domingo, 22 de março de 2026

E AINDA SE PERGUNTA SE LÁZARO RESSUSCITOU FISICAMENTE, ESTÁ MORTO


V- Domingo Quaresma -Ano A

Texto Sagrado: Jo11, 1-45

"Água, luz, vida. Estas são três metáforas poderosas que nos tentam levar para além de toda a lógica. Se insistirmos em interpretá-las literalmente, distorcemos o texto e ficamos privados da verdadeira mensagem.

Tudo é simbólico. Uma família de irmãos, a nova comunidade. Jesus integrado no grupo através do seu amor por cada um. Alguns membros da comunidade preocupam-se com a saúde dos outros. A falta de lógica na narrativa obriga-nos a ir além de uma interpretação literal.

Se nos perguntarmos se Lázaro ressuscitou fisicamente, significa que ainda estamos mortos. A alternativa não é esta vida cá em baixo ou outra vida depois, mas uma continuação desta. A alternativa é: apenas a vida biológica, ou a Vida definitiva durante esta vida física, mas para além dela. Que Lázaro ressuscite apenas para morrer de novo não faz sentido. Nenhum outro texto do Novo Testamento menciona um acontecimento tão espetacular.

"Eu sou a ressurreição e a vida". Jesus não veio prolongar a vida física; veio comunicar a Vida de Deus. Esta Vida anula os efeitos catastróficos da morte biológica. Perante a morte natural, a Vida que se segue aparece como uma renovação da vida que termina. Na realidade, é a única Vida verdadeira.

Jesus corrige o conceito de "ressurreição no último dia", que Marta partilhou com os fariseus. Para João, o último dia é o dia da morte de Jesus, no qual, com o dom do Espírito, se completa a criação da humanidade. É uma vergonha continuarmos a depender da fé para a vida depois da morte, que Jesus declara insuficiente.

"Onde o colocaram?" Isto indica que foram eles que colocaram Lázaro no túmulo, um lugar de morte sem esperança. O túmulo não é o lugar apropriado para aqueles que juraram fidelidade a Jesus. Ao dizer-lhes: "Tirem a pedra", Jesus pede à comunidade que abandone as suas crenças. Os mortos não precisam de ser separados dos vivos. Os mortos podem estar vivos e os vivos, mortos.

Algo já está a cheirar mal. A trágica realidade da morte é incontornável. Marta ainda pensa que a morte é o fim. Jesus quer mostrar-lhe que não é o fim; mas também que sem a “morte” a verdadeira Vida não pode ser alcançada. A morte deixa de ser o horizonte final da vida quando é abraçada. Ninguém está isento de morrer.

Ao remover a pedra, a fronteira entre os mortos e os vivos desaparece. A pedra impedia a entrada e a saída de qualquer pessoa. Era o sinal do fim da existência. A pesada laje de pedra ocultava a presença da Vida para além da morte. Jesus sabe que Lázaro aceitou a Vida antes de morrer, e é por isso que continua a viver.

"Lázaro, vem cá para fora!" O túmulo onde o tinham colocado não era o seu lugar. O crente não está destinado ao túmulo porque continua a viver. Os destinatários do clamor são eles, e não Lázaro. "Vinde todos vós para a verdadeira vida!"

"O morto saiu com os braços e as pernas atados". O ser humano, que não nasce para uma nova Vida, permanece atado de pés e mãos, incapaz de crescer como tal. Mais uma vez, é impossível compreender a frase literalmente. Como poderia ele sair se os seus pés estavam atados? Parecia um cadáver, mas estava vivo.

Lázaro possui todos os atributos da morte, mas sai por si porque está vivo. A comunidade precisa de tomar consciência da sua nova situação. Foram eles que o aprisionaram e são eles que o devem libertar. Lázaro não regressa à comunidade, mas é libertado. Agora, sabendo que morrer não significa deixar de viver, podem oferecer a sua vida como Jesus fez.

Irmão Marcos"

Imagem: Retirada do Google imagens em 22.03.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola-5º Domingo da Quaresma-Ano A, em 22.03.2026. Tradução livre

sábado, 14 de março de 2026

CAMINHOS PARA A FÉ


IV- Domingo Quaresma -Ano A

Texto Sagrado: Jo 9, 1-41

"A história é inesquecível. Tradicionalmente chamada "a cura do cego de nascença", é muito mais do que isso, pois o evangelista descreve a viagem interior de um homem perdido na escuridão até encontrar Jesus, "Luz do mundo".

