Votos de Santa Páscoa 2022!
domingo, 17 de abril de 2022
sábado, 16 de abril de 2022
O que o "Sábado Santo" nos ensina?
“No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim
e, no jardim, um túmulo novo...” (Jo 19,41
É Sábado e Jerusalém voltou à sua normalidade: nada mudou,
ao menos aparentemente, na história. Silêncio gélido, desconcerto, frustração e
indiferença cobrem a cidade santa como um manto de densa neblina.
Como seguidores(as) de Jesus vivemos nossos adventos, natais, quaresmas,
páscoas e pentecostes; vivemos nossas sextas-feiras; é preciso aprender a viver
o incômodo silêncio dos sábados santos.
No caminho do seguimento de Jesus há “Sábados Santos”, tanto
no nível pessoal como comunitário: passamos por contínuas mortes, noites
escuras, crises, silêncios carregados de tristeza, falta de esperança, dúvidas
de fé, fracassos, traumas...
A humanidade inteira vive um grande “Sábado Santo”; há uma espera
angustiada dos povos. Envolve-nos a “noite sabática”, que deve realimentar a
paixão pela vida.
Sábado Santo da dor, da tristeza, do fracasso..., mas
também Sábado Santo da espera e da esperança. É o Sábado
Santo que nos abre às surpresas de Deus.
Onde encontrar, então, a razão, o segredo e o sentido deste dia que dá a
sensação de um “dia morto”?
Certamente está neste fato: se o Crucificado não tivesse descido até
os “infernos” da vida, em quem os homens e as mulheres
que ali vivem poderiam se apoiar? A quem poderiam ter por companheiro, amigo e
irmão? De quem poderiam sentir uma presença consoladora?
Somente porque Jesus desceu nos “infernos” da vida é que pode salvar-nos
deles, transformá-los em caminho. “Porque foi provado no sofrimento,
pode ajudar os que são provados” (Heb. 2,18).
Os “crucificados da história”, os sofredores e as vítimas são lugar de
encontro, sempre e para todos; eles são sacramento do mundo que Jesus veio
transformar, porque não corresponde ao que o Pai sonhou a respeito deste mesmo
mundo; são um compromisso obrigatório para encontrar Aquele que viveu a verdadeira
Paixão em favor da vida.
Talvez nem todos possamos estar ao lado das vítimas e dos últimos, próximos
deles, participando de sua vida. No entanto, todos devemos estar a favor deles,
junto Àquele que, na sua morte, faz-se solidário com todos e caminha ao lado de
todos eles.
As “mediações” que Deus utiliza em sua ação salvífica são o amor humilde, a
pobreza solidária e a participação no sofrimento humano. Loucuras do amor de
Deus. Só o amor que se entrega, salva.
É em sua morte na Cruz que Jesus desce até o extremo de
sua condição humana. Com estas duas palavras, “descer” e “subir”,
o evangelista João descreve o mistério da Redenção realizada
por Cristo.
“Ninguém subiu ao céu senão Aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” (Jô.
3,13)
A Igreja primitiva viu a “descida entre os mortos” como
paradigma da Redenção. No Sábado de Aleluia, ela lembra este “descer” às
profundezas da terra e da humanidade.
Na “descida aos infernos”, lá onde o ser humano
chegou ao extremo, onde ele se encontra excluído de toda comunicação e
comunhão, onde não pode fazer mais coisa alguma, aí Jesus o toma pelas mãos e
ressurge com ele para a vida. Jesus Cristo acolheu tudo quanto é humano e
desta maneira tudo redimiu. Ele “subiu” ao céu
porque “desceu” às profundezas da terra.
A descida aos “infernos” é imagem da descida de
Jesus às regiões sombrias de nossa existência.
Descobrimo-Lo presente nos nossos “infernos interiores. As profundezas de
nosso ser se iluminam, e tudo quanto foi reprimido, recalcado, ferido... é
tocado e assumido por Jesus e nos desperta para a vida.
