domingo, 3 de fevereiro de 2019

Oración de san Francisco de Asís | Oración simple | Un regalo para el Pa...



Oração de São Francisco
Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.
E é morrendo que se vive para a vida eterna.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Epifania é abrir caminhos


“...voltaram para sua terra por outro caminho” (Mt 2,12) 
“Por que é que os homens se deslocam em vez de ficarem quietos”? Esta pergunta do escritor Bruce Chatwin nos reconduz ao centro do mistério do próprio ser humano. Somos seres de travessia. As viagens nunca são apenas exteriores. Não é simplesmente no espaço geográfico que o ser humano viaja. Isso significaria não perceber toda sua a profundidade; deslocar-se implica uma mudança de posição, uma ampliação do olhar, uma abertura ao novo, uma adaptação a realidades e linguagens diferentes, uma expansão da sensibilidade, um confronto, um diálogo tenso ou deslumbrado..., que deixam necessariamente impressões muito profundas. 
A experiência da viagem é a experiência de fronteira e do horizonte aberto, de que o ser humano precisa para ser ele mesmo. Nesse sentido, a viagem é uma etapa fundamental da descoberta e da construção de sua própria identidade e do conhecimento do mundo que o cerca. É a sua consciência que perambula, descobre cada detalhe do mundo e olha tudo de novo como da primeira vez. A viagem é uma espécie de propulsor desse olhar novo. Por isso, é capaz de introduzir na sua vida elementos sempre inéditos que o incitam a uma mudança contínua. Nada mais anti-humano que uma vida estabilizada em posições fechadas, ideias atrofiadas, visões limitadas pelo medo do diferente... 
Mais do que viajantes, aos poucos vamos nos descobrindo peregrinos. Quando fazemos uma peregrinação, muitas vezes nos interrogamos onde é que ela termina, porque uma das coisas que experimentamos é que, à medida que caminhamos, a realidade torna-se sempre mais aberta e nós nos enriquecemos muito mais. A peregrinação não tem propriamente um fim: tem uma extraordinária finalidade. No caso dos Magos é o encontro com o “Rei de Israel”. 
Na noite de Natal, Jesus se manifestou aos pastores, homens pobres e humildes, que foram os primeiros a se deslocarem para levar um pouco de calor à fria gruta de Belém. Agora são os Magos que chegam de terras longínquas, também eles atraídos misteriosamente por essa Criança. Os pastores e os Magos são muito distintos entre si; mas uma coisa tem em comum: o céu. 
Os pastores de Belém foram correndo para ver o menino Jesus não porque fossem particularmente devotos, mas porque velavam de noite e, levantando os olhos ao céu, viram um sinal e escutaram uma mensagem. Assim também os Magos: investigavam os céus, viram uma nova estrela, interpretaram o sinal e se puseram a caminho. Os pastores e os Magos nos ensinam que para encontrar Jesus é necessário saber levantar o olhar para o céu, não fixar-nos em nós mesmos, ter o coração e a mente abertos ao horizonte de Deus, que sempre nos surpreende, saber acolher suas mensagens e responder com prontidão e generosidade. 
O termo “magos” tem uma considerável gama de significados; mas, certamente, em Mateus são sábios cuja sabedoria religiosa e filosófica os põe em caminho; é a sabedoria que leva a Cristo. Somente homens de uma certa inquietude interior, homens de esperança, em busca da verdadeira estrela da salvação, seriam capazes de colocar-se em caminho e percorrer a longa distância entre Oriente e Belém.