Não sabemos o seu nome. Sabemos apenas que é um mendigo, cego de nascença, que pede esmola à porta do Templo. Ele não conhece a luz. Nunca a viu. Não consegue andar nem orientar-se. A sua vida desenrola-se na escuridão. Nunca conhecerá uma vida digna.

Um dia, Jesus cruza-se no seu caminho. O cego é tão necessitado que permite que Jesus trabalhe nos seus olhos. Não sabe quem é Jesus, mas confia no seu poder de cura. Seguindo as instruções de Jesus, purifica a sua visão no Tanque de Siloé e, pela primeira vez, começa a ver. O encontro com Jesus mudará a sua vida.

Os vizinhos vêem-no transformado. É o mesmo homem, mas parece uma pessoa diferente. O homem explica a sua experiência: “Um homem chamado Jesus” curou-o. Ele não sabe mais nada. Não sabe quem é Jesus nem onde está, mas Jesus abriu-lhe os olhos. Jesus faz o bem mesmo àqueles que O reconhecem apenas como homem.

Os fariseus, conhecedores da religião, fazem-lhe todo o tipo de perguntas sobre Jesus. Fala-lhes da sua experiência: “Só sei de uma coisa: eu era cego e agora vejo”. Perguntam-lhe o que pensa de Jesus, e ele diz-lhes o que sente: “Que é um profeta”. O que ele recebeu dele é tão bom que esse homem deve vir de Deus. É assim que muitas pessoas simples experimentam a sua fé em Jesus. Não percebem de teologia, mas sentem que este homem vem de Deus.

Aos poucos, o mendigo é deixado sozinho. Os seus pais não o defendem. Os líderes religiosos expulsam-no da sinagoga. Mas Jesus não abandona aqueles que o amam e o procuram. “Quando ouviu que o tinham expulsado, foi procurá-lo.” Jesus tem os seus próprios meios de encontrar aqueles que O procuram. Ninguém o pode impedir.

Quando Jesus encontra o homem que ninguém parece compreender, faz-lhe apenas uma pergunta: “Crês no Filho do Homem?” Crê no novo Homem, o Homem plenamente humano precisamente porque é a encarnação do insondável mistério de Deus? O mendigo está disposto a acreditar, mas vê-se mais cego do que nunca: “E quem é ele, Senhor, para que eu acredite nele?”

Jesus diz-lhe: “Já O viste: é aquele que está a falar contigo.” Os olhos do cego abrem-se. Prostra-se diante de Jesus e diz: “Eu creio, Senhor.” Só ouvindo Jesus e permitindo que nos guie interiormente é que caminhamos para uma fé mais plena e também mais humilde.

José António Pagola"

Imagem: Retirada do Google imagens em 14.03.2026;

Texto: Retirado da partilha da página Facebok de José António Pagola-4º Domingo da Quaresma-Ano A, em 14.03.2026. Tradução livre


Ô mon Bien-Aimé | Emmanuel Music

 

Ó meu Bem-Amado, Jesus meu Senhor,

verdadeira alegria do coração:   mais que o mel

 Tua doce presença,   vem-nos encher da tua alegria!

Iesu, Iesu,

Iesu, Adoramus te!

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te!

Tu confortas aquele que pede perdão; 

dás coragem ao fraco que confia em Ti.   Consolador

de quem Te procura,   do que Te encontra, grande alegria!


Ninguém pode exprimir tua graça e poder,   nenhum hino

contém teu imenso amor.   Mas quem mergulha

em teu coração,   encontra a vida que não tem fim!

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te!

Sê a fonte da nossa alegria, Jesus.   Tu, o

nosso tesouro  um dia nos céus.  Que a nossa

glória  repouse em Ti.   Agora e sempre, Ámen!

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te! 

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus

Iesu, Adoramus te!

sábado, 7 de março de 2026

DEUS É SOMENTE ESPÍRITO

III-Domingo Quaresma -Ano A

Texto Sagrado: Jo 4,5-42

"Hoje e nos próximos dois domingos, vamos ler os Evangelhos de João: a mulher samaritana, o cego de nascença e a ressurreição de Lázaro. O "Eu Sou" de João se repete nos três: Eu sou a água viva, a luz, a vida. A narrativa é uma catequese que nos convida a seguir Jesus-Vida.