É preciso descer, com Jesus, ao túmulo de nossa interioridade, transitar
pelos espaços e dimensões não integradas. Só quem desce às profundezas de si
mesmo é capaz de vislumbrar potencialidades de vida que não foram ativadas. É
preciso morrer ao “ego”, “descer” aos “infernos” interiores e sociais para
expandir a vida em novas direções.
“Descer” e “subir”,
portanto, são imagens para descrever o processo de transformação realizado por
Jesus morto, e também sepultado, no interior de cada um de nós.
Se com Ele quisermos subir ao Pai, temos primeiro de
descer com Ele à terra, afundar os pés na nossa própria
condição humana. Não podemos subir ao céu se não estivermos dispostos a descer
com Jesus aos nossos “húmus”, às nossas sombras, à condição
terrena, ao inconsciente, à nossa fraqueza humana.
Nós “subimos” a Deus quando “descemos” à
nossa humanidade. Este é o caminho da liberdade, este é o
caminho do amor e da humildade, da mansidão e da misericórdia.
O coração, a quem nada do que é “humano” lhe
é estranho, alarga-se, enche-se do amor de Deus, que
transforma e ressuscita tudo o que é humano.
Ao fazer, junto com Jesus Cristo, o caminho da “descida”, vamos
ao encontro de nossa realidade e nos colocamos diante de Deus para que Ele
transforme em amor tudo quanto em nós existe, para que sejamos
totalmente perpassados pelo Espírito de Deus.
O evangelista João nos diz que Jesus, após sua crucifixão, foi colocado em
um “sepulcro novo”.
O sepulcro representa a “passagem” entre o antigo e
o novo. Ao ser fechado com uma pedra, no entardecer da Sexta-Feira Santa,
encerrava-se um ciclo. Ao se abrir, na madrugada do domingo, inaugura-se um
novo tempo, uma nova Criação. Os sinais estão ali, no ventre aberto da Terra.
Sinais que podem ser mudos para nós e fazendo-nos deter no passado, ou podem
ser umbral de novas significações.
Neste Sábado Santo, situemo-nos junto ao sepulcro, lugar
onde tivemos os últimos sinais ou notícias d’Aquele que foi fiel até o fim. Ali
podemos permanecer com as velhas interpretações ou podemos nos dispor a acolher
a surpresa que irrompe, o novo que quebra o que é caduco e sem sentido.
“O Sábado Santo é o tempo de uma gravidez: podemos dizer de uma “segunda
gestação” de Jesus Cristo. Se a “primeira gestação” de Jesus foi a
entrada de Deus na carne humana, no Shábbat se gesta a divinização do ser
humano e da história na carne de Deus. O sepulcro é o ventre da terra onde foi
sepultado o cadáver de Jesus. Nesse corpo inerte, torturado e deformado,
acontecerá uma metamorfose. Ali a matéria se divinizará. Toda a criação,
contida na corporeidade de Jesus, é chamada a ressuscitar. O Verbo se fez carne
para que a Carne se divinize.
Tudo isso acontecerá secreta e simbolicamente entre o Shábbat e a alvorada
de uma nova criação. A terra está ameaçada e grávida de ressurreição.
O Sepulcro era novo, dizem os relatos, como virgem era o ventre de Maria.
Disponível, inocente, livre. O vazio como possibilidade, como fecundidade:
“Feliz tu, cheia de graça, porque está vazia de ti mesma. Teu espaço interior
te faz matriz do Verbo, da Palavra pela qual Deus se historiza”.
Assim como as entranhas de Maria albergaram o primeiro nascimento de Jesus,
as entranhas da Terra e da história albergam as sementes de seu segundo
nascimento.
O sepulcro é uma manjedoura de vida nova, de humanidade inaugurada por uma
Presença nascente. Tudo está grávido de ressurreição”.
(Javier Melloni – El Cristo interior – Herder).
Textos bíblicos: Jo 19,38-42 Mc 15,42-47
Sábado Santo ajuda a dar sentido à solidão: há solidão vazia, que deprime,
mas há solidão (solitude) que nos faz ter acesso às dimensões desconhecidas de
nossa vida... As experiências de fracasso, de crise, de desolação... ativam
outros recursos e nos motivam a purificar nossa adesão a Deus.