Chama a atenção a prontidão da resposta dos Magos. Com simplicidade expressam como no preciso momento em que perceberam a indicação do céu, imediatamente reagiram e a seguiram. A estrela que os guiava era uma estrela nova, superior, peregrina, que despertava assombro e atraía àqueles que a contemplavam. Os caminhos deste novo astro, orientam à salvação divina para toda a humanidade. 
A experiência dos Magos nos exorta a não nos contentar com a mediocridade, a não permanecer adormecidos e estáticos, mas a buscar o sentido das coisas, a perscrutar com paixão o grande mistério da vida. Eles nos ensinam a não nos escandalizar frente à pequenez e à pobreza, mas a reconhecer a majestade na humildade e sabermos ajoelhar diante dela. O deslocamento dos Magos ajuda a nos deixar guiar pela estrela do Evangelho para encontrar Aquele que é Luz, e despertar a luz que nos habita. Assim, poderemos levar aos outros um raio de sua luz e compartilhar com eles a alegria do caminho. 
Os Magos vêm do Oriente e caminham para a luz. Estão orientados. Oriente significa onde nasce o sol, a luz. A desorientação é a perda do sentido, do caminho, é viver na escuridão. A verdadeira luz está mais presente na gruta despojada que nos palácios e templos de Jerusalém. 
Epifania, portanto, é abrir caminhos; Epifania é buscar e caminhar para a luz.
Mateus termina seu relato notando que, uma vez que os magos se encontraram com o Menino Jesus, “regressaram por outro caminho”. E não mudam de caminho para evitar Herodes, mas porque encontraram o Caminho: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Deus, a Luz, não está presente nos caminhos e pretensões de Herodes (e existem muitos Herodes e faraós soltos pela história), mas naquele que é frágil e está deitado em um presépio.
Como os Magos, levantemos e voltemos à casa por outro caminho! 
Quem se encontra com Jesus voltará à sua casa, ao seu trabalho, às suas ocupações, mas já não será o mesmo. Voltará de outra maneira, por outro caminho, com um coração dilatado e um espírito renovado. Quem se encontra com a Criança de Belém, dá-se conta de que os caminhos de Herodes, do poder, do prestígio, da riqueza, são caminhos que levam à morte. E Epifania é o caminho da vida, da acolhida e do encontro. O itinerário espiritual, portanto, pode ser descrito como uma viagem da cabeça ao coração; é uma viagem longa, difícil, mas apaixonante. 
Por diferentes motivos, também hoje vivemos uma grande mobilidade; precisamos ser espertos em mover-nos entre o diferente, o que nos confunde, o mistério, o que nos questiona... Sempre caminhando. Esta é a atitude daquele que segue um Deus sempre maior, sempre surpreendente, que está sempre mais além de onde estamos. Então, que sigamos, sempre adiante... mas façamos isso juntos, sem deixar ninguém fora! 
Este e o dinamismo que deve perpassar nossa vida: da instalação ao crescimento, da acomodação ao deslocamento contínuo. Partimos da realidade de que a tendência natural é amparar-nos nas “zonas de conforto”; elas nos dão mais segurança; é mais cômodo; requer menos energias. 
A inércia leva a viver o ordinário, o repetitivo; custa-nos admitir e saborear o excepcional, o extraordinário; muitas vezes nos movemos em meio a um certo ceticismo vital, sem paixão pela vida e pela missão. Mas o caminho da fé nos leva de assombro em assombro, de graça em graça, de alegria em alegria. 
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos” (Fernando Pessoa). 
 