Os samaritanos eram desprezados pelos judeus como hereges. O pior insulto que se podia dirigir a um judeu era chamá-lo de samaritano. Sem essa chave, a narrativa não pode ser compreendida.

Jesus é a água viva, que substituirá a Lei e o Templo. Esta é a chave para toda a narrativa. A mulher não tem nome; ela representa a região da Samaria, que saciará sua sede na tradição. Jesus está sozinho. Este é o encontro do Messias com a Samaria, a infiel. O profeta Oséias da Samaria havia denunciado a prostituição desta terra.

Jesus toma a iniciativa pedindo água à mulher samaritana. Ele se aproxima dela implorando por ajuda. Ela tem o que lhe falta e de que precisa: água. A surpresa da mulher é compreensível. Jesus acaba de derrubar uma dupla barreira: a que separava judeus e samaritanos, e a que separava homens e mulheres. Ele reconhece que uma mulher pode lhe oferecer algo.

Jesus lhe pediu um favor, mas é para retribuir com um muito maior. Jesus mostra-se acima das circunstâncias aparentemente adversas. A mulher não conhece outra água além daquela do poço (a lei), que só pode ser obtida por meio do esforço humano. Como os judeus, ela não descobriu que existe um dom gratuito e melhor de Deus.

A água — o Espírito — que Jesus dá torna-se uma fonte que continuamente dá Vida. Essa Vida contém energia suficiente para desenvolver cada ser humano a partir de sua dimensão pessoal mais profunda. O homem recebe a Vida nas profundezas do seu ser. A água precisa ser tirada do poço; O Espírito está sempre profundamente dentro de cada um.

João é um mestre em usar o mal-entendido de uma afirmação para enfatizar a explicação. Jesus fala da Vida, e a mulher samaritana fala da água para beber. A melhor demonstração de que mantemos essa ambivalência é que a primeira leitura é a passagem de Êxodo, onde a prova de que Deus está com o povo é que Ele lhes dá água.

O significado dos versículos, que se referem a maridos, deve ser buscado no contexto profético, que nos leva ao relacionamento infiel de Samaria com Deus. Samaria teve cinco deuses, e aquele que eles têm agora (Javé), por compartilhá-Lo, também não é o seu verdadeiro deus.

Em Jesus, a atitude de Deus é personificada: Ele não rompeu com Samaria, mas a procura ativamente. A água tradicional (a Lei) não havia saciado a sede do povo. Sua busca os levou a uma multiplicidade de maridos — senhores — deuses.

A mulher samaritana descobre que Jesus é um profeta. A imagem que ela tem do Messias é a de um profeta como Moisés. Ela permanece apegada à tradição de "nossos ancestrais". Ela busca a solução nos costumes antigos, a única realidade que conhece.

Para Jesus, até mesmo o Templo de Jerusalém está corrompido. Ambas as alternativas estão erradas. Sua oferta é algo novo. É uma mudança radical. O próprio Jesus será o lugar do encontro com Deus. O relacionamento direto com Deus tornará possível a unidade e o amor.

"Deus é Espírito." Devemos ter em mente que, da perspectiva grega, "Espírito" significa simplesmente um ser imaterial. Da perspectiva judaica, possui uma gama muito rica de significados. Significa que Deus é poder, o dinamismo do amor, Vida.

O culto antigo era uma humilhação diante de um Deus soberano; enfatizava a distância. O novo culto eleva a humanidade e elimina essa distância. Deus não precisa nem espera presentes de nós. Os hereges samaritanos estão mais próximos de Deus do que os judeus ortodoxos.

Irmão Marcos"

Imagem: Retirada do Google imagens em 07.03.2026;

Texto: Retirado  da partilha da página Facebok de José António Pagola-3º Domingo da Quaresma-Ano A, em 07.03.2026. Tradução livre


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Vem salvar nos, Senhor

 

Feliz Quaresma 2026! 
Aproveita bem estes 40 dias para te encontrares com o Senhor, que veio, vem e virá para te salvar!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Menos ais, quero muito mais

                               https://youtu.be/rK8xaNrWSmY?si=nEJxjB-WZO077e9M

Fonte: Youtube-"10 minutos com Jesus" https://www.blogger.com/blog/post/edit/6295148518364359132/1203343430355371490


As Cinco Chagas do Senhor

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Naquele tempo, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: «Tenho sede».

