido e esperança. Dizia-se que o
seguimento era um “caminho novo e vivo” e que
foi “inaugurado por Jesus para nós”; um caminho que deve ser
percorrido “com os olhos fixos n’Ele” (Heb 10,20;
12,2). Os cristãos eram conhecidos como os “adeptos do caminho”.
Por
isso, seguir Jesus Cristo era aderir a Ele incondicionalmente,
era “entrar” no seu caminho, recriá-lo a cada momento e
percorrê-lo até o fim. Seguir era deixar-se “configurar”,
isto é, movimento pelo qual a pessoa ia sendo modelada à imagem de
Jesus Cristo.
A nossa vida
é um êxodo, um sair constante do modo fechado de viver para
entrar em uma outra realidade nova. O peregrinar é o
elemento determinante e com maior valor simbólico para toda a vida. Existem
ainda céus por explorar, aventuras por empreender, pensamentos
por experimentar e experiências por aceitar; falta-nos ainda muito
por saber, por ver, por sentir, por desfrutar...
Precisamos
ser discípulos(as) da escola da vida.
É de suma
importância tomar consciência que a fé é um “percurso” e
não um sistema religioso. E no percurso há de tudo: caminhada prazerosa e
momentos de busca, desafio que é preciso superar, retrocessos, decisões,
dúvidas e interrogações... Tudo faz parte do caminho, também as dúvidas que
podem ser mais estimulantes que as poucas certezas e seguranças vividas de
forma rotineira e simplista.
O caminho é
coletivo, mas está feito de identidades particulares, onde cada um é
responsável e cuidador de seu próprio processo itinerante. Cada pessoa é, onde
habita, um fio tecedor de relações e interconexões, uma presença que ajuda a
construir uma cultura de diálogo acolhedor, em permanente abertura ao encontro.
Esta é a sabedoria divina que se expressa e se faz próxima em todos os detalhes
da vida.
Cada um(a) é
chamado(a) a fazer seu próprio percurso; cada um(a) é responsável da “aventura”
de sua vida; cada um(a) tem seu próprio ritmo. Não é preciso forçar nada. No
caminho cristão há etapas: as pessoas podem viver momentos e situações
diferentes. O importante é “caminhar”, não se deter, escutar o chamado que a todos
nos faz viver de maneira mais digna e ditosa.
“Fazer
estada com Jesus” pede
de todos nós uma atitude de abertura e de deslocamento frente ao outro, o que
implica colocar-nos em seu lugar, deixar-nos questionar e desinstalar por
ele... Importa, pois, redescobrir com urgência o encontro como
valor ético e como hábito permanente de vida.
Precisamos
nos levantar quotidianamente de nossos ambientes atrofiados, arejar nossa vida,
criar vínculos com aqueles que estão à margem; há sempre uma “estrada ferida”
que nos espera.
Faz parte do
processo de amadurecimento espiritual, abandonar as poeiras que,
desnecessariamente, carregamos. Não se trata de esquecer o passado ou de
ignorá-lo, abandonando nossa história. Mas há coisas e situações que carregamos
que nos fazem ficar presos, impossibilitados de alcançar novos rumos, novas
realizações. É preciso sacudir a poeira dos pés, em sinal de verdadeiro
desapego. Desapegar-nos de coisas e situações é um processo importante no
desenvolvimento de uma espiritualidade que nos faça crescer humanamente.
A orientação
de Jesus nos faz recordar a impactante frase -conselho de Frida Kahlo: “Onde
não puderes amar, não te demores”. Não há motivo razoável para
que permaneçamos onde o amor não pode acontecer e se realizar. Ajuda-nos, ainda,
a sabedoria poética de Mário Quintana, de que “amar é mudar a alma de casa”. O amor é
sempre saída de nós mesmos. Mas há portas fechadas. Nesse caso, não é
espiritualmente saudável permanecer com a poeira nos pés. É preciso sacudi-la,
e seguir viagem.
A paixão pelo Reino nos
mobiliza a levar adiante a missão, a ir aos lugares do mundo onde
há mais necessidade e ali realizar obras duradouras de maior proveito e fruto.
Para realizar esta nobre missão, não podemos permanecer sentados. Seguir Jesus
exige de nós uma dinâmica contínua, um colocar-nos a caminho em direção às margens.
Não podemos viver o chamamento do “Rei Eterno” a partir de uma cómoda
instalação pessoal. A disponibilidade, o despojamento e a mobilidade são
exigências básicas.
Corremos o
risco de viver em mundos-bolha; podemos construir nossa vida encapsulada em
espaços feitos de hábito e segurança, convivendo com pessoas semelhantes a nós
e dentro de situações estáveis. É difícil romper e sair do terreno conhecido,
deixar o convencional. Tudo parece conspirar para que nos mantenhamos dentro dos
limites politicamente correto. Todos podemos terminar estabelecendo fronteiras
vitais e sociais impermeáveis ao diferente. Se isso acontece, acabamos tendo
perspectivas pequenas, visões atrofiadas e horizontes limitados, ignorando um
mundo amplo, complexo e cheio de surpresas.
Deixar a
vida estreita para entrar no vasto horizonte de vida proposto por Jesus: eis o
desafio!
Texto
bíblico: Mc
6,7-13
Na
oração: Deus nos
chama a cada dia para o desconhecido, para o novo; Deus nos
tira de casa, nos faz sair do que é nosso, da segurança, da comodidade... e nos
faz entrar numa “terra nova”...
- No “mapa espiritual” de
seu interior (sentimentos, desejos, sonhos...) ainda existe uma “terra
desconhecida”, que proporciona interesse à vida, suscita curiosidade,
lhe impulsiona a caminhar?...
Ou está tudo
amarrado, formatado, atrofiado..., esvaziando seu espírito de busca?
Pe. Adroaldo
Palaoro sj
07.07.2021
Texto - Retirado do site - "CATEQUESEHoje - www.catequesehoje.org.br ", em 07.07.2021 - Um site de Catequese do Brasil, com muita qualidade!
Imagem: retirada da "Google Imagens em em 07.07.2021.