Texto bíblico:  Mt 2,1-12 
Na oração: Esse “outro caminho” é o caminho que deve direcionar para Deus nossa vida.
O que importa é pôr-se a caminho nas pegadas dos Magos, fazer escolhas e recusar desvios.
- Há alguma “estrela” abrindo horizontes para você?
- O que há de “herodiano” em sua realidade e em seu mundo interior? quais são as causas, as manifestações e os efeitos das suas inseguranças, do fixismo em torno do próprio eu, dos seus medos?
- conserve-se em movimento interior, sempre; nada de roteiros rígidos que sufocam o Espírito, matam a criatividade, prendem à rotina e empobrecem o dinamismo de uma vida em transformação. 

Pe. Adroaldo Palaoro sj
Retirado do Site "Catequese do Brasil",  http://www.catequesedobrasil.org.br em 2019.01.04 

(A imagem, foi retirada do "Google imagens" em 2019.01.04) 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Notre Dieu S'est fait homme



Nosso Deus Se fez homem!
 
Neste Novo Ano 2019, caminhemos com Alegria e na Paz que brota do Menino Jesus!
O Nosso Deus se fez homem!
 
Blog Catequese Missionária  

domingo, 18 de novembro de 2018

COMER DO MESMO PRATO


Uma comunidade que se reúne para escutar a Palavra de Deus, para comer juntos do mesmo pão e beber todos do mesmo “cálice” de Jesus são sinais que têm uma força extraordinária de comunhão.
Perguntaram a um senhor que é o animador de algumas comunidades cristãs na Amazónia brasileira como estão a correr as coisas, e ele respondeu: «Temos dificuldades grandes porque já não sabemos comer do mesmo prato!»
Há uns anos - continuou a explicar o senhor José Valdeci (Fides, 27/6/18) - quando alguém tinha boa sorte na pesca, ou conseguia capturar uma boa peça de caça, havia abundância para todos na aldeia, e o prato grande onde comíamos todos juntos era um lugar especial para nos encontrarmos todos. Hoje, o nosso grande rio continua a ser generoso, e na nossa floresta não falta caça, mas chegou o dinheiro, e quem volta a casa carregado já não cozinha para o grande prato comum. Vende, arrecada o dinheiro, e se amanhã voltar a casa com o saco vazio, pode sempre comprar a quem teve mais sorte na pesca. E o grande prato comum fica quase sempre vazio.
Enquanto se vai preparando o Sínodo especial dos Bispos sobre a Amazónia (Outubro de 2019), esta experiência de um catequista e animador leigo de várias comunidades cristãs ao longo do grande rio Amazonas pode ajudar-nos a pensar sobre um aspecto da vida das nossas comunidades que me parece importantíssimo, mas que pode estar a ficar esquecido: comer do mesmo prato.
Quando celebramos a Eucaristia, são absolutamente centrais os dois gestos de “comer do mesmo pão”, e “beber do mesmo cálice”. Algumas controvérsias teológicas do passado sobre a presença real de Jesus na Eucaristia, e talvez também a falta de cuidado de nós sacerdotes na maneira como conduzimos a celebração, levam muitas comunidades a prestar pouca atenção a estes dois gestos fundamentais da Missa.
É curioso notar que nas quatro narrações que temos no Novo Testamento sobre estes dois gestos de Jesus (Mateus, Marcos, Lucas e 1 Coríntios) os textos colocam ao centro da atenção o comer juntos do mesmo pão que foi partido e repartido por todos, e o beber todos do mesmo cálice (melhor traduzindo como «malga» ou «tijela»?). Os estudiosos destes textos chamam à atenção para um pormenor interessante: quando chega o momento de beber, a ênfase é toda sobre o «beber do mesmo recipiente»; o conteúdo que se bebe parece ficar em segundo plano. E, no texto de S.Paulo (1 Cor 11,25…), nem sequer fala do vinho.
Uma comunidade de pessoas de todas as idades e condições de vida que se reúnem para escutar a Palavra de Deus e comer juntos do mesmo pão repartido e beber todos do mesmo “cálice” de Jesus são sinais que, se bem feitos, têm uma força extraordinária de comunhão! Seria preciso talvez adaptar alguma coisa na nossa maneira tradicional de celebrar a Eucaristia, para dar força a estes gestos de “comer todos do mesmo pão” e “ beber todos do mesmo cálice”. Se há gestos que criam aquilo que significam, estes são certamente desses! Como o grande prato comum das comunidades do animador José Valdeci, ao longo do rio Amazonas. Sentar-se todos à volta daquele prato era muito mais do que encher a barriga de carne assada ou peixe fresco. Conseguiremos nós fazer com que o “comer todos do mesmo pão” e “beber todos do mesmo cálice” volte a ter a força que Jesus lhes quis dar?
Pe Fernando Domingues-Missionário Comboniano
Artigo retirado da Revista “além-mar” de Setembro de 2018, na rúbrica “APONTAMENTOS”.