Estava ali um vaso cheio de vinagre. Prenderam a uma vara uma esponja embebida em vinagre e levaram-Lha à boca.
Quando Jesus tomou o vinagre, exclamou: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, expirou.
Por ser a Preparação da Páscoa, e para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado – era um grande dia aquele sábado – os judeus pediram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Os soldados vieram e quebraram as pernas ao primeiro, depois ao outro que tinha sido crucificado com ele.
Ao chegarem a Jesus, vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados trespassou-Lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
Aquele que viu é que dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que também vós acrediteis.
Assim aconteceu para se cumprir a Escritura, que diz: «Nenhum osso lhe será quebrado».
Diz ainda outra passagem da Escritura: «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram».

Comentário do dia:  São Tomás de Aquino (1225-1274), teólogo dominicano, doutor da Igreja. Comentário sobre a Epístola aos Gálatas, 6
O nosso título de glória é o Filho do Homem entregue nas mãos dos homens
«Quanto a mim, Deus me livre de me gloriar a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo», diz São Paulo (Gal 6,14). Repara, observa Santo Agostinho: onde o sábio segundo este mundo julgou encontrar a vergonha, aí descobriu o apóstolo Paulo um tesouro; pois aquilo que para outro é loucura é para ele sabedoria (1Cor 1,17s) e título de glória.
Com efeito, cada um retira a sua glória daquilo que, a seus olhos, o torna grande; se julga ser um homem importante por ser rico, glorifica-se nos seus bens. Mas aquele que não encontra grandeza para si senão em Jesus Cristo põe a sua glória apenas em Jesus; assim era o apóstolo Paulo, que dizia: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim»(Gal 2,20). É por isso que apenas se gloria em Cristo, e sobretudo na cruz de Cristo. É que nesta cruz estão reunidos todos os motivos de glória que um homem pode ter.
Há pessoas que retiram a sua glória da amizade com os grandes e poderosos; Paulo, porém, apenas tem necessidade da cruz de Cristo, onde descobre o sinal mais evidente da amizade de Deus: «Deus demonstra o seu amor para connosco pelo facto de Cristo haver morrido por nós quando ainda éramos pecadores» (Rom 5,8). Não, nada manifesta tão bem o amor de Deus para connosco como a morte de Cristo. «Oh, testemunho inestimável do amor!», exclama São Gregório. «Para resgatar o escravo, entregastes o Filho!»
Imagem:Retirada do Google imagens em 07.02.2026;
Texto: Retirado  do site “Evangelho Quotidiano - 07-02-2017-Cinco Chagas do Senhor-Festa

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Um em Cristo, unidos na missão


MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
PARA O 100º DIA MUNDIAL DAS MISSÕES

[18 de outubro de 2026]

[Multimídia]

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Queridos irmãos e irmãs!

Para o Dia Mundial das Missões de 2026, que marca o centenário desta celebração, instituída por Pio XI e tão estimada pela Igreja, escolhi o tema «Um em Cristo, unidos na missão». Após o Ano Jubilar, desejo exortar toda a Igreja a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança.

Refletindo sobre o nosso ser um em Cristo e unidos na missão, deixemo-nos guiar e inspirar pela graça divina, para «renovar em nós o fogo da vocação missionária» e avançar juntos no empenho pela evangelização, numa «nova era missionária» na história da Igreja (Homilia na Missa pelo Jubileu do Mundo Missionário e dos Migrantes, 5 de outubro de 2025).

1. Um em Cristo. Discípulos-missionários unidos n’Ele e com os irmãos e irmãs

No centro da missão está o mistério da união com Cristo. Antes da sua Paixão, Jesus orou ao Pai: «Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós» (Jo 17, 21). Nestas palavras, revela-se o desejo mais profundo do Senhor Jesus e, ao mesmo tempo, a identidade da Igreja, comunidade dos seus discípulos: ser uma comunhão que nasce da Trindade e que vive da e na Trindade, ao serviço da fraternidade entre todos os seres humanos e da harmonia com todas as criaturas.