Santo Inácio de Loyola nos convida a passar este dia na casa de Maria, em
comunhão com seus sentimentos e sua esperança.
É a única que tem certeza de que a Vida do seu Filho não permanece na
morte.
Sua atitude revela-se antecipadora da Ressurreição, assim
como ela antecipou o primeiro “sinal” de Jesus nas Bodas de Caná.
Pe. Adroaldo Palaoro sj
16.04.22
Texto e Imagem- Retirado do site - "CATEQUESEHoje - www.catequesehoje.org.br ", em 16.04.2022 - Um site de Catequese do Brasil, com muita qualidade!
quarta-feira, 23 de março de 2022
terça-feira, 8 de março de 2022
sábado, 5 de março de 2022
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2022
Queridos irmãos e irmãs!
A Quaresma é um tempo favorável
de renovação pessoal e comunitária que nos conduz à Páscoa de Jesus Cristo
morto e ressuscitado. Aproveitemos o caminho quaresmal de 2022 para refletir
sobre a exortação de São Paulo aos Gálatas: «Não nos cansemos de fazer o bem;
porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto
temos tempo (kairós), pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6,
9-10a).
1. Sementeira e colheita
Neste trecho, o Apóstolo evoca a
sementeira e a colheita, uma imagem que Jesus muito prezava (cf. Mt 13).
São Paulo fala-nos dum kairós: um tempo propício para semear o bem
tendo em vista uma colheita. Qual poderá ser para nós este tempo favorável?
Certamente é a Quaresma, mas é-o também a nossa inteira existência terrena, de
que a Quaresma constitui de certa forma uma imagem [1].
Muitas vezes, na nossa vida, prevalecem a ganância e a soberba, o anseio de
possuir, acumular e consumir, como se vê no homem insensato da parábola
evangélica, que considerava assegurada e feliz a sua vida pela grande colheita
acumulada nos seus celeiros (cf. Lc 12, 16-21). A Quaresma
convida-nos à conversão, a mudar mentalidade, de tal modo que a vida encontre a
sua verdade e beleza menos no possuir do que no doar, menos no acumular do que
no semear o bem e partilhá-lo.
O primeiro agricultor é o
próprio Deus, que generosamente «continua a espalhar sementes de bem na humanidade»
(Enc. Fratelli tutti, 54). Durante a Quaresma,
somos chamados a responder ao dom de Deus, acolhendo a sua Palavra «viva e
eficaz» (Heb 4, 12). A escuta assídua da Palavra de Deus faz
maturar uma pronta docilidade à sua ação (cf. Tg 1, 19.21),
que torna fecunda a nossa vida. E se isto já é motivo para nos alegrarmos,
maior motivo ainda nos vem da chamada para sermos «cooperadores de Deus» (1
Cor 3, 9), aproveitando o tempo presente (cf. Ef 5,
16) para semearmos, também nós, praticando o bem. Esta chamada para semear o
bem deve ser vista, não como um peso, mas como uma graça pela qual o Criador
nos quer ativamente unidos à sua fecunda magnanimidade.
E a colheita? Porventura não se
faz toda a sementeira a pensar na colheita? Certamente; o laço estreito entre a
sementeira e a colheita é reafirmado pelo próprio São Paulo, quando escreve:
«Quem pouco semeia, também pouco há de colher; mas quem semeia com
generosidade, com generosidade também colherá» (2 Cor 9, 6).
Mas de que colheita se trata? Um primeiro fruto do bem semeado, temo-lo em nós
mesmos e nas nossas relações diárias, incluindo os gestos mais insignificantes
de bondade. Em Deus, nenhum ato de amor, por mais pequeno que seja, e nenhuma
das nossas «generosas fadigas» se perde (cf. Exort. Evangelii gaudium, 279). Tal como a árvore
se reconhece pelos frutos (cf. Mt 7, 16.20), assim também a
vida repleta de obras boas é luminosa (cf. Mt 5, 14-16) e
difunde pelo mundo o perfume de Cristo (cf. 2 Cor 2, 15).
Servir a Deus, livres do pecado, faz maturar frutos de santificação para a
salvação de todos (cf. Rm 6, 22).