Ser cristão não é, em primeiro lugar, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no Espírito Santo. Significa permanecer em Cristo como os ramos na videira (cf. Jo 15, 4), imersos na vida trinitária. Desta união, brota a comunhão recíproca entre os crentes e nasce toda a fecundidade missionária. Sim, como ensinou São João Paulo II, a comunhão representa a fonte e, simultaneamente, o fruto da missão (cf. Exort. ap. Christifideles laici, 32).

Sendo assim, a primeira responsabilidade missionária da Igreja é renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros. Em muitas situações, assistimos a conflitos, polarizações, incompreensões, desconfiança mútua. Quando, também nas nossas comunidades, isto acontece, o seu testemunho enfraquece. A missão evangelizadora, que Cristo confiou aos discípulos, requer primeiramente corações reconciliados e desejosos de comunhão. Nesta ótica, será importante intensificar o compromisso ecuménico com todas as Igrejas cristãs, aproveitando também as oportunidades suscitadas pela comum celebração do 1700.º aniversário do Concílio de Nicéia.

Por último, mas não menos importante, ser «um em Cristo» chama-nos a manter sempre o olhar voltado para o Senhor, para que Ele esteja verdadeiramente no centro da vida pessoal e comunitária, de cada palavra, ação, relação interpessoal, de modo a fazer-nos dizer com admiração: «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20). Isto será possível na escuta constante da sua Palavra e na graça dos Sacramentos, para sermos pedras vivas da Igreja, chamada hoje a recolher as instâncias fundamentais do Concílio Vaticano II e do subsequente Magistério pontifício, em particular, do Papa Francisco. Realmente, como afirma São Paulo, «não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor» (2 Cor 4, 5). Reitero, portanto, as palavras de São Paulo VI: «Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 22). Tal processo de genuína evangelização começa a partir do coração de cada cristão para depois se expandir a toda a humanidade.

Por conseguinte, quanto mais estivermos unidos em Cristo, mais poderemos realizar juntos a missão que Ele nos confia.

2. Unidos na missão. Para que o mundo creia em Cristo Senhor

A unidade dos discípulos não é um fim em si mesma: ela está orientada para a missão. Jesus afirma-o com clareza: «para que assim […] o mundo creia que Tu me enviaste» (Jo 17, 21). É no testemunho de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária que o anúncio do Evangelho encontra toda a sua força comunicativa.

Nesta perspectiva, vale a pena recordar o lema do Beato Paulo Manna: «Toda a Igreja para o mundo inteiro», que expressa sinteticamente o ideal que animou a fundação, em 1916, da Pontifícia União Missionária. A ela, no seu 110.º aniversário, pelo empenho em animar e formar o espírito missionário de sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos, favorecendo a união de todas as forças evangelizadoras, vai o meu reconhecimento e a minha bênção. Com efeito, nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja. Como o Papa Francisco recordou mais de uma vez, o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta, comunitária, sinodal.

Por isso, estar unidos na missão significa guardar e alimentar a espiritualidade de comunhão e colaboração missionária. Crescendo dia a dia nessa atitude, aprendemos com a graça divina a olhar cada vez mais para os nossos irmãos e irmãs com olhos de fé, a reconhecer com alegria o bem que o Espírito suscita em cada um, a acolher a diversidade como riqueza, a carregar os fardos uns dos outros e a buscar constantemente a unidade que vem do Alto. Pois temos juntos uma única missão que nos vem de «um só Senhor, uma só fé, um só baptismo; um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos» (Ef 4, 5-6). Esta espiritualidade constitui a forma quotidiana do discipulado missionário. Ela ajuda-nos a recuperar uma visão universal da missão evangelizadora da Igreja, superando a fragmentação dos esforços e divisões de facções – “de Paulo”, “de Apolo” – entre os seguidores do único Senhor (cf. 1 Cor 1, 10-12).

Obviamente, a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade, mas como convergência dos diferentes carismas para o mesmo objetivo: tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele. A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam plena e harmoniosamente na mesma fé. Encorajo, deste modo, as instituições e realidades eclesiais a fortalecer o sentido de comunhão missionária eclesial e a desenvolver com criatividade formas concretas de colaboração entre si para a missão e na missão.

A propósito, agradeço às Pontifícias Obras Missionárias pelo serviço à cooperação missionária, que experimentei com apreço já durante o meu ministério no Peru. Estas obras – Propagação da FéInfância MissionáriaSão Pedro Apóstolo e União Missionária – continuam a alimentar e a formar a consciência missionária dos fiéis, seja dos pequenos aos crescidos, e a promover uma rede de oração e caridade que une as comunidades de todo o mundo. É significativo que a fundadora da Obra para a Propagação da Fé, a Beata Pauline Marie Jaricot, tenha idealizado, há duzentos anos, o Rosário Vivo, que ainda hoje reúne à distância numerosos fiéis em grupos para rezar pelas necessidades espirituais e missionárias. É importante recordar que, precisamente a partir de uma proposta da Obra para a Propagação da FéPio XI instituiu, em 1926, a celebração do Dia Mundial das Missões, cujas ofertas recolhidas anualmente são por ela distribuídas, em nome do Papa, para as várias necessidades da missão da Igreja. Desta forma, as quatro Obras, em conjunto e cada uma na sua especificidade, continuam a desempenhar um papel precioso para toda a Igreja. Elas são um sinal vivo da unidade e da comunhão missionária eclesial. Convido todos a colaborar com elas com espírito de gratidão.

3. Missão do amor. Anunciar, viver e partilhar o amor fiel de Deus

Se a unidade é a condição da missão, o amor é a sua essência. A Boa Nova que somos enviados a anunciar ao mundo não é um ideal abstrato: é o Evangelho do amor fiel de Deus, encarnado no rosto e na vida de Jesus Cristo.

A missão dos discípulos e de toda a Igreja é a continuação, no Espírito Santo, da missão de Cristo: uma missão que nasce do amor, que se vive no amor e que conduz ao amor. Tanto é verdade que o próprio Senhor, na sua grande oração ao Pai antes da Paixão, depois de invocar a unidade dos discípulos, conclui assim: «O amor que me tiveste esteja neles e Eu esteja neles também» (Jo 17, 26). Os Apóstolos, portanto, evangelizaram movidos pelo amor de Cristo e por Cristo (cf. 2 Cor 5, 14). Da mesma forma, ao longo dos séculos, numerosos cristãos, mártires, confessores, missionários, deram a vida para dar a conhecer este amor divino ao mundo. Assim, a missão evangelizadora da Igreja continua guiada pelo Espírito Santo, Espírito de amor, até ao fim dos tempos.

Por isso, desejo agradecer especialmente aos atuais missionários e missionárias ad gentes: pessoas que, como São Francisco Xavier, deixaram a sua terra, a sua família e as seguranças para anunciar o Evangelho, levando Cristo e o seu amor a lugares muitas vezes difíceis, pobres, marcados por conflitos ou culturalmente distantes. Apesar das adversidades e dos limites humanos, eles continuam a doar-se com alegria porque sabem que o próprio Cristo, com o seu Evangelho, é a maior riqueza a partilhar. Com a sua perseverança, mostram que o amor de Deus é mais forte do que qualquer barreira. O mundo ainda precisa destes corajosos testemunhos de Cristo, e também as comunidades eclesiais necessitam de novas vocações missionárias, que devemos sempre ter no coração e rezar continuamente por elas ao Pai. Que Ele nos conceda o dom de jovens e adultos dispostos a deixar tudo para seguir Cristo no caminho da evangelização até aos confins da terra!

Admirando os missionários e as missionárias, faço um apelo especial à Igreja: unirmo-nos todos a eles na missão evangelizadora através do testemunho da vida em Cristo, da oração e do contributo para as missões. Muitas vezes, bem o sabemos, «o Amor não é amado», como disse São Francisco de Assis, a quem olhamos de modo particular pelos oitocentos anos do seu trânsito para o Céu. Deixemo-nos contagiar pelo seu desejo de viver no amor do Senhor e de o transmitir ao próximo e ao distante, porque, como ele afirmava, «muito se deve amar o amor d’Aquele que muito nos amou» (São Boaventura de Bagnoregio, Legenda Maior, cap. IX, 1; Fontes franciscanas, 1161). Sentimo-nos também estimulados pelo zelo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que se propôs continuar a sua missão mesmo depois da morte, declarando: «No Céu, desejarei a mesma coisa que na terra: amar Jesus e fazê-Lo amar» (Carta ao reverendo M. Bellière, 24 de fevereiro de 1897).