Na realidade, só nos é concedido
ver uma pequena parte do fruto daquilo que semeamos, pois, segundo o dito
evangélico, «um é o que semeia e outro o que ceifa» (Jo 4, 37). É
precisamente semeando para o bem do próximo que participamos na magnanimidade
de Deus: constitui «grande nobreza ser capaz de desencadear processos cujos
frutos serão colhidos por outros, com a esperança colocada na força secreta do
bem que se semeia» (Enc. Fratelli tutti, 196). Semear o bem para os
outros liberta-nos das lógicas mesquinhas do lucro pessoal e confere à nossa
atividade a respiração ampla da gratuidade, inserindo-nos no horizonte maravilhoso
dos desígnios benfazejos de Deus.
A Palavra de Deus alarga e eleva
ainda mais a nossa perspetiva, anunciando-nos que a colheita mais autêntica é a
escatológica, a do último dia, do dia sem ocaso. O fruto perfeito da nossa vida
e das nossas ações é o «fruto em ordem à vida eterna» (Jo 4, 36),
que será o nosso «tesouro no céu» (Lc 18, 22; cf. 12, 33). O
próprio Jesus, para exprimir o mistério da sua morte e ressurreição, usa a
imagem da semente que morre na terra e frutifica (cf. Jo 12,
24); e São Paulo retoma-a para falar da ressurreição do nosso corpo: «semeado
corrutível, o corpo é ressuscitado incorrutível; semeado na desonra, é
ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força;
semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual» (1 Cor 15,
42-44). Esta esperança é a grande luz que Cristo ressuscitado traz ao mundo:
«Se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais
miseráveis de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como
primícias dos que morreram» (1 Cor 15, 19-20), para que quantos
estiverem intimamente unidos a Ele no amor, «por uma morte idêntica à Sua» (Rm 6,
5), também estejam unidos à sua ressurreição para a vida eterna (cf. Jo 5,
29): «então os justos resplandecerão como o sol, no reino do seu Pai» (Mt 13,
43).
2. «Não nos cansemos de fazer o bem»
A ressurreição de Cristo anima
as esperanças terrenas com a «grande esperança» da vida eterna e introduz, já
no tempo presente, o germe da salvação (cf. Bento XVI, Spe salvi, 3; 7). Perante a amarga
desilusão por tantos sonhos desfeitos, a inquietação com os desafios a
enfrentar, o desconsolo pela pobreza de meios à disposição, a tentação é
fechar-se num egoísmo individualista e, à vista dos sofrimentos alheios,
refugiar-se na indiferença. Com efeito, mesmo os recursos melhores conhecem
limitações: «Até os adolescentes se cansam, se fatigam, e os jovens tropeçam e
vacilam» (Is 40, 30). Deus, porém, «dá forças ao cansado e enche de
vigor o fraco. (…) Aqueles que confiam no Senhor, renovam as suas forças. Têm
asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer» (Is 40,
29.31). A Quaresma chama-nos a repor a nossa fé e esperança no Senhor
(cf. 1 Ped 1, 21), pois só com o olhar fixo em Jesus Cristo
ressuscitado (cf. Heb 12, 2) é que podemos acolher a exortação
do Apóstolo: «Não nos cansemos de fazer o bem» (Gal 6, 9).
Não nos cansemos de rezar. Jesus
ensinou que é necessário «orar sempre, sem desfalecer» ( Lc 18,
1). Precisamos de rezar, porque necessitamos de Deus. A ilusão de nos bastar a
nós mesmos é perigosa. Se a pandemia nos fez sentir de perto a nossa fragilidade
pessoal e social, permita-nos esta Quaresma experimentar o conforto da fé em
Deus, sem a qual não poderemos subsistir (cf. Is 7, 9). No
meio das tempestades da história, encontramo-nos todos no mesmo barco, pelo que
ninguém se salva sozinho [2];
mas sobretudo ninguém se salva sem Deus, porque só o mistério pascal de Jesus
Cristo nos dá a vitória sobre as vagas tenebrosas da morte. A fé não nos
preserva das tribulações da vida, mas permite atravessá-las unidos a Deus em
Cristo, com a grande esperança que não desilude e cujo penhor é o amor que Deus
derramou nos nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5,
1-5).
Não nos cansemos de extirpar o
mal da nossa vida. Possa o jejum corporal, a que nos chama a Quaresma, fortalecer o
nosso espírito para o combate contra o pecado. Não nos cansemos de
pedir perdão no sacramento da Penitência e Reconciliação, sabendo que Deus
nunca Se cansa de perdoar [3]. Não
nos cansemos de combater a concupiscência, fragilidade esta que inclina
para o egoísmo e todo o mal, encontrando no decurso dos séculos vias diferentes
para fazer precipitar o homem no pecado (cf. Enc. Fratelli tutti, 166). Uma destas vias é a
dependência dos meios de comunicação digitais, que empobrece as relações
humanas. A Quaresma é tempo propício para contrastar estas ciladas, cultivando
ao contrário uma comunicação humana mais integral (cf. ibid., 43), feita de «encontros reais»
( ibid., 50), face a face.
Não nos cansemos de fazer o bem,
através duma operosa caridade para com o próximo.
Durante esta Quaresma, exercitemo-nos na prática da esmola, dando com alegria
(cf. 2 Cor 9, 7). Deus, «que dá a semente ao semeador e o pão
em alimento» (2 Cor 9, 10), provê a cada um de nós os recursos
necessários para nos nutrirmos e ainda para sermos generosos na prática do bem
para com os outros. Se é verdade que toda a nossa vida é tempo para semear o
bem, aproveitemos de modo particular esta Quaresma para cuidar de quem está
próximo de nós, para nos aproximarmos dos irmãos e irmãs que se encontram
feridos na margem da estrada da vida (cf. Lc 10, 25-37). A
Quaresma é tempo propício para procurar, e não evitar, quem passa necessidade;
para chamar, e não ignorar, quem deseja atenção e uma boa palavra; para
visitar, e não abandonar, quem sofre a solidão. Acolhamos o apelo a praticar o
bem para com todos, reservando tempo para amar os mais pequenos e
indefesos, os abandonados e desprezados, os discriminados e marginalizados (cf.
Enc. Fratelli tutti, 193).
3. «A seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido»
Cada ano, a Quaresma vem
recordar-nos que «o bem, como aliás o amor, a justiça e a solidariedade não se
alcançam duma vez para sempre; hão de ser conquistados cada dia» (ibid., 11). Por conseguinte peçamos a Deus
a constância paciente do agricultor (cf. Tg 5, 7), para não
desistir na prática do bem, um passo de cada vez. Quem cai, estenda a mão ao
Pai que nos levanta sempre. Quem se extraviou, enganado pelas seduções do
maligno, não demore a voltar para Deus, que «é generoso em perdoar» (Is 55,
7). Neste tempo de conversão, buscando apoio na graça divina e na comunhão da
Igreja, não nos cansemos de semear o bem. O jejum prepara o terreno, a oração
rega, a caridade fecunda-o. Na fé, temos a certeza de que «a seu tempo
colheremos, se não tivermos esmorecido», e obteremos, com o dom da
perseverança, os bens prometidos (cf. Heb 10, 36) para
salvação nossa e do próximo (cf. 1 Tm 4, 16). Praticando o
amor fraterno para com todos, estamos unidos a Cristo, que deu a sua vida por
nós (cf. 2 Cor 5, 14-15), e saboreamos desde já a alegria do
Reino dos Céus, quando Deus for «tudo em todos» (1 Cor 15, 28).
A Virgem Maria, em cujo ventre
germinou o Salvador e que guardava todas as coisas «ponderando-as no seu
coração» (Lc 2, 19), obtenha-nos o dom da paciência e acompanhe-nos
com a sua presença materna, para que este tempo de conversão dê frutos de
salvação eterna.
Roma, em São João de Latrão, na
Memória litúrgica do bispo São Martinho, 11 de novembro de 2021.
Francisco
Texto: Retirado
do Site do Vaticano em 05.03.2022- http://www.vatican.va/
Imagem: Retirada da
"Google imagens" em 05.03.2022