Animados por estes testemunhos, comprometamo-nos todos a contribuir, cada um segundo a própria vocação e dons recebidos, para a grande missão evangelizadora, que é sempre obra do amor. As vossas orações e o vosso apoio concreto, especialmente por ocasião do Dia Mundial das Missões, serão uma grande ajuda para levar o Evangelho do amor de Deus a todos, especialmente aos mais pobres e necessitados. Cada dom, mesmo o menor entre eles, torna-se um ato significativo de comunhão missionária. Por isso, renovo o meu sincero agradecimento «por tudo o que fareis para me ajudar a ajudar os missionários em todo o mundo» (Videomensagem para o Dia Mundial das Missões 2025). E para promover a comunhão espiritual, deixo-vos, com a minha bênção, esta simples oração:

Pai santo, concedei-nos ser um em Cristo, enraizados no seu amor que une e renova. Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão, dóceis ao Espírito Santo, corajosos no testemunho do Evangelho, anunciando e encarnando todos os dias o vosso amor fiel por cada criatura.

Abençoai os missionários e as missionárias, sustentai-os no seu esforço, guardai-os na esperança!

Maria, Rainha das missões, acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra: tornai-vos instrumentos de paz e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva. Amém.

Vaticano, no III domingo do Tempo Comum, Festa da Conversão de São Paulo Apóstolo, 25 de janeiro de 2026

LEÃO PP. XIV

Texto: Retirados do Site do Vaticano - http://www.vatican.va/ em 27/01/2026; 

Imagem: Retirada da "Google imagens" em 27/01/2026;

sábado, 17 de janeiro de 2026

DEUS É AMOR...

O Profeta Jeremias estava detido no átrio da prisão que existia no palácio real. Nas ruas de Jerusalém, nem homens nem animais, havia apenas um silêncio ensurdecedor. Jerusalém estava prestes a ser destruída , o povo estava a ser deportado para o "Exilio da Babilónia". Mesmo assim, o profeta  anuncia a Palavra do SENHOR, Palavra de Esperança e Promessa:

«Eis que virão dias
em que cumprirei a promessa favorável
que fiz à casa de Israel e à casa de Judá
- oráculo do SENHOR.
 Nesses dias e nesse tempo,
suscitarei de David um rebento de justiça,
que praticará o direito e a equidade no país.
 Nesses dias, Judá será salvo
e Jerusalém viverá em segurança.
Este é o nome com o qual será chamada:
'SENHOR - nossa justiça.'»
 Jr 33, 14-16

Na liturgia do presente Domingo (Ano A-II Domingo do Tempo Comum) João Baptista testemunha o cumprimento da profecia de Jeremias:

 “No dia seguinte, ao ver Jesus, que se dirigia para ele, exclamou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É aquele de quem eu disse: 'Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.'
 Eu não o conhecia bem; mas foi para Ele se manifestar a Israel que eu vim baptizar com água.» E João testemunhou: «Vi o Espírito que descia do céu como uma pomba e permanecia sobre Ele. E eu não o conhecia, mas quem me enviou a baptizar com água é que me disse: 'Aquele sobre quem vires descer o Espírito e poisar sobre Ele, é o que baptiza com o Espírito Santo'.Pois bem: eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.»” Jo 1, 29-34

Jesus é o rebento de Justiça, é a verdadeira Justiça, a Misericórdia Divina! Ama-O, pois Ele primeiro te amou!

Imagem: Retirada da "Google imagens" em 17/01/2026;

Levons les yeux | Emmanuel Music

Tu as mis sur moi ta main | Emmanuel Music

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Debout, resplendis | Emmanuel Music

 
Refrão: Jerusalém, Jerusalém, deixa o teu luto e a tristeza!
            Jerusalém, Jerusalém, canta e dança p'ra Teu Deus!

Põe-te de pé, eis que chega a tua luz,
Sobre ti a glória do Senhor (bis)
Levanta os olhos e avista ao longe,
Que o teu coração rejubile.
Eis os Teus filhos que voltam para Ti,
E as tuas filhas cheias de alegria.

Todas as nações caminharão à Tua luz
E os reis à Tua claridade. (bis)
Grandes riquezas virão a Ti,
Todos os rebanhos de Cedar e de Efá,
Vindos de Sabá trazem ouro e incenso,
Cantando a glória do Senhor